Literos era um mundo mágico no qual as pessoas viviam sossegadamente. Todos possuíam o hábito da leitura e amavam ler vários livros por dia, em outras palavras, um lugar democraticamente admirável. Nesse mundo maravilhoso havia uma família camponesa que se sustentava à base do cultivo do solo. Entre os familiares, havia uma menina chamada Cora. Ela tinha feições de uma bela criança, porém, ao contrário dos demais habitantes daquele mundo, ela detestava ler. Além do mais, tinha o costume de sair de casa para ficar brincando com as ovelhas do pasto que pertencia a seu pai. Contudo, havia uma lenda antiga preservada desde gerações passadas, de que um monstro de três metros de altura, tinha o costume de assombrar e caçar as pessoas que não gostavam de ler. Naquele exato dia, Cora estava brincando com as ovelhas distraidamente, até que de repente todas as ovelhas que estavam presentes naquele lugar saíram correndo amedrontadas, inclusive a que estava sendo agarrada pela menina. Ela ficou sem entender o porquê de aquelas criaturas terem fugido para longe. Uma sombra enorme e desconhecida a cobrira de forma abrupta. Ao olhar para trás, Cora ficara imóvel sem poder reagir, pois o medo se apossara dela como um lobo arrebata uma ovelha. Diante dela estava o grande e temível monstro. Os pais da menina estavam cuidando dos porcos. Vendo que não adiantava de nada escapar, ela cobriu o rosto com as mãos evitando a si mesma o efeito devastador daquela visão terrível. Após alguns segundos, aquele monstro de aparência terrível e assombrosa ergueu a mão direita em direção ao céu, fazendo aparecer uma espada negra que estava voltada para o sol. Naquele mesmo momento, o Sol escureceu e o monstro desapareceu por aquele momento. A jovem garota percebera que o mundo ao seu redor havia sido coberto pelas trevas. Sabendo ela que não havia nada naquele momento que poderia ser feito, ela permaneceu parada onde estava. A menina gritou pelo nome de seus pais. No entanto era inútil, pois o monstro que lhe aparecera levara-os junto consigo. Ela pôs-se a chorar copiosamente, como se tudo estivesse perdido naquele momento. Aos poucos, a escuridão que cobria a face de seu mundo afastava-se cada vez mais. A menina percebera algumas mudanças em sua voz e em seu corpo também. Assim que a luz voltara a iluminar novamente, Cora foi tomada por um súbito espanto, pois agora já não era uma jovem menina como dantes, mas sim uma senhora de aparentemente setenta anos de idade. _Ai, meu Deus! O que houve comigo? Minha voz - dizia ela consigo mesma - E o meu corpo! Estou velha. Para onde foram meus pais?
No
mesmo instante apareceu-lhe um vagalume simpático. _Seus pais foram raptados
pelo monstro Diotris. Um ser comandado pelo feiticeiro Talfir. O monstro
Diotris está com seus pais nas páginas de um livro mágico. Para resgatar os
seus pais você deve convencer todos os moradores de Literos a ler seu livro.
Desta forma você derrotará Diotris e o feiticeiro Talfir e também resgatará sua
família. - disse-lhe o vagalume.
- Mas, e quanto à minha juventude? - Cora lhe perguntou. - Infelizmente
não haverá nenhuma possibilidade de você recuperar sua juventude. Se você ainda
tiver a sorte de recuperar a sua família, viverá o restante dos anos que tiver
para viver juntamente com eles. - respondeu-lhe o inseto. - O que devo fazer
agora? - perguntou-lhe a menina. - Se você tiver algum papel e tinta para
começar a escrever seria um ótimo começo. - Mas eu não tenho nenhum papel e
nenhuma tinta. E como é que eu vou convencer todos os habitantes de Literos a
ler a minha estória, se nem mesmo eu gosto de ler? Isso sem falar que eu também
não sei escrever. - disse. - Sempre há uma primeira vez para tudo. Não se
preocupe! Num estalar de dedos vou fazer com que apareçam muitas folhas de
papel. Além disso, vou conduzir sua mão. Basta você ter uma estória na cabeça e
eu vou conduzir sua mão para escrevê-la - disse-lhe o vagalume. - Mas aqui não
é o local adequado. Vamos para minha casa. Lá eu posso escrever à vontade. -
disse-lhe Cora. Os dois entraram na casa. Assim que eles entraram o vagalume
estalou os dedos e num piscar de olhos várias folhas de papel apareceram. - Os
papéis estão aqui, mas cadê a tinta? - perguntou-lhe a menina. - Não se
preocupe. Eu sou a caneta e a tinta que você usará para escrever a sua
preciosíssima estória. Em um instante o vagalume transformou-se em uma linda
pena de escrever. Cora ficara extremamente admirada com tudo aquilo. Ela pegou
a pena com delicadez e assim colocou o primeiro papel sobre a mesa e de forma
mágica o vaga-lume conduziu a mão da menina como um ventríloco que manipulaa um
fantoche. E assim, ela começou a escrever. A tinta que saía da pena era uma
tinta dourada e brilhante, tão brilhante quanto as estrelas do imenso céu azul.
Uma senhora de setenta anos vestida com uma armadura reluzente, uma espada na mão direita e um escudo na outra. Ela andava pelas terras distantes junto de seu amigo vagalume. Eles estavam indo na direção de uma terra onde havia um monstro terrível chamado Diotris e um feiticeiro chamado Talfir. No entanto, havia vários osbtáculos no meio do caminho. De passagem para aquela terra os dois encontraram um abismo que dava para uma imensa cachoeira. Como eles não tinham nenhum recurso para construir uma ponte, a velha pulou em direção às águas daquela cachoeira. O vagalume a seguiu voando, no entando, sem se molhar. A velha teve de abandonar suas espada e seu escudo para poder nadar até a terra seca. O vagalume tentou apanhar o escudo e a espada dela, no entanto sua tentativa fora inútil. Ao chegar em terra seca, ela deparou-se com um monstro do mesmo tamanho que ela. O monstro possuía escamas arroxeadas, tinha cabeça de camaleão, e empenhava uma lança pontiaguda. - Você não é bem-vinda nessas terras, sua velha! - disse-lhe o monstro em um tom de voz furioso. - Você pensa que eu tenho medo de você, é? Já enfrentei monstros mais perigosos do que você. - disse-lhe a velha.- Pois então pode vir. - disse-lhe o monstro em tom de provocação. No momento em que ela ia avançar para batalhar contra o monstro, um velho vestido numa armadura prateada com uma espada na mão caiu da árvore por cima do monstro. O monstro ficara totalmente imóvel e inconsciente. O velho de armadura prateada aproveitou a situação e cortou-lhe a cabeça imediatamente. A velha ficara imóvel apenas olhando. Derrotado o monstro, o velho levantou-se e caminhou em direção a velha para cumprimentá-la. - Muito prazer, meu nome Ironildo. - Prazer, meu nome é Cora! - devolveu-lhe a senhora. - Você também quer derrotar o feiticeiro Talfir, né? - perguntou-lhe. - Sim! - respondeu-lhe. - Eu também quero derrotá-lo. Vamos juntos! Vou ajudar você. - disse-lhe o velho.
O vagalume ficara apenas observando Cora e o velho Ironildo conversando de longe. Ao aproximar-se deles, Ironildo apresentou-se ao vagalume dizendo. - Muito prazer! Sou Ironildo! - O prazer é todo meu! - complementou o gafanhoto. Ironilda deixara sua espada no gramado para então atirar-se ao rio na tentativa de pegar o escudo e a espada de Cora. Depois de trazê-los de volta, Ironildo os devolveu a Cora. Enquanto os dois conversavam no caminho, o vagalume observava-os enquanto balançava suas pequeninas asas. Aquilo tudo estava muito calmo para ser a verdade. De repente, eis que surgiram cavaleiros de armadura negra com chifres em seus capacetes. Eles empunhavam suas belas espadas. Eram todos enviados de Talfir, o feitiçeiro. Indo eles na direção de Cora e de Ironildo, os dois prepararam-se para se defender, muito embora já fossem de uma certa idade. No entanto, isso não queria dizer nada, pois tanta Cora como Ironilda tinham o mesmo vigor de outrora. Cora defendia os ataques e revidava com sua espada, enquanto Ironildo rolava para a direita e para a esquerda e atingia os soldados do feitiçeiro Talfir. Depois de um certo tempo, eis que todos os cavaleiros inimigos estavam deitados no chão. - Isso foi muito fácil! - exclamou o velho Ironildo. No mesmo instante em que Ironildo dissera tal coisa eis um monstro com tentáculos e olhos ao redor surgira do meio dos arbustos. Cora direcionou-lhe o olhar e lhe disse. - Porque você teve que dizer isso? - Há, há... foi só força do háabito, sabe? - respondeu-lhe o velho meio que sem jeito. O vagalume aproveitou a situação e lhes disse. - Senhores! Querem um conselho? - Quero sim! - disse-lhe Ironildo. - Vamos fugir daqui!!! - gritou o vagalume. O monstro começou a emitir raios vermelhos de seus olhos. O vagalume estava a frente de Cora e do velho Ironildo. Enquanto isso, os dois ziguezagueavam pelos campos verdejantes daquele chão. O monstro usou seus tentáculos paara mover-se em direção até eles. Contudo, houve um momento em que Cora e Ironildo, exceto o vagalume, não puderam se esconder. Eles tentaram elaborar algum plano que pudesse tirá-los daquela situação, mas o perigo era alto demais para permitir que eles pensassem naquela hora. Enquanto o monstro derrubava algumas árvores, o vagalume pegou uma jabuticaba e acertara-lhe em um de seus olhos enormes. O monstro enfureceu-se e correu atrás do vagalume. O vagalume aproveitou a situação e disse para os dois. - Cora! Ironilda! Ergam as suas espadas e escudos em direção ao poente! - O quê? - perguntou Cora meio que incrédula. - Vamos fazer o que o vagalume está dizendo. Com certeza ele de4ve saber de alguma coisa que nós ainda não sabemos. - disse-lhe Ironildo.
Sendo assim, Cora e Ironildo foram devagar até onde o monstro estava e ergueram suas armas em direção a luz do sol. O monstro lançou alguns raios vermelhos na direção deles, no entanto, os raios foram absorvidos pelas espadas que reluziam em contraste com a luz do sol. Assim que os raios atingiram a lâmina das espadas todos eles foram direcionados de volta para o monstro azul com vários tentáculos. Instantaneamente, aquele monstro trasnformara-se em uma estátua de pedra. - Foi bom vocês terem me escutado! Meus pais me disseram que Talfir havia criado um monstro terrível com tentáculos e olhos. Somone a a coragem e a bravura de dois cavaleiros poderiam destruir a força e o poder tenebroso deste monstro.
E assim prosseguiram os três, rumo ao castelo de Talfir.
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