GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ CAMPUS Drª. JOSEFINA DEMES
CURSO: LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
UBIRATAN RODRIGUES COELHO DE LIMA
A DISCIPLINA DE ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL: um olhar sob uma nova perspectiva de ensino.
FLORIANO 2021
Monografia apresentada como requisito final para conclusão do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia na Universidade Estadual do Piauí – UESPI, Campus Drª. Josefina Demes.
Orientadora: Esp. Maria Adriana da Costa.
BANCA EXAMINADORA:
- Profª. Esp. Maria Adriana da Costa (UESPI) Orientadora
- Profª. Esp. Maria Edilene Vilarinho (UESPI)
Examinadora
- Profª. Esp. Mário de Oliveira Silva ( FTM)
Examinador
Dedico este trabalho concluído com muito muito esforço e dedicação a Deus, o Criador, e também à minha família que me tem ajudado em circunstâncias extremamente difíceis. Desde agora deixo os meus cumprimentos e o meu muito obrigado.
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a Deus por me conceder tamanha alegria pelo fato de poder concluir este árduo trabalho. Espero com toda sinceridade que este trabalho venha contribuir para o aperfeiçoamento da Educação Infantil. Também reconheço a importância de minha família para a minha formação e também o meu amadurecimento pessoal. Gostaria de agradecer também a todos os professores e professoras da UESPI que colaboraram para a minha formação acadêmica.
É evidente que eu não poderia esquecer de mencionar os demais profissionais que compõem o corpo do Campus Dr(a) Josefina Demes. Estou muito feliz e satisfeito pelo simples fato de conhecer pessoas de bem que fazem o possível pelo crescimento da Universidade. Agradeço à minha vizinha Socorro Vieira que não se esqueceu de me chamar quando chegava a hora de ir para a UESPI. Agradeço em especial ao meu pai João Pereira da Silva que ia me buscar na UESPI nos dias chuvosos.
À minha querida e amada mãe Joana Nolêto, por sempre me ajudar a comprar os materiais didáticos das disciplinas do curso e também por pagar o dinheiro de minhas viagens através do coletivo. Ao meu irmão Francisco Barros Silva Filho por ter me deixado diversas vezes na Universidade. Ao meu irmão Rallison Nolêto Sobrinho por me apoiar e me incentivar a continuar fazendo o curso de Pedagogia. Às minhas amigas universitárias por me compreenderem e me ajudarem.
Ao meu amigo Geovane Alves da Silva que me incentivou a continuar no curso de Pedagogia. Também agradeço ao ilustre psicólogo Dr. Jeferson por me ajudar emocionalmente em minhas lutas pessoais. Ao meu amigo Jussivaldo, por me ajudar de muitas maneiras. À doutora e psicóloga Káren por buscar de forma tão doce e gentil compreender minha personalidade. Ao Acássio, por me ajudar com os meus documentos referentes à Universidade, e por fim agradecer a todos dos quais eu porventura tenha me esquecido. Agradeço pela colaboração de todos que gentilmente me ajudaram. O meu muito obrigado a todos e todas.
“A Arte vai além de um momento de entretenimento, de inventar e de brincar. Ela, em seu conteúdo, oferece condições necessárias para entendermos e conhecermos o contexto histórico em que estamos inseridos, fazendo-nos perceber a realidade que nos cerca com outros olhos..” (Fernanda Patrícia, 2017, pág. 12)
RESUMO
O presente trabalho se propõe a compreender que significado o professor da Educação Infantil pode atribuir ao ensino da disciplina de Artes. Através do mesmo também buscamos carcterizar a metodologia utilizada pelos professores na prática de Artes em sala de aula, identificar o significado de artes na concepção dos sujeitos investigados, e também compreender a relação existente entre o ensino de Artes e o desenvolvimento do aluno na Educação Infantil. Para a produção do presente trabalho contamos com o pensamento teórico de autores, tais como Fuzari (1993), Barbosa (1998), Ferreira (2001), Coli (1989), Patrícia (2014), Freitas (2014), Brito (2021) e outros autores. Os dados coletados por intermédio da pesquisa qualitativa realizada de forma presencial produziu resultados que consideramos satisfatórios para a complementação da pesquisa. Para uma melhor compreensão, é necessário buscar a fundo compreender a história da arte, desde a sua existência, até a sua influência no mundo inteiro. Considerando tal pensamento, é mais do que razoável acreditar que a disciplina de artes não existe apenas para preencher a grade do currículo escolar, mas sim para promover o que a educação por meio dos seus diversos aspectos tem de melhor para oferecer. Exatamente por esta razão é que se faz mais que necessário entender com um olhar mais crítico o porquê de ensinarmos artes na escola, como estamos ensinando a disciplina na escola, e o que é preciso mudar para se ensinar a disciplina da maneira correta. Nosso compromisso aqui não é o de criticar a metodologia dos professores e das professoras, mas sim mostrar como é possível ensinar a disciplina de artes de uma forma que seja do interesse coletivo dos alunos. É evidente que existem problemas que fazem parte do difícil cotidiano da escola, seja ela pública ou privada. No entanto, ainda é possível dizer que podemos sim, de uma forma positiva, reinventar a metodologia da disciplina de artes e mostrar que ela pode colaborar de forma notória para a formação do aluno.
Palavras-chave: Arte. Disciplina. Educação. Ensino. Professor.
ABSTRACT
The present work intends to understand what meaning the Kindergarten teacher can attribute to the teaching of the Arts discipline. Through it, we also seek to characterize the methodology used by teachers in the practice of Arts in the classroom, identify the meaning of arts in the conception of the investigated subjects, and also understand the relationship between the teaching of Arts and the development of the student in Early Childhood Education. . For the production of this work we rely on the theoretical thinking of authors such as Fuzari (1993), Barbosa (1998), Ferreira (2001), Coli (1989), Patrícia (2014), Freitas (2014), Brito (2021) and other authors. The data collected through qualitative research carried out in person produced results that we consider satisfactory to complement the research. For a better understanding, it is necessary to deeply understand the history of art, from its existence to its influence throughout the world. Considering this thought, it is more than reasonable to believe that the arts discipline does not exist only to fill the school curriculum, but to promote what education through its various aspects has the best to offer. It is precisely for this reason that it is more than necessary to understand with a more critical eye why we teach arts at school, how we are teaching the discipline at school, and what needs to change in order to teach the discipline correctly. Our commitment here is not to criticize the methodology of teachers, but rather to show how it is possible to teach the arts discipline in a way that is in the collective interest of students. It is evident that there are problems that are part of the difficult daily life of the school, whether public or private. However, it is still possible to say that we can, in a positive way, reinvent the methodology of the discipline of arts and show that it can contribute in a notable way to the formation of the student.
Keywords: Art. Discipline. Education. Teaching. Teacher.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO. 10.
2 UM BREVE CONCEITO SOBRE A ARTE.................................................................12.
2.1 A ARTE E SUA HISTÓRIA 13.
2.2. Para quê serve a Arte? 14.
2.3. A disciplina de Artes nas escolas. 16.
2.4 O Ensino de Artes no Brasil 18.
3 A Disciplina de Artes e o currículo Escolar. 20.
3.1 TEORIA E PRÁTICA EM ARTES NAS ESCOLAS BRASILEIRAS 24.
3.2 A arte como conhecimento. 26.
3.3 A Arte na construção da identidade do aluno. 28.
3.4 Qual a importância da disciplina de Artes na Educação Infantil?. 30.
4 METODOLOGIA. 35.
4.1 Análise de dados. 36.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 43.
REFERÊNCIAS. 44.
1 INTRODUÇÃO
Nunca se fez tão necessário o aprimoramento da disciplina de artes dentro daquilo que podemos chamar de “ferramentas metodológicas”. Diante deste pressuposto é que enxergamos o real significado de ensinar a disciplina de uma forma inovadora e que faça com que os alunos da Educação Infantil se sintam desafiados a quebrar os antigos paradigmas da disciplina e estabelecer novos conceitos que ajudem não apenas o professor no processo de ressignificação, como também a própria disciplina.
Nossa metodologia está pautada na realização de uma pesquisa qualitativa com cinco questões direcionadas a três participantes cujos nomes ou identidades foram preservadas. A pesquisa fora realizada de forma presencial obedecendo aos critérios da escola e também da pandemia. Durante a trajetória deste trabalho abordaremos sobre os temas que compoês os tópicos e subtópicos do presente trabalho, os quais são: Um breve Conceito sobre a Arte, A Arte e sua História, Para quê serve a Arte?, A Disciplina de Artes nas Escolas, O Ensino de Artes no Brasil, A Disciplina de Artes e o Currículo Escolar, Teoria e prática em Artes nas Escolas Brasileiras, A Arte como Conhecimento, A Arte na construção da Identidade do aluno, Qual a importância da disciplina de Artes na Educação Infantil?, Metodologia, Análise de Dados e Considerações Finais.
O presente estudo tem como questão-problema: Que significado o professor da Educação Infantil pode atribuir ao ensino de artes? A disciplina de artes é sem dúvida alguma algo de um grande valor que estimula a capacidade da criança de interagir com seus professores. Levando este pensamento em consideração, podemos acreditar que o ensino da mesma se configura através da educação e que por sua vez possui uma grande relevância no que diz respeito ao ensino/aprendizagem.
O objetivo geral é: Investigar o ensino de artes nas turmas de educação infantil da rede pública de Floriano-PI, sendo os objetivos específicos - caracterizar a metodologia utilizada pelos professores na prática de artes em sala de aula; identificar o significado de artes na concepção dos sujeitos investigados, e também compreender a relação existente entre o ensino de Artes e o desenvolvimento do aluno na Educação Infantil. A intervenção ocorreram em 2021 com professores do Pré I, nos quais foi aplicado um questionário que contribuiu para uma pesquisa qualitativa de cinco questões em conformidade com o tema proposto. Apesar dos tempos de pandemia, optou-se por realizar a pesquisa de forma presencial, obedecendo aos critérios da creche e também as regras e exigências no tocante à COVID – 19.
O tema citado acima é de suma importância, visto que alguns conceitos ao seu respeito do tema tem permanecido ultrapassados, pois as redes de Educação Infantil ainda ensinam conceitos que embora não estejam errados, do ponto de vista pedagógico, a metodologia usada pelos professores ainda segue uma vertente tradicionalista, levando em conta de que, a educação dentro das salas de aula tem se modificado apenas em alguns aspectos, muito embora não haja tantos aspectos positivos que viabilizem a melhoria do ensino de artes.
O tema foi escolhido por que aponta para uma situação antiga, pois a arte na educação infantil ainda tem permanecido com um conceito ultrapassado, o que nos leva a pensar o quão importante é que se configure um novo conceito em relação à metodologia em relação a disciplina de artes, considerando os aspectos que permeiam em meio ao atual ensino da artes. Neste trabalho contaremos com as contribuições de autores, tais como, Fuzari (1993), Barbosa (1998), Ferreira (2001), Coli (1989), Patrícia (2014), Freitas (2014), Brito (2021) e outros autores. No presente trabalho, buscamos discutir de forma reflexiva sobre a importância de se ensinar a disciplina de artes sob uma perspectiva diferente, sem fugir é claro do aspecto pedagógico.
2 UM BREVE CONCEITO SOBRE A ARTE
Iniciaremos essa parte de nossa pesquisa relembrando um pouco o sentido etimológico da palavra Artes. Do latim ars, que significa literalmente “técnica”, “habilidade natural ou adquirida” ou “capacidade de fazer alguma coisa”. Com o passar do tempo, o termo latino ars passou a designar um tipo de técnica relacionada à produção de objetos com beleza estética, ou aquilo que é esteticamente agradável aos sentidos humanos. Surgia assim o conceito da “arte”. A partir do termo ars, surgiram muitas outras palavras relacionadas com a arte, como “artista” ou “artesão”, este último derivado do italiano artigiano, que significava “aquele que faz algo manualmente”.
Segundo Coli (1995), se buscarmos uma resposta clara e definitiva a respeito do que vem a ser arte, veremos que nunca chegaremos a um comum acordo, visto que a arte possui diversos conceitos, nas suas mais diversificadas áreas. Entretanto, se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos. Todos sabemos que a Mona Lisa, que a Nona Sinfonia de Beethoven, que a Divina Comédia, que Guernica de Picasso ou o Davi de Michelangelo são, indiscutivelmente, obras de arte.
Quando Dan Graham (2014) diz que a obra de arte tem que tem que ser exposta na galeria ou museu, reproduzida como fotografia em um artigo de revista especializada, acompanhada de um comentário crítico, notamos que toda obra de arte deve ser levada a sério, levando em consideração de que cada obra de arte que é produzida foi produzida para um propósito. Isso é até bom em todos os sentidos porque faz com que o artista deixe de permanecer no anonimato.
De acordo com o pensamento de Brito (2021), a obra de arte não existe isolada de um sistema que a reconheça como tal. Isso significa que cada obra de arte está inserida no contexto para o qual foi designada. Assim como o teatro foi feito para quem ama peças teatrais da mesma maneira a arte foi feita para que a aprecia. Dentro deste contexto podemos perceber que cada coisa se encaixa no seu devido lugar. Se tomarmos como exemplo as revistas em quadrinhos feitas para o público infantil, veremos que a grande maioria das crianças gostam de ver os desenhos que estão na revista ao invés de lerem as falas dos personagens que estão presentes nos balõezinhos. O que de fato é certo, é que existem manifestações de arte em todos os lugares.
2.1 A ARTE E SUA HISTÓRIA
Infelizmente não se pode dizer ou até mesmo afirmar de forma definitiva quando ou como se deu início à arte. O que sabemos de fato é que o homem foi evoluindo de acordo com as épocas, de tempos em tempos, de cultura para cultura. Isso também depende da maneira como definimos a arte, é claro, de acordo com o nosso senso comum. Quando o homem não conhecia o sistema de numeração e utilizou-se das ferramentas que estavam ao seu alcance e as usava para contar o rebanho. Para contar os animais o homem usava uma pedra pontiaguda para riscar no tronco de madeira, desta forma o homem fazia um risco que representava cada ovelha do rebanho.
Dentro desta percepção podemos nos perguntar o que isso tem a ver com a arte. De acordo com Cécilia (2017), a arte se trata de uma narrativa onde o homem se coloca acima de tudo como um criador de símbolos. Este pensamento é de suma importância, pois a criação de símbolos sempre esteve atrelada à mente humano, e como bem sabemos, cada símbolo possui o seu próprio significado. Assim como as pinturas rupestres representavam o cotidiano do homem pré-histórico, os símbolos que conhecemos em nossa época também possuem os seus próprios significados.
De acordo com a mesma autora, também podemos observar a arte em outro contexto através de sua afirmação:
Como se sabe as primeiras civilizações eram nômades e se deslocavam conforme a necessidade de obter alimentos, de garantir a sua sobrevivência. Durante o período neolítico essa situação sofreu mudanças, promoveram-se as primeiras formas de agricultura e consequentemente os grupos humanos passaram a se fixar por mais tempo em uma determinada região. Porém ainda faziam uso de abrigos naturais ou fabricados com fibras vegetais ao passo em que passaram a construir monumentos de pedras colossais, que serviam de câmaras mortuárias ou de templos. Raras eram as construções que serviam de habitação. Essas pedras pesavam mais de três toneladas, fato que requeria o trabalho de muitos homens e o conhecimento da alavanca. (SOARES 2017,
p. 7)
Isso é algo bastante interessante, pois através deste pensamento podemos perceber que arte está presente até mesmo na arquitetura. Isso só nos mostra o quão, de fato, a arte é abrangente. O que estamos dizendo é que a arte em suas mais diversas áreas pode ser construída de acordo com as necessidades do ser humano. Não é apenas fazer por fazer, mas sim construir a arte de forma significativa. É isso o que o homem tem feito ao longo dos anos e continua a fazer. Até mesmo na escultura os povos antigos faziam os seus próprios ídolos a quem eles prestavam culto, (CECÍLIA, 2017, p. 8). A arte está associada até mesmo à religião. Sendo assim, podemos perceber que durante as mais diversas épocas a arte esteve presente.
2.2 Para quê serve a Arte?
Esta questão tem ocupado por décadas os educadores da área de Educação Artística (particularmente a partir dos anos 80, no processo de revisão dos currículos escolares), com o objetivo de justificar a importância desta disciplina na escola básica. Contudo, estes esforços não têm convencido a maioria dos professores e alunos, a começar pela prática pedagógica que se desenvolve, mantendo a impressão de inutilidade, de perda de tempo, de "coisa supérflua". Que importância tem ficar desenhando, fazendo cartões para o dia das mães, ou bandeirinhas para as festas de São João? Devia é ter mais tempo para a leitura, a escrita, o cálculo, assim pensam alguns críticos, não dando a devida importância à disciplina.
Segundo o pensamento de Frohlich (2016), a arte é uma atividade fundamental ao ser humano, pois quando o homem produz, ele interage com o mundo em que vive e consigo mesmo. Do ponto de vista socioeducacional esta afirmação é relevante, pois a arte faz com que o aluno se torne cada vez mais interativo. Isso faz com que a arte não se torne algo “vulgar”, pois o homem, e quando falamos “o homem”, estamos nos referindo a homens e mulheres, que é possível produzir algo de grande valor, seja este valor sentimental, cultural, educacional ou patrimonial.
Evidentemente não é à toa que uma criança desenha, nem tampouco é à toa que uma criança modela uma massinha de modelar. Existe um significado em tudo aquilo que o aluno produz. Embora a arte esteja à disposição de todos é preciso referenciá-la ao contexto educacional, pois o aluno se torna capaz de construir e desconstruir novas maneiras de se fazer a arte. A pergunta “Para quê serve a Arte” parece ser uma pergunta bem simples do ponto de visto do senso comum, no entanto, se observarmos bem, a resposta se faz cada mais complexa. Segundo Botton (1998, pag. 1), Schiller não foi o primeiro filósofo a polemizar a respeito das dimensões terapêuticas da arte. Em sua "Poética", Aristóteles (384-322 a.C.), investigando por que as pessoas gostam de assistir a peças trágicas, chega à noção de catarse. Uma boa tragédia suscita no público uma mistura de compaixão e temor quanto ao destino do herói ou heroína. As pessoas choram e se apavoraram ao assistir "Medéia". Ao mesmo tempo, no entanto, a peça desencadeia a catarse ou purgação dessas emoções, de forma que, ao término do espetáculo, o público se sente mais esclarecido e apto a lidar com a realidade que o envolve. Para a grande maioria, que não consegue nem ao menos o seu sustento básico, não é importante. Só reconhecem a importância da arte os artistas e educadores da área, que enfatizam seu papel no desenvolvimento da famigerada criatividade, da expressão das emoções, das habilidades sensíveis e que chegam até ao limite de propor a arte como fundamento para a aprendizagem de todo e qualquer conhecimento. De certa forma, esta defesa acaba reforçando a ideia do supérfluo.
Que importância tem conhecer Mozart ou Leonardo da Vinci, ser sensível e criativo, para o mundo do trabalho, na época dos computadores e satélites? Ou, que importância tem a música erudita, o balé clássico ou a pintura cubista, para uma multidão de analfabetos? “Cultura inútil”, assim dizem alguns críticos da arte. No entanto, a arte sobrevive inutilmente ou não, todo mundo ouve música, dança, assiste a filmes e se preocupa em pendurar nem que seja a gravura de um calendário na parede (não estamos aqui afirmando que tudo é arte ou nos propondo a um julgamento de valor estético, mas destacando a evidência da necessidade de contato das pessoas com objetos ou atividades cujo sentido é predominantemente artístico).
Alain de Botton (1998, p. 2) diz que o mais famoso filósofo a desprezar a arte como mera ilusão foi Platão (427-347 a.C.). Segundo ele, a arte apenas imita o mundo, produzindo cópias de coisas que já existem na realidade. A partir desse pressuposto é que podemos perceber que nem todos os filósofos apreciam a arte, assim como nem todos os artistas apreciam a arte mesmo sabendo que são propagadores da mesma. Se tomarmos como exemplo, poderemos ver que existem cantores que não apreciam a própria música que cantam. A reprovação é fato algo negativo. Mas o que fazer para não fazer da arte algo monótono?
O que acontece às pessoas quando entram em contato com alguma forma de manifestação artística? A beleza de um quadro, de uma música, de um filme, nos comove, ou nos faz rir, chorar, pensar... Por quê? A história que se passa no filme não tem nada a ver com a nossa história, nem com o nosso tempo, nem com as atividades que desenvolvemos, mas pode nos comover até às lágrimas. Por quê? Talvez a resposta seja a de que comove porque é humana. Por que é humana? Porque mostra a vida dos homens que ontem, hoje e amanhã, são homens - que pensam, agem, trabalham, se relacionam, são felizes e sofrem.
Para Nietzche, (apud BOTTON, 1998, p. 2), um mundo sem arte é um lugar desesperado. Esta ideia não apenas contempla como também confirma a relevância da arte, seja em qualquer lugar. Obviamente estamos falando sobre a arte dentro do contexto educacional, ou seja, dentro das escolas. No entanto a arte é muito mais abrangente do que se possa imaginar. É isto que permite que uma peça de Shakespeare tenha validade hoje, quando seu tempo não mais existe. Ou que um filme de ficção futurista mostre fatos que se relacionam com o mundo de agora.
O avanço tecnológico dos meios de comunicação e, contraditoriamente, a necessidade crescente de expansão do mercado capitalista, promovem a universalização da cultura artística,
ao mesmo tempo em que reduzem a possibilidade de acesso aos seus produtos. A condição para concretizar o caráter universal da arte está, ao mesmo tempo, dada e negada.
2.3 A Disciplina de Artes nas Escolas
Segundo o pensamento de Patrícia de Sousa (2017), a manifestação artística pode se realizar em diversas formas, tais como, na música, nos desenhos, na dança e na poesia. Diante deste pressuposto surge uma questão de grande relevância: “E porque não nas escolas?”. Não que a disciplina tenha deixado de existir nas escolas. No entanto surge outra grande questão: “Porque se dá pouca relevância à disciplina de Artes”? Certamente não podemos nos ater somente às questões, mas buscar de maneira significativa a razão por trás de se defender tanto assim uma disciplina que para muitos é considerada um simples momento de entretenimento e lazer.
Obviamente não estamos necessariamente afirmando aqui que as demais disciplinas não são relevantes para o processo educativo. Apenas queremos fazer o uso devido desta pesquisa para produzir dados que comprovem a possibilidade de se ensinar a disciplina de uma forma que seja interessante. De acordo com o pensamento de Martins (1998, p. 37). “A criança, desde que nasce, está rodeada por diversas linguagens verbais e não verbais, entre outras, a oral, escrita, gráfica, tátil, auditiva, olfativa, gustativa, motora, e pelos órgãos dos sentidos”. Isso nos remete à ideia de que o ser humano desde o seu nascimento está rodeado de manifestações artísticas.
Felizmente não há como fugir do cotidiano no que tange à arte. Segundo Ferraz e Fusari (2009, p.19), a escola:
É um espaço onde os alunos têm a oportunidade de estabelecer vínculos entre os conhecimentos sociais e culturais. Por isso é também o lugar e o momento em que se pode verificar e estudar os modos de produções e difusão da arte na própria comunidade, região, país, ou na sociedade em geral.
É exatamente por este e outros motivos que a disciplina de Artes se faz necessária dentro das escolas. Não é simplesmente para ocupar espaço na grade curricular e nem tampouco para distrair os alunos. A cada ano novas obras de arte vão surgindo, de tal modo, que o educando ganha novas possibilidades de ter acesso a essas obras artísticas. Logicamente é sempre bom conhecer uma disciplina pelo princípio. No entanto, o aluno pode despertar em si mesmo o interesse pelo conhecimento através dos novos artistas e críticas da contemporaneidade. Do ponto de vista social isto é maravilhoso, pois tal ideia dá ao aluno e ao professor também o direito de construir e desconstruir o conhecimento baseado na realidade que cada um vive.
Segundo o pensamento de Ferraz e Fusari (2010), apud Souza (2017), o que podemos perceber na educação atual é a predominância da pedagogia tradicional. Isto pode ser algo extremamente nocivo do ponto de vista crítico. Como o aluno poderá desenvolver o seu senso crítico, se a escola não permite tal coisa? Esta questão tem prevalecido durante anos, de tal modo que muitos alunos desistiram de continuar estudando, o queestamos acostumados a chamar de “abandono intelectual”.
É preciso dizer aqui que não estamos em momento algum afirmando que todas as escolas, sejam elas públicas ou privadas, são de fato tradicionalistas. O que queremos dizer é que o aluno não irá muito longe se ele não tiver a devida liberdade para construir e desconstruir o conhecimento. Sendo assim, o tradicionalismo permanece sendo uma espécie de “barreira” para o aluno, pois não lhe dá o devido direito para pensar como ele quer. Na verdade o que se pretende dizer aqui é que o aluno precisa ter liberdade para expressar suas ideias e seus pensamentos. Do contrário, como teremos um cidadão com senso crítico, uma vez que os seus direitos lhes são negados?
Para Vazquez (apud Peixoto, 1978, p.37), “a arte só é conhecimento na medida em que é criação”. Apesar desta citação ser pequena, no entanto ela possui um grande significado, pois o conhecimento não está precisamente ligado a algo que já está formado ou construído, mas sim a algo que pode ser criado. Desta forma, portanto, a criança pode construir o conhecimento a partir da sua própria realidade. Tudo aquilo que o aluno produz, em termos artísticos, possui um significado próprio. Não importa se o desenho foi bem feito ou não. O que está em questão não é o profissionalismo artístico do aluno, mas sim a capacidade de criação do aluno.
Quando falamos em processo educacional geralmente o nosso senso comum nos lembra dos conteúdos e metodologias a serem aplicados dentro da sala de aula. No entanto o propósito de se educar o aluno não é apenas fazer com que ele aprenda os conteúdos ensinados pelo professor. Isto significa que a escola em sua totalidade possui uma grande responsabilidade no processo de formação do aluno. Verdade seja dita, nem sempre é culpa do professor o fato de aluno não se interessar pela disciplina, assim como também nem sempre é culpa do aluno o fato de ele não querer aprender.
Para complementarmos tal pensamento, temos a seguinte afirmação:
A educação tem que fazer a diferença, uma educação contextualizada com projeto de mundo, capaz de transformar radicalmente a sociedade, articulada e redefinida coma dialética. Contribuir com os processos de formação dos educandos é incentivá-los a sair do seu “quadrado” para descobrir os mistérios da vida, da sociedade, incentivá- los a ter uma visão crítica do mundo. (PATRÍCIA DE SOUSA, 2017, p. 15)
Esta afirmação é de grande valia, pois se configura dentro de um pensamento otimista em que tanto o professor como o aluno devem cooperar ou colaborar para o avanço da educação.
2.4 O ensino de Artes no Brasil
De acordo com Soares (2016), na primeira metade do século XX, as disciplinas Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto Orfeônico fizeram parte dos programas das escolas. Era o único componente curricular que mostrava alguma abertura em relação às humanidades e ao trabalho criativo. Nessa época, a arte foi incluída nos currículos como Desenho Geométrico. Segundo Barbosa (1979), a arte era encarada como um poderoso veículo para o desenvolvimento do raciocínio; ensinada através do método positivo, subordinava a imaginação à observação, identificando as leis que regem a forma.
Isso só demonstra que a arte em nosso país estava apenas engatinhando, embora já houvessem várias vertentes para se trabalhar, pois a importância da arte sempre se fez presente em todos os contextos considerando as épocas, culturas e tipos de sociedade. Levando este pensamento avante, podemos perceber que a arte já estava presente em nosso país antes mesmo de ele ser colonizado. Sendo assim, traçamos uma pequena linha do tempo com acontecimentos que marca a trajetória do ensino de Artes no Brasil.
De acordo com o pensamento de Barbosa (apud SOUZA e PONCIANO, 2011, p.26), a arte na educação surge no Brasil no início da década de 1970. No entanto desde o século XIX já se buscava fazer com que a disciplina se tornasse obrigatória nos currículos e, ainda na década de 1920, houve diversas tentativas de sua implantação na escola. Aqui vemos que a disciplina já tinha a sua devida valorização. A luta pela implementação da Artes no currículo escolar sempre foi algo difícil.
Temos a seguinte afirmação:
No Brasil, no início do século XX, houve uma remodelação do projeto educacional vigente a fim de adequá-lo à nova política nacional e à modernização cultural que despontava em função da crescente demanda pela industrialização. Com esse novo modelo de ensino, predominou uma concepção utilitarista da arte: os professores trabalhavam, basicamente, exercícios e modelos convencionais selecionados em manuais e livros didáticos, voltando-se essencialmente para o domínio de técnicas. (PONCIANO, OLIVÉRIO, 2011, p. 26-27).
Aqui nós vemos a introdução de livros didáticos para um ensino melhor da disciplina. Como podemos perceber claramente, a educação se reestrutura conforme os tempos. Evidentemente o ensino de Artes ainda requer muito daqueles que ensinam de forma assídua e dedicada. No entanto, ainda é preciso fazer mais pelo ensino, pois nunca é demais para se aperfeiçoar tal disciplina. Sendo assim, levaremos adiante o presente estudo sob a perspectiva sobre à qual se deve trabalhar, haja visto a educação precise de novas possibilidades dentro do campo pedagógico.
3 A DISCIPLINA DE ARTES E O CURRÍCULO ESCOLAR
A palavra currículo deriva do latim curriculum (originada do verbo latino currere, que significa correr) e refere-se ao curso, à rota, ao caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou grupo de pessoas (GORDON apud FERRAÇO, 2005, p. 54). Já, conforme o Dicionário Aurélio da língua portuguesa, Ferreira (1986, p. 512), define-se currículo como “a parte de um curso literário, as matérias constantes de um curso”. De acordo com Zotti (2008), o termo foi utilizado pela primeira vez, para caracterizar um plano estruturado de estudos, em 1963, no Oxford English Dictionary.
A arte na escola já foi considerada matéria, disciplina, atividade, mas sempre mantida à margem das áreas curriculares tidas como mais “nobres”. Esse lugar menos privilegiado corresponde ao desconhecimento, em termos pedagógicos, de como se trabalhar o poder da imagem, do som, do movimento e da percepção estética como fontes de conhecimento. Até aproximadamente fins da década de 60 existiam pouquíssimos cursos de formação de professores nesse campo, e professores de quaisquer matérias, artistas e pessoas vindas de cursos de belas artes, escolas de artes dramáticas, de conservatórios etc, poderiam assumir as disciplinas de Desenho, Desenho Geométrico, Artes Plásticas, Música e Arte Dramática.
Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a arte é incluída no currículo escolar com o título de Educação Artística, mas é considerada “atividade educativa” e não disciplina, tratando de maneira indefinida o conhecimento. A introdução da Educação Artística no currículo escolar foi um avanço, principalmente pelo aspecto de sustentação legal para essa prática e por considerar que houve um entendimento em relação à arte na formação dos indivíduos.
No entanto, o resultado dessa proposição foi contraditório e paradoxal. Muitos professores não estavam habilitados e, menos ainda, preparados para o domínio de várias linguagens, que deveriam ser incluídas no conjunto das atividades artísticas (Artes Plásticas,
Educação Musical, Artes Cênicas). De maneira geral, entre os anos 70 e 80 os antigos professores de Artes Plásticas, Desenho, Música, Artes Industriais, Artes Cênicas e os recém- formados em Educação Artística viram-se responsabilizados por educar os alunos (em escolas de ensino fundamental) em todas as linguagens artísticas, configurando-se a formação do professor polivalente em arte.
Com isso, inúmeros professores tentaram assimilar e integrar as várias modalidades artísticas, na ilusão de que as dominariam em seu conjunto. Essa tendência implicou a diminuição qualitativa dos saberes referentes às especificidades de cada uma das formas de arte e, no lugar destas, desenvolveu-se a crença de que o ensino das linguagens artísticas poderia ser reduzido a propostas de atividades variadas que combinassem Artes Plásticas, Música, Teatro e Dança, sem aprofundamento dos saberes referentes a cada uma delas. Com a polivalência as linguagens artísticas deixaram de atender às suas especificidades, constituindo-se em fragmentos de programas curriculares ou compondo uma outra área.
De acordo com Oliveira (2017), é importante repensar, a função socializadora que o currículo escolar deve exercer no âmbito educacional. Analisa-se contemporaneamente, que o currículo escolar não pode ser visto e nem compreendido, como, um “acúmulo” de disciplinas isoladas, fragmentadas, com conteúdos apresentados de modo tradicional, e transmitidos sem reflexão pelo professor/educador em sala de aula. Verifica-se, que o currículo escolar é histórico, e vai além de conteúdos e disciplinas, sendo que o currículo deve que ser elaborado de forma a oportunizar condições de conhecimentos para os educandos, na busca de abranger e atender as diversas realidades sociais existentes, de maneira ampla, real, significativa, reflexiva, dinâmica, democrática, inclusiva, ética e moral.
A implantação da Educação Artística abriu um novo espaço para a arte mas ao mesmo tempo percebeu-se que o sistema educacional vinha enfrentando dificuldades de base na relação entre teoria e prática em arte e no ensino e aprendizagem desse conhecimento. Nos primeiros anos de implantação, os professores de Educação Artística foram capacitados em cursos de curta duração e tinham como única alternativa seguir documentos oficiais (guias curriculares) que apresentavam listagens de atividades e livros didáticos em geral, que não explicitavam fundamentos, orientações teórico-metodológicas, ou mesmo bibliografias específicas.
As faculdades que formavam para Educação Artística, criadas na época especialmente para cobrir o mercado aberto pela lei, não estavam instrumentadas para a formação mais sólida do professor, oferecendo cursos eminentemente técnicos, sem bases conceituais. Nessa situação, os professores tentavam equacionar um elenco de objetivos inatingíveis, com atividades múltiplas, envolvendo exercícios musicais, plásticos, corporais, sem conhecê-los bem e que eram justificados e divididos apenas pelas faixas etárias.
Segundo Simão (2002, p. 14), para além de ser uma fonte de informação, uma das tarefas fundamentais da escola é dotar o aluno de estratégias que lhe permita reelaborar, transformar, contrastar e reconstruir criticamente os conhecimentos adquiridos, ou seja, apostar no conhecimento estratégico. As atividades artísticas têm grande importância na formação do aluno cidadão. Desta forma, a escola deve, conforme destaca Silva et al. (2004, p. 12),“educar os estudantes para que eles saibam de uma forma, crítica e motivada, 14 assumir um papel construtivo nas suas próprias aprendizagens ao longo da vida".
A importância da arte na formação do aluno é ressaltada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) – que afirma que: “[...] a aprendizagem artística envolve um conjunto de diferentes tipos de conhecimentos, que visam à criação de significações, exercitando fundamental, ente a constante possibilidade de transformação doser humano. Além disso, encarar a arte como produção de significações que se transformam no tempo e no espaço permite contextualizar a época em que se vive na relação com as demais.”(GERMAMN, 2001, p. 45)
Pode-se dizer que nos anos 70, do ponto de vista da arte, em seu ensino e aprendizagem foram mantidas as decisões curriculares oriundas do ideário do início a meados do século XX, com ênfase em aspectos parciais da aprendizagem, privilegiando-se, respectivamente, a aprendizagem reprodutiva de modelos e técnicas, o plano expressivo e processual dos alunos e a execução de tarefas pré-fixadas e distribuídas em planejamentos desvinculados da realidade da escola e do aluno. Os professores passam a atuar em todas as 28 linguagens artísticas, independentemente de sua formação e habilitação.
Conhecer mais profundamente cada uma das modalidades artísticas, as articulações entre elas e artistas, objetos artísticos e suas histórias não fazia parte de decisões curriculares que regiam a prática educativa em arte nessa época. A partir dos anos 80 constitui-se o movimento de organização de professores de arte, inicialmente com a finalidade de conscientizar e integrar os profissionais, resultando na mobilização de grupos de educadores, tanto da educação formal como não-formal.
Esse movimento denominado arte-educação permitiu que se ampliassem as discussões sobre o compromisso, a valorização e o aprimoramento do professor, e se multiplicassem no país as novas ideias, tais como mudanças de concepções de atuação com arte, que foram difundidas por meio de encontros e eventos promovidos por universidades, associações de arte- educadores, entidades públicas e particulares. Acompanhado o processo de democratização vivido no país, na década de 80 aumentam as participações dos professores em associações e reflexões sobre a área, aliados aos programas de pesquisas de cursos de pós-graduação, o que faz surgir novas concepções e metodologias para o ensino e a aprendizagem de arte nas escolas. Em 1988, com a promulgação da Constituição, iniciam-se as discussões sobre a nova
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada apenas em 20 de dezembro de 1996. Convictos da importância de acesso escolar dos alunos de ensino básico também à área de Arte, houve manifestações e protestos de inúmeros educadores contrários a uma das versões da referida lei que retirava a obrigatoriedade da área. Com a Lei no 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e a arte é considerada obrigatória na educação básica: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (artigo 26, parágrafo 2ª).
É com esse cenário que se chega ao final dos anos 90, mobilizando diferentes tendências curriculares em arte. Nas décadas de 80 e 90, desenvolveram-se muitas pesquisas, entre as quais se ressaltaram as que investigam o modo de aprender dos artistas, das crianças e dos jovens. Tais trabalhos trouxeram dados importantes para as propostas pedagógicas, que consideram tanto os conteúdos a serem ensinados quanto os processos de aprendizagem dos alunos. As escolas brasileiras têm integrado às suas práticas as tendências ocorridas ao longo da história do ensino de arte em outras partes do mundo.
Entre as várias propostas disseminadas no Brasil, na transição para o século XXI, destacam-se aquelas que se têm afirmado pela abrangência e por envolver ações que, sem dúvida, estão interferindo na melhoria da aprendizagem e do ensino de arte. Trata-se das tendências que estabelecem as relações entre a educação estética e a educação artística dos alunos. É uma educação estética que não propõe apenas o código hegemônico, mas também a apreciação de cânones de valores de múltiplas culturas, do meio ambiente imediato e do cotidiano.
Encontra-se ainda difundida no país a abordagem para o ensino da arte que postula a necessidade da apreciação da obra de arte, da história e do fazer artístico associados. É característica desse novo marco curricular a reivindicação de se designar a área por Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área com conteúdos próprios ligados à cultura artística, e não apenas como atividade. Isso só define a importância da disciplina, uma vez que ela não pode separar-se da grade curricular.
Outro aspecto da organização curricular apontado por Macedo (2002) diz respeito à seleção dos conteúdos que fazem parte do currículo escolar. Essa organização segue uma configuração tradicional de conhecimentos agrupados e organizados por disciplinas ou matérias escolares. Se tomarmos a disciplina de artes dentro do contexto curricular, e é necessário fazer isso, surge uma pergunta do ponto de vista pedagógico: “Por onde começar?” Esta pergunta parece ser uma questão irrelevante. No entanto, é preciso pensar e repensar na possibilidade de se começar da maneira correta.
Isso depende de escola para escola. No entanto é preciso fazer com que os conteúdos se tornem mais acessíveis para os alunos, visando o aprimoramento dos conhecimentos adquiridos pelo aluno. Sendo assim, o objetivo não é apenas passar conteúdos, mas também refletir criticamente sobre os mesmos. Certamente cabe ao professor tal responsabilidade, para que a disciplina não caia no “vácuo”.
3.1 Teoria e prática em Artes nas escolas brasileiras
No ensino de Artes no Brasil observa-se um enorme descompasso entre as práticas e a produção teórica na área, incluindo a apropriação desse conhecimento por uma parcela significativa dos professores. Tal descompasso é fruto de dificuldades de acesso a essa produção, tanto pela pequena quantidade de livros editados e divulgados sobre o assuntocomo pela carência de cursos de formação contínua na área. Nota-se ainda a manutenção de clichês ou práticas ultrapassadas em relação aos conhecimentos já desenvolvidos na área. De todas as linguagens artísticas, a de Dança é a que mais se recente dessa ausência de publicações ligadas à área de Arte.
Sem currículo definido, sua prática no ensino passa por dificuldades e as atividades artísticas propostas incluem várias linguagens, como: artes plásticas, artes cênicas, educação musical (BRASIL,1997, p.24), devendo ser o professor polivalente em sua atuação. Ainda para agravar este quadro, era cobrada a polivalência dos professores, mas estes não tinham formação para assumir com competência essas várias linguagens artísticas sendo que a maioria nem sequer possuía uma formação superior na área de Arte.
Aquilo que se tem geralmente expressa uma visão bastante espontaneísta e/ou tecnicista da dança, não se discutindo com a profundidade requerida, por exemplo, as relações entre dança, corpo, sociedade e cultura brasileiras e o processo educacional. As práticas de ensino de Arte apresentam níveis de qualidade tão diversificados no Brasil que em muitas escolas ainda se utiliza, por exemplo, modelos estereotipados para serem repetidos ou apreciados, empobrecendo o universo cultural do aluno.
Em outras palavras, ainda se trabalha apenas com a auto expressão, sem introduzir outros saberes de arte. A polivalência ainda se mantém em muitas regiões. Por outro lado, já existem professores preocupados em também ensinar história da arte e levar alunos a museus, teatros e apresentações musicais ou de dança. Essa pluralidade de ações ainda representa experiências isoladas dos professores, que têm pouca oportunidade de troca, a não ser em eventos, congressos, quando têm possibilidades de encontros.
Outro problema grave enfrentado pela área de Arte é sem dúvida o reduzido número de cursos de formação de professores em nível superior. Com relação aos cursos de licenciatura em Dança, então, há pouquíssimos e que certamente não atendem às demandas do ensino público fundamental. Na prática, tanto professores de Educação Física, licenciados em Pedagogia ou Escola Normal, assim como os licenciados nas outras linguagens de arte, vêm trabalhando com Dança nas escolas. Gardner aponta três aspectos da competência em artes visuais, a saber: a percepção, a conceptualização e a produção.
De acordo com Aguiar (1980), a teorização não é o bastante. Para que haja aquisição de conhecimentos é preciso que os alunos vivenciam o que a disciplina tem não só a oferecer como também a ensinar. Esse pensamento é de grande relevância, pois o professor não deve preocupar-se apenas com a parte teórica, levando em consideração de que na maioria das vezes, em se tratando do componente curricular de artes, o aluno está mais propiciado a aprender. Considerando tal pensamento, é possível dizer que a relevância da disciplina de artes não se configura por meio de uma educação meramente tradicionalista, mas sim de uma educação inovadora, pois o aluno que aprende também pode se tronar apto para ensinar.
O importante neste estágio atual da educação brasileira é que os professores que se dispuserem a ensinar arte tenham um mínimo de experiências prático-teóricas interpretando, criando e apreciando arte, assim como exercitem a reflexão pedagógica específica para o ensino das linguagens artísticas. E para isso é necessário haver cursos de especialização, cursos de formação contínua, nos quais possam refletir e desenvolver trabalhos com a arte. Sem uma consciência clara de sua função e sem uma fundamentação consistente de arte como área de conhecimento com conteúdos específicos, os professores não podem trabalhar.
Só é possível fazê-lo a partir de um quadro de referências conceituais e metodológicas para alicerçar sua ação pedagógica, material adequado para as práticas artísticas e material didático de qualidade para dar suporte às aulas. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais:
A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas. (PCN/ Arte-1997:19).
Por meio desta afirmação vemos que a teoria e a prática se consolidam e se complementam, ao invés de se anularem, considerando os aspectos externos e internos dentro e fora da sala de aula. Vemos, portanto o quão importante é que se faça valer à pena cada momento vivenciado pelo aluno. O que se pretende dizer aqui é que a teoria não pode, nem deve se separar da prática, e nem a prática deve se separar da teoria. Sendo assim, esta dicotomia se faz necessária nas escolas, uma vez que se valoriza a disciplina como tal. As experiências que o aluno vivencia dentro da sala de aula são imprescindíveis, de modo que, cada dia seja considerado uma “caixinha de surpresas”.
3.2 A Arte como conhecimento
No Brasil, um dos cientistas que mais entenderam a importância da união entre arte e ciência foi o físico Mario Schenberg (1914-1990), da USP. “Schenberg reconhecia o valor da normatização racional, mas considerava de alta relevância o elemento intuitivo na descoberta científica e na criação artística”, afirma a pesquisadora Alecsandra Matias de Oliveira, curadora do MAC e autora do livro Schenberg – Crítica e Criação, lançado em 2011 pela Editora da USP (Edusp).
A manifestação artística tem em comum com outras áreas de conhecimento um caráter de busca de sentido, criação, inovação. Essencialmente, por seu ato criador, em qualquer das formas de conhecimento humano, ou em suas conexões, o homem estrutura e organiza o mundo, respondendo aos desafios que dele emanam, em um constante processo de transformação de si e da realidade circundante. O ser humano tem procurado distinguir e verificar os fenômenos da natureza, o ciclo das estações, os astros no céu, as diferentes plantas e animais, as relações sociais, políticas e econômicas, para compreender seu lugar no universo, buscando a significação da vida.
Segundo a citação de Leila Kiyomura (2019), a presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), Maria Amélia Bulhões, pós-doutora pela FFLCH, considera fundamental que a arte tenha espaço entre as chamadas ciências exatas. Ela conclui: “O pensamento e as ações da arte conduzem a rupturas, abrem novos horizontes, aguçam o olhar e qualificam o humano”. Tanto a ciência como a arte respondem a essa necessidade de busca de significações na construção de objetos de conhecimento que, juntamente com as relações sociais, políticas e econômicas, sistemas filosóficos, éticos e estéticos, formam o conjunto de manifestações simbólicas das culturas.
A própria ideia da ciência e da arte como disciplinas autônomas é produto recente da cultura ocidental. Na verdade, nas sociedades primitivas as formas artísticas não existem como atividades autônomas dissociadas da vida e impregnam as atividades da comunidade. Da mesma maneira como alguns rituais são celebrados pelo coletivo — cantos de trabalho, oferendas aos deuses por uma boa colheita ou um ano livre de intempéries — outros são da exclusiva alçada de curandeiros, sacerdotes ou chefes de tribos.
No entanto, a ciência do curandeiro não está isolada dos rituais que se expressam no canto, na dança e nas invocações (preces), que poderiam ser considerados os ancestrais das nossas formas artísticas. Não há separação entre vida, arte e ciência, tudo é vida e manifestação de vida. Entretanto, após o Renascimento, arte e ciência foram consideradas no Ocidente como áreas de conhecimento totalmente diferentes, gerando concepções que admitiam que a ciência era produto do pensamento racional e a arte da sensibilidade.
Essa visão dicotomizada entre arte e ciência contradiz o pensamento de hoje, quando se entende que razão e sensibilidade compõem igualmente as duas áreas de conhecimento humano. O próprio conceito de verdade científica cria mobilidade, torna-se verdade provisória, o que muito aproxima estruturalmente os produtos da ciência e da arte. Os dinamismos do homem que apreende a realidade de forma poética e os do homem que a pensa cientificamente são vias peculiares de acesso ao conhecimento.
Há uma tendência cada vez mais acentuada, nas investigações contemporâneas, para dimensionar a complementaridade entre arte e ciência, precisando a distinção entre elas e, ao mesmo tempo, integrando-as em uma nova compreensão do ser humano. O fenômeno da criatividade e o próprio processo criador são objetos de estudos de cientistas, filósofos, artistas, antropólogos, educadores, psicólogos. O processo criador pode ocorrer na arte e na ciência como algo que se revela à consciência do criador, vindo à tona independente de previsão, mas sendo posterior a um imprescindível período de muito trabalho sobre o assunto.
Assim, é papel da escola estabelecer os vínculos entre os conhecimentos escolares sobre a arte e os modos de produção e aplicação desses conhecimentos na sociedade. Por isso um ensino e aprendizagem de arte que se processe criadoramente poderá contribuir para que conhecer seja também maravilhar-se, divertir-se, brincar com o desconhecido, arriscar hipóteses ousadas, trabalhar muito, esforçar-se e alegrar-se com descobertas. Para complementar tal pensamento, temos a seguinte afirmação do autor:
O conhecimento artístico tem como características centrais a criação e o trabalho criador. A arte é criação, qualidade distintiva fundamental da dimensão artística, pois criar “é fazer algo inédito, novo e singular, que expressa o sujeito criador e simultaneamente, transcende-o, pois o objeto criado é portador de conteúdo social e histórico e como objeto concreto é uma nova realidade social” (PEIXOTO, 2003, p. 39).
Levando este pensamento em consideração, entendemos que o objetivo de se ensinar a disciplina de Artes é muito mais do que desenvolver as habilidades artísticas de determinado aluno, mas sim formá-lo criticamente para a escola, e principalmente para o mundo. Sendo assim, a concepção de Artes transcende ou ultrapassa qualquer entendimento de produção cultural, nem tampouco se deve levar em consideração o fato de adquirir o conhecimento apenas por uma boa nota durante as avaliações. Deve-se aprender pelo prazer de aprender.
3.3 A Arte na construção da identidade do aluno
A arte tal como ela se apresenta não deve ser algo subestimado, pois a sua importância se faz notória em todos os contextos, sobretudo no contexto pedagógico. O aluno pode olhar para dentro de si e enxergar potencialidades tais quais ele é capaz de adquirir. Para que tal coisa acontença é preciso que professor e aluno, ambos contribuam para o avanço da disciplina. Desta forma haverá um mutualismo, ou seja, tanto o professor beneficiará o aluno como o aluno beneficiará o professor.
Barbosa (2003, p. 47), ao afirmar que:
[...] a Arte e seu ensino não é apenas uma questão, mas muitas questões: não um problema, mas inúmeros desafios, uma tensão instalando estados de tensividades entre olhares, buscas e encontros aprofundados, pois Arte é conhecimento a ser construído incessantemente.
Contando com este pensamento, podemos entender que existem muitas questões que envolvem o fazer pedagógico, perguntas estas, tais como: É importante ensinar Artes?, É possível melhorar a maneira de se ensinar Artes?, Porque nem todos os alunos gostam de estudar Artes?, e tantas outras indagações acerca da importância de ensinar tal disciplina. Certamente nem todos os professores e professoras pensam sobre essas perguntas, quando na realidade deveriam se perguntar de modo reflexivo: Eu estou ensinando da maneira correta?, O que eu preciso mudar na minha metodologia?, Existe a possibilidade de inovar?.
Dentro deste contexto social surge uma outra indagação que precisa ser trabalhada com muita ênfase: Como fazer o aluno se interessar por Arte em uma era tecnológica?. Para tal pergunta até parece não haver resposta. No entanto a arte está em todas as partes. Um professor pode eleborar uma aula criativa usando as fotos dos personagens de um conto de fadas.
Para não ficarmos apenas no senso comum, vamos contar com o pensamento de Moura (apud ROSA,2016, p. 7), onde ele destaca que, além de ser uma excelente fonte de informação, a internet possibilita interação entre seus usuários, ou seja, partilha de opiniões, sugestões, críticas, e visões alternativas. Na escola, esse recurso também auxilia o professor, conforme o autor destaca: a Internet faz hoje parte do nosso mundo, incluindo o espaço escolar, e a educação não pode passar ao lado desta realidade. O mesmo autor também afirma, dizendo:
Este novo recurso põe à disposição um novo mar de possibilidades para novas aprendizagens, permite a interação com outras pessoas das mais variadas culturas, possibilita o intercâmbio de diferentes visões e realidades, e auxilia a procura de respostas para os problemas. Ela é um excelente recurso para qualquer tipo de aprendizagem, em particular nas aprendizagens em que o aprendente assume o controle (MOURA, 1998 177-129).
Isto implica dizer que o professor, mesmo que ele não tenha afinidade com as TIC’s (Tecnologia da Informação e Comunicação) não deve ficar ou se mostrar desmotivado com os novos recursos que vão surgindo no mundo da tecnologia. Pelo contrário, o professor deve se mostrar contente frente a essa gama de possibilidades, pois isso faz com que a educação seja remodelada sem restringir, é claro, as regras da escola. A autora Rosa Guerra (2016, p. 7) afirma o seguinte:
É importante ressaltar que atualmente encontramos disponível, diversos recursos tecnológicos livres, onde o professor pode utilizá-los para enriquecer sua metodologia educacional. São infinitas as opções de ferramentas tecnológicas, tais como: jogos, vídeos, aplicativos, softwares entre outros, que servem de apoio no processo de ensino-aprendizagem.
Em outras palavras, a probabilidade de o aluno aprender é grande. Verdade seja dita, as aulas remotas não se comparam às aulas presenciais. No entanto o aluno pode aprender da mesma maneira através dos recursos de que ele se dispõe a usar. Segundo Bauman (apud SANTOS, 2005,
p. 91), as identidades não possuem solidez. Esta afirmativa nos mostra que o aluno não constrói a sua identidade em apenas um ano de escola. De fato, este é processo contínuo, pois enquanto houver vida existe a necessidade de se aprender. Requer-se muito tempo para se formar um aluno. Entendemos portanto que o professor deverá se utilizar dos recursos e concepções pedagógicos a fim de que a identidade do aluno seja construída, fazendo com que ele interaja com a disciplina de artes.
3.4 Qual a importância de se ensinar a disciplina de Artes na Educação Infantil?
Para iniciarmos este tópico precisamos compreender a altura e a profundidade desta questão. Entendemos portanto, que esta questão é muito mais que uma questão retórica. Seguindo o pensamento de Patrícia de Sousa (2017), o intuito de preparar as aulas não seria apenas planejá-las, mas sim transformá-las em algo prazeroso. Esta concepção é deveras interessante, pois contempla novos recursos e novas maneiras de se construir o conhecimento. É preciso conscientizar o aluno para que ele saiba ou conheça aquilo que ele está produzindo dentro da sala de aula.
De certa forma não há nada de nocivo em se ensinar os conteúdos referentes da disciplina. No entanto é preciso observar o que se está fazendo dentro da sala de aula e como se está fazendo. Muito provavelmente se algum professor ou professora perguntar à uma criança de cinco anos de idade qual é a importância da arte é bem provável que ela diga que a importância da arte é desenhar e pintar. E porque não nos preocuparmos com o senso crítico das crianças também, já que é a partir da infância que o senso crítico dos alunos deveria ser aguçado?
Temos a seguinte afirmação:
Educação em arte é ter conhecimento de suas múltiplas linguagens, seus procedimentos e técnicas. Porém, as atividades precisam ser planejadas a partir de fundamentação artística, de modo que instiguem os estudantes a realizar comparações, seja entre suas próprias produções ou de alguma obra apresentada pelo educador. Essa análise comparativa pode ser despertada a partir de intermédio de conversa, leitura de livros ou leituras visuais. Com isso, os pequenos poderão observar as características da obra, realizar questionamentos, expor opiniões e críticas sobre o objeto analisado. (SOUZA, 2017, p. 20)
Por meio deste pensamento podemos ver que a arte se configura de várias formas, dentro de várias vertentes. Para que haja sucesso no processo de ensino-aprendizagem é preciso queo professor se dê conta de que o processo educativo se dá de várias maneiras, e não simplesmente através de atividades e deveres para se responder em casa. Isto não significa necessariamente que os livros didáticos não tenham nenhuma serventia dentro daquilo que está proposto pela educação escolar. No entanto é preciso reconhecer a necessidade de se estabelecer novos métodos afim de que a educação e o aluno ganhem novos patamares para o saber.
De acordo com o pensamento da autora, “[...] cada linguagem artística possui sua particularidade no processo de ensino aprendizagem, sejam elas linguagens visuais ou teatrais [...]”. (SOUSA, 2017, p. 21). Isto implica dizer que o aluno tem uma possibilidade bem maior de se identificar com outros assuntos referentes à disciplina. Se tomarmos como exemplo as artes cênicas que se subdividem em: dança, teatro e música, talvez o aluno não tenha afinidade com o teatro. No entanto, como existem apresentações musicais em peças teatrais isso facilita as coisas tanto para o aluno quanto para o professor, considerando que a arte está em toda parte. O aluno pode despertar um interesse dentro de si de tal maneira que ele pode passar a se tornar o grande crítico de arte ou até mesmo um produtor artístico.
Acreditamos que a importância de se estudar a disciplina de Artes não está meramente baseada em saber quem pintou a Monalisa, ou quem desenhou as pinturas rupestres ou até mesmo quem compôs a música “Garota de Ipanema”. A intenção por trás de se ensinar a disciplina de Artes não está e nem tampouco deve estar pautada em decorar informações de épocas passadas. Se pararmos para pensar, veremos que existem inúmeros concursos de poesia pelas escolas, Brasil afora. No entanto, quantas crianças fazem uma análise crítica a despeito daquilo que produziram?
Segundo REGO (2014, p. 64):
O aprendizado da linguagem escrita envolve a elaboração de todo um sistema de representação simbólica da realidade. É por isso que Vygotsky identifica uma espécie de continuidade entre as diversas atividades simbólicas: os gestos, o desenho e o brinquedo. Em outras palavras, estas atividades contribuem para o desenvolvimento da representação simbólica (onde signos representam significados), e consequentemente, para o processo de aquisição da linguagem escrita.
A humanidade sempre esteve rodeada por signos e símbolos. Uma vez que a criança entende o que cada símbolo ou signo representa ela se torna apta para interpretar o mundo à sua volta. E como o aluno se tornará capaz de decifrar tais signos e símbolos, uma vez que seu professor não o ensina? Vemos, com isso, que a decodificação dos códigos é uma área pouco trabalhada dentro da sala de aula. É claro que esta pauta não está baseada somente no sentido de alfabetizar a criança, mas sim em formar o senso crítico da criança. Uma criança pode ver um desenho numa folha de papel e dizer que são três pássaros pretos ou ela pode dizer que são apenas rabiscos de coleção preta numa folha de papel comum.
É mais do que necessário pensar em todas as hipóteses afim de que a educação não caia no tão chamado e estereotipado “conformismo”. Fazer só por fazer, ensinar só por ensinar, produzir apenas por produzir pode se tornar algo arriscado tanto para o professor quanto para a escola, e porque não para o aluno? É para isso e também por isso que existe o planejamento pedagógico. Para que o professor esteja mais do que preparado para o dever de se educar o aluno.
Temos a seguinte afirmação:
No entanto, o processo de ensino aprendizagem vai muito mais além do ato de ensinar a ler e escrever. O olhar crítico é um elemento essencial que também contribui coma formação humana. Esse senso crítico pode ser despertado no cotidiano escolar desde as séries iniciais, pois, o educador como agente transformador promoverá interações entre os estudantes e os objetos de conhecimento, provocando assim, a essência da observação, a apreciação dos elementos culturais, seja também, por atividades produzidas por eles ou até mesmo obras artísticas diversas produzidas ao longo da história humana, que serão apresentadas aos estudantes pelo educador. (PATRÍCIA DE SOUSA 2017, p. 23).
O aluno não pode em momento algum perder a sua criticidade, pois é por meio desta que ela será capaz de entender a realidade que permeia à sua volta. Um aluno sem um senso crítico seria como um “poço seco”. Cabe ao professor desenvolver o senso crítico do aluno, para que mais na frente ele esteja intelectualmente capacitado para os próximos trabalhos acadêmicos que ele terá de produzir. O senso comum ainda prevalece em algumas escolas. Um aluno vê o quadro da Monalisa e diz que é uma pintura no mínimo “legal”. Todavia ele não sabe que Leonardo Da Vinci passou vários anos dissecando cadáveres para ter tal conhecimento sobre a anatomia humana. Isso é senso crítico.
Entendemos, portanto, que a disciplina de Artes não existe por mera formalidade ou distração, ou qualquer que seja motivo. Ela existe, de fato, por uma razão superior. Para tornar o aluno capaz de decifrar o mundo ao seu redor. De acordo com o pensamento de Freitas (2014, p.55), “As práticas escolares não valorizam as artes, a afetividade, o desenvolvimento do corpo, da criatividade entre outros aspectos que favorecem exatamente os processos de criação que são básicos para a implementação de inovações”.
Isto é desagradável, visto como as artes estimulam várias áreas das potencialidade ou habilidades humanas. E quem perde com isso? Certamente o professor, a escola, e principalmente o aluno. Em uma era predominantemente tecnológica onde o professor tem acesso a tantos recursos e informações, mesmo assim alguns professores ainda permanecem com os antigos recursos. É de certo modo intrigante uma escola possuir uma caixa amplificada e os professores da escola não fazerem uso, de maneira pedagógica, de tal ferramenta. É deveras intrigante uma escola ter tantos computadores e os alunos de tal escola, seja ela pública ou privada, não terem absolutamente nenhum acesso.
Segundo o pensamento de Patrícia (2017, p. 24), “A arte faz parte da cultura, e ao fazer parte da cultura, ela faz parte de uma práxis social. No entanto, produzir arte é acompanhar o desenvolvimento social”. É preciso ter um acompanhamento durante o processo de desenvolvimento do aluno. Evidentemente nem sempre é possível acompanhar o desenvolvimento escolar de todos os alunos. No entanto o professor pode fazer o seu melhor afim de criar um ambiente mais saudável e agradável.
É claro que quando falamos em “acompanhamento” não estamos nos referindo em conduzir o aluno até a porta de entrada da escola. Estamos falando em termos científicos, pois a ciência requer observação e análises. Acompanhar o aluno implica dizer que o aluno é um ser dentro do contexto social, psicológico e biológico. Não estamos falando em investigar a vida do aluno, mas sim sobre observar o aluno dentro do contexto pedagógico. E com que intuito? Na intenção de tentar compreendê-lo melhor, para que a sua formação não se faça vã.
Assim, segundo Silvestre (2010, p.17):
Independente da cultura que o aluno possui, é dever e direito da escola saber integrar diferentes culturas, e valorizar cada vez mais as culturas de diferentes povos, trabalhando na perspectiva de incentivar os alunos para reconhecerem- se a eles próprios. Trabalhar com diferentes culturas, ou com culturas locais oportuniza o aluno cada vez mais a se conhecer e conhecer o outro, e o mundo no qual está inserido.
É preciso estabelecer uma conexão, ou seja, uma relação entre o aluno e o professor, afim de que haja compartilhamento de saberes, pois não somente o professor é capaz de ensinar, mas também de aprender. Estabelecer uma relação entre professor e aluno é, sem dúvida alguma, de suma importância, pois esta perspectiva em muito contribui para o avanço da disciplina e também da escola. O que o professor em sua plena consciência deve saber é que não importa qual seja a sua especialização, ou até mesmo qual seja o seu grau de formação. Cada professor se torna responsável pelo seu modo de convivência dentro e fora da escola.
Segundo o pensamento de Ferraz e Fusari (2009), o verdadeiro “valor da arte está em ser um meio pelo qual as pessoas expressam, representam e comunicam conhecimentos e experiências”, mas, porém, a arte não é abordada dentro da escola partindo desse princípio e dessa finalidade. É notável, portanto que a disciplina de Artes é essencial para formação do aluno, dentro e fora do escolar, sobretudo dentro do contexto escolar.
4. METODOLOGIA
A pesquisa citada acima aborda sobre a importância de repensar o componente curricular de Artes na Educação Infantil, levando em consideração os aspectos do cotidiano dos alunos e dos professores. A pesquisa é de natureza qualitativa, pois objetiva buscar e compreender os fatores que fazem com que o componente curricular de Artes permaneça com a mesma metodologia. Segundo Denzin e Lincoln (2006), a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem interpretativa do mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem.
Nosso objetivo aqui não é mudar os conteúdos que fazem parte do componente curricular e sim analisar e refletir sua maneira de se ensinar, ressaltando à existência a didática e a ludicidade de se ensinar Artes de maneira gratificante e totalmente eficaz.
Para coleta de dados utizamos um questionário aplicado aos professores, que ao todo somam 3 participantes. Segundo Gil (2002), o questionário é uma técnica de investigação composta por um número mais elevado de questões apresentado por escrito às pessoas, tendo como objetivo o conhecimento de opiniões, sentimentos, expectativas, situações vivenciadas etc. Os sujeitos desta pesquisa terão suas identidades preservadas por questões éticas de natureza profissional, pois a intenção da pesquisa é obter resultados e não divulgar a identidade daqueles que se fizeram participantes da pesquisa.
A data em que a pesquisa fora realizada foi no mês de Abril de 2021. É necessário lembrar que a pesquisa fora realizada de forma presencial, obedecendo às regras da instituição e também o contexto da pandemia. Sendo assim, é de suma importância realizar uma pesquisa para o aprimoramento do assunto e também para a obtenção dos dados produzidos no tocante à realidade vivida e os problemas a serem solucionados. Por esta razão, optou-se por fazer uma pesquisa com três professores da creche Solimar Alencar Lima, a qual situa-se no bairro Sambaíba Nova, obedecendo às regras quanto à higienização, decorrentes da pandemia do COVID – 19.
Os resultados foram produzidos de maneira satisfatória, dando a entender que, o conceito do componente curricular de artes na concepção dos sujeitos investigados não está errado, de certa forma. No entanto, a maioria das professoras que participaram da pesquisa respondeu que é necessário, ou seja, existe sim uma necessidade de se ensinar a disciplina de forma inovadora aos alunos. Desta forma, a pesquisa qualitativa feita aos professores da creche Solimar Alencar Lima não apenas comtempla os objetivos geral e específicos deste trabalho de modo adequado e satisfatório, como também nos oferece uma resposta convincente de que a disciplina necessita de uma reformulação.
A análise de dados será feita observando de forma crítica os dados, ora coletados por meio da pesquisa qualitativa, afim de que se possa ter uma base teórica a respeito da disciplina de artes, considerando os aspectos pedagógicos e metodológicos que cada participante coloca emprática com seus alunos.
4.1 ANÁLISE DE DADOS
Neste tópico abordaremos de forma clara e concisa as respostas que nos serviram como base para uma melhor compreensão do presente trabalho. Buscaremos explicar cada detalhe com a maior clareza possível. Tudo o que foi feito no intuito de abordar de maneira objetiva aquilo que se pretendia fazer. É evidente que os resultados não serão apresentados como uma espécie de ponto final, no entanto procuraremos explanar os dados produzidos por meio da pesquisa em voga.
Considerando que nossa pesquisa realizada na instituição da rede pública de Floriano, na Educação Infantil, a produção de dados foi realizada de forma presencial por intermédio de um questionário impresso em papel contendo cinco perguntas direcionadas às três participantes, perguntas essas que contemplam o objetivo geral e também os objetivos específicos. As participantes da presente pesquisa demonstraram uma certa insegurança no que diz respeito à pesquisa em si. No entanto as perguntas foram devidamente respondidas.
A princípio a intenção era realizar o questionário de forma remota, por meio do Google Forms. Entretanto considerou-se mais conveniente realizar a pesquisa de maneira presencial, obedecendo as normas de higienização impostas pelo ministério da saúde por conta da COVID-
19. Como é de práxis, é necessário obedecer as regras para que haja ética, por isso preservaremos as respectivas identidades das participantes da pesquisa. Seguindo esta linha de pensamento, apresentaremos as três participantes como (PARTICIPANTE 1), (PARTICIPANTE 2) e (PARTICIPANTE 3).
A (PARTICIPANTE 1) atua como professora há 14 anos. A (PARTICIPANTE 2) atua como professora há 30 anos. E por último, a (PARTICIPANTE 3) atua como professora há 10 anos. Através destas evidências podemos entender e ao mesmo tempo perceber que todas as participantes possuem grande experiência por meio dos anos de docência. É notório que todas tem uma certa maturidade e afinidade para com a profissão, visto como todas sejam formadas na área de pedagogia. A seguir destacaremos as cincos questões respondidas pelas participantes. Colocaremos cada uma das cinco perguntas com apenas a resposta de cada participante para que o tema abordado se torne abrangente.
A primeira questão tem como idangação: Para você, o que significa ensinar a disciplina de Artes? A resposta foi a seguinte:
(PARTICIPANTE 1) (PARTICIPANTE 2) (PARTICIPANTE 3)
“Expressão de ideias, sentimentos e sensações. É a linguagem corporal” “Possibilita ao educando o densenvolvimento da criatividade, senso crítico, atitudes, sensibilidade, a lingueagem, imaginação e construção de saberes” “Ensinar Artes na Educação Infantil é ajudar a criança a desenvolver através da pintura, do desenho, da música, da dança, expressar seus sentimentos”
É preciso fazer um análise crítica acerca da resposta da (PARTICIPANTE 1) e também da (PARTICIPANTE 3), referente à primeira pergunta. A princípio, é bem verdade que ensinar a disciplina de artes nos remete a expressão de ideias, sentimentos e sensações. Entretanto, a segunda parte desta resposta está limitada ao ensino da disciplina, pois o ensino de artes não se dá apenas por meio da linguagem corporal. De acordo com PATRÍCIA DE SOUZA (2017), a disciplina de artes é fundamental para a formação de sujeitos críticos. Esta afirmação nos oferece a prova clarividente de que a disciplina de artes não é unidirecional, pois ela possui várias vertente. Vemos que a resposta da (PARTICIPANTE 2) não está errada, pois o propósito de se ensinar o componente curricular de Artes é formar o senso crítico do aluno.
A segunda questão tem como indagação: Quais são ou qual é a metodologia que você utiliza ao ministrar o componente curricular de artes na escola onde você trabalha? Em seguida temos a seguinte resposta:
(PARTICIPANTE 1) (PARTICIPANTE 2) (PARTICIPANTE 3)
“Corpo e movimento: Através de brincadeiras, música; desenho; pintura; colagem. “Vai depender dos objetivos que queira atingir e conteúdo a ser ensinado” “Aulas lúdicas através da música e da dança. Proporciona a criança interagir e desenvolver seus potenciais na linguagem e coordenação motora”
É notório que a metodologia quanto ao ensino de artes está novamente limitada, pois é preciso considerar que o objetivo de se ensinar a disciplina de artes tal como acabamos de ver, segundo a citação de PATRÍCIA DE SOUZA (2017), é formar cidadão críticos. Não obstante, percebemos que esta resposta, embora de cunho pessoal, nos remete a uma ideia equivocada, visto que, embora o ensino de artes de forma lúdica tenha um caráter formador não deve ser considerado o único método de se construir o conhecimento.
A terceira questão tem como indagação: O que o professor da Educação Infantil deve fazer para reformar a metodologia do ensino de artes? Em seguida temos a seguinte resposta:
(PARTICIPANTE 1) (PARTICIPANTE 2) (PARTICIPANTE 3)
Sem resposta “Se aperfeiçoar, usar metodologias inovadoras que venham beneficiar seu aluno” “Buscar sempre conhecimentos sobre a importância da arte na Educação Infantil através de técnicas novas e recursos”
Embora a resposta seja verdadeira, é preciso levar em conta uma outra questão: Como o professor conseguiria renovar a sua metodologia, visto que a escola orienta o professor de maneira tradicionalista? Do ponto de vista pedagógico isso seria praticamente impossível, pois o tradicionalismo se utiliza dos antigos métodos de ensinar artes. Neste caso o professor continua no mesmo processo cíclico, onde a criança é condicionada a desenhar sem sequer entender o dignificado daquilo que ela está fazendo.
De acordo com a Secretaria do Estado da Educação do Paraná (2008), devem-se contemplar, na metodologia do ensino da Artes, três momentos da organização pedagógica: Teorizar: fundamenta e possibilita ao aluno que perceba e aproprie a obra artística, bem como, desenvolva um trabalho artístico para formar conceitos artísticos. Sentir e perceber: são as formas de apreciação, fruição, leitura e acesso à obra de arte. Trabalho artístico: é a prática criativa, o exercício com os elementos que compõe uma obra de arte. Com isso vemos que a metodologia quanto ao ensino de artes deve ser algo organizado.
A quarta questão tem como indagação: Na sua opinião, porque é tão importante que o professor da Educação Infantil faça com que seus alunos reconheçam a importância do ensino de artes? Em seguida temos a seguinte resposta:
(PARTICIPANTE 1) (PARTICIPANTE 2) (PARTICIPANTE 3)
“Porquê é através de brincadeiras que eles aprendem mais” “Para compreensão das diferentes linguagens e expressões, gestuais, verbais e intelectuais” “Porque é através dos componentes curriculares de artes que os alunos, muitas da vezes descobre seus dons profissionais, por meio de brincadeiras, músicas, danças e até mesmo a concentração”
Mais uma vez temos o mesmo equívoco, pois não é somente brincando que a criança poderá aprender. Para uma melhor compreensão vamos considerar uma pequena parte de um texto da Secretária do Estado da Educação do Paraná. De acordo com a Secretaria do Estado da Educação do Paraná (2008), o trabalho do professor é de possibilitar o acesso e mediar a percepção e apropriação dos conhecimentos sobre arte, para que o aluno possa interpretar as obras, transcender aparências e apreender, pela arte, aspectos da realidade humana em sua dimensão singular e social. É por esta razão que se faz relevante o compromisso que o professor tem, para que o aluno perceba o quão importante é o ensino da disciplina.
A quinta e última questão tem como indagação: Nas suas palavras, o que você entende quando falamos sobre a necessidade de se ensinar artes de uma forma inovadora para os alunos? Em seguida temos a seguinte resposta:
(PARTICIPANTE 1) (PARTICIPANTE 2) (PARTICIPANTE 3)
“Fazer com que as crinças se expressem mais, através do corpo, da linguagem oral, e de músicas” “Usando diferentes materiais e manipulação até mesmo do corpo para as produções, a ludicidade para a criança se apropriar dos conceitos em relação a proposta do professor “Acreditar que a disciplina de artes contribui para o desenvolvimento das crianças e que a inovação é primordial para ensinar e aprender brincando de forma prazerosa, além de ajudar a aflorar os potenciais individuais”
De acordo com PATRÍCIA DE SOUZA (2017), é preciso que o educador tenha formação na área artística. Esta concepção é muito valiosa, pois sem uma formação adequada a disciplina artes continuará sendo uma coisa cujo intento é preencher a carga horária edistrair os alunos. Isso só nos mostra o quanto devemos nos esforçar para aprimorar os conhecimentos e fazer com que a disciplina não seja apenas um fardo dentro da escola. Se olharmos para a realidade tal qual ela é, veremos que existem diversos fatores que desestimulam osprofessores no que desrespeito ao dever de educar.
Sendo assim, voltamos à questão-problema desta pesquisa: Que significado o professor da Educação Infantil pode atribuir ao ensino de artes? Por meio do estudo complexo da disciplina de artes, inserindo-se no contexto atual, onde estamos rodeados de tão grande número de recursos tecnológicos.
A primeira pergunta do questionário contempla o objetivo geral deste trabalho e o segundo objetivo específico. A segunda e a terceira questão contemplam o primeiro objetivo específico. A quarta e a quinta questão contemplam o terceiro e último objetivo específico. Considerando os fatos apurados mediante à realidade vivenciada pelos participantes da pesquisa, podemos analisar de forma crítica a incapacidade do professor considerando os aspectos cotidianos da escola.
É claro que isso não significa dizer que os professores da Educação Infantil sejam inexperientes. É mais favorável dizer que boa parte dos professores, sem generalizar, evidentemente, não se sentem estimulados a buscar novos conceitos, visto que o mundo é tão vasto e cheio de inovações. A cada ano novos recursos vão surgindo fazendo com que tanto o aluno quanto o professor tenham várias possibilidades no que tange ao ensino e também a aprendizagem.
A disciplina de artes não deve ser enxergada como algo desprezível, ou até mesmo algo
que serve somente para “matar o tédio”. Também é preciso dizer que haverá novos conceitos para se aprender, levando em conta que a disciplina passa por diferente reformulações e redefinições. Para tanto, a disciplina de artes sempre preservará o seu devido valor, não importa a época ou a evolução da sociedade. É preciso inovar. É preciso aprender para depois se ensinar. O professor certamente terá sempre de enfrentar os novos obstáculos que surgem de tempos em tempos. No entanto é mais do que preciso ter persistência em inovar a educação dentro do contexto pedagógico.
O que se pode observar é que as participantes da pesquisa, por meio de suas respostas, embora tenham um longo histórico de jornada pedagógica, não estão familiarizadas com os novos recursos que existem ao seu redor. Tamanha dificuldade não deveria sequer existir, visto como o professor, seja ele de uma escola pública ou não, deve se atualizar de acordo com as mudanças. É difícil de se acreditar, mas existem professores que mal sabem usar o próprio smartphone comprado com seu próprio salário. Isto não significa exatamente que o professor seja incapaz de ensinar aos seus alunos. No entanto é preciso acompanhar a tecnologia para que o professor não fique desatualizado ou para trás.
Tomando o pensamento de Patrícia Gomes (2018, p. 11), ela afirma que:
“[...]A apropriação dessas tecnologias no processo ensino-aprendizagem tem que fazer sentido para o professor e para o aluno, porque ainda que muitos desses recursos sejam autoexplicativos, a voz do professor não pode ser apagada nesse processo. O professor, na função também de mediador, deve ensinar e auxiliar os alunos na busca de informações, na troca de experiências e na exploração dos dados disponibilizados nos diferentes suportes midiáticos[...]”.
É de suma importância que o professor se mantenha bem informado, de modo que o aluno aprenda a gostar de estudar. Para que tal aconteça deve haver cooperação de ambas as partes, considerando os aspectos positivos e negativos, na tentativa de se fazer uma escola melhor. Podemos citar como um exemplo bem prático, os diversos sites que possuem milhares de obras de arte no formato digital, de modo que a possibilidade de aluno se torna mais abrangente e possível ao mesmo tempo. Obviamente se sabe que o conhecimento não deve ser guardado para si, mas sim compartilhado, pois a intenção de se ensinar, tal como já foi mencionado, é fazer com que o aluno se torne um ser mais crítico. Esta é a função da disciplina de Artes, assim como é a função de todas as outras disciplinas.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento do presente estudo dedicou-se em mostrar uma nova percepção que pode, e deve ser tomada pelos professores e professoras da disciplina de Artes, levando em consideração de que a reflexão sobre o ensino de Artes não se deve apenas no contexto da Educação Infantil, como também deve ser ensinada nos demais níveis de ensino com esforço e dedicação no intuito de se obter uma qualidade melhor de ensino. Considerando esta afirmação, é inerente acreditar que a disciplina possui a sua própria relevância, pois o aluno se dispõe das ferramentas disponíveis para a construção do saber.
Podemos assim dizer que o aluno pode vivenciar uma gama muito grande de possibilidades para a sua futura formação tanto acadêmica como profissional, pois a inspiração e a criatividade estão atreladas à cultura, e com isso, o aluno adquire novos conhecimentos. Levando em consideração esse pensamento, é necessário fazer menção e tornar notório de que o objeto desta pesquisa são, sem dúvida: o aluno, a disciplina e o professor. Todos os elementos presentes na disciplina contém especificidades que denotam qualidade e grandeconhecimento, sem levar em conta de que, cada aluno tem a sua própria definição de Arte, baseado em seu senso comum.
Não é à toa que cada um enxerga o mundo de uma forma única. É exatamente este mesmo conceito que nos propomos a levar para dentro das salas de aulas, para que não fiquemos apenas na teoria. Existem muitos conceitos e definições, mas é preciso fazer com que cada aluno veja por si mesmo o que esta disciplina tem a oferecer. Não se trata apenas de desenhar, nem tampouco de usar coleções de cera e folhas de papel. Trata-se de fazer valer à pena cada momento em que se passa dentro e fora da sala de aula. Trata-se de enxergar a vida como uma oportunidade de aprender uma coisa nova a cada dia.
Devemos, portanto, considerar de que a disciplina de Artes não é mero fardo a se carregar, mas sim uma missão prazerosa onde tanto o professor como o aluno aprendem. Desta forma, desde que esteja nos conformes da escola e da grade curricular, afinal de contas, é para isto que existe a disciplina. Para ensinar e para educar o aluno de acordo com as normas da escola. Em suma, a disciplina exige uma ressignificação, de que modo que os alunos se interessem pelo saber e pelo aprendizado. O compromisso não parte somente da escola, como também do professor, pois sempre haverá novos desafios no dia a dia do professor, do aluno e também da escola. Sendo assim, consideramos que,de forma satisfatória, esta pesquisa responde aos objetivos do presente estudo.
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