QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU? - [ARTIGO DE OPINIÃO]

 


    Confesso que não estou insatisfeito pelo fato de ter escolhido um tema tão complexo e polêmico ao mesmo tempo para se abordar, mas o que me toma os nervos é saber que tal problema continuará sendo uma constante na vida daqueles cujas mentes são facilmente cativas pelas algemas da ignorância. Evidentemente minha proposta não é introjetar na mente do leitor a ideia de que todo cristão se comporta de maneira alienada devido ao seu suposto fanatismo religioso. Minha proposta é fazer com que cada indivíduo em sua devida particularidade procure entender o verdadeiro contexto das Sagradas Escrituras no intuito de poderem distinguir o falso do verdadeiro. Uma projeção feita pelo demógrafo José Eustáquio Diniz Alves aponta que os evangélicos podem ultrapassar os católicos e ser maioria no Brasil na década de 2030. 
De acordo com esta perspectiva, chegamos ao entendimento que a religião possui uma capacidade monstruosa de cativar o coração humano. Em qualquer denominação, não importa qual seja a sua vertente, desde que seja de natureza cristã, podemos notar a notável evidência de que o sistema religioso está inoculado em qualquer igreja, seja ela católica ou evangélica. O sistema religioso pode ser conceituado como um conjunto de subjetividades, inverdades, superstições, mistificações, experiências empíricas, técnicas de manipulação mental, incoerências bíblicas e toda e qualquer ideia cujo intuito seja o de manipular o comportamento humano em prol de interesses pessoais. E que tipo de interesses pessoais seriam esses, visto que a Bíblia é uma só? 
Embora o livro de fé e conduto ao qual chamamos de Sagradas Escrituras seja um só, existem líderes religiosos e outros adeptos do cristianismo mal intencionados. O próprio Cristo alertou os seus discípulos acerca dos falsos profetas e falsos líderes. Tal afirmação encontra-se em Mateus, capítulo sete, a partir do versículo de número quinze até o versículo de número vinte:

15"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.
16Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?
17Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.
18A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.

A cada dia novas heresias e novos pseudo-cristão vão aparecendo nas redes sociais tentando arrancar o pouco que as pessoas têm. Para tal façanha, eles se utilizam de toda e qualquer estratégia para manipular as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Essas mesmas estratégias também são aplicadas nas denominações, isto é, nas igrejas físicas. Mas afinal de contas, o que o livro tem a ver com tudo isso. Durante muitos anos fui manipulado e oprimido pelo sistema religioso. Tinha a certeza de que estava em boas mãos, quando na verdade, eu estava exposto como um cordeiro no meio de lobos devoradores. Exatamente por esta razão que senti a necessidade de escrever a obra. Infelizmente não será possível explicar todos os detalhes do livro de forma minuciosa, pois isto demandaria uma enorme quantidade de páginas. 
Acredito que, tal como nos dias atuais, a religião, o estado, a imprensa e a mídia se unificarão em prol do mesmo propósito, o propósito de controlar as massas. As classes sociais serão divididas a partir de nomenclaturas mais pejorativas. Os professores e demais pedagogos das instituições serão substituídos por drones altamente capazes de interagir com o ser humano. É claro que tudo isso não passa de uma visão cosmovisão política baseada em minha subjetividade. No entanto, acredito que muitas coisas caminharão a passos largos para uma falsa simplificação.
Na narrativa, temos a protagonista Joana, que no fim de tudo, não passa de mais uma mulher jovem alienada que obteve sucesso por relacionar-se com um ex-líder eclesiástico da igreja híbrida, uma espécie de igreja que passou a aceitar todas as heresias decorrentes do sistema religioso. O caos que se apresenta como uma pintura artística na cidade de Floriano é bem parecido com o caos descrito em 1984, obra escrita por George Orwell. A idade das trevas parece ter se instalado novamente em pleno século XXII, e nada ou ninguém poderia fazer absolutamente nada. O dilema daquela terrível e tangível realidade que se sobrepunha às retinas cansadas dos brasileiros era o seguinte dilema: “ACEITE A ESCRAVIDÃO OU MORRA SEM DIGNIDADE!”. Outra característica bastante tênue é a linguagem descrita pelo narrador. Ao lermos a obra percebemos o quão pejorativo é a linguagem. Para fins de esclarecimento eu optei por usar uma linguagem pornográfica com o intuito de atiçar a curiosidade do leitor e também, é claro, causar impacto. No entanto, minha intenção não foi somente causar impacto linguístico ao leitor. Minha principal intenção era adequar o contexto daquele mundo sombrio e bizarro que se apresenta diante dos olhos do leitor à narrativa. Além disso, também temos as cenas eróticas que estão presentes em quase todos os capítulos. Também é necessário explicar que meu intuito não foi o de banalizar a narrativa do livro, e sim de mostrar o hedonismo fortemente sustentado pela sociedade alicerçada numa falsa moralidade. 
O narcisismo é outra característica profundamente presente na narrativa do livro. Assim como nos dias de hoje, a população da cidade de Floriano, assim como as demais populações de outras cidades do país, passariam a cultuar a si mesmas, isto é, suas próprias imagens seriam veneradas tais quais os ídolos do Antigo Testamento. A tecnologia é outra ferramenta que trabalha para o sistema vigente. Coloquei o termo sistema vigente para me referir ao conjunto de poderes que atuam em prol do controle das massas, isto é, o sistema religioso, o governo, o estado, a tecnologia, a imprensa e as mídias sociais, todas essas coisas constituem o sistema vigente, e quem contra ele se rebelar será castigado das piores formas possíveis. Sabemos que na Idade Média, ou Idades das Trevas, os hereges eram aqueles que se opunham às ideias e dogmas ferrenhamente defendidos pela Igreja. Naquela época já existiam instrumentos de torturada engenhosamente construídos no intuito de “converter” ou até mesmo punir e executar aqueles que discordavam das doutrinas da Igreja.
O Martelo das Bruxas, ou Martelo das Feiticeiras, é um livro ou manual inquisitorial, publicado em 1486 ou 1487 pelo dominicano, Heinrich Kraemer e por James Sprenger na Alemana
O Martelo das Bruxas, ou O Martelo das Feiticeiras, é um livro, ou manual inquisitorial, publicado em 1486 ou 1487 pelo dominicano, Heinrich Kraemer e por James Sprenger, em cumprimento à bula papal Summis Desiderantis Affectibus de Inocêncio VIII e, segundo uma fonte, a pedido deste — sobre um manual de combate aos praticantes de heresias — e que tornou-se o guia dos inquisidores pelo restante do século XV e seguintes; embora no período existam outros manuais, este é um dos mais cruéis, ensinando sobre o ódio, tortura e morte. 
Com isto chegamos à compreensão de que a ignorância e o desejo pelo poder sempre geraram perseguições e mais violência. Temos um exemplo de uma terrível notícia que chocou o Brasil inteiro, tal acontecimento ocorreu na cidade de João Pessoa — (Paraíba), na data de 20 de Setembro de 2024. O caso de uma mãe que decapitou o filho de apenas 6 anos de anos em prol de uma crença religiosa. Segundo a revista Metrópoles (2024), a autora do crime costumava ver vídeos de rituais satânicos envolvendo sacrifícios. De fato, a religião tem um poder devastador de modificar a mente humana. Mas esse tipo de loucura não é praticado somente em nome do diabo, pois como bem sabemos, existiram as cruzadas. Guerras foram travados em nome de Cristo em prol de uma causa que Ele nunca defendeu: a violência. Quando Jesus disse que veio para trazer a espada Ele não estava falando no sentido literal da palavra, mas sim no sentido metafórico, pois essa espada refere-se ao conflito de ideias, pois o próprio Cristo, melhor do que ninguém, sabia muito bem que após a sua ressureição e ascensão ao céu muitas famílias entrariam em conflito por causa do judaísmo e do cristianismo. Sendo assim, a separação seria tanto no sentido geográfico como no sentido da comunhão familiar.
Interpretar a Bíblia é uma coisa deveras difícil, pois qualquer erro pode levar o ser humano à eterna perdição. Para isto o Espírito Santo nos foi enviado. Em João 16: 13 está escrito:

“quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.”

Através desta afirmação compreendemos que o cristão só pode ser conduzido à verdade por intermédio do Espírito Santo.
À cada dia que se passa, vemos por intermédio da televisão, das emissoras de rádio e também por meio das revistas eletrônicas os inúmeros escândalos que têm aparecido em nosso país e também no mundo inteiro. A pergunta que nos vira de ponta à cabeça é a seguinte: Até quando essa corrupção permanecerá corroendo a nossa sociedade? Infelizmente, é preciso dizer aqui, que a maioria desiludida dos brasileiros esperam por um “herói” que intervenha neste cenário caótico e nos emancipe de toda e qualquer alienação. Não sou adepto da corrente filosófica niilista, porém, converso o pensamento de que a coisa só irá piorar daqui pra frente. Não se trata de ver as coisas sob uma ótica pessimista, mas sim de enxergar a triste realidade com as lentes da realidade. É preciso abrir um parêntese para dizer aqui que eu não sou o dono da verdade, e que talvez eu esteja equivocado quanto a algumas coisas que eu tenha dito por meio deste texto escrito. Toda a problemática do mundo habitado pela ´personagem Joana provém de todas as experiências que tive com o sistema religioso e também por meio da observação minuciosa das coisas repugnantes que chegam a ser difíceis de se acreditar. Se você nunca parou para pensar de modo crítico, pergunte a si mesmo porque o nosso querido Brasil só passou a fundar uma universidade no Rio de Janeiro, exatamente no ano de 1920, em pleno século 20? Embora a resposta pareça bem óbvia, nem todos sabem o real motivo por trás desta informação. A verdade é que o Brasil, especificamente a igreja associada ao poder político, sempre teve um projeto de poder exercido sobre os brasileiros considerados leigos. Em outras palavras, quanto mais ignorante fosse o brasileiro maior seria a possibilidade de exercer autoridade política e eclesiástica.
Diante desse pressuposto, estamos diante de uma realidade histórica acompanhado por 500 anos de negacionismo, manipulação e alienação mental. No entanto, sinto-me satisfeito por um lado, pois em nosso país têm aparecido homens e mulheres corajosos. Pessoas que assim como eu também foram escravas por muito tempo nas mãos do sistema religioso, e que agora têm a coragem de denunciar este sistema maldito que corrói a alma do ser humano. Hoje congrego em uma igreja que considero uma igreja saudável. No entanto, considero a igreja apenas como um local de reunião entre pessoas do mesmo segmento religioso. O que me entristece é o fato de existirem pessoas evangélicas que idolatram o templo ou que atribuem algum tipo de poder místico ao templo. Qualquer pessoa, por mais leiga que seja em relação ao conhecimento teológico deveria saber de que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Então pergunta-se: “Se Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, então porque frequentar esses templos?”. Como um cristão consciente de si mesmo, eu sempre sustentei a ideia de que uma pessoa só deveria frequentar uma igreja, caso ela tivesse coerência bíblica. Mas não basta ter coerência bíblica. É preciso que os irmãos daquela denominação vivam em união. Um ambiente saudável faz toda a diferença quando se trata de convivência. No filme “Grandes Olhos” (2014), dirigido pelo diretor Tim Burton, Larry Karaszewski e Lynette Howell e escrito por Scott Alexander e Larry Karaszewski, mostra uma cena em que Margarete Keane (Amy Adams), vai à uma igreja consultar um padre. Mesmo em situação de abuso, apesar de o padre não tomar conhecimento do tal ocorrido, o padre diz para Margarete que o marido é o “cabeça da família”, e que ela deveria ser submissa a ele, em todas as circunstâncias. Através desta premissa, nos atemos à seguinte indagação: “Quantas vezes essa frase fora do contexto bíblico é dita por líderes religiosos todas as vezes que aparece uma mulher, vítima de abuso e violência?”. Por isso é que me ponho a dizer, que é necessário estudar a Bíblia de forma minuciosa, pois uma vez que a pessoa estude os versículos fora do verdadeiro contexto, essa pode, e vai, tornar-se mais uma vítima do sistema religioso.
Famílias e mais famílias estão se separando em prol de “verdades” que, em sua verdadeira essência, são mentiras fabulosas. A Idade Média recebeu o nome de “Idade das Trevas” porque a ciência não tinha nenhum espaço no meio da sociedade. Para você ter ideia, naquele tempo, algumas pessoas questionavam os líderes da igreja perguntando porque caíam raios. Os líderes, não tendo uma resposta científica e convincente, afirmavam dizendo que toda vez que caía um raio era porque Deus estava irado contra a humanidade. No entanto, poucos se atentavam ao fato de que alguns raios caíam sobre as igrejas. Então isso significava dizer que Deus também estava irado contra os líderes da igreja. Embora saibamos muito bem que um raio pode cair em qualquer ponto geográfico da Terra, muitas pessoas em pleno século XXI ainda conservam este tipo de pensamento arcaico e primitivo. Também é triste dizer o quão envolvidas as igrejas, em sua revoltante maioria, estão com o sistema político. Líderes dividindo os altares das igrejas com homens sem nenhum caráter ou dignidade. E porque a igreja deveria se preocupar com isso, uma vez esta realidade tornou-se tão palpável quanto um galho espinhoso? Embora este fato não seja novidade para ninguém, a igreja tem aceitado lobos com aparência de ovelhas dóceis. A questão que desejo levantar aqui não é o credo religioso dos políticos, pois não é preciso ter religião para se governar um país da maneira correta. A questão em ênfase aqui é o fato de até mesmo as igrejas que seguem um livro moral como um manual de fé e conduta, aceite que tais homens se infiltrem no meio dos mais vulneráveis. Para não ficarmos apenas na mesma temática, gostaria de ater-me um pouco mais à obra. Eleven é um livro cheio de coisas triviais que escandalizam até mesmo a mim. Para ser sincero comigo mesmo, jamais imaginei escrever uma obra que desse tanto trabalho, não apenas por conta do enredo em si, mas também pelas questões sociais envolvidas na narrativa. Embora esteja satisfeito com tudo aquilo que escrevi, sinto o peso da responsabilidade de publicar a obra. Tenho a consciência de que muitos críticos dirão que o livro é uma mistura de 1984, com 50 Tons de Cinza e Laranja Mecânica. Eu diria que tais críticos estão, de certo modo, certos em afirmar tal coisa. No entanto, eu me propus a inserir muito mais do que sexo e violência ácida. Poder-se-ia dizer que existe até um certo ar de graça em algumas páginas da obra. Evidentemente meu propósito primordial não foi causar a sensação de graça, mas sim o propósito de fazer com que o leitor a todo momento estivesse alerta às mensagens que eu transmito por meio da narrativa. O meu sincero desejo, é que as gerações futuras leiam este livro como uma obra atemporal. Não serei desonesto a ponto de me comparar com nenhum autor do passado, até porque não gosto de fazer isso. É preciso respeitar a estilística de cada um. Apenas quero que este livro seja divulgado pelos mais diferenciados tipos de públicos, até mesmo por aqueles que considerarem esta obra uma obra superficial. Não me importo. Todo autor precisa saber lidar com seus inimigos literários. 
Falando um pouco sobre a sociedade do mundo de Eleven, esta sociedade é uma sociedade totalmente entregue às suas paixões e devaneios sem sabores. Uma sociedade conformada com qualquer alimento que lhe ofereçam, mesmo que sejam fezes. Uma sociedade formada por corpos acéfalos no sentido metafórico da palavra. Pessoas que aceitam até mesmo serem estupradas em nome de Deus e do Estado. Digital Influencers que fazem qualquer coisa para obterem o número máximo de visualizações, curtidas e seguidores. Joana é apenas mais uma refém do sistema. Ela não tem nenhum poder para mudar o sistema regente daquele mundo corrompido. Ela é tal qual Alice no País das Maravilhas, uma pobre garota que não sabe coisa nenhuma e que sobrevive graças às regalias que seu companheiro, um ex-clérigo do sistema religioso que agora trabalha para outra entidade. O cabaré conhecido como “Hot Pussy” é uma sátira à hipocrisia majoritariamente palpável, visto que a maioria dos frequentadores do mesmo são da classe religiosa. Para implementar tais críticas, precisei usar de minha “loucura” para pintar tais cenas bizarramente inacreditáveis. Aproveito aqui a oportunidade de explicar a origem de tais cenas. Por vinte anos fui escravo, ou melhor dizendo, um consumidor compulsivo de pornografia. Confesso que já vi tanta coisa dentro do universo pornográfico que me fez desacreditar da própria humanidade. Se eu fosse adepto do antropocentrismo, até diria que o ser humano é onipotente, pois até hoje, tenho visto gente fazendo coisas que até os anjos se calam.  O que me dá mais alegria é fato de poder escrever aquilo que realmente gosto. Embora esta atitude pareça particularmente egocêntrico, sempre digo que a primeira pessoa para quem escrevo uma obra sou eu. Sei que o fato de eu gostar não significa necessariamente que todos receberão minha obra de forma positiva.
Acredito sinceramente que, por intermédio desta obra, consegui entregar o meu recada, e para ser mais enfático, mais nítido do que isso, somente uma injeção no braço. Meu propósito, a princípio, não é causar revolução, mas sim conscientizar a sociedade para que, se possível for, ninguém sofra ou passe pelas mesmas coisas horríveis que eu passei. É evidente que ninguém pode forçar ninguém a tomar nenhum tipo de atitude ou até mesmo a mudar a própria opinião. Considero que cada um, em sua devida particularidade, tem o direito às suas próprias escolhas, o que não existe na realidade fictícia de Joana. Olavo de Carvalho, grande professor e filósofo, disse certa disse: “Se você quer mudar o sistema, você é escravo dele. Está vivendo em função dele. O importante não é mudar o sistema, é você criar um outro para você mesmo e dizer: ‘Eu vivo no meu sistema, o seu é irreal." 
Talvez isto explique o porquê de hoje em dia cada ser humano, em seu devido direito de exercer a sua liberdade, criar um sistema, o qual possa chamar de seu. Foi exatamente o que aconteceu com os filósofos iluministas. Cada um deles queria criar o seu próprio sistema, isto é, a sua própria verdade. Cada ser humano carrega consigo o seu próprio sistema ou conjunto de valores preservados. Sigmund Freud nos exemplifica isso através de sua teoria psicanalítica chamada “A Estrutura da Personalidade”. Um outro autor e escritor que muito tem contribuído para a compreensão do comportamento humano é o livro “A Cruel Filosofia do Narcisismo”. Através desta obra, o autor Adelmo Marco Rossi nos mostra de forma didática o Narcisimo inerente a cada ser humano, isto é, o desejo de conquistar e dominar, não importa quais os meios usados. Neste livro, o autor nos mostra o desejo incontrolável do ser a fim de tornar-se “O Deus de si mesmo”, ou melhor dizendo, sua própria divindade auto venerada. A literatura de cada autor revela a natureza psicológica no que desrespeito ao comportamento humano. Podemos até afirmar que toda literatura, independentemente do seu gênero tenta explicar o comportamento por trás de todos os elementos existentes em nosso mundo. Obviamente, para aqueles que são críticos assíduos, tais pessoas têm consciência de que, o escritor, em sua perfeita consciência, tem um objetivo bem definido, ou seja, todo escritor tenta transmitir suas correntes ideológicas por meio de suas produções literárias. No entanto, a maioria dos autores o fazem de modo subliminar. Para não ficarmos apenas na teoria, você se perguntou porque o livro “Alice no País das Maravilhas” é tão dificilmente de ser compreendido pelas crianças? Aqui pego emprestada a frase do professor Leonardo Zucaratto, professor e filósofo: “Alice no País das Maravilhas não é um livro meramente infantil!”. Para aqueles que possuem formação acadêmica no curso de Letras, certamente a maioria sabe que o pedagogo (professor), é o mediador entre a criança e o livro. Através desta afirmativa chegamos à compreensão de que a maioria dos leitores leigos necessitam de um mediador que lhes permita a compreensão de determinada obra. 
Uma das recomendações para aqueles que são novatos no mundo da literatura é que se leia e releia o mesmo livro, não importa quantas vezes sejam. Outra explicação que se faz necessária, é a afirmação de que um obra, independentemente qual seja, uma vez que seja aprovada pelo leitor, deve ser relida, pois a segunda leitura pode ser mais frutífera do que a primeira, pois pode revelar diferentes perspectivas ou releituras.  Espero que muitos leitores, em sua plena consciência, possam distinguir a ficção da realidade. Talvez seja bem provável que eu seja considerado um escritor de extremo mau gosto ou até mesmo um autor mal intencionado. Para tais pessoas, deixo-lhes o seguinte argumento: “Livros adultos não foram feitos para crianças, mas sim para adultos”. Talvez este argumento seja um tanto quanto aversivo, mas reconheço que a literatura imita a realidade, caso contrário, só teríamos livros paradidáticos.
Cada livro em si é uma gota no oceano. Por isso é que não se deve dizer que a literatura é unilateral, pois ela, sendo dona de si mesma, aponta para várias direções possíveis. A linha de interpretação não é algo que possa ser digno de uma exclusividade autoral, pois assim que o autor publica sua obra ela passa de certa forma a tornar-se pública, configurando o devido direito aos leitores a liberdade de interpretá-la de acordo com a sua cosmovisão particular. Para o bem de todos, bom seria que os grupos de leitura se reunissem a fim de discutir as questões e indagações por trás do romance. Meu lugar de fala se configura dentro da perspectiva religiosa e nada mais, muito embora isto não signifique que eu não possa fazer críticas do ponto de vista social, político e filosófico. No mundo de Eleven, o céu particular de cada um não passa de uma utopia desnecessária. Um mundo onde a própria Língua Portuguesa foi alterada para que a sociedade não consiga exprimir nenhum tipo de sentimento aprazível. Me limito a falar somente da protagonista porque este texto não é uma análise crítica da obra em si, e sim uma introdução sobre aquilo que se pretende por intermédio da obra. Nossa ingênua protagonista não passa de uma das milhões de marionetes nas mãos do sistema. Produzindo e gerando lucro para o Estado, sem saber, é claro, o que se passa por debaixo dos lençóis. A felicidade é apenas uma piada sem graça. Não há motivo ou razão lógica para ser benévolo ou civilizado, pois as próprias convenções sociais, seguidas pela opressão do Estado e do Sistema Religioso reprimem o ser humano no intuito de fazê-lo transgredir as leis do país. Não há razão para fuga. Nenhum propósito concedido. É impossível nadar contra a correnteza. 
Eleven é o inferno na Terra, alegoricamente falando. A humanidade clama e suspira pelas correntes da opressão. A família é uma organização arcaica e obsoleta que só existia para atrapalhar os planos do sistema vigente. O somus é uma droga sintética que potencializa a força muscular e diminui os batimentos cardíacos. Os pássaros estão engaiolados. E que os libertará? Este é um mundo sem escrúpulos, pudor ou qualquer senso de afetividade. Pessoas nascidas à imagem e semelhança do Criador passando pelo processo de Luciferianização. Crianças entregues a orfanatos cujos administradores não passam de pederastas compulsivos. Sacerdotes que misturam o fel e vinho na mesma taça sagrada da comunhão. Bem-vindo(a) a Eleven.

Postar um comentário

0 Comentários