6 DE MARÇO DE 2026 - [DIÁRIO]


    Eu já esperava que isso fosse acontecer novamente. Depois de ter tomado o meu café-da-manhã eu fui para o centro da cidade, resolver algumas coisas. Assim que voltei pra casa, meu transtorno bipolar acendeu feito uma vela. Eu já tenho um histórico de depressão, e com a bipolaridade, isso me deixou profundamente conturbado. Assim que cheguei em casa, fui para o quarto do meu irmão que mora em outra cidade. A sensação era como se eu fosse cadáver em estado de putrefação. Minha mãe adotiva, conhecendo o meu estado de espírito, ligou para uma funcionária do CAPS e pediu a ela que passasse o celular para a psicóloga. Elas conversaram. Minha mãe tentou convencê-la a vir pessoalmente à minha casa mas o dia de trabalho da doutora estava corrido e ela tinha muitas demandas. Eu já tinha procurado alguns objetos cortantes no intuito de cortar os meus pulsos. Até tinha usado uma pequena tesoura, dessas que se usam em manicures e pedicures. Os cortes foram superficiais. Eu estava totalmente inquieto. A doutora pediu à minha mãe para falar comigo. Eu falei com ela sem nenhuma grosseria. Ela me disse: "Ubiratan! Eu já falei com você sobre a questão da multilação. Você só vai magoar sua mãe e seu pai mais ainda!". Eu disse a ela: "Eu sei, doutora, mas eu preciso fazer isso.". Ela disse: "Isso vai te favorecer em qual aspecto?". Eu lhe disse: "Acho que estou começando a gostar disso". Ela me orientou dizendo: "Eu quero que você escreva uma carta dizendo tudo o que você sente, o que pensa. Pode fazer isso?". Eu respondi: "Isso é fácil, doutora. Já que sou escritor, não terei nenhuma dificuldade com isso". Ela concluiu dizendo: "Venha na Segunda-feira e traga a carta que você vai escrever!". Perguntei-lhe: "Posso digitar a carta no computador e depois mandar imprimir?". Ela respondeu: "Pode, sim!". Minha mãe fez um gesto dize do que ainda queria falar com a psicóloga. Elas terminaram a conversa e eu continuei fuçando as gavetas da cômoda na expectativa de encontrar alguma coisa pra me mutilar. Minha mãe me impediu e ficou me vigiando para que tal coisa não viesse a acontecer. Fiquei deitado por alguns minutos bolando um plano que realmente desse certo. Foi aí que eu me lembrei que tinha um dinheiro meu na gaveta. Aí eu disse pra minha mãe: "Mãe! Deixa eu ir no mercadinho comprar um pote de sorvete?". Minha mãe me pediu pra jurar por Deus que eu não iria para outro lugar. Eu disse a ela que era pecado jurar por Deus, pois o próprio Cristo disse que não devemos jurar pelo céu, e nem pela Terra. Ela me disse: "Ah, bom! E eu nem sabia disso". Eu peguei o dinheiro e sai de casa, mas tive de voltar, pois eu queria registrar a loucura que estava prestes a realizar. Nunca imaginei que fosse tão barato comprar um objeto que pudesse ser usado contra a própria vida. Eu menti dizendo para a esposa do dono do Mercadinho que depois eu voltaria para comprar o sorvete e o café que minha mãe havia me pedido para eu comprar. Depois de ter colocado o objeto e o troco no bolso, subi em direção ao postinho de saúde. Existe uma praça bem bonita entre os pés-de-manga. O postinho fica nessa praça. Observei como estava o movimento para certificar-me de que não teria ninguém que me impedisse de fazer o que eu estava prestes a fazer. Vendo que a barra estava limpa, enfiei a mão no bolso errado. Depois minha mente lembrou de que eu havia colocado o objeto no bolso de trás. Puxei o objeto. Era uma caixinha que continha 3 giletes, daquelas que se colocam em barbeadores antigos. Sem enrolação, comecei com o pulso direito. Fiz dois cortes rasos. O sangue começou a escorrer vagarosamente. Depois parti para o pulso esquerdo. Também fiz dois cortes e fiquei observando o sangue descendo. Tirei meu celular do outro bolso e comecei a tirar fotos dos meus pulsos ensanguentados. Enquanto eu tirava as fotos, uma senhora vinha acompanhada de uma criança do sexo masculino. Coloquei os dois braços para trás e disse pra ela: "Por favor! Não deixe a criança ver isso não!". Ela disse meio assustada: "Pode deixar, ele não tá vendo nada!". Depois que a senhora de idade e a criança atravessaram a pista continuei tirando fotos dos meus braços com os pulsos cortados. Vendo que a movimentação de pessoas estava aumentado, guardei o celular no bolso e peguei as 3 giletes juntamente com a caixinha. Fui até o outro lado da pracinha e joguei tudo no esgoto. Eu só precisei desembalar um gilete, as outras duas ainda estavam embrulhadas no papel. Depois de tudo isso, comecei a caminhar pela rua, no entanto, ninguém notou que eu estava com os pulsos cortados. Um dos bêbados do bar da Dona Doraci me parou e eu conversei um pouco com ele. Acho que o efeito do álcool e da ressaca eram tão grandes que nenhum deles notou que eu estava com os pulsos sangrando. Talvez eles estivessem com receio de me perguntar. Assim que cheguei em casa abri o portão. Minha mãe já estava na porta de casa me esperando. Ela perguntou: "Cadê o sorvete?". Eu olhei para ela e simplesmente revelei toda a verdade pra ela. Ela simplesmente me disse: "E agora? Tá satisfeito agora que você já fez o que queria?". Eu, com a maior cara de puta, olhei pra ela e lhe disse: "Tô!".

🚨OBS: ABAIXO TEM AS DEMAIS FOTOS QUE FORAM TIRADAS. 








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