Dentro de quatro paredes adornadas por objetos simbólicos e faixas com slogans sedutores, o microfone se torna um revólver potencialmente armado, quem o manuseia se torna o algoz, o púlpito transforma-se numa torre de um castelo, de onde se atenta com os olhos arregalados e flamejantes para os pobres cordeirinhos que anseiam pelo abate final. Enquanto as balas são disparadas, o coração do carrasco alegra-se com tamanha euforia, na espectativa de um amanhã repleto de boas-novas para contar aos seus semelhantes. O amor pintado com sangue é fruto de uma divindade criada á imagem e á semelhança do homem. Sorrisos comprados por falsas promessas de uma vida sem espinhos no meio do caminho. Roupas confeccionadas de forma minuciosa escondem a alma em estado de putrefação. Tapetes elegantes e estendidos que conduzem o rebanho ao cárcere psíquico. Corações adormecidos pela essência de uma inalcançável perfeição. Orgulhos que fazem o universo parecer um mera caixa de fósforos. O ódio que mantém acesas as chamas do inferno. Mentiras que escorrem pelas veias como uma fonte que jorra incessantemente. A carne devorada pelos corvos. A sede que nunca sacia o espírito, e o brilho que é sequestrado de cada olhar desfalecido. Este é o Novo Paraíso. Este, é o Novo Éden.

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