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Um dia bastante feliz, à princípio. Mas esta não era exatamente a hora de perturbar o sono de quem já anda muito inquieto. Cada passo mais estreito que o outro.
Bobagens pra cá, bobagens pra lá. Nada de tão interessante, até que uma jovem entre seus quinze ou dezesseis anos começou a escrever um livro. Seu maior sonho era tornar-se uma das melhores escritoras de seu país. Ela carregava em sua mente fresca e intelectual uma gama de livros, mas não era do tipo “garotinha sentimental”. Também possuía uma escrita divina, algo que só existia no século passado.
Ela gostava de xadrez e de coisas antigas que costumamos chamar de ‘bugigangas’. Tinha um olhar penetrante, daqueles de quando alguém a encarava já ficava sabendo quais eram seus ideais. Seu nome era Karin, uma adolescente cheia de vivências e histórias para contar. Na maioria, triste. E para fugir da mesmice de seu dia-a-dia, coisa que a maioria de nós tenta fazer quando se está cansado da triste realidade, ela criou um mundo no qual ela mesma tivesse a oportunidade de ser feliz, mesmo depois de ser constantemente perseguida.
Sendo assim, nossa amiga monótona acorda de um horrível pesadelo, coisa que nem mesmo Sigmund Freud seria capaz de interpretar. Ela ficou durante vários minutos assustada com aquelas imaginações terríveis. Exausta com a noite passada, ela levantou-se da cama e resolveu procurar a chave de seu quarto, pois sofria de claustrofobia. Não encontrando a chave, procurou algumas folhas de papel sem pauta na mesa que havia no quarto, pôs-se a sentar e então começou a escrever. Já que estava sem sono e também sem nenhuma possibilidade de sair daquele maldito quarto, decidiu fazer aquilo que fazia melhor: escrever, não sabendo ela que aquele era apenas o começo de seu futuro reconhecimento.
Capítulo 1
(Uma Menina especial numa Cidade Diferente)
Em um mundo cuja mente nenhuma poderia imaginar, exceto a de Karin, havia uma menina meiga e adorável, aparentemente frágil, porém muito esperta, cujo nome era Lara. Até agora não se pode dizer que era uma vez, pois esta estória vai mais além do que qualquer realidade vivenciada. Então é melhor ficarmos sem “era uma vez”. Lara gostava de coisas das quais os seus vizinhos consideravam esquisitas e contrárias ao que as meninas estavam acostumadas a gostar.
Ela gostava de xadrez, coisa da qual a maioria dizia que era para meninos intelectuais. Ela também gostava de ler bons livros e discutir sobre assuntos que tinham a ver com o mundo no qual ela vivia. O triste de tudo, é que ninguém entendia os gostos e apreciações de Lara, pois todos já estavam conformados a viver sem expectativa alguma de felicidade. Aquilo que eles chamam de “felicidade” não era sequer a sombra da visão de mundo que Lara tinha, pois ela via tudo de uma forma que nem mesmo seus amigos enxergavam.
Mesmo sabendo jogar xadrez, não havia ninguém que tivesse coragem de desafiá-la, pois a maioria sabia do potencial que Lara possuía. Ela podia ser uma nanica de apenas um metro e treze centímetros, mas falava mais que um papagaio falante. Sua maior fascinação eram bichos de estimação. Gatos, coelhos, cachorros, pássaros coloridos e peixinhos dourados faziam parte de sua eterna admiração.
Quase nenhuma tristeza habitava em seu coração sonhador, a não ser a frustração de não ser compreendida pelos seus vizinhos. Mas o que importa? Uma vez que você é feliz e não se deixa levar pelo pensamento dos demais você acaba encontrando a fórmula da felicidade, pois como diziam os antigos: “Quem vai pela cabeça dos outros é piolho”. Seu maior sonho era criar uma possibilidade de fazer com que todos fossem felizes. Às vezes, Lara ficava horas e horas imaginando aquilo que fomos acostumados a chamar de realidade. Seus pensamentos iam muito além de qualquer mente adulta.
Na cidade onde ela vivia havia somente a clareza do dia, pois havia apenas o Sol que iluminava a todos. Todas as vezes que chovia, as pessoas daquela cidade colocavam inúmeros baldes para enchê-los, pois a escassez predominava aquela região. As crianças tinham uma mania exagerada de olhar sempre para o relógio.
Lara nunca entendia o porquê de elas sempre fazerem isso, mas elas mentiam dizendo pra ela que era apenas para saber as horas. Lara ficava injuriada, pois não entendia tamanha preocupação em saber as horas, uma vez que o dia era sempre iluminado pelo Sol não havia necessidade de se saber as horas. Os únicos animais que apareciam na rua eram gatos e cachorros, mas poucos deles sabiam falar, pois a maioria de seus donos não lhes havia ensinado.
O incrível de tudo, é que os moradores daquela cidade plantavam bananeira, isto é, eles ficavam de cabeça para baixo depois de comerem. Essa coisa de café-da-manhã, almoço e jantar não existia para eles. Jamais ouviram falar.
Diziam que se alguém conseguisse olhar para o Sol durante cinco minutos um pó de areia apareceria em sua mão esquerda, e se essa pessoa despejasse essa areia no chão o tempo iria parar. À cada quatro horas as crianças da cidade ficavam em pé paradas no meio da rua olhando atentamente para o Sol, porém nada lhes acontecia. E de tanto olharem para o astro luminoso elas ficavam com sua visão conturbada enxergando feixes de luz no meio de sua visão. Lara também fazia isso, mas de tanto tentar e ver que não conseguia ela parou de fazer isso, enquanto os outros meninos insistiam com o tal mito de que algum dia conseguiriam controlar o tempo, mesmo que por um breve instante.
Lara tinha a sensação de que essa afirmação não passava de uma mera invenção criada por alguém muito mentiroso. E como bem sabemos, toda mentira é sinal de maldade. Lara começou a perguntar para os seus amigos e vizinhos.
_Bom dia! De onde você ouviu essa história de que se alguém olhar por muito tempo para o ASTRO-REI essa pessoa terá o poder de controlar o tempo?
_Sinceramente eu não sei! Desculpe-me Lara, indagou um de seus vizinhos cujo nome era Esonião.
Era de se esperar que um vizinho tão tapado como Esonião não soubesse responder a uma pergunta tão simples. Se bem que ninguém daquela cidade sabia. Lara tinha que resolver esse enigma, custasse o que custasse.
Então Lara andou pelas ruas da cidade em busca de algo que se mostrasse útil para a sua iniciação investigativa. Lara tinha uma ‘pulga atrás da orelha’ quanto a essa história.
Depois de tanto procurar Lara decidiu encerrar sua busca. Ela estava exausta, e, para reorganizar suas ideias, ela pediu uma folha de papel e um lápis com borracha para os seus vizinhos. Infelizmente ninguém tinha papel e nem lápis e nem borracha, pois eles não sabiam o que eram essas coisas.
Ninguém daquela cidade sabia escrever a não ser Lara, que tinha o hábito de ler livros todos os dias. Existe um pequeno detalhe sobre os moradores desta cidade que ainda não foi mencionado. As pessoas nunca nasceram, pois dependiam do fruto da imaginação de alguém para que pudesse existir.
Essa coisa de pai e mãe não existia. Nem pai, nem mãe, nem irmão, nem irmã, nem tio, nem vô, nem tataravô ou coisa parecida.
Todos eram filhos da Imaginação, fato esse que ninguém se perguntava de onde surgiu. Lara morava em uma biblioteca imensa feita especialmente com folhas de papel. Ela dormia entre os inúmeros livros coloridos.
Depois de tanto buscar por respostas concretas Lara decide voltar para sua casa tão adorável.
Ao entrar em sua casa Lara recebe uma visita. Eram as baratas. Lara abre a porta e pergunta.
_O que vocês querem?
_Bom dia! É... Não nos leve a mal, mas é que estamos sem abrigo para morar!
_Quem expulsou vocês de casa?
_O proprietário da casa.
_E por qual motivo essa pessoa fez isso?
_Bem... Ele gostava da gente, a princípio. Mas acontece que ele foi ficando triste com o decorrer dos anos, e de tão amargo ele acabou nos expulsando da casa dele!
_Como é que ele é?
_Bem... na verdade ele é um senhor velho de um tom cinza de pele, careca, tem só um metro e meio e fica sentado no sofá o dia todo.
_Puxa, ele deve ser muito sozinho!
_Enquanto nós estávamos lá, até que não, mas ele preferiu viver assim.
_E porque ele ficou assim desse jeito?
_Ele gostava bastante de ler livros. Ele morava numa outra cidade. Ele lia todos os dias para nós e nós adorávamos as histórias que ele nos contava. Mas com o tempo os outros moradores decidiram ofender ele e dizer que ele era esquisito.
_E por que os moradores daqui diziam que ele era esquisito?
_Porque ele realmente era esquisito mesmo. Ele olhava toda hora para o relógio e comia as folhas de papel dos livros que ele lia.
_Puxa vida!
_Pois é, pequena Lara!
_De que cidade ele vinha?
_ De uma cidade que se chamava Papelândia.
_Mas será que ele era feliz antes de vir pra cá?
_Acreditamos que sim. Ele era um senhor bem simpático. Sempre sorridente. Mas com o tempo ele quebrou os baldes que ele tinha.
_Nossa! E ele aparou a chuva com o quê?
_Quando chovia ele simplesmente ficava no meio da rua com a boca aberta engolindo as gotas da água.
_E como ele aguentava toda a sede?
_Ele tinha uma piscina vazia no quintal. Essa piscina tinha cinco quilômetros de distância e trinta metros de profundidade.
_Ah, então tá explicado!
_Gostaríamos de saber se você poderia nos abrigar em sua casa. Prometemos que vamos nos comportar.
_Ainda bem, por que se não eu ia colocar vocês no meu quintal!
_Tem galinhas por lá?
_Não! _Ainda bem, por que insetos são o prato predileto das galinhas!
_Podem entrar, venham!
_Obrigado!
Então Lara sentou-se juntamente com as baratas e comeu uns biscoitinhos com elas. Demorou pouco tempo para Lara se acostumar com as pequeninas baratas. Cada barata era mais engraçada que a outra.
_E então? Você gosta de livros, não é? Perguntou uma das baratas.
_Eu adoro livros! Eles me levam a lugares que nunca estive antes.
_Você já teve vontade de ir para outros lugares?
_Sinceramente não. Gosto muito daqui.
_Tudo bem!
_Por falar nisso, porque a cidade de onde esse senhor veio se chama Papelândia? (perguntou Lara).
_Você gostaria mesmo de saber? (indagou a barata)
_Sim, eu gostaria!
_Na cidade onde ele vivia todos tinham criatividade e eram cheios de boas intenções.
_Como assim?
_Todos tinham um dom que era considerado algo perigoso para as outras cidades circunvizinhas. Os outros moradores acreditavam que uma catástrofe poderia acontecer e então obrigaram o fundador da cidade a proibir os moradores de Papelândia a deixarem de fazer o que estavam fazendo.
_E o que eles faziam de tão grave assim?
_Os moradores de Papelândia tinham a habilidade de darem vida as folhas de papel. Eles pegavam uma simples folha de papel, e enquanto eles diziam no que a folha de papel deveria se transformar eles fechavam os olhos e então a folha de papel se transformava conforme o seu desejo.
_Nossa!
_E tem mais, Lara. Se as folhas de papel começassem a fazer alguma malvadeza bastava o dono da petição desejar que a folha de papel se queimasse.
_Carambolas!
_Você não faz ideia de quanta felicidade havia naquela cidade.
_Mas, como foi que o fundador obrigou os moradores de Papelândia a deixarem de transformar folhas de papel em outras coisas?
_Ele inventou uma confraternização falsa onde todos os moradores de Papelândia deveriam se reunir para celebrar a existência da cidade.
_E então? O que aconteceu?
_Como todos tinham a habilidade de transformar papéis de folha em qualquer coisa, ele mentiu dizendo que o senhor da casa de onde fomos expulsos havia feito uma amizade com os moradores de outras cidades.
_E porque o fundador da cidade inventou essa mentira?
_Porque ele temia que os moradores das cidades circunvizinhas levassem as filhas dele.
_Mas isso não está certo!
_E não está mesmo!
_Então porque ele não disse a verdade?
_Porque a verdade é como um alfinete que espeta você e você finge que não sente nenhuma dor.
_E o que é dor?
_Você não tem dicionário aqui na sua casa? Sua casa é uma biblioteca, não é?
_É mesmo! Deixe-me ver.
Lara começou a procurar num dicionário o conceito da palavra.
_Dor... Dor... Dor... Aqui! Achei! Sensação corporal penosa, expressão de sofrimento físico, moral ou sentimental.
_Agora você entende o que é dor?
_Não!
_Bem, vejamos... Dor é toda vez que você não está sorrindo por que você está incomodada com alguma coisa, entendeu?
_Ainda não!
_Ah, é mesmo. Vocês aqui da cidade nunca ouviram falar na palavra dor, não é?
_Nós nem sabemos de que cidade ela é.
_A dor não é nenhum ser vivo. Ela é um fenômeno destrutivo que acaba com qualquer coisa que tenha vida.
_Ainda não entendi!
_Ai! É melhor deixar pra lá. Outra hora nós falaremos sobre isso. _Me diz uma coisa... o que aconteceu depois que o fundador de Papelândia inventou aquela mentira?
_Bem... Os moradores começaram a gritar com o senhor da casa de onde fomos expulsos.
_E o que aconteceu depois?
_Como o senhor se sentiu profundamente constrangido ele tentou se retirar daquela cidade, mas os moradores de Papelândia não deixaram.
_E o que ele fez?
_Absolutamente nada! Mas você lembra de que eu disse a você que quando alguma folha de papel estivesse fazendo alguma coisa errada era só desejar que a folha de papel pegasse fogo e ela pegava?
_Sim, mas nenhuma folha de papel estava fazendo nada de errado.
_É aí que mora a verdade, minha doce Lara! Qualquer morador de Papelândia podia desejar que a folha de papel pegasse fogo, mesmo que ela não fizesse mal a ninguém.
_Mas se a cidade inteira estava contra o senhor de pele cinza, então quem desejou que o papel pegasse fogo?
_O fundador da cidade!
_O quê?
_Ele não estava mais aguentando ver toda aquela injustiça criada por ele mesmo e então ele desejou que suas duas filhas pegassem fogo.
_Como assim? Eu não estou entendendo mais nada!
_O fundador da cidade não tinha esposa. E como todo homem criativo, ele queria ter uma família.
_Espera aí, o que é esposa? O que é filha? E o que é família?
_Você tem tantos livros e ainda não sabe o que é uma família?
_Meus livros não falam sobre isso!
_E sobre o que exatamente eles falam?
_Bem... Eles dizem que a cidade onde moro não é exatamente a melhor de todas as cidades, e que nós somos todos seres vivos com grandes capacidades, só isso.
_E por acaso eles dizem que vocês podem formar famílias?
_Não!
_Eles não dizem que vocês podem ter irmãos, irmãs, primos, tios, avôs, avós, tataravós, netos, primos, sobrinhos, pais e mães?
_Não! Infelizmente aconteceu o que eu mais temia.
_Do que você está falando?
_Você não sabe o que é medo?
_Não. Os livros não me ensinam isso.
_Então temos muito que conversar!
_Tudo bem, mas me fala o que aconteceu com as fliz...fillll...fill. Eu não sei como é que se fala.
_Filhas!
_Isso! O que aconteceu com as filhas do fundador?
_Eu não havia dito a você que elas pegaram fogo?
_Ah, foi mesmo! Desculpa!
_Como eu estava dizendo... As filhas do fundador de fato pegaram fogo e como elas estavam perto das outras criaturas de papel todas as criaturas pegaram fogo juntamente com ela.
_Nossa, me deu um calafrio na espinha!
_Isso se chama medo.
_Então não é nem um pouco agradável sentir medo.
_Pois bem, agora que você sabe o que é medo eu vou terminar de contar o que aconteceu.
_Pode contar, eu quero saber.
_Pois bem... Depois que todas as criaturas de papel criadas pelos moradores de Papelândia, pegaram fogo, as casas, as ruas, as pedras, tudo o que havia na cidade, e que era feito de papel.
_Mas espera um momento! Então quer dizer que a cidade inteira era feita de papel?
_Você é bem esperta, minha doce menina!
_Então foi o fundador que construiu a cidade?
_Certamente!
_Mas porque o fundador não conseguiu formar essa tal de família?
_Bem, é uma longa história.
_Não tem problema, eu gostaria de ouvir!
_Certo. Uma vez ele achou um livro no lugar de Papelândia antes de a cidade ser construída por ele. Este livro foi escrito por uma pessoa que morava numa cidade chamada O Esconderijo das Verdades Absolutas. Esse livro continha muitas coisas que poucos seres conhecem.
_E o que aconteceu com esse livro?
_Bem... Como o livro estava na casa do fundador no dia em que Papelândia pegou fogo provavelmente se queimou.
_E o que aconteceu com o fundador?
_Ele mudou-se para outra cidade.
_Que cidade?
_Lamentavelmente não sabemos!
_E o senhor da pele cinza?
_Bem... Ele fugiu de Papelândia juntamente com os outros moradores. E depois de a cidade se queimar por completo a cidade passou a ser chamada de A Cidade das Cinzas.
_Nossa. Isso não tem nada de alegre!
_E não tem mesmo.
_Você quer mais um biscoito?
_Claro!
_Parece que seus companheiros já estão dormindo.
_Não são meus companheiros, eles são meus irmãos.
_E o que são irmãos?
_São filhos de um mesmo pai e de uma mesma mãe.
_Acho que não vou entender isso nunca.
_Você vai.
_Você é uma menina muito inteligente.
_Obrigada!
_Disponha.
_Escuta... Vocês também não são de Papelândia, são?
_Na verdade nós nascemos em uma cidade esquecida por todas as outras cidades.
_E que como se chama essa cidade?
_ A Terra das Baratas Excluídas.
_O que vocês faziam nessa cidade?
_Nós tomávamos banho todo dia e voávamos por esse céu azul e tão belo. Ficávamos conversando sobre histórias que poucos conheciam.
_Como o que, por exemplo?
_A grandiosidade do ASTRO-REI, a beleza da natureza, a amizade, e principalmente a nossa existência.
_Como assim sobre a existência de vocês?
_Antes de vocês existirem, nós baratas, já estávamos aqui. Mas assim como você, nós também dependemos da Imaginação para que viéssemos existir.
_Então quer dizer que você e seus irmãos dorminhocos apareceram antes de nós?
_Meus irmãos e eu não. Os meus descendentes.
_O que são descendentes?
_São aqueles que existiram antes de nós.
_E esses descendentes ainda existem?
_Não!
_E porque, se todos vivem para sempre?
_Os livros que você lê também dizem isso, é?
_Sim, eles dizem!
_Pois eles mentiram pra você.
_Como assim? Nós vivemos enquanto a Imaginação desejar. Quando a Imaginação se cansa de nós ela deseja que nós desapareçamos e assim deixamos de existir.
_Mas nós aqui da cidade sempre ouvimos falar que a Imaginação deseja sempre que nós existamos.
_Foi o que os moradores desta cidade contaram pra você?
_E porque eles mentiriam pra mim?
_Porque crianças sempre estão sujeitas a escutar mentiras.
_Eu não sabia disso.
_Pois já está sabendo.
_E porque os adultos mentiriam para as crianças?
_Porque eles pensam que são os únicos que podem saber da verdade.
_Desde quando os moradores da minha cidade sabem disso?
_Desde que o senhor de pele cinza que nos expulsou passou a morar aqui.
_E por falar nesse assunto, esse senhor tem nome?
_Sim.
_Como ele se chama?
_ Aznic. Esse é o nome dele.
_Como foi que ele conheceu vocês?
_Bem... Nós estávamos na nossa cidade nos divertindo com nossa família, até que ele chegou e nos visitou. Ficamos muito felizes com a visita dele e ao vermos que ele era muito inteligente e que conhecia todas as cidades deste Atenalp, então decidimos ir junto com ele e então passamos a ser amigos.
_Eu posso te perguntar de novo uma coisa.
_Sim, claro.
_Porque Aznic mandou vocês irem embora?
_Porque ele não suportava a ideia de ser expulso de uma cidade que ele ajudou tanto a construir?
_Você está falando de Papelândia, não está?
_Sim, estou! _
_Mas você não tinha dito que foi o fundador que construiu a cidade?
_Sim, e realmente foi. Mas o fundador só construiu a cidade porque Aznic ensinou a ele a habilidade de transformar a folha de papel em outras coisas. Então quer dizer que Aznic foi o primeiro ser a transformar papel em coisas?
_Exatamente.
_E quem ensinou Aznic a modificar a folha de papel?
_A Imaginação.
_E porque a Imaginação deu essa habilidade para Aznic?
_Pelo pouco que eu sei, Aznic juntava as mãos e falava em silêncio palavras que eu não conseguia ouvir. Então eu perguntei pra ele por que ele fazia isso a cada duas horas e então ele me disse que se nós fôssemos mais gratos à Imaginação certamente teríamos dádivas e presentes que nenhum metal pode substituir.
_E você e seus irmãos começaram a fazer isso?
_Sim, mas só de vez em quando.
_Será que Aznic está em casa? Gostaria muito de conhecê-lo.
_Pode ficar tranquila. Ele nunca sai de casa.
_Então vamos visitar ele!
_Acho que ele não vai gostar.
_Você está com sono também, não é?
_Não... Não é isso... É que não seria bom incomodar Aznic.
_Tudo bem. Então você fica aí com seus irmãos enquanto eu vou lá.
_Lara, por favor. É melhor você não ir.
_Não se preocupe! Esse calafrio na espinha eu tenho certeza que eu nunca mais vou sentir.
_Lara, você pode estar enganada.
_Daqui a pouco eu volto. Fique aí com os seus irmãos. Prometo não demorar.
_Lara!
Então Lara saiu de casa enquanto a barata e suas irmãs ficaram em casa dormindo. Lara estava muito ansiosa para conhecer Aznic. Ao andar pelas ruas da cidade os vizinhos de Lara começam a perguntar para Lara.
_Bom dia, Lara! Aonde você está indo?
Então Lara respondia.
_Estou indo pra um lugar um pouco distante. Até mais!
Havio um fato que deixava Lara zangada, pois sempre que chovia os moradores da cidade eram obrigados a buscar os baldes de dentro de casa e colocá-los do lado de fora. Lara ficou extremamente irritada, pois o desejo de conhecer Aznic era maior que tudo que ela estava sentindo. Lara voltou para a sua casa e acordou as baratas que estavam tirando uma bela soneca.
_Vamos, acordem! Me ajudem a levar os baldes pra fora, senão nós morreremos de sede.
Para o azar de Lara, as baratas não acordaram de jeito nenhum, pois o sono das baratas era muito pesado.
_E agora, quem vai me ajudar? Preciso de ajuda. Porém, Lara teve de levar os baldes sozinha para fora. Sendo assim, Lara levou todos os baldes para fora. Eram dez baldes ao todo. Depois de muito esforço Lara voltou para casa e se deitou ao lado das amigas baratas. Ela tinha medo da chuva, pois disseram a ela que se uma criança ficasse muito tempo na chuva essa criança encolheria até ficar do tamanho de uma semente de feijão.
Após vários e vários minutos de chuva, uma das baratas acorda entre as migalhas de biscoitos. Ao ver que Lara estava dormindo, a barata decide acordar Lara.
_Lara! Lara! Acorde, por favor!
Porém Lara não acordara. Vendo a barata que Lara e as outras baratas estavam dormindo a barata tomou a decisão de ir até a casa de Aznic. Como baratas tinham o costume de se banhar todos os dias, a corajosa barata voou em direção à casa de Aznic.
A barata não fora vista por ninguém dos moradores da cidade, a não ser por um menino de cabelo colorido que estava observando a chuva pela janela. Chegando na casa de Aznic, a barata bateu três vezes na porta.
_Aznic! Aznic, você está aí?
No entanto ninguém respondera.
_Aznic, aqui é o seu amigo Baratildo!
O silêncio ainda prevaleceu. Então Baratildo entrou pela fechadura. Baratildo andou pelos cômodos da casa, mas não achara ninguém. Depois de voar pelas escadas, Baratildo encontra a janela aberta.
_Isso é bem esquisito! Geralmente quando chove Aznic fica no meio da chuva com o bocão aberto engolindo as gotas d’água!
Revistando pelos cantos da casa, Baratildo encontrou uma folha de papel.
_Mas, o que é isso?
Ao pegar a folha, Baratildo tentou decifrar aquelas palavras esquisitas, mas não conseguiu. Então algo inesperado aconteceu. Enquanto isso, Lara acordava de seu sono profundo e então percebera que estava faltando uma barata a mais. Então Lara acorda as demais baratas e pergunta.
_Ei! Ei! Vocês não são dez irmãos ao todo, então porque eu só vejo nove?
_É mesmo! (indagou uma das baratas).
_Vamos sair pra procurá-las.
_Vamos!
Então Lara e as nove baratas resolveram sair de casa. Para a sorte delas, a chuva já havia acabado. Os dez baldes estavam completamente cheios. Lara e as baratas saíram pelas ruas da cidade gritando.
_Onde você está, barata?
Os vizinhos de Lara começaram a caçoar de Lara e de suas amigas baratas.
_Vocês estão brincando de pique-esconde, é?
Mas Lara não dava atenção ao que seus vizinhos diziam, a não ser as baratas que estavam desesperadas com o desaparecimento de Baratildo. Depois de um longo tempo procurando pela barata, Lara e as outras baratas se sentaram-se no gramado de uma praça.
_Procuramos, procuramos e nada achamos. (indagou Lara).
_Você já parou para pensar numa coisa? (indagou uma das baratas).
_O quê? (pergunta Lara).
_Será que o nosso irmão foi até a casa de Aznic?
_E porque ele iria pra lá, se Aznic expulsou vocês de lá?
_Porque o nosso irmão é diferente de nós.
_Como assim, diferente?
_O nosso irmão não guarda mágoa de ninguém. Ele sabe perdoar, coisa que ainda não sabemos.
_Puxa, você é muito sincero.
_Nossos pais que nos ensinaram.
_Que ótimo!
_E então? Vamos até a casa de Aznic?
_Sim, vamos!
Capítulo 2
(O Mistério da barata Perdida)
Chegando à casa de Aznic, Lara e as nove baratas encontraram a porta trancada.
_Mas que coisa! A porta está trancada. (indagou Lara).
_Nós iremos entrar pela fechadura enquanto você fica aqui esperando até que nós encontremos a chave. (indagou uma das baratas).
_Tá bom.
Entrando na casa, as nove baratas voaram pelos cantos no intuito de acharem seu irmão Baratildo. No momento, sua maior preocupação era encontrar o irmão primeiro para depois procurar a chave.
A casa de Aznic tinha oito quartos, ao todo. Quatro quartos no andar de cima e quatro no andar de baixo. No primeiro quarto, as noves baratas encontraram vários desenhos grudados nas paredes. Cada desenho era difícil de entender. O desenho que mais chamara a atenção das baratas foi um que tinha um tigre de pé parecendo falar em voz alta e várias ovelhas ao redor dele.
Por incrível que pareça, as baratas nunca tinham reparado nos detalhes da casa de Aznic, pois a amizade entre as baratas e Aznic era tão bonita que eles nunca sequer atentavam para esses detalhes.
No segundo quarto havia vários origamis de vários animais como, coelho, cachorro, girafa, raposa, elefante, jacaré e outros animais que chamavam a atenção. Mas o que chamava mais a atenção das baratas é que todos os origamis estavam voltados para a cama daquele quarto. Ao entrarem no último quarto do andar de cima, as baratas encontraram várias fotos de Aznic.
O que era assustador, era que em todas as fotos, Aznic estava apontando para algum lugar, de modo que todas as fotos estavam apontando para um relógio antigo cheio de poeira e teia de aranha. A aranha que fizera aquelas teias apareceu de dentro do relógio. As nove baratas ficaram atemorizadas, pois aranhas sugam sangue de baratas, coisa lógica de se pensar.
_Não se preocupem! Sou uma aranha velha e não tenho mais o vigor da juventude. Podem ficar sossegadas. Não vou sugar o sangue de vocês. (indagou a velha aranha).
_Puxa, ainda bem porque nós estávamos morrendo de medo. (indagou uma das baratas).
_O que vocês procuram aqui?
_Bem... Na verdade não é exatamente o quê, mas sim, quem.
_Então, quem vocês procuram?
_Estamos procurando pelo nosso irmão mais velho Baratildo. (respondeu-lhe outra das nove baratas).
_Ah, sim! Baratildo. Faz tempo que eu o vi. Ele prometeu se casar comigo, mas não se casou.
_Eca! (indagaram as baratas com tom de nojo).
_É porque vocês não me conheceram quando eu era mais nova. Vocês todos cairiam de fascinação por mim.
_Olha, nós não queremos ser mal educados não, mas é que nós só queremos saber se você viu o nosso irmão, ou não?
_Deixe-me ver... Não. Eu não o vi. Mas se bem que eu acordei do meu sono de beleza quando escutei um grito escandaloso.
_Era ele! O que vocês acham meus irmãos? (perguntou a barata para os seus irmãos).
_Temos certeza de que era o Baratildo! (responderam as baratas).
_Obrigado, dona Aranha! Tenha uma vida longa!
_Vida longa pra vocês também jovens baratas.
Então a velha aranha entrou de volta no antigo relógio. Enquanto isso Lara estava entediada.
_Carambolas! Quanto tempo mais essas baratas vão demorar? Estou ficando entediada!
Nem mesmo Baratildo pudera imaginar que a casa de Aznic fosse tão decorada assim, algo que roubava a atenção de qualquer ser vivo. Ao descerem às escadas, as baratas entraram no primeiro quarto do andar de baixo. As baratas não podiam andar de dois em dois porque elas só voavam ou andavam juntas, isto é, elas não poderiam se separar por nada nesta vida. Ao entrarem no quarto, as nove baratas cheias de esperança encontraram uma ampulheta antiga e por cima da ampulheta tinha um anel de acrílico.
_Será que Aznic era casado e nunca nos contou sobre isto? (indagou uma das baratas).
_Isso não importa! Precisamos encontrar o Baratildo. (indagou a outra das noves baratas).
Ao entrarem no segundo quarto, as baratas ficaram admiradas, pois as paredes estavam pintadas de várias cores que formavam um arco-íris.
_Nossa, que estupendo!
Enquanto isso, Lara já estava sentada na calçada confronte a porta da casa.
_Carambolas, como essas baratas demoram, acho que vou tirar uma soneca.
Então Lara fechara os olhos e começara a cochilar. Enquanto isso as nove baratas foram para o terceiro quarto que estava cheio de guarda-chuvas pretos.
As baratas haviam se esquecido de que Aznic tinha grande fascinação por guarda-chuvas.
_Agora só nos resta o último quarto. Vamos, irmãos!
Ao entrarem no último quarto as baratas deram um grito em uníssono.
_Ahhhhhhhhhhhhhhh!
Lara abrira os olhos e se levantara preocupada.
_Carambolas, o que terá acontecido?
Para a grande e triste notícia, as nove baratas finalmente encontraram seu irmão Baratildo, mas não do jeito que as baratas queriam, pois Baratildo estava no chão completamente esmagado.
_Baratildo, fale conosco! Baratildo! Responda, irmão! Baratildo! Baratildo!
Lara começou a gritar do lado de fora.
_Ei, o que foi que aconteceu aí dentro? Vocês acharam o Baratildo? Respondam, por favor!
Uma das baratas respondera à pergunta de Lara do lado de dentro.
_Baratildo está com os olhos fechados para sempre!
_O quê? (indagou Lara com as sobrancelhas levantadas).
_Baratildo foi esmagado. (retrucou uma das baratas).
_Como assim “olhos fechados para sempre”? Não estou entendendo. O que querem dizer com isso?
_Estamos dizendo que Baratildo não poderá mais andar conosco. (replicou-lhe outra das nove baratas).
_Por quê? Ele tá com a pata quebrada?
_Não é nada disso, Lara. Quero dizer que ele está desbaratinado.
_Como assim, ele não continua sendo uma barata?
_Por favor, Lara, esqueça este assunto. Baratildo já se foi.
_O quê, ele foi embora? Mas pra onde ele foi?
_Pra um lugar onde não podemos imaginar.
_Certa vez um ancião me disse que alguns seres vivos fecham os olhos e nunca mais acordam. É isso o que vocês chamam de ficar com os olhos fechadas para sempre?
_É isso mesmo, Lara.
_Baratildo está desse jeito, e não há como evitar! Infelizmente não.
_Então o que vocês vão fazer com ele?
_Vamos colocá-lo em um lugar que costumamos colocar quando uma barata fecha os olhos pra sempre.
_E onde fica esse lugar?
_Onde tem muita água.
_Mas qual é o lugar desta cidade que tem muita água?
_Você se lembra de que Baratildo te disse que Aznic tem uma piscina enorme?
_Sim.
_Pois é! É lá que vamos deixar o nosso irmão Baratildo.
_Então eu vou rodear a casa, certo?
_Pode rodear.
Ao rodear a casa, Lara viu Baratildo em um estado deplorável, pois fora esmagado por sabe-se lá o quê ou quem. Lara sentira uma comoção interna que não conseguia definir.
_Então é isso o que vocês chamam de tristeza? (perguntou Lara com lágrimas nos olhos).
_Sim. (retrucou uma das baratas).
Antes de jogar o corpo de Baratildo na piscina de Aznic , Lara beijara carinhosamente a cabeça de Baratildo. Então as nove baratas irmãs de Baratildo o jogaram na piscina.
_Tenha bons sonhos e durma bem irmão!
Enquanto Lara e as nove baratas estavam chorando, uma coisa dourada brilhava na parte de cima da casa de Aznic. Era a chave da casa de Aznic. Mas porque alguém deixaria a chave da própria casa em cima do telhado? Porém essa questão não passara nem pela cabecinha de Lara e muito menos pela cabeça achatada das nove baratas.
_Olhem aquilo! (exclamou Lara apontando para a chave).
_Sim, estamos vendo. É a chave da casa de Aznic!
Então as nove baratas voaram até o telhado da casa e pegaram a chave dourada com muita dificuldade.
_Nossa, é muito pesada! (indagou uma das baratas).
_Mas, de que adianta ter a chave agora, uma vez que o nosso irmão fechou os olhos para sempre? (perguntou a outra barata).
_Ei... porque nós não abrimos a porta da casa e procuramos alguma coisa que nos mostre para onde Aznic foi? (indagou Lara).
_Esqueça Aznic, Lara! Talvez ele tenha tido o mesmo destino que o nosso irmão teve. (replicou-lhe uma das nove baratas).
_Mas você não tem vontade de saber o que aconteceu de verdade com o irmão de vocês? Talvez Aznic tenha a resposta.
_Por favor, Lara! Não há mais nada a procurar por aqui. Nós estamos indo embora!
_Mas como assim? Vocês querem dizer pra sempre?
_Pra sempre não! Só até quando a Imaginação não quiser mais que existamos!
_Por favor, não vão agora! Eu acabei de conhecer vocês. (implorou a menina sentindo o coração palpitar).
_Até quando a Imaginação quiser, Lara! (despediram-se as nove baratas).
Então as nove baratas voltaram para a Terra das Baratas Excluídas. Lara acenara com as mãos dizendo.
_Até breve, minhas amiguinhas.
Lara começara a chorar copiosamente, pois ela perdera dez amigos importantes, Baratildo e seus irmãos engraçados. Depois de um certo tempo, Lara enxugou as lágrimas e olhou para a chave dourada que as nove baratas haviam buscado.
_Quer saber de uma coisa, eu mesma vou entrar sozinha nessa supimpa casa e eu mesma vou descobrir os mistérios que existem nela, senão eu não me chamo Lara!
Então Lara pegou a chave dourada e voltou para a frente da casa de Aznic.
_Desta vez eu vou descobrir o que aconteceu com Baratildo e Aznic!
Lara abre a porta da casa e entra bem devagar. A casa de Aznic estava muito suja e empoeirada, pois depois que Aznic fora ofendido pelos moradores da cidade ele nunca mais se importou com nada.
_Nossa, que sujeira! Carambolas!
Ao ver uma cadeira de madeira ao seu lado Lara decide se sentar, no entanto, a cadeira se quebrara, pois a maior parte da cadeira havia sido comida pelos cupins famintos.
_Ai, ai, ai, ai! (exclamou a maneina).
Lara subiu pelas escadas contando os degraus. Lara tinha uma mania curiosa de contar coisas que seguiam certa sequência como pétalas, uvas de um mesmo cacho, passarinhos de um mesmo ninho e outras coisas.
_Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito... Cheguei!
A escada possuía dezoito degraus, ao todo. Ao chegar ao andar de cima Lara olhou para a janela aberta.
_Carambolas, não sabia que dava pra ver a piscina de Aznic toda daqui. Que vista bonita!
Deixando as distrações de lado, Lara entrou no primeiro quarto. Lara havia visto a mesma cena que as nove baratas haviam visto, só que ao contrário das nove baratas bobas, ela tinha a impressão de que conhecia todos aqueles desenhos grudados naquela parede.
_Carambolas. Eu acho que já vi essas imagens na minha cabecinha alguma vez.
Lara faz um esforço para lembrar-se.
_Já sei! Supimpa! Agora me lembrei de que esses desenhos colados na parede representam todos os livros que eu já li. Carambolas! Ali está um desenho que representa o livro chamado “Abelhas fora da Colmeia”. Olha só, lá está outro desenho de um livro chamado “O Elefante Voador”. Ali tem outro, é de um livro chamado “A formiga que casou com o Escorpião”. Aquele é do livro “Urubus não sabem de Nada”. Ali tem mais um desenho, é do livro chamado “O Bobo e o Abestalhado”. Carambolas! São tantos desenhos representativos. Milho com batata! Não acredito! Ali está o desenho que representa o meu livro predileto, “O Tigre e as Ovelhas”. No final da história o tigre faz uma reunião com as ovelhas e acusa uma das ovelhas de ter dito que o rebanho não prestava. Então as outras ovelhas do rebanho arrancaram a lã da pobre ovelhinha e a expulsaram do rebanho. Então o tigre se compadeceu daquela ovelha e então usou sua selvageria para espantar todo o rebanho para um lugar que nem mesmo o tigre saberia. Ah, santa Imaginação! O tigre é o fundador da cidade de Papelândia que então pegou fogo. Nossa, nossa, carambolas! Aznic colocou esse desenho aí apenas para disfarçar alguma coisa que eu não faço a mínima ideia do que seja.
Então Lara pegou o desenho que continha o tigre ao redor das ovelhas. Ao entrar no segundo quarto Lara percebeu o mesmo que as amigas baratas perceberam, isto é, que todos os origamis estavam voltados para a cama daquele quarto.
_Se esses origamis estão direcionados para a cama deve haver algo que eu possa encontrar (pensou Lara consigo mesma).
Lara olhou debaixo da cama, mas não viu nada. Então Lara levantou o colchão para ver o que havia embaixo dele. Para o azar da menina, só havia poeira. Lara deu um enorme espirro.
_Atchim!!! Carambolas! No que eu fui me meter? Mas agora que eu comecei não vou parar de modo algum!
Então Lara olhou novamente para os origamis e então pensou consigo mesma.
_E se os origamis estivessem olhando para outra direção?
Lara percebeu que os origamis tinham a cabeça inclinada para baixo.
_E se eles estivessem olhando para o chão? (pensou Lara).
_Mas depois deste chão de madeira só tem o primeiro andar. (Imaginou Lara).
Então Lara olhou para o chão e viu um buraquinho do tamanho de um furinho bem pequenino que dava passagem para um tapete que ficava no chão de madeira do andar de baixo. Lara saiu correndo descendo às escadas e contando os degraus.
_Ai, carambolas! Um dois, três...
Ao chegar ao andar de baixo Lara andou até onde estava o tapete e levantou para ver o que tinha debaixo. Para o descontentamento dela, era apenas um desenho feito a giz branco. O desenho gravado na madeira do chão do primeiro andar remontava um conjunto de quadrados esquisitos e um lago ao redor desses quadrados.
_Acho melhor ir embora daqui antes que eu enlouqueça (indagou Lara).
Então Lara caminhou em direção à porta e segurou na maçaneta da porta. Pensativa e confusa, ela soltou a maçaneta e assim voltou para o andar de cima contando degrau por degrau. Faltava mais um quarto no andar de cima.
Ao entrar no quarto Lara encontrou a mesma cena que as baratas viram, várias fotos de Aznic apontando para um relógio antigo. Lara virou o verso das fotografias e viu uma palavra esquisita em cada fotografia. A senhora aranha já tinha acordado e estava espiando de longe o que Lara estava fazendo.
_Posso saber o que você está fazendo? (perguntou a dona Aranha).
_Bem... eu estou apenas vendo umas coisas do Aznic.
_Ah, então você é fascinada pelo Aznic?
_Bom... na verdade eu nem conheço ele. Apenas ouvi falar sobre ele.
_Ah, é mesmo?
_Sim, é sim!
_Pois saiba que ele é o dono desta residência e não gosta de intrusos!
_Mas eu não sou nenhum intruso. Eu sou uma garota que gosta de ler e escrever!
_Ah, então além de intrusa você também é respondona, não é?
_Não foi minha intenção, eu juro.
_Tudo bem, o que você deseja saber?
_Porque o Aznic está do mesmo jeito em todas essas fotografias?
_Não sei, pergunte a ele!
_Mas eu não sei onde ele está.
_Não é caso meu. Aliás! Eu deveria estar no meu precioso sono de beleza.
_Não, espere dona Aranha, preciso que me diga só uma coisa.
_E o que é?
_O significa cada palavra no verso das fotografias.
_E eu vou saber? Procure você mesma, garota abusada. Além de perturbar meu sono você ainda me vem com questões sem sentido, como se eu soubesse responder.
_Não! Espere!
_Foi um desastre conhecê-la. Até nunca!
Então Lara juntou todas as fotos com o desenho que ela pegara no primeiro quarto do andar de cima e colocara na meia comprida de sua perna e então vai para o andar de baixo, descendo os degraus, contando novamente um por um. Ao terminar de descer às escadas Lara percebe que o tempo do lado de fora indicava que ia chover.
_Carambolas, tenho que desvendar este caso antes que comece a chover. Mas que falta de sorte a minha.
Geralmente quando chovia os moradores tinham que pegar os baldes da própria casa e colocá-los para enchê-los de água para que não lhes faltasse água, pois a cidade era escassa de água.
_ASTRO-REI, por favor, segure a chuva nem que seja por um breve instante. Eu preciso descobrir para onde foi Aznic. Então o ventou ficou brando, mesmo que por um breve instante.
_Muito obrigada ASTRO-REI!
Lara passou pelo tapete que escondia aqueles desenhos marcados a giz. Ao entrar no primeiro quarto do andar de baixo Lara encontrou a famosa ampulheta antiga e o anel de acrílico em cima.
_Ai, ai, carambolas! Agora ficou mais difícil ainda!
A intuição de Lara lhe dizia que ela deveria quebrar aquela ampulheta para ver o que tinha dentro. Depois de quebrar a ampulheta, Lara espalhou a areia que a ampulheta continha no chão e então encontra um anel de vidro. No anel de vidro havia uma inscrição etropassap.
Lara não entendera bulhufas nenhuma, mas achara o anel bonito. Então Lara pegou o anel de acrílico e o de vidro também. Só que o anel de vidro era menor que o de acrílico. Então, de uma forma mágica, os dois anéis combinaram-se e se uniram-se resultando em um só anel. O anel se encaixou por si só no dedo indicador da mão direita de Lara.
_Santa carambola! Que legal!
Lara nunca havia visto nada igual. Mesmo assim a inscrição etropassap continuava permanente no anel. No primeiro quarto do andar de baixo havia uma janela aberta que apontava para o leste. Algo chamara a atenção de Lara, era uma fumaça preta enorme que parecia vir daquela direção.
_O que é aquilo?
A curiosidade se apossara de Lara como o desejo incessante ler bons livros.
_Nunca vi tal coisa em toda a minha vida!
Lara continuou sua busca e então andou em direção ao segundo quarto. Ao ver as paredes pintadas de colorido formando assim um arco-íris, Lara lembrara-se de uma conversa que tivera com um senhor bem velhinho.
_Então, arco-íris existem? (perguntou Lara para o ancião).
_Claro que eles existem, mas só se você fizer um pedido (respondeu o bom velhinho).
_Qual?
_Você precisa desejar que a paz reine em nosso mundo.
_E o que significa desejar? (perguntou Lara).
_É toda vez que você tem uma vontade que te empurra a fazer aquilo que você quer ou até mesmo aquilo que você não quer.
_Acho que já sei o que é desejar! (exclamou Lara).
_Então o que é? (perguntou o velho).
_É quando você vê uma laranja no topo de uma laranjeira e você faz de tudo para pegá-la. É isso, não é?
_Você acertou! É uma resposta muita sábia! Você é uma menina muito sábia. (exclamou o velho).
_Mas por falar nisso... o que é paz? (perguntou Lara coçando o nariz).
_Bem... como eu poderia explicar? A paz é como um livro sem nenhuma página arrancada. Você já sentiu falta de alguma página arrancada de algum livro seu?
_Eu nem sequer arranquei as páginas dos meus livros.
_Pois então! Isso é paz. É toda vez que você olha para as pessoas que estão ao seu redor e percebe que nada está incomodando-as.
_Ah, então agora eu sei o que é paz! (exclamou Lara com um belo sorriso no rosto).
Durante a conversa Lara fica curiosa e pergunta uma coisa ao ancião.
_O que acontece quando um arco-íris aparece?
_Quando um arco-íris aparece todas as criaturas do atenalp começam a cantar uma música considerada A música da paz universal.
_E que música é essa?
_Sinceramente eu não sei, mas dizem que todos aprendem a cantar essa música quando aparece um arco-íris.
_E quem inventou essa música?
_Dizem os rumores que foi a Imaginção, para que todos aprendessem a se amar nesta esfera de horrores.
_Você não sabe nem o começo dessa música?
_Não mesmo, nem uma estrofe sequer.
_Puxa, e eu que adoro aprender músicas.
_Só tem uma forma de aprender a letra.
_Como? (perguntou Lara).
_Se você desejar com muita força que a paz reine em nosso mundo provavelmente o arco-íris surgirá, e todas as criaturas do atenalp vão cantar. Inclusive você.
Lara tentou com muito esforço desejar que a paz reinasse em seu mundo, mas infelizmente não conseguira.
_Porque eu não consigo? (perguntou Lara).
_Você está desejando com o pensamento. A paz não é algo que se possa desejar apenas com o pensamento. Tem que vir do coração também.
_Tá bom então.
Lara tentara mais uma vez, mas não obteve resultado.
_Eu desisto! (exclamou Lara).
_Quando chegar a hora você vai conseguir. Tenho certeza disso.
Ao terminar de lembrar-se dessa conversa, Lara fechou os olhos e se concentrou.
_Vamos, tem que funcionar!
Enquanto Lara se esforçava algumas cores começavam a aparecer no céu, mas Lara abriu o olho esquerdo para ver e então o suposto arco-íris havia desparecido de vez.
_Puxa! Carambola amassada com sabor de chocolate! Eu cheguei tão perto de realizar este sonho.
Lara se dera conta de que ainda não estava preparada para tal realização. Lara seguiu em frente entrando no terceiro quarto do andar de baixo. Ao ver os guarda-chuvas Lara conta um por um.
_Um, dois, três, quatro...
Eram dez guarda-chuvas, ao todo. Então um dos guarda-chuvas diz para Lara.
_Ai! Não toque aí sua menina curiosa! Vai acabar com os meus ossos.
_O que os outros guarda-chuvas são seus? (perguntou Lara).
_Eles são meus irmãos, mas nenhum deles fala, só eu.
_E porque eles não falam?
_Eles tiveram um trauma quando eram crianças.
_E o que foi que aconteceu com eles?
_Uma vez eles foram quebrados e despedaçados por um menino muito sapeca, mas Aznic concertou meus irmãos e eu sou muito grato a ele.
_Então Aznic é um ser de bom coração, não é?
_Bom... pelo menos pra nós é. Ele faz muita falta para cada um de nós.
_Então quer dizer que Aznic foi embora?
_Vocês não souberam disso? (indagou o guarda-chuva).
_Não, ele não nos avisou. Carambolas! Ele devia ter contado pra vocês todos.
_Pois é! (indagou o guarda-chuva).
_E agora, de que forma vocês vão ser úteis, se o dono da casa foi embora?
_Você pode nos fazer um favor?
_Claro! O que posso fazer por vocês?
_Você está vendo a janela daqui do quarto?
_Sim, estou!
_Abra a janela e coloque-nos do lado de fora, mas primeiro nos feche um por um.
Então Lara fechou os dez guarda-chuvas e depois abriu a janela. Depois de abrir a janela Lara colocou os dez guarda-chuvas do lado de fora, no gramado, pois havia um gramado que circuncidava a casa de Aznic.
_Ei, eu gostaria de perguntar uma coisa a vocês. (indagou Lara).
_Claro. É só perguntar! (exclamou o guarda-chuva falante).
_Porque vocês querem ficar aí do lado de fora?
_Bem... já que Aznic foi embora nós vamos esperar o momento da chuva, e quando a chuva for muito turbulenta e os ventos soprarem voltaremos para a nossa terra natal.
_E como se chama a terra natal de vocês?
_A Terra dos Guarda-chuvas Felizes. Fica do outro lado do atenalp, na direção leste.
_Então receio que algo desagradável esteja acontecendo na terra de vocês.
_E porque você está dizendo isso?
_Porque eu vi uma fumaça preta enorme cobrindo a direção leste.
_Não se preocupe! (disse o guarda-chuva falante com muita calma).
_E porque eu não devo me preocupar, eu li nos livros de ciências que toda vez que tem fumaça preta é porque estão queimando alguma coisa.
_E de fato estão! (disse o guarda-chuva tranquilo).
_E o que eles estão queimando? (perguntou Lara).
_Na terra onde vivemos existem leis que devem ser cumpridas.
_E o que são leis? (perguntou Lara muito curiosa)
_São coisas que não existem na sua cidade.
_E isso é bom?
_Para nós guarda-chuvas sim, mas para vocês é horrível.
_Ai, carambolas! Não estou entendendo nem um caroço de milho.
_Olha, é melhor deixarmos este assunto! De qualquer maneira você não entenderia.
_E vocês vão ficar aí esperando até que chegue o vento impetuoso?
_Ah, não tenha dúvida. O que nós mais sabemos é esperar.
_Então eu vou continuar minha busca.
_Boa sorte, e que os ventos assoprem ao seu favor!
_Obrigada!
Só havia um último quarto do andar de baixo para Lara entrar. Ao entrar nesse quarto Lara avistou uma carta cujas letras ela não conseguia compreender. Era uma carta escrita totalmente diferente da que Lara já estava acostumada.
_Santo caroço de milho! Minha cabeça está muito confusa. Não consigo entender nada do que encontro.
Então Lara saiu da casa de Aznic e perguntou ao guarda-chuva falante que estava encostado junto aos seus irmãos.
_Escuta, você sabe me dizer o que tá escrito nesta folha de papel?
_Hum... deixe-me ver. É uma carta fantasma!
_E o que seria uma carta fantasma?
_É uma carta que só pode ser traduzida com o auxílio de um espelho-não-quebrado.
_E o que quer dizer com espelho-não-quebrado?
_Quer dizer que somente o espelho original pode traduzi-la.
_E onde fica esse espelho original?
_Na Cidade dos Espelhos Quebrados.
_E como eu faço pra chegar lá?
_Você precisa esperar o vento impetuoso chegar.
_Mas esse vento pode demorar séculos para chegar.
_É preciso ter paciência, minha cara.
_Olha, eu não vou esperar coisa nenhuma. Vocês fiquem aqui esperando que eu vou continuar minha busca.
_Tá bom, então. (replicou o guarda-chuva pacientemente).
Então Lara entrou de volta na casa de Aznic. À essa altura, Lara estava horrivelmente cansada e precisava descansar. Ela dobrou o papel e o guarda juntamente com o desenho e as fotografias de Aznic. Enquanto isso, um dos guarda-chuvas que estava do outro lado, precisamente o que sabia falar, perguntou a Lara.
_Lara, o que você está fazendo? Eis que prestes está a hora da nossa alegria.
_Não me perturbem, seus guarda-chuvas chatos! Quero descansar nem que seja uma hora só!
Depois de uns três minutos veio um vento impetuoso que ninguém sabia explicar de onde vinha, nem mesmo os cientistas mais peritos. Aquele vento sobreveio de uma forma repentina e de uma tal maneira que arrancou todas as peças de madeira que formavam a casa de Aznic.
Enquanto isso, os guarda-chuvas abriram-se novamente, e assim sobrevoaram o imenso céu azul. O guarda-chuva falante procurou por Lara, mas não a encontrara. Então o guarda-chuva pensou consigo mesmo,
_É realmente uma pena que você não possa vir conosco para conhecer a nossa terra natal.
Sorte a de Lara, pois ela foi arremessada pelo vento até a piscina de Aznic. Só foi um pouco tortuoso porque Lara podia ver o corpo de Baratildo no fundo da piscina.
Lara agora entendia o porquê de o guarda-chuva ter dito que estava perto o momento de sua alegria. Lara saiu da piscina e então percebeu que no momento em que ela fora arremessada pelo vento ela perdera o desenho do tigre ao redor das ovelhas, das fotografias de Aznic, e da carta com letras esquisitas.
Então ela desesperou-se e saiu procurando pelos cantos os objetos recentemente perdidos.
_Ai, carambolas! Carambolas! Santo milho de pipoca! Onde foram parar?
Então Lara se lembrara de uma música que ela cantava em sua casa todas as vezes que ela perdia suas coisas. Então Lara começara a cantar e recitar a música:
Ventos que assopram
Ventos que levam
Trazei de volta
Os que não se negam
A desvendar
O segredo
Dos mistérios
...
E quanto mais Lara cantava mais o vento soprava em favor dela, de maneira que o vento norte trouxe as fotografias de Aznic, o vento sul trouxe a carta com as letras esquisitas, o vento leste trouxe o desenho do tigre ao redor das ovelhas, e o vento oeste trouxe o relógio onde morava a dona aranha que morava na casa de Aznic.
_Nossa, de onde veio esse vendaval todo (perguntou a dona aranha).
_Então a senhora não vai me agradecer pelo que eu fiz?
_Eu nem sequer sei o que está acontecendo por aqui. Eu estava no meu sono de beleza quando veio esse vendaval sei lá de onde.
_A senhora vai me ajudar!
_E porque eu deveria ajudá-la? Não devo nenhum favor a ninguém desde que eu era uma aranha adolescente. ´
_Me ajude, por favor. Se não fosse por mim a senhora já estaria em um lugar bem esquisito.
_Eu não me importo de ficar em lugar nenhum desde que eu fique na minha casa.
_E por falar em casa, a senhora mora nesse relógio desde quando?
_Não é assunto para uma menina como você.
_Por favor, eu preciso saber!
_Tudo bem... vou lhe contar, mas só porque eu fui com a sua cara.
_Como assim “foi com a minha cara”?
_Cale a boca e apenas escute!
_Este relógio que é a minha casa era o relógio que ficava num lugar esquisito. Nesse lugar eu via seres se movimentando de lá para cá sem descansar fazendo sei lá o quê. Esta minha casa ficava pendurada no alto de uma parede onde todos aqueles seres esquisitos podiam olhar e confirmar a hora. Eles tinham a mania de ficar olhando para a minha casa de hora em hora. E eu achando que eles estavam admirando a minha beleza irresistível. Eles juntavam pedaços de um objeto que eu esqueci o que eram e colocavam num funil que transformava aquilo numa espécie de água cinza. Eu não sei explicar. Você precisa ir lá para ver.
_E onde fica esse lugar? (perguntou Lara curiosa).
_É bem distante da sua cidade, poderíamos dizer que fica do outro lado do mundo.
_O quê? E como eu posso chegar lá?
_Eu construí uma ponte com as minhas teias depois que eu fiz amizade com Aznic.
_E porque Aznic ia pra lá?
_Não sei, pergunte a ele se você o encontrar.
_E como eu posso achar essa ponte que a senhora construiu?
_É só você recitar este poema e a ponte que eu construí aparecerá:
Teia bendita
Teia bendita
que planifica
a ponte para o lugar desconhecido
onde o dilema se faz desvalido
e a beleza desabrocha de dor
_Obrigada, dona aranha! Eu sabia que no fundo, no fundo a senhora é uma aranha boazinha.
_De nada minha doce menina! Cuidado com o que virá!
_Como assim?
_É apenas um aviso!
Então Lara colocou a dona aranha dentro do relógio e o deixara em um lugar próximo ao gramado que cercava a casa de Aznic. Lara guardou o desenho, as fotografias e a carta escrita na meia novamente. Lara ainda se lembrara daquele desenho dos quadrados desenhados a giz no chão de madeira da casa de Aznic. Embora a casa tenha sido destruída pelo vento impetuoso, as tábuas do chão não foram e o vento não conseguira apagar o desenho daqueles quadrados naquele chão de madeira. Lara tentara mais uma vez entender o significado daquela imagem, mas não conseguiu. Então dois urubus que voavam em direção à sua terra natal disseram.
_Ei doida! Sua doida! O caminho não é por aí não!
Lara ficou procurando de onde vinham aquelas vozes até o momento em que ela olhara para o imenso céu azul e os encontrara.
_Quem disse que eu sou louca? E quem são vocês para falar assim comigo? Eu sou uma moça inteligente, mas não sei do que vocês estão falando.
Então um dos urubus ficou resmungando um para o outro.
_Não disse que ela é louca? Ela tá pirada!
Lara começou a se irritar-se e pegou uma pedra que estava perto dela.
_Se vocês não me explicarem o que vocês querem dizer com isso eu vou atirar essa pedra em vocês, e vai doer muito.
_Não, não faça isso! Nós vamos lhe contar do que se trata.
_Muito bem. Então do que se trata?
_É que na nossa terra é natural que nós os urubus chamemos os seres humanos de loucos e é por isso que nós te chamamos de louca.
Então Lara ficou mais irritada ainda.
_Ah, é?
Lara atira uma pedra, mas os dois urubus se desviam da pedra. Então Lara pega outra e arremessa contra os urubus, mas, não consegue acertá-los. De tanto e tanto tentar Lara ficara cansada. Um dos urubus pergunta para Lara.
_Como se chama esta cidade onde vocês moram?
_Esta cidade é A Cidade sem Nome. (respondeu Lara).
_Uca, uca! Então esta cidade não tem nome, é isso?
_Não! Por isso que ela se chama A Cidade sem Nome.
_Uca! Que nome mais esquisito pra se colocar numa cidade. E quem foi que colocou esse nome esquisito? (perguntaram os urubus).
_Foram os moradores da nossa cidade.
_Uca, ribas! Nós preferimos a nossa cidade.
_E como se chama a cidade de vocês? (pergunta Lara curiosa).
_A Terra dos Urubus Prestigiados.
_E o que tem de tão interessante na cidade de vocês?
Então um dos urubus começa a caçoar de Lara levando o outro a fazer o mesmo.
_Nossa! Você não sabe mesmo as maravilhas que existem na nossa cidade?
_É por isso que eu estou perguntando, seus abutres!
_Muito bem... nós vamos te contar, e fica a dica, caso você queira algum lugar para visitar, nossa terra é cheia de urubus felizes que cantam o dia todo e temos que decorar o nome de cada urubu que mora na nossa cidade. Sabe, faz parte das regras.
_Regras! O que são regras?
_São normas que devem ser obedecidas e blá, blá, blá, blé, blé, blí, blí!
_E o que mais vocês fazem lá?
_Nós construímos casas para as famílias de urubus que não têm abrigo e também damos de comer a outros pássaros como os sabiás que já são velhos, os chicos-pretos que não conseguem andar, e os beija-flores que têm o bico quebrado.
_Nossa, como vocês são seres de bom coração.
_Somos sim!
_Bem, já está na hora e nós precisamos voltar para a nossa terra natal.
_E de que lugar vocês estão vindo?
_De um lugar tenebroso onde os seres são esquisitos e nós só fomos lá porque tem um irmão nosso que decidiu morar lá. Não sabemos por que ele preferiu assim, mas ele tem os seus próprios motivos.
_Vocês sabem como se chama esse lugar esquisito?
_Nós perguntamos várias vezes para os moradores daquela cidade, mas ninguém nos respondeu, não sabemos por quê.
_Tudo bem, desejo-lhes uma boa viagem e desculpem-me pelas pedradas!
_Até à vista, menina! Uca, uca!
Então Lara olhou novamente e começou a entender que aquele desenho feito a giz era uma representação da cidade esquisita que a dona aranha e os urubus falaram. Então Lara decide voltar para casa e pensar no que fazer, pois sua pobre cabecinha estava confusa. Ao chegar em casa Lara empilha alguns livros e os usa como travesseiro.
Depois de alguns minutos de cochilo, Lara se depara com um livro cujo título lhe chamara atenção, o livro se chamava “O Mundo dos Espelhos Infinitos”. Este livro falava de um menino chamado Samuel que descobriu um espelho mágico que levava a um mundo que tinha um outro espelho mágico que carregava consigo outro espelho mágico que levava a outros mundos. No final da história, o menino perdeu-se e nunca mais encontrou o caminho volta para a sua casa.
Lara tentou processar aquele pensamento com o desenho feito a giz. Então Lara tirou da meia o desenho do tigre ao redor das ovelhas e o descartou, pois ela já sabia que o desenho era uma referência ao fundador de Papelândia.
Lara deixou de lado aquele desenho e procurou se concentrar nas fotografias de Aznic e na carta provavelmente escrita por ele mesmo.
_Mas, o que significa isto? (perguntou Lara mais curiosa do que nunca).
Alguém bate na porta da casa de Lara.
_Quem é? (pergunta Lara escondendo tudo na meia).
_É o seu vizinho do cabelo colorido.
_Vizinho do cabelo colorido? Não estou lembrada não. Como você se chama?
_Sou eu, Odiroloc!
_Ah, sim! Acabei de me lembrar, só um instante.
Lara guarda os seus livros na estante de livros. Ao abrir a porta Odiroloc dá um sorriso bem grande para Lara. Lara faz uma cara de tédio.
_Oi!
_Ah, oi! Eu vim saber se você pegou um resfriado!
_Quem foi que disse isso?
_É que chove por aqui e é sempre provável pegar um resfriado a qualquer momento.
_Mas acontece que aqui na nossa cidade não existe isso!
_Então porque eu vi um senhor careca espirrando o tempo todo há dez horas?
_Que velho careca?
_Um senhor de barriga grande e da pele cinza. Ele era esquisitão.
_E ele morava naquela casa que foi levada pelo vento?
_Sim. Você o conhece?
_Não, mas eu preciso!
_Quando veio o vendaval todos nós entramos em nossas casas.
_E porque a casa de vocês não foi despedaçada pelo vento?
_Nossas casas são feitas de titânio.
_E por falar nisso, porque a minha casa que é uma biblioteca e não foi derrubada pelo vento?
_Ah essa é uma pergunta bastante interessante, Lara!
_Será que a Imaginação não permitiu que ela fosse derrubada?
_Você já viu a Imaginação?
_Não seja estúpido! É claro que eu não a vi, mas se bem que eu gostaria de conhecê-la face a face!
_Ei Lara, será que você poderia me ensinar a ler e a escrever? É que eu gostaria de ler junto com você e saber sobre o quê seus livros falam.
_Numa outra hora, eu estou muito atarefada, foi bom te ver!
Odiroloc ficou meio sem jeito e não teve nenhuma reação a não ser voltar para casa. Ao andar pela rua Odiroloc encontrou um conhecido seu, era Esonião.
_Ei Odiroloc você tem visto a Lara ultimamente? (perguntou Esonião).
_Acabei de vê-la, mas ela não foi muito amigável comigo não! (respondeu Odiroloc).
_Talvez ela esteja de mal humor.
_De mal humor com o quê, se todos os moradores daqui vivem felizes?
_Esta é uma afirmação que não se pode comprovar!
_E porque você está dizendo isso?
_Porque nós não conhecemos exatamente o outro!
_Como assim o ‘outro’?
_O ‘outro’ pode ser considerado com alguém que é diferente de mim.
_Se ele não é igual a mim então nem sempre estamos pensando a mesma coisa.
_Mas, do que você está falando? Eu não estou entendendo.
_Talvez de fato nem todos os moradores desta cidade estejam contentes com seu modo de viver.
_E o que se pode fazer?
_Isso eu não sei, mas devemos entender o ‘outro’.
_Ah, pra mim você está falando laranjeiras e bananices! Eu vou pra casa.
_É melhor! Preciso comer umas maçãs e depois vou plantar bananeira por sete minutos, só assim vou me sentir melhor.
Então Odiroloc e Esonião se despediram por aquele momento.
Lara estava atordoada e com vontade de saber que tipo de lugar estava por trás daquela descrição feita pela dona aranha e pelos urubus. Ela não podia compartilhar as informações que ouvira com nenhum dos moradores, do contrário, todos diriam que Lara estava começando a ficar doidinha e cheia de sonhos bobos que ninguém poderia realizar. Lara sentiu vontade de ir mais uma vez até o lugar onde era a casa de Aznic, pois sua cabeça estava confusa.
Ao chegar lá, ela ainda encontrou o relógio onde a dona aranha morava. Lara tentou chamar a dona aranha, mas a dona aranha não saia. Lara chamou e chamou por várias vezes, mas a dona aranha não saia de jeito nenhum. Lara observou do lado de dentro do relógio e percebeu que a dona aranha estava com os olhos fechados.
_Vamos, dona aranha! Acorde! Preciso da senhora agora mesmo! Dona aranha! Pare de dormir e acorde logo!
De tanto insistir Lara desistiu e voltou para casa sem saber o que estava acontecendo. Ela não sabia, mas a dona aranha chegara ao fim de seus dias e assim como Baratildo, ela estava sonhando para sempre. Ao voltar para casa, Lara decide sair da cidade sem que os moradores soubessem, mas para o azar da menina, começara a chover e os moradores começaram a sair com seus baldes para enchê-los de água.
Lara entrou em casa e pegou seus baldes coloridos. Depois que os moradores da cidade entraram cada um em suas casas, Lara trancou a porta de sua casa e colocou a chave dentro de seu sapatinho esquerdo.
Para a informação dos amados leitores, Lara era uma menina de olhos da cor de uma laranja madura, cabelos longos e amarelos, pareciam reluzir em contraste com o ASTRO-REI. Sua pele era de um tom manteiga. Suas expressões faciais remontavam uma bela maçã que jamais caíra da macieira. Lara deixara tudo o que lhe agradava e assim foi em busca de respostas.
Ela estava realmente decida a obter respostas e não apenas criar mais interrogações, pois sua cabeça era um poço de curiosidades. Os livros que Lara tanto amava teriam de esperar agora até o momento em que ela estivesse realmente decidida a voltar.
Lara seguiu em direção ao fim da cidade. No fim da cidade havia um vácuo que separava A Cidade sem Nome dos outros lugares desconhecidos. Lara espantou-se ao ver que não existia nada além do fim da cidade e um buraco no qual ninguém se atreveria a cair. Então Lara lembrou-se do poema que a dona aranha havia lhe ensinado. Ela começou a recitar o poema:
Teia bendita
Teia bendita
Que planifica
A ponte para o lugar desconhecido
Onde o dilema se faz desvalido
E a beleza desabrocha de dor
E quanto mais a querida Lara recitava este belo poema mais e mais da ponte se fazia visível, de maneira que o caminho para a cidade desconhecida estava logo à frente e este seria um desafio bastante encorajador. Ao começar a atravessar a ponte em direção à terra desconhecida Lara percebera que não era tão fácil caminhar em uma ponte feita à base de teia de aranha. Então a ponte foi começando a desaparecer.
Lara não sabia o que fazer ao certo. Ela não tinha outra alternativa a não ser continuar caminhando na essa direção, do contrário ela jamais chegaria à terra desconhecida. Lara ficou confusa sem saber o que fazer.
_Ai, carambolas! Será este o meu fim?
Lara continuava caminhando, mas conforme suas pernas se moviam, seu coração batia cada vez mais acelerado. Então Lara começou a recitar o poema que a velha aranha lhe ensinara novamente. Só que não funcionou. Lara começou a correr desesperadamente em direção à terra esquisita.
Mas quanto mais ela se esforçava, mais ela percebia que não chegaria do outro lado. Até que todas as ligações de teia se romperam e Lara caiu no imenso buraco onde ninguém jamais caíra. No entanto, para a sorte de Lara, havia vários algodões na parte escura que ninguém conseguia enxergar de cima.
Ao ricochetear sobre os enormes algodões Lara sentiu uma sensação de alegria. Ao apoiar-se nos algodões, ela procurou se havia alguém por perto.
_Alguém por perto? Oi?
Ao perceber que não havia ninguém por perto, a menina começou a ficar desesperada.
_Ai! Eu nunca senti isso na minha vida. Mas que sensação ruim!
Lara começou a gritar.
_Ei! Alguém pode me tirar daqui, por favor! Carambolas, aonde eu vim parar!
Pela primeira vez Lara havia sentido a sensação do desespero correr pelas suas veias juvenis. Era como se várias abelhas tivessem picado Lara, apesar de isso nunca ter acontecido. Tudo era uma simples questão de coragem, mas Lara não sabia ao certo o que fazer. Ao analisar os fatos e as possibilidades, ela percebera que nem tudo estava perdido, pois os enormes algodões poderiam ser despedaçados e serem transformados em uma corda grossa e resistente.
Ao fazer isso a pequena garota jogou-a para ver se a corda alcançava uma placa que havia do outro lado da extremidade. Vendo que não conseguia, ela desistiu. Então apareceu um ser esquisito que tinha uma aparência horrível. Cabeça triangular, tronco retangular e pernas quadradas. E o mais assustador de tudo era que o tal ser esquisito era composto de vidro, precisamente de vidro de espelho, o que era ainda mais assustador. Então o ser esquisito pergunta para Lara.
_O que é você? E de espelhonde você espelhevem? (questionou o ser esquisito).
_Meu nome é Lara e eu acabei caindo neste buraco horrível! Você fala esquisito!
_Vou espelhetirar você daí, mas com uma espelhecondição.
_Qual?
_Você espelhevai espelhevoltar para a sua terra natal!
_Mas eu não posso... porque ... porque ... porque ... porque eu tenho um amigo que mora aí no mesmo lugar que vocês!
_E que espelhamigo é esse?
_Bem... ele é uma pessoa que não tem onde morar e por isso foi procurar abrigo na terra de vocês!
_E em que espelheregião da espelhecidade ele espelhemora?
_Como é que eu vou saber... eu mal conheço a minha terra natal, quanto mais a de vocês! (resmungou a menina).
_Tudo bem, vou espelheajudar você.
Então o ser esquisito desceu por uma escada de vidro que ele carregava consigoe assim descera até onde a menina estava. Lara subiu com um certo medo de altura, mas chegara ao topo.
_Obrigada (agradeceu a garota).
_Por nada!
_Como você se chama?
_Meu refleto é Espelhildo! Sou espelhagente espelhesanitário desta espelhecidade.
_Você é o quê?
_Espelhagente espelhesanitário, eu espelhefaço toda a espelhelimpeza desta espelhecidade, principalmente nos espelhedias espelheturbulentos.
_E que dias turbulentos são esses?
_São aqueles dias em que há mais espelhebagunça, você espelhesabe, tudo espelhefica por minha espelheconta!
_E porque os moradores da sua cidade são assim?
_Porque eles só espelhesabem contemplar a si mesmos.
_Como assim?
_Você nunca espelheentenderia, as espelheregras de espelhevivência daqui espelhesão bem espelhecomplexas e você me espelheparece ser só uma espelhecriatura espelhecuriosa em busca de espelherespostas!
_Criatura não! Eu sou uma menina e pertenço à raça humana!
_E o que é ser espelhemenina? E o que é espelheraça espelhehumana?
_Uma pergunta de cada vez! Bem... pra começar, menina é uma humana delicada que gosta de brincar e fazer amigos, e a raça humana é a minha espécie. Eu sou um ser humano e por isso pertenço à raça humana.
_Acho que espelheentendi, mas você não espelhesabe espelhexplicar muito bem!
_Eu expliquei direitinho, você que é tapado.
_Não, eu não espelhestou estilhaçado não!
_Eu falei ‘tapado’!
_Tudo bem, mas me espelhediga aonde você espelhepretende espelheir!
_Eu não acabei de dizer que eu não conheço nada aqui!
_Pois bem, eu espelhevou lhe espelhensinar onde espelhefica cada espelhecanto da espelhecidade. Você estilhaça desse lado que vai espelheparar no Centro Espelhático, espelhedobrando à direita você espelhepara na Espelhonilda que é um espelhesalão de espelhebeleza, na espelhecontrovérsia você reflete no espelhesentido espelhoeste que você vai espelheparar na Espelhicina, caso você espelhetenha algum espelheferimento e depois você espelhevai pela espelhesquerda que você espelhevai espelhever a Espelhinete, caso você espelhesteja com espelhefome. Ah, e espelhetem também A Espelhefábrica dos Espelhos Espelheimcompletos, é de lá que espelhesaem os espelhemelhores espelheartefatos e espelheobjetos de espelhegrande espelhevalor egospélhico.
_Carambolas, você conhece esta cidade bastante, só que eu não entendi nada do que você falou.
_Eu espelhevou espelherepetir pra você... você espelhepega a direi...
_Não precisa. (interferiu Lara). _pode deixar que eu mesma vou descobrir onde é onde e quem é quem neste lugar.
Então Espelhildo se despede de Lara.
_Que os vidros espelhecaiam em sua espelhedireção e que o Divino Reflexo espelhesteja com você!
_Eu não entendi, mas vou considerar uma coisa boa, obrigada (agradeceu Lara).
Ao começar a andar Lara olha e vê uma placa fincada no chão que tinha a seguinte inscrição: “A ESPELHECIDADE DOS ESPELHEMELHORES!”.
Lara se locomove sem saber qual direção tomar, afinal, aquela era a cidade mais esquisita que ela já visitara, pelo menos naquele instante. Lara vê vários seres feitos de vidro caminhando. Cada qual seguia seu próprio rumo.
_Mas, que lugar esquisito! (exclamou Lara).
Até que uma xícara de vidro caíra do lado de dentro de uma espelhonete. O dono da espelhonete começou a dizer umas palavras esquisitas que nem mesmo ela conseguiu entender.
_Seu desvidraçado! Seu objeto sem reflexo, seu pó inútil! Você quebrou a xícara! Está desespelhedido!
O ser esquisito que derrubara a xícara saiu da lanchonete chorando lágrimas de vidro. Ao sair da espelhonete, Lara tenta se comunicar com aquele ser que fora expulso da espelhonete.
_Ei... você! Você viu este senhor que aparece nestas fotos?
Lara tira as fotografias de Aznic da meia e mostra-as para o indivíduo. Depois de um certo tempo o ser esquisito responde.
_Não, eu nunca o espelhovi!
_Vocês só falam palavras relacionadas ao vidro e ao espelho, por quê? (pergunta Lara colocando as fotografias de volta na meia).
_Nesta cidade onde espelhevivemos a contemplação é o nosso estilo de vida. Uma vez que você foi espelhecriado para se ver, é sempre necessário se espelhoenxergar!
_Como assim? Contemplação? Mas que estilo de vida é esse?
_É o modo como espelhevivemos, nós espelhosomos nós e os outros são os espelhoutros!
_Isso é lógico, mas o que quer dizer com isso?
_Puxa, como você espelhefaz perguntas! Quer dizer que nós espelheestamos sempre em cima do espelhovidro e não espelheembaixo dele.
_Carambolas, é melhor deixar para lá! Ei, você tem amigos?
_Sim, eu espelhetenho dois espelheamigos que moram aqui por perto!
_E eles se parecem com você?
_Um pouco! Os reflixis daqui até espelhepensam que somos triespelhêmeos.
_Santo caroço de milho, você fala esquisito!
_Com o tempo você se espelheacostuma.
_E por falar nisso, como você se chama? (perguntou Lara para o ser esquisito).
_Não é como eu me espelhochamo, e sim como eu me reflixo!
_Então como você se... esse nome esquisito aí que você falou?
_Eu me reflixo Caco!
_Caco de quê?
_Caco de vidro!
_Muito prazer eu sou Lara. (Lara estendeu a mão como forma de cumprimento, mas Caco não estendeu a sua, pois não entendia o que era aquilo).
_O que você está espelhefazendo? (perguntou Caco).
_Ué, eu estou estendendo a mão. Você não vai me cumprimentar?
_O que é cumprimentar? (perguntou Caco).
_Puxa, você é bem desespelhagradável!
_Viu só como você está aprendendo?
_Você é muito esquisito!
_Pra você, mas eu espelheestou entre os meus reflixis e você é que é a espelhoesquisita.
Lara faz uma cara de brava para Caco.
_Como se reflixem os seus amigos?
_Meus amigos se reflixem Estilhaço e Espenâncio.
_Nossa, que nomes esquisitos.
_Você não viu nada, espelhetem um reflix que mora do outro lado da rua. Ele espelhevive soltando espelhipum e também espelhitando.
_Acho que eu estou começando a entender a sua maneira de falar.
_Nós não espelhetemos um espelhoidioma difícil de se espelhecompreender, basta espelhoter atenção e você espelhoconsegue espelhoconversar com qualquer um que espemora aqui.
_E qual é o dialeto de vocês?
_Espelhês!
_Vocês brincam de alguma coisa por aqui?
_Não, a maioria de nós espelhefica em sua própria especasa se espelhocontemplando em frente ao refletor.
_Olha, eu estou tentando entender o que você está espefalhando, mas ainda é muito difícil me acostumar com o dialeto de vocês.
_Você espelhesabe que o único dialeto diferenciado é o nosso, não sabe?
_Na verdade não.
_Nós espelhetemos a incumbência de espedirecionar os raios espelheliberados pelo ASTRO-REI para qualquer lugar que espelhequisermos, e se todos os reflixes espelhofizessem isso o atenalp espelheestaria em despelhelíbrio.
_E porquê?
_Porque os raios espelheliberados pelo ASTRO-REI não espelhedevem ser usados para a espelhição.
_Você sabe que isso não existe no nosso mundo (indagou Lara).
_Você foi espelhecondicionada a espelhoescutar histórias de espelhementirosos.
_Isso não é verdade! Existem muitas histórias que eu conheço e são verdadeiras.
_E como você espelhosabe se espelhosão espelhadeiras?
_Eu acredito na força do coração.
_O espolhação é uma coisa que a Imaginação jamais espelhedeveria ter criado.
_Então vocês daqui também conhecem a Imaginação?
_Ah, por favor, o atenalp inteiro já espeloouviu falar dela.
_E todos acreditam que ela existe?
_Se todos espelhiditam eu não sei, mas eu espelhosei que ela espelheexiste e não quer espelhoaparecer para ninguém porquê se espelhidera espelherior do que qualquer ser deste atenalp.
_Não diga caroços! Você só está dizendo isso porque você nunca teve a sensação de sentir ela perto de você.
_E você! Já espelhentiu?
_Sim! Às vezes eu sinto que ela está bem pertinho de mim porque o meu coração começa a bater mais forte e eu fico mais alegre.
_Ah, espelhória para reflexixis espelhorirem.
Lara tirou da sua meia a carta esquisita e mostrara para Caco e perguntou-lhe.
_Você sabe espelhizer o que é espelhisso?
_Sim eu sei. É uma inversograma! Foi espelhintado pelo fundador de Papelândia que hoje espelhimente se chama A Terra das Cinzas Obscuras.
_Que eu espelhaiba é apenas A Terra das Cinzas.
_Bem... a espelhaplaca que tinha esse nome foi espelhistituída por outra que agora tem esse reflixe.
_E quem trocou a espelhaplaca?
_Aznic!
_Você conhece Aznic?
_Espelhavelmente que sim, pois depois que ele espelhevoltou de uma cidadezinha espelhíocre espechamada A Cidade sem Nome ele veio pra cá e espelhoconstruiu A Fábrica dos Refletores Incompletos.
_Você quer dizer A Fábrica dos Espelhos Incompletos, não é?
_Aqui na nossa cidade nós espelhechamamos de refletores.
_E como se espelhama esta cidade?
_A Cidade dos Refletores Quebrados.
_Ou seja, A Cidade dos Espelhos Quebrados, é isso?
_Sim!
_Então Aznic espelhabralha lá na Fábrica?
_Sim, espelhabralha!
_E onde é que espelhifica a fábrica?
_Basta espelhobrar à direita e espelheguir direto!
_Obrigada, e até quando a Imaginação quiser!
_Até mais espelhver!
Capítulo 3
(Alguém nunca visto em uma Fábrica Misteriosa)
Ao seguir o percurso que Espelhildo ensinara, Lara enxergou vários reflexis trabalhando. Eles estavam limpando o chão da glamorosa fábrica. Nela havia uma frase que dizia mais ou menos assim: “Trabalhando em favor do egospélhico”.
Lara obviamente não entendera o significado daquela frase, pois tudo aquilo era muito novo para ela. Não obstante, Lara tentara dialogar com um dos reflexis que estavam limpando o chão da fábrica.
_Espelhinçença! Por espelhacaso algum senhor de pele cinza espelhatrabralha por aqui?
_Mas claro que sim! Ele é o epelhontrutor desta espelhábrica! O que você quer com ele?
_Bem... eu espelharia de saber se ele está aí na fábrica.
_Sim, ele está! Mas o que você espelhequer com ele? Você tem espelhassaporte?
_Como assim, eu não sei o que você está me espelhuntando?
_Você é uma espehestrangeira, certo? E seres de fora só entram com um espelhassaporte!
_Mas que espelhassaporte é esse a que você está se referindo, eu exijo que me espelhexplique!
_O espelhassaporte para entrar nesta espelhábrica é um papel com o desenho de um tigre e várias ovelhas ao redor!
Para o terrível desprazer de Lara, ela havia amassado aquele bendito desenho e o deixara no local que correspondia à antiga casa de Aznic.
_Ai carambolas! Santo caroço de milho! O que eu vou fazer agora? Eu não imaginava que aquele desenho que Aznic deixou na casa dele era o passaporte para entrar na fábrica! E agora, o que hei de fazer?
Lara ficou nervosa sem saber como agir.
_Ei! Você poderia permitir que eu entrasse só um minutinho para falar com ele?
_Sinto muito, mas as espelhoregras da espelhábrica devem ser obedecidas! Espelhamento, mas você não pode!
_Mas é só por um minuto!
_NÃO! (replicou o funcionário da fábrica em voz alta).
Lara começou a caminhar em outra direção resmungando ao vento.
_Quem ele pensa que é pra fazer isso comigo? Eu sou uma garota! Não se pode fazer isso com uma garota! Carambolas!
Lara seguiu pelas ruas da cidade. Sua intenção era encontrar Caco, mas para sua falta de contentamento, ela não o encontrara.
_E agora? O que hei de fazer? Carambolas!
Vendo que não havia nenhuma possibilidade de voltar para A Cidade sem Nome, sua terra natal, Lara recobra o ânimo em busca de soluções.
_Deve haver alguém que possa se comover com a minha situação e me ajudar.
Á medida que Lara caminhava pelas ruas da cidade ela percebia que havia algo muito esquisito por lá, pois a maioria dos reflexis que se encontravam em suas casas ficavam se contemplando em frente ao refletor, como eles mesmos chamam. Lara começa a falar em voz alta.
_Ei! Alguém espelhepoderia me espelhoajudar, por gentileza? Alguém, por favor?
Ao perceber que ninguém se mobilizara a favor dela, ela decidiu caminhar em direções desconhecidas. Ao ver uma placa que possuía o nome da rua, Lara recuperara o ânimo. Aquela rua se chamava Espélhito Espoulhiga. Mesmo sem entender o porquê de aquela rua se chamar assim ela seguiu em frente. Ela estava incomodada com a maneira com a qual os reflexis olhavam para ela. Parecia até que ela era um ser de outro atenalp. Á medida que Lara foi observando o comportamento dos reflexis ela foi começando a entender a maneira de viver dos reflexis.
_Acho que já sei qual é a importância de se morar aqui. Mas será que eles realmente são felizes de verdade?
Tudo que havia na cidade era basicamente feito de vidro, a não ser as ruas da cidade que eram de solo rochoso. Ao caminhar pela rua Lara vê um reflixis adulto sentando-se em um banco juntamente com seu filho. Apesar de não saber o que era um pai, ou uma mãe, ou filho, ou esposa, ou família ela caminhou em direção ao reflixis adulto que estava com o seu filho amado e decidiu conversar.
_Com espelhiçenença! Eu venho de uma espelhicidade e espelhogostaria que você me espelheajudasse!
_Pois não! Em que posso espelhajudá-la? (perguntou o reflixis adulto).
_É que eu espelhecheguei agora aqui neste espelhugar e não espelheconsigo espelhender algumas coisas daqui!
_O que você espelharia de espelhasaber? (perguntou o reflexis adulto acariciando a cabeça de seu filho).
_Gostaria de espelhasaber porque a maioria dos reflexis espelhepreferem espelhificar a maioria do tempo em suas casas se espelheolhando no refletor?
_Bem... nós carregamos este espelhensamento desde que espelhascemos!
_E o que é isso? (perguntou Lara com tamanha curiosidade).
_Bem... é basicamente quando dois reflexis adultos se espelhaixonam e decidem formar uma espelhamília!
_Você espelheestá espelhequerendo espelhedizer família, não é isso? (perguntou Lara coçando a cabeça de tão confusa).
_Não, eu quis dizer espelhamília! É toda vez que um reflexis espelhomem se casa com uma reflexis espulher e assim espelhituem uma espelhamília!
_Carambolas!
_O que espelhesão carambolas? (perguntou o filho do reflexis adulto).
_São frutas de uma caramboleira que espelhetem um gosto azedo! (respondeu Lara ao filho do reflexis adulto).
_E o que são frutas? (perguntou mais uma vez o filho do reflexis adulto).
_São um tipo de alimento muito gostoso e doce!
_E o que é doce? (perguntou mais uma vez o filho de reflexis adulto).
_Bem, é uma coisa que espelhedá um gostinho na espelheboca!
_E essas coisas só espelhotem no espelhugar onde você espelhemora?
_Bem... no espelhugar onde eu espelhemoro também tem. Mas também espelhexistem essas coisas em outros espelhugares!
_Quando você voltar para a sua espelhicidade você espelhederia mandar essas coisas para cá?
_Olha, eu não espelhoposso espelhefazer isso porque eu não espelhosei onde você e o seu companheiro...
_Ele espelhoé o meu espelhepai (interrompeu o filho do reflexis adulto).
_Bem... eu não sei onde você e o seu espelhepai espelhomoram!
_Nós espelhomoramos aqui ao lado (respondeu o reflexis pequeno apontando para a sua casa).
_Carambolas! É uma espelhecasa muito grande! (disse Lara).
_Meu pai é um dos reflexis mais espelhotantes daqui! (disse o pequeno com a boca cheia de orgulho).
_Ah, não espeexagere, meu pequeno refletorzinho que eu tanto espelhamo! (interrompeu o reflexis adulto fazendo cócegas no tórax do pequenino fazendo-o sorrir).
_Ei! Porque a espelhábrica é tão espelhintante para vocês reflexis? (ela perguntou).
_A espelhábrica espelhefoi a primeira espelhonstrução deste espelhugar. Tudo aqui não espelhassava de terra plana, até que um ser espelhochamado Aznic começou a espelhonstruir a fábrica dos refletores.
_Mas eu nunca espelhosoube que Aznic espelhesabia espefazer refletores. (indagou Lara).
_Espelhamente! De fato, ele não espesabia, mas ele espelhepediu à Imaginação que lhe espelhedesse espelhadoria o suficiente para espelhofazer uma coisa nova. Então a Imaginação espelheapareceu em sonhos para Aznic e espelhedeu as instruções de como espelhofazer refletores. Como Aznic espelhetinha a fantástica espelhidade de espelhedar espelhevida a qualquer folha de espelhepapel, ele espelhestruiu e então espelhepediu à Imaginação que lhe espelhotransformasse o seu espelhecoração em um espelhecoração de vidro.
_Mas eu não espelhoentendi! Porque Aznic espelhediu à Imaginação que seu espelhecoração fosse um espelhecoração de vidro?
_Dizem os mais antigos que qualquer espelhabilidade espelhágica e espelhincrível espelhecedem de um espelhecoração espelhenamente espelhepuro e espelhicente!
_Então Aznic conseguiu espelhabricar refletores quando seu espelhecoração se espelhetornou de vidro, é isso?
_Sim. (respondera o reflexis adulto)
_Mas e vocês?
_Nós o quê? (perguntou o reflexis adulto).
_Vocês espelhotêm espelhecoração?
_Não, porque se espelhetivéssemos nós espelheteríamos a mesma espelhabilidade que Aznic espelhetem, e assim não espelhisaríamos nos espelheproduzir!
_Acho que espelhentendi! Ei, você espalhasabe me espelhidizer que horas o Aznic espelhesai da espelhábrica?
_Ele não espelhesai porque ele mora na espelhábrica!
_Espelhambolas! Então ele espelhegosta mesmo daqui!
_Sem espelhúvidas! (indagou o reflexis adulto).
_Então de que espelhoforma eu espelheposso espelhevoltar para a minha terra natal?
_E como se espelhochama a sua terra natal?
_Bem... ela ainda não espelhetem um espelhenome!
_Por espelhoacaso a sua espelheterra natal não espelhoé A Cidade sem Nome?
_É assim como vocês daqui espelhamam a minha terra natal?
_Bom... sim! Pelo menos é o que os epelhemoradores daqui espelhofalam!
_Bom, isso não espelhimporta! Você espelhesabe como chegar lá ou não?
_Infelizmente espelherá muito espelhifícil para você!
_Como assim? (perguntou Lara curiosa).
_Você espelheterá que espelhoir até A Estação dos Balões Coloridos!
_E onde espelhoé que espelhifica essa tal estação?
_Espelhifica no espelhifinal desta espelhicidade!
_Mas qual espelhurumo eu espelhedevo espelhetomar?
_Você só espelheprecisa ir em espelhireção ao curso desta espelherua!
_E como é que eu espelhefaço para espelhochegar lá?
_Você está espelhevendo um espelhedesenho de balões neta espelherua?
Lara olha atentamente para o desenho de balões feitos por um reflixis desenhista e então nota que havia bem mais do que simplesmente um desenho daqueles balões naquela rua.
_Na verdade eu espelhovejo vários desenhos no meio da rua!
_Pois é! Esses mesmos espelhedesenhos espelheformam um espelhepercurso que espelhevará você até A Estação dos Balões Coloridos.
_Espelhambolas! É mesmo! Obrigada! Lá, lá, lá! (agradeceu Lara com tamanho entusiasmo).
_De nada! Espelhespero que você encontre o que espelhedeseja!
_Assim espelhespero! Que a Imaginação esteja com vocês!
Então o filho do reflixis adulto sorria para Lara e responde.
_E com você também!
Lara deixa o reflixis adulto conversando com seu filho e segue os desenhos pela rua. Os desenhos eram tão bem feitos que só alguém muito cego não poderia enxergar. Os desenhos formavam um percurso que formava uma espécie de balão, conforme os próprios desenhos. Lara ficou zonza de tanto rodear as ruas da cidade, pois a trajetória parecia não ter fim.
_Carambolas! Será que esses desenhos não têm fim?
De tanto olhar para baixo Lara esbarrara em alguns reflixis e a maioria deles dizia para Lara: “Ei, você não espelholha por onde espelhanda?”, mas Lara nem se importava com tais ofensas, pois ela estava empenhada em chegar à tal Estação dos Balões Coloridos.
Ao perceber que não havia mais nenhum desenho Lara levantou a cabeça e percebeu que estava fora da cidade. Não havia nenhum reflixis por ali, apenas terra seca e um enorme abismo logo abaixo.
_Mas esta é A Estação dos Balões Coloridos? Eu não vejo nada além de terra e um enorme abismo.
Ao ficar olhando e esperando, Lara cansou-se e deitou-se no chão. Apesar de ser uma menina delicada, Lara não tinha medo de se sujar com aquela terra, pois seus pensamentos estavam muito além de uma vaidade boba.
Lara ficou esfregando a mão na terra como se estivesse escrevendo ou desenhando algo. Depois de um certo tempo, Lara descobriu uma coisa bem intrigante. Era uma pedra azul cravada no solo. Na pedra estava escrita a seguinte frase:
“NÃO ESPELHEXISTE ESPELHEDESHONRA MAIOR DO QUE ESPELHEDEIXAR-SE ESPELHESER ESPELHENGANADO POR ESPELHALGUÉM”.
Como Lara já estava se acostumando ao idioma dos reflixis, ela conseguiu traduzir aquela mensagem, que embora chamativa, era algo desagradável. Ao entender a mensagem Lara ficara vermelha de tão zangada.
_Caroço de milho! Pena de urubu! Unha de Tamanduá! Aquele reflixis mentiu pra mim. Não existe nenhuma Estação dos Balões Coloridos! Bico de papagaio! Barba de Leão! Tijolo de Alvenaria! Mas porque aquele reflixis mentiria pra mim? Ele me parecia um ser tão honesto e verdadeiro!
Infelizmente Lara não sabia que a maioria dos reflixis mentiam sobre A Estação dos Balões Coloridos, um lugar que jamais existiu, pois era apenas invenção dos reflixis. A maioria dos reflixis sabia que isso era uma grande e verdadeira mentira, apesar de que a mentira nunca foi verdadeira.
Esta afirmação não passava de uma invencionice do reflixis adulto que estava com seu filho. A única verdade que ele falara foi a de que Aznic tivera o coração transformado em vidro. Os desenhos foram feitos pelo único reflixis desenhista que havia naquela cidade.
Ele foi pago pelos reflixis daquela cidade, pois eles não queriam que outros seres esquisitos como Lara e os habitantes de outras cidades morassem ali. Mas se era assim, então por que não expulsaram o urubu que era irmão daqueles dois urubus com quem Lara havia conversado? Certamente algo de muito curioso havia sobre aquela cidade, o modo de viver, a importância da Fábrica e a história da cidade.
No entanto esses tipos de ideias eram coisas que nem sequer passavam pela cabecinha inocente de Lara. De uma coisa ela sabia. Que aquele reflixis adulto era uma vergonha, pois além de fingir ser um ser caridoso, estava ensinando seu filho a ser mentiroso igual a ele, educação essa que a maioria dos pais reflixis davam para seus filhos.
Lara sentiu-se cansada e então deitou-se em terra seca para descansar, pois seus membros do corpo pediam por descanso. Depois de um certo tempo, algo desesperado acontecera. Um grande e forte terremoto tomara conta daquele lugar, o que era esquisito, pois naquele lugar nunca houvera nenhum terremoto. O terremoto se estendeu desde o chão onde Lara estava deitada até A Cidade dos Espelhos Quebrados.
É evidente que Lara acordou ao perceber que não só ela como também tudo ao seu redor estava tremendo. Certamente ela não sabia por que aquilo estava acontecendo.
_Carambolas, o que está acontecendo por aqui? Santa Imaginação! Por que se sucede tal coisa? Eu já li em meus livros sobre terremotos, mas achava que eram apenas histórias pra criança dormir! Na minha cidade nunca houve um terremoto. Carambolas! Será que esse terremoto também está acontecendo por lá? Ai, espero que não!
Para o desconhecimento de Lara o terremoto só apossara-se daquele lugar até à cidade. Como bem se sabe, a cidade era predominantemente de vidro, exceto o chão da cidade que era de solo rochoso. Mas por que será que o chão da cidade também não era feito de vidro, já que todo o restante da cidade era feito de vidro? Esta é uma questão que nem mesmo Aznic conseguiria responder.
Na cidade muitas casas, móveis e refletores se quebraram, pois o terremoto havia chegado de uma forma tão violenta que até a fábrica rachara-se ao meio, pois o vidro da fábrica era mais resistente do que o vidro dos outros objetos que havia na casa.
Depois de mais ou menos três minutos o terremoto cessou. Muitos reflixis despedaçaram-se tais quais uma janela de vidro ao ser desvidraçada por uma pedra. Muitos reflixis daquela enorme cidade dormiram em seu sono eterno. Até mesmo, Caco de vidro, Estilhaço e Espenâncio vieram a dormir eternamente. Até Espelhildo, o agente sanitário da cidade dormiu eternamente.
Até o momento em que Lara havia chegado na cidade havia exatamente trezentos e cinquenta e um mil, duzentos e doze reflixis. Após o terremoto restaram apenas três mil, duzentos e quatorze reflixis.
Certamente nem se passava pela cabeça tão pequena e ingênua de Lara que tantos reflixis estivessem dormindo para sempre. Se isso era castigo da Imaginação não se pode saber, pois a Imaginação sempre quis o bem de todos os seres do atenalp. Quanto mais Lara pensava o porquê de isso ter acontecido mais e mais sua cabeça doía.
Lara ficara extremamente nervosa, pois ela achava que terremotos eram apenas invenção dos escritores dos livros que ela lia. Lara retornou à cidade seguindo os mesmos desenhos que a guiaram para fora da cidade. Ao chegar na cidade, ela ficou impressionada com tamanho caos que circundava a cidade.
_Santa Imaginação! O que houve por aqui?
Os reflixis estavam muito atemorizados. Eles se tremiam muito de tanto nervosismo. Lara tentou perguntar a um e a outro o que se sucedera por lá, mas ninguém conseguia responder por causa do nervosismo.
Ao ver um reflixis pequeno vir em sua direção Lara percebera que era o filho daquele reflixis adulto e mentiroso. Ele estava segurando algo em suas duas mãos.
_Ei, você! (gritou Lara).
O reflixis pequeno estava de cócoras no chão chorando lágrimas de vidro e segurando aquela coisa que mais se parecia com areia, mas não era areia.
_O que espelheaconteceu por aqui? (perguntou Lara).
O pequeno chorando direciona a cabeça em direção à Lara e responde.
_O meu espelhepai e a minha espelhemãe estavam se contemplando no refletor enquanto eu estava espelhebrincando na rua. Então surgiu do nada um espelherremoto que estilhaçou a maioria dos reflixis desta espelhecidade. A casa de vidro desabou em cima do meu pai e de minha mãe e eu não espelhetenho para onde ir.
_Por que o seu pai espelhentiu pra mim?
_Porque aqui na cidade a maioria de nós espelhevive assim!
_Assim, como? (perguntou Lara).
_Nós não nos espelhisturamos a outros seres de espelhoutras espelhecidade porque, isso espelhepoderia espelhecorromper a nossa raça.
_Mas quem espelhedisse isso?
_Aznic!
_Mas porque Aznic espelhedisse isso pra vocês?
_Porque ele espelhetem ódio do espelherestante do atenalp!
_Mas vocês daqui sempre espelhedisseram que Aznic espelhera um espelhótimo ser para vocês!
_Aznic é só uma espelheexcessão! Não espelheconsigo espelheentender porque ele é assim!
_Espelhescuta! O que é isso que você espelhestá espelhesegurando em suas espelhemãos?
_Os cacos que espelhesobraram do meu espelhepai e de minha espelhemãe!
_Espelhesculpe-me!
_Tudo bem!
_E como se reflixem o seu espelhepai e a sua espelhemãe?
_Meu espelhepai se reflixava Espelhônito e a minha mãe se reflixava Espelhínida!
_O que você espelhevai espelhefazer com os cacos de seu espelhepai e de sua espelhemãe? (perguntou Lara olhando para o caos ao redor).
_Bem... antigamente quando algum reflixis espelhecaia da fábrica por espelhacidente Azinic espelhepegava os cacos desse reflixis e espelhetransformava em um espelhevaso com espelheflores de vidro.
_Então espelhevamos até a espelhábrica espelhefalar com ele, talvez os espelhefuncionários nos espelhedeixem espelhentrar. (exclamou Lara com grande entusiasmo).
_Eles não nos espelhedeixarão espelhentrar de espelhemaneira alguma!
_Se Aznic espelhetem espelhepoder para espelhedar espelhevida a qualquer refletor então porque ele não espelherevive o seu espelhepai e a sua esplhehemãe?
_Ele só espelhepode espelhevivificar um reflixis, mas ele não espelhepode espelheressuscitar um reflixis.
_Mas, por quê? (perguntou Lara).
_Quando meu espelhepai espelhera contemplado ele me espelhedisse que só a Imaginação espelhetem este espelhepoder.
_Mesmo assim, espelhevamos até lá! Talvez espelheconsigamos espelhentrar!
_Não vai espelhedar certo!
_Não espelhevai se não espelhetentarmos!
_Certo! Espelhevamos!
Lara e o reflixis pequeno vão até a fábrica. Como Lara não conhecia a cidade, o reflixis pequeno conduziu-a até à fábrica. Ao chegarem lá, eles acharam a fábrica sem nenhum funcionário por perto, pois quando o terremoto aconteceu os funcionários estavam no topo da fábrica e todos caíram pela terceira janela que havia no topo.
Aznic havia convocado todos os funcionários da fábrica para a reunião, e como de costume eles se reuniam no topo da fábrica. Ao ver que não havia exatamente ninguém do lado de fora e nem do lado de dentro, Lara e o reflixis pequeno decidiram entrar. Ao entrar na fábrica Lara ficara sobremaneira admirada, pois nunca havia visto uma estrutura arquitetônica tão bonita como aquela fábrica.
Na fábrica havia três andares. No primeiro andar havia muitas mesas com pratos de vidro, é claro, e também copos e colheres de vidro. Lara logo deduzira que se tratava-se de um refeitório para as horas de descanso após o longo trabalho dos funcionários.
Lara e o reflixis sobiram às escadas em direção ao segundo andar. Lara não deixara sua mania de contar os degraus e foi contando um por um.
_Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte um, vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e um, trinta e dois!
A escada que levava ao segundo andar possuía trinta e dois andares. O reflixis pequeno não entendera o porquê de Lara ficar contando os degraus, mas sua esperança de reviver seu pai e sua mãe era tão grande que ele não atentou para isso.
No segundo andar havia várias caixas de vidro com ferramentas de vidro, capacetes de vidro e máquinas de vidro. Lara e o reflixis pequeno continuaram sua busca e então prosseguiram pela nova escada que os levaria até o terceiro e último andar, onde Aznic se encontrava.
Mais uma vez Lara estava contando os degraus da escada.
_Um, dois, três...
A escada que levava ao terceiro e último andar tinha cinquenta degraus. Lara ficara com a garganta rouca de tanto contar. Ao chegarem ao último andar, havia uma porta de vidro enorme trancafiada por um cadeado de vidro. A porta também era feita de vidro transparente.
Dava até para ver Aznic com os braços cruzados para trás. Lara e o reflixis ficaram animados ao verem que Aznic realmente estava lá. Lara e o reflixis bateram na porta pedindo a Aznic que a abrisse para eles, mas infelizmente Aznic não estava escutando as batidas na porta, ou então ele não estava nem um pouco se importando em dar-lhes atenção.
Lara virou-se para o reflixis pequeno e perguntou.
_Espelheserá que ele é espelhesurdo, ou o quê?
_Espelhacredito que ele espelhesteja tão espelhimpressionado com o que espelheaconteceu que ele espelhedeve espelhoter espelheficado espelharalizado!
_Talvez espelheseja isso! (exclamou Lara).
Então Lara e o reflixis pequeno bateram o mais forte que conseguiram, mas Aznic permanecera com os braços cruzados para trás.
_E agora? O que espelhedevemos espelhefazer? (perguntou Lara suspirando de tão cansada).
_Espelhedevemos espelheprocurar a espelhechave para espelhabrirmos este espelhadeado!
Mas, se a porta estava trancada por fora Aznic deveria estar nervoso por estar trancado pelo lado de dentro, não? Então porque Aznic mantinha a mesma postura ali parado com os braços cruzados para trás? Essa curiosidade não invadiu nem a mente de Lara e tampouco a do reflixis pequeno, pois eles estavam desesperados por respostas convincentes, tanto Lara por querer saber quem era Aznic quanto o reflixis pequeno, por ter a esperança de reviver os seus pais.
_Você espelhefica aqui que eu espelhevou espelheprocurar a espelhechave! (exclamou o reflixis pequeno).
_Certo!
_Só espelhequero que você espelhefaça uma espelhecoisa!
_O quê? (perguntou Lara com voz determinada).
_Espelhesegure em suas espelhemãos os cacos de meu espelhepai e minha espelhemãe!
_Sim, claro! (disse Lara).
Então o reflixis pequeno colocou os pequenos fragmentos de seu pai e de sua mãe nas mãos de Lara. Ela segurou cuidadosamente os cacos em suas mãos. Enquanto o reflixis foi descendo às escadas Lara perguntou para ele.
_Ei, você ainda não me espelhedisse seu epelhenome! Como você se reflixe?
O pequeno reflixis para por um segundo e olha para Lara dizendo.
_Eu me reflixo Espélhido, mas você pode me reflixar de Espelix! Era assim que meu espelhepai e a minha espelhimãe me reflixavam!
_Eu me reflixo Lara!
_É um belo refleto!
_Espelhobrigada!
Então Espelix continuou sua busca enquanto Lara ficava segurando os cacos dos pais dele. Ao chegar ao segundo andar Espelix procurou nas caixas de vidro se havia alguma chave, mas não encontrou nada.
_Eu espelhepreciso dessa espehechave!
Então Espelix pega um martelo de vidro de uma das caixas e sobe de volta até o último andar. Ao chegar lá Espelix pede que Lara se afaste.
_Por favor, se espelhafaste!
Lara se afasta. Então Espelix dá uma martelada no cadeado, porém o martelo quebrara-se em pedaços por completo.
_Não espelhedeu certo! (exclamou Espelix com tamanha frustração).
_Agora é a minha espelhevez! Você espelhefica aqui espelhesegurando os cacos de seu espelhepai e de sua espelhemãe que eu espelheprocuro agora (exclamou a menina).
_Certo! (exclama Espelix).
Lara entregou os fragmentos nas mãos de Espelix e desceu às escadas contando degrau por degrau.
_Um, dois, três, quatro, cinco...
Ao chegar ao segundo andar Lara dá uma pequena olhada para ver se encontra a chave.
_Não está aqui!
Então Lara prossegue descendo às escadas contando degrau por degrau.
_Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete...
Chegando ao primeiro andar, Lara percebera que a chave também não estava lá.
_Puxa, o que eu vou fazer agora? Santa Imaginação!
Já que Lara estava preocupada em como deveria agir, ela subiu em uma das mesas de vidro e fechou os olhos com muita determinação.
_Preciso saber, preciso saber, preciso saber! Mas espera um pouco! O que eu preciso saber?
Então Lara fechou os olhos novamente e respirou bem fundo. Depois de um certo tempo Lara recordara-se de uma conversa que teve com aqueles dois urubus esquisitos na sua terra natal, A Cidade sem Nome.
_Agora sim! Mas o que o irmão daqueles dois urubus tem que ver com a chave?
Lara não tinha certeza, mas algo lhe dizia que esse urubu tinha alguma ligação com a fábrica. Então Lara saiu da fábrica e percebera um certo grupo de reflixis que estava vindo em direção à fábrica para, sabe-se lá o quê. Lara ficou parada esperando-os se aproximarem. Quando os reflixis se aproximaram da fábrica um deles falou em voz alta.
_Meus espelhirmãos! Estão espelhevendo que este espelhetempo todo espelhetrabalhamos para Aznic e que ele não espelheconseguiu nos espelhivrar desta espelhetástrofe! Espelhevamos espelhegritar e espelhereclamar os nossos espelhedireitos! Espelhequeremos espelheplicações!
Então os outros reflixes começaram a gritar a mesma frase em alta voz.
_Espelhequeremos espelheplicações! Espelhequeremos espelheplicações! Espelhequeremos espelheplicações!
Então Lara triscou um dedo em dos reflixis que estavam ali protestando contra Aznic e então perguntou-lhe.
_Ei! Você espelhesabe me espelhedizer se espelhemora algum espelheurubu por aqui?
_Sim! Ele espelhemora logo ali naquela espelhecasa!
_E porque a espelhecasa não foi espelhedestruída durante o terremoto? (perguntou Lara curiosamente).
_Porque Aznic espelhemandou que a espelhecasa espelhefosse espelheconstruída com o mesmo vidro de que a espelhefábrica é espelhefeita!
_Espelhobrigada! (agradeceu Lara).
Lara foi até a casa onde o urubu desconhecido morava. Embora a casa fosse feita de vidro ela era revestida com as próprias penas do urubu, o que dificultava ver se o urubu estava dentro da casa, ou não, pois ele arrancava três penas a cada dois minutos e colava nas partes da casa. As penas que foram arrancadas nasciam a cada dois minutos. Ao entrar na casa Lara procura pelo urubu.
_Olá! Com licença! Seu urubu! Você está aí?
Á medida que Lara ia caminhando devagar Lara ia ficando com medo.
_Será que tem alguém por aqui?
Então Lara continuou a falar.
_Ei! Tem alguém por aqui?
Lara olhou atentamente e viu algo que ela julgou ser o próprio urubu.
_Olá!
Ao triscar no ‘‘suposto’’ urubu Lara percebeu que era apenas uma estátua de vidro. A estátua também era revestida com penas de urubu. Era uma réplica do próprio morador da casa. Lara pensou que fosse o urubu de que aqueles dois irmãos urubus haviam mencionado, só que para o desprazer de Lara, não era ele. Lara começou a juntar as peças do quebra-cabeça e então perguntou a si mesma.
_Será que ele voltou para a terra natal dele? Mas será que ele realmente é o guardador da chave que leva até a casa de Aznic? Porque ele não foi tirar Aznic de lá? E porque Aznic está tão calmo em ficar trancafiado naquele andar?
Finalmente Lara pensou sobre tal hipótese, sinal de que ela estava ficando mais esperta. Lara começou a procurar pela chave em cada canto da casa do urubu. Na casa do urubu havia vários armários com cofres e baús. Lara procurou as chaves para abrir aqueles cofres que não tinham fechadura, pois eram cofres antigos que tinham um disco giratório com marcações com 00 á 99 à direita e à esquerda.
Os cofres e os baús eram de metal, pois o urubu que morava naquela casa pediu a Aznic que mandasse trazer de outra cidade esses cofres e os baús também. Os cofres e os baús foram feitos por um metalúrgico. Ao olhar para os cofres Lara percebeu um pequeno nome que quase não se podia enxergar.
Então Lara saiu pelas ruas da cidade procurando por algo que pudesse usar para entender aquele tão pequeno nome. Ao ter suas tentativas frustradas Lara sentou-se em um banco para ver se conseguia pensar melhor.
Ao ver os reflixis tentando reformar a cidade, ela viu um reflixis usando uma lupa cuja lente tinha dez centímetros de expansão e oito de altura, o que era o suficiente para enxergar o pequeno nome que havia nos cofres e baús.
Esse reflixis estava verificando se havia algum vestígio de pena de urubu, pois não apenas Lara, como ele também desconfiava que o tal urubu houvera deixado a cidade e assim teria retornado à sua terra natal.
Lara foi até onde o reflixis e disse-lhe.
_Espelhepode me espelhemprestar essa espelhelupa só por um espelhegundo?
_Não! Espelheestou espelhetrabalhando!
Lara ficara sobremaneira entediada de tanto tentar encontrar soluções para tais problemas. Então Lara se lembrara de um livro de física que ela estudara. Esse livro falava de um assunto chamado óptica. Ela imediatamente se lembrara do assunto.
_Então eu posso fazer uma lupa caseira e descobrir que nome é aquele. Mas eu vou precisar de água! Carambolas! Onde eu posso arranjar água? Se eu ao menos pudesse encontrar um meio de encontrar água.
Lara ficou mais e mais pensativa, mas, quanto mais ela pensava mais confusa ela ficava. Bem... como ela não tinha nenhum recurso que oferecesse água ela teve de voltar até à fábrica, pois ela pensara em uma coisa que embora não fosse muito agradável, ela teria de fazer aquilo.
Chegando à fábrica Lara desviara-se dos reflixis que ainda estavam protestando contra Aznic e então entrou e pegou um dos copos que havia no primeiro andar e começou a cuspir dentro do copo. O copo tinha as laterais retilíneas e possuía quinze centímetros de altura. Lara estava fazendo o máximo possível de esforço para preencher o copo, pois ela queria saber que nome era aquele escrito nos baús e nos cofres.
Apesar de ficar bastante tempo sem beber água Lara desenvolvera uma capacidade extraordinária de ficar várias horas sem beber, pois, quando se está com sede a boca vai ficando seca e a língua não produz quase nenhuma saliva.
No entanto Lara conseguira encher aquele copo até o topo de forma milagrosa. O que Lara não sabia era que a Imaginação a ajudara a produzir toda aquela quantidade de saliva. Depois de encher o copo Lara segura o copo com muito cuidado e o leva para fora da fábrica.
O grupo de reflixis ainda estava lá, mas Lara desviou-se com muito cuidado daquele grupo para não derramar o líquido. Depois de passar por aquele grupo Lara seguiu sua busca em direção à casa do suspeito urubu. Entrando novamente na casa, ela seguiu em direção a um dos cofres de metal e encostou o copo cheio de saliva. Ao tentar ajustar a posição adequada Lara conseguiu perceber com um pouco de nitidez que nome era aquele, pois a saliva não era tão transparente quanto a água.
Ao olhar atentamente Lara foi lendo pouco a pouco com certa dificuldade o nome escrito no cofre.
_Mia... Mia... Mia...
Lara ajustou novamente a posição do copo confronte o nome e então disse.
_Supimpa! Agora eu sei! Miaclabut! Mas espera aí! O que é Miaclabut?
No momento em que Lara se fez essa questão houve um segundo terremoto, mas desta vez durou apenas dez segundos. Devido ao terremoto, Lara deixara cair o copo de vidro cheio de sua saliva no chão. Agora não importava, uma vez que Lara já sabia qual era o nome, bastaria ela perguntar para algum dos moradores da cidade o que é Miaclabut, se é que esse nome é era o do urubu, ou era um objeto. Para a sorte dos reflixis daquela cidade ninguém havia morrido, pois todos estavam fora de suas casas.
No momento em que houvera o terremoto, Espelix espantou-se, no entanto, ele continuava segurando os cacos de seus pais. Durante este segundo terremoto Aznic nem se quer se movera.
Espelix ficara muito incomodado ao ver tamanha calma perante uma situação tão crítica assim. Seria Aznic um homem insensato, ou um ser totalmente louco? Bem... essa não era exatamente a hora conveniente para se pensar em possibilidades. Lara sai da casa do urubu e segue em direção à fábrica.
Ao passar pelo grupo de reflixis que havia cessado de protestar contra Aznic Lara olha para um dos reflixis e lhe pergunta.
_Ei! Você espelhesabe me espelhedizer o que é Maiclabut?
_Espelhereceio espelhedizer que Miaclabut não é nenhum espelhejeto! Miaclabut é o espelhimeiro e espelheúnico espelhemetalúrgico deste atenalp!
_E onde ele espelhemora?
_Ah, isso eu não espelhesei espelhedizer pra você!
_Mesmo assim, espelhobrigada! (agradeceu a menina ao reflixis).
Ao entrar na fábrica Lara subiu contando os degraus em direção ao segundo andar e consecutivamente ao terceiro andar. Ao chegar ao terceiro andar Lara percebera que Espelix estava sentado no último degrau do terceiro andar.
_Não espelhefique espelhetriste! Nós espelhacharemos a espelhechave! (exclamou Lara para ele).
_Espelhestou sem espelhesperança! Não espelhesei mais o que espelhefazer! (afirmou Espelix em um tom melancólico).
_Miaclabut! Foi esse refleto que eu vi nos espelhecofres e nos espelhebaús da casa do espelhurubu!
_Você espelhesteve na espelhecasa de Urubuzimbo?
_Esse é o refleto dele?
_Sim! Ele espelhera o espelhúnico que espelheguardava a espelhechave da espelhesala onde Azinic espelhestá! Mas ele não espelhefabricou a espelhechave do espelheterceiro espelhandar!
_Então quem espelhefabricou a espelhechave?
_O espelhepróprio Aznic!
_E porque você não me espelhedisse isso antes?
_Eu só espelhepude me espelhelembrar agora!
_Tá bom! E esse Miaclabut?
_Ele espelhemora em um espelheburaco!
_E onde espelhefica esse espelheburaco? (perguntou Lara com muita curiosidade).
_Espelhefica no espelhabismo espelhesituado entre a minha e a sua espelhecidade!
Então Lara lembrara-se da ponte de teia que a dona aranha havia construído para intermediar A Cidade sem Nome e A Cidade dos Espelhos Quebrados!
_E agora? Como eu espelhefaço para espelhechegar lá? (perguntou Lara com bastante entusiasmo).
_No espelhesegundo espelhandar espelhexiste um espelheburaco espelhepequeno através do qual você espelhepode enxergar os espelhelimites da espelhecidade!
_Certo! Eu espelhevou espelheconseguir! Eu espelheprometo! (exclamou Lara para Espelix).
_Espelherarei aqui! (disse Espelix).
_Certo!
Então Lara desceu à escada contando degrau por degrau. Ao chegar ao segundo andar Lara procurou de um lado e do outro onde estava aquele pequeno buraco através do qual se podia enxergar as extremidades da cidade. Lara não havia percebido, mas havia um quadro encostado do lado esquerdo do andar. O quadro estava muito alto, de maneira que Lara não podia alcançar. Como naquele andar havia várias caixas de vidro, Lara empurrou as caixas que estavam do lado direito e as organizou de quatro em quatro encostando uma de frente da outra, formando assim uma escada.
Sorte a de Lara pelo fato de as caixas de vidro não serem pesadas. No entanto Lara teve de descer e subir várias vezes para formar a escada que a levaria até o topo. Depois de tanto esforço, ela retirou o quadro de vidro e o segurou com a mão direita. Olhando pelo pequeno buraco, ela viu uma coisa esquisita. Havia alguns vultos pretos voando no céu que se situava acima do abismo que separava a cidade de Lara e a cidade dos reflexis.
Lara colocou o quadro de volta no mesmo lugar tapando assim o pequeno buraco. Então Lara desce pelas caixas de vidro e segue em direção ao primeiro andar. Mesmo estando cansada e curiosa para obter respostas, Lara insistia em contar os degraus, pois esta era uma mania impossível de se livrar.
Ao chegar ao primeiro andar Lara saiu da fábrica. Aquele grupo de reflixis não estava mais lá. Então Lara seguiu pelas ruas da cidade em direção ao abismo onde ela caíra quando ainda estava tentando chegar à cidade. Como Lara havia saído e entrado na cidade várias vezes ela já estava ficando acostumada com a estrutura da cidade, de modo que não era mais preciso pedir a nenhum reflixis qualquer ajuda sobre onde ficava a fábrica, ou onde terminava a cidade, ou onde era o começo da cidade.
Ao chegar lá, ela olhou atentamente e percebeu que a placa com a inscrição: “A ESPELHECIDADE DOS ESPELHEMELHORES” ainda estava lá. No entanto os vultos pretos que ela vira voando no céu não estavam lá.
_Será que aqueles vultos eram urubus? (perguntou Lara para si mesma). _Bem, isso não importa agora!
Para a sorte da garota, a escada de vidro que Espelhildo havia colocado para ajudá-la a subir ainda estava lá.
_Maçãs e abacates! A escada ainda está aí! Mas é provável que Espelhildo tenha se tornado um monte de cacos de vidro. É realmente uma pena!
Então Lara desceu à escada contando degrau por degrau.
_Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e um, vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e um, trinta e dois, trinta e três, trinta e quatro, trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove, quarenta, quarenta e um, quarenta e dois, quarenta e três, quarenta e quatro, quarenta e cinco, quarenta e seis, quarenta e sete, quarenta e oito, quarenta e nove, cinquenta.
Ao chegar embaixo Lara ainda havia encontrado as cordas de algodão com as quais ela fizera para tentar alcançar o topo. Além do algodão não havia nada além de terra seca e algumas formigas coloridas. Então Lara pergunta para a formiga de cor verde.
_Ei! Vocês sabem onde mora um ser chamado Miaclabut?
Então a formiga de cor verde responde:
_Ele é o nosso professor!
_Como assim professor? (pergunta Lara).
Então a formiga de cor vermelha responde:
_Ele nos ensinou a fabricar metal!
_Então ele é realmente metalúrgico, não é? (perguntou Lara).
Então a formiga azul responde.
_Ele é o melhor. Mas só poderia ser, ele é o único metalúrgico do atenalp!
_E onde é que ele mora?
Então a formiga de cor preta responde.
_Aqui com a gente!
_Como assim? (perguntou Lara curiosa).
Então a formiga branca responde.
_Quando Miaclabut descobriu como fabricar metal ele começou a fabricar armas como espadas, machados e outras armas de guerra.
_Mas eu pensei que armas fossem apenas invenções que existem só nos livros!
Então a formiga marrom respondera.
_Infelizmente não! Miaclabut usou sua inteligência para fazer o mal e por isso a Imaginação o castigou transformando-o em uma formiga com o mesmo tamanho que nós temos.
_E ele ainda mora com vocês? (perguntou Lara).
Então a formiga vermelha respondeu.
_Sim, você quer que nós o chamemos para que você o conheça?
_Claro que sim, eu preciso muito dele!
Então as formigas coloridas entraram em seu formigueiro para buscar Miaclabut. Ao voltarem com ele para o lado de fora Lara olha atentamente para ele. Maiclabut era uma formiga com barba branca e de cor prateada, o que o destacava entre os seus alunos.
Lara tentara se conter, pois achara a aparência de Miaclabut muito engraçada, embora ele fosse um ser extremamente intelectual.
Então Miaclabut começou a resmungar.
_Sinceramente eu não tenho tempo para conversas! Trabalho é o nosso dilema! Precisamos trabalhar para atender às exigências daqueles doidos! Este antenalp está muito diferente de há três milênios atrás!
_Então o atenalp tem três milênios de existência mesmo? (perguntou Lara com seus olhos alaranjados brilhando de curiosidade).
_E você quem é? (perguntou Maiclabut).
_Me chamo Lara!
_Laranja? (perguntou Miaclabut tentando olhar atentamente para a menina).
_Não! É Lara! Só Lara!
_Saudações Solara, como vai?
_Não é Solara! É somente Lara!
_Pentelara?
Então Lara começara a ficar irritada, no entanto, ela tentou disfarçar.
_Não! O meu nome é Lara!
_Ver minha cara? Olha aqui a minha cara! Você é cega é?
Então Lara ficou mais irritada ainda.
_NÃO! Você é que é surdo!
_Quem que é moribundo?
Lara estourou de tanta raiva.
_Eu estou dizendo que você é surdo! E o meu nome é LARA!
_Quem é que se acaba?
Lara começa a bufar de tanta fúria, de modo que ela acabou ficando vermelha. Então a formiga vermelha tentou acalmá-la.
_Escuta, porque você não volta uma outra hora? É que o nosso professor já está muito velho e ele não consegue mais escutar como antigamente.
_NÃO! Eu não posso voltar sem que ele me diga quais são as senhas dos cofres!
_Que cofres? (perguntou a formiga vermelha).
_Os cofres que estão na casa do urubu que morava na Cidade dos Espelhos!
_Você está se referindo ao Urubuzimbo, não é? (perguntou a formiga verde).
_Sim! Espelix me falou o nome do urubu, mas eu acabei esquecendo!
_Quem é Espelix? (perguntou a formiga amarela).
_É um amigo que fiz na Cidade dos Espelhos! Mas ele está sofrendo muito porque os pais dele viraram cacos de vidro depois que o primeiro terremoto sobreveio à cidade!
_E na cidade ainda há sobreviventes? (perguntou a formiga preta).
_Sim, pois nem todos estavam em suas casas!
_Então o seu amigo que se chama Espelix estava do lado de fora quando houve o terremoto? (perguntou a formiga azul).
_Sim! Mas eu estou com pressa e preciso que vocês me digam qual é a senha de cada cofre da casa de Urubuzimbo!
_Infelizmente não sabemos! (respondeu a formiga branca).
_Como assim? Mas não foram vocês que ajudaram Miaclabut a construir os cofres?
_E como você sabe que nós o ajudamos a construir os cofres? (perguntou a formiga roxa).
_Aqueles cofres enormes não poderiam ser construídos por uma só pessoa. Eles são enormes e pesados!
_Santa folha! Você é bem esperta! (exclamou a formiga verde).
_Obrigada! (agradeceu Lara).
_Depois que nós construímos os cofres, Urubuzimbo mudou a senha de cada cofre, pois certamente ele não queria que soubéssemos o que tem lá dentro.
_Mas será que não há nenhuma forma de vocês me ajudarem?
_Por acaso aquele baú de metal ainda está lá? (perguntou a formiga preta).
_Sim!
_Então há uma grande possibilidade de nós obtermos a senha de cada cofre! (exclamou a mesma).
_Por quê? (questionou Lara).
_Porque nós fizemos a cópia da chave desse baú! (respondeu a formiga azul).
_Mas pra quê, se vocês sabiam que Urubuzimbo não deixaria vocês abrirem o baú?
_Nós sabíamos que ele sairia da Cidade dos Espelhos assim que ele não aguentasse mais viver no meio de seres estranhos. (respondeu a formiga roxa).
_Mas se ele não aguentava mais viver entre estranhos, então porque ele fugiu da terra natal dele?
_É uma boa pergunta! (exclamou a formiga branca).
_E porque ele saiu da Cidade dos Espelhos?
_Alguns rumores dizem que Aznic não é um ser tão bom quanto ele parece ser! (exclamou a formiga amarela).
_Isso eu não sei dizer, mas ele estava parado no último andar da fábrica, mas ele não deu atenção para nós!
_Nós, quem? (perguntou a formiga azul).
_Eu e o meu amigo Espelix!
_Ah, sim! (disse a mesma).
_E então? Vocês vão me ajudar, ou não? (perguntou Lara).
_Quem comeu melão? (resmungou o velho Miaclabut).
Então Lara fica vermelha de raiva novamente.
_Não se irrite com ele, Lara! Ele já está muito velho e com o tempo a audição foi ficando cada vez mais fraca! (exclamou a formiga verde).
_Escuta, onde foi que vocês colocaram a outra chave do baú que vocês copiaram? (perguntou Lara).
_A chave está no fundo do formigueiro! A chave é pequena! É bem melhor porque dá para você levar! (indagou a mesma).
_Então o que estamos esperando? Vai logo! (exclamou Lara imaginando como estaria Espelix esperando por ela).
A formiga preta foi buscar a chave que abria o baú da casa de Urubuzimbo. Depois de um certo tempo a formiga saiu do formigueiro com a pequena chave e a entregou nas mãos de Lara.
_Aqui está! Guarde-a com muito cuidado!
_Não se preocupe! Vou guardar a chave com muito cuid...
Enquanto Lara estava falando os vultos pretos que Lara tinha visto pelo buraco do segundo andar da fábrica apareceram. Não dava para saber o que eram aqueles vultos, mas se pareciam com pessoas fantasiadas de fantasmas, só que com lençóis pretos. Mesmo assim não havia nenhuma pessoa por dentro dos vultos. Ao verem aqueles vultos se aproximando Lara, Miaclabut e as outras formigas coloridas ficam assustadas.
Então aqueles vultos, que na verdade eram lençóis pretos sem ninguém por baixo envolveram as formigas coloridas e também Miaclabut. Cada vulto envolveu em seus panos cada formiga, inclusive Miaclabut.
Então Lara se desespera e puxa cada um dos vultos pelas pontas de lençol. Lara faz de tudo para recuperá-las, mas não conseguiu. Sendo assim, os vultos levaram as formigas coloridas juntamente com Miaclabut para bem distante. Lara ficara apenas olhando os vultos voarem pelo céu distanciando-se até descerem para baixo, para as extremidades do solo.
Quanto mais Lara tentava saber o que estava acontecendo, mais confusa ainda ficava.
_Santa Imaginação! O que é que está acontecendo por aqui? O que são aquelas coisas? E porque está sendo tão difícil pra mim?
Lara começou a entristecer-se, mas ela segurou as lágrimas.
_Não vou chorar! Não vou chorar! Há muito que fazer! Eu sou uma menina forte!
Então Lara recobra o ânimo e então segura a chave com a boca. Ao subir pela escada Lara se esquecera de contar degrau por degrau, pois ela estava mais preocupada com Espelix do que consigo mesma.
Ao chegar ao topo, ela prosseguiu andando em direção à cidade. Lara estava tão confusa com tudo aquilo que ela se esquecera de tirar a chave da boca e segurá-la com a mão.
Ao chegar perto da casa de Urubuzimbo, Lara entra e vai em direção ao baú. Ao olhar atentamente para o baú Lara pega a chave com a mão e então abre o baú com muita dificuldade. Para o azar de Lara não havia nada dentro do baú.
Lara ficara demasiadamente irritada sem saber o que fazer. A garota ficara bastante pensativa imaginando como ela iria resolver aquele problema, e por assim dizer, encontrar a chave de vidro que dava acesso à sala onde Aznic está. Ao verificar mais uma vez se havia alguma coisa dentro daquele baú Lara se certifica de que não havia nada além de poeira dentro do baú.
Ao recobrar o ânimo, ela então sai da casa de Urubuzimbo. Andando pela rua onde estava também a fábrica, um pensamento muito curioso passou-se pela sua cabecinha. Algo lhe dizia que ela deveria ir até os confins, isto é, até o término da cidade. Então ela seguiu os desenhos de balões que havia no solo até chegar aos confins da cidade.
Ao chegar aos confins, Lara saiu da cidade e foi caminhando pela terra seca. Ao caminhar mais alguns centímetros Lara encontrou a mesma pedra que encontrara depois de ter conhecido o pai de Espelix.
Lara ficara com raiva só de olhar para aquela pedra, pois ela havia deixado enganar-se a si mesma. Lara abaixa e então usa as duas mãos para tentar arrancar aquela pedra do solo. De tanto e tanto tentar Lara ficou exausta. Então ela começou a cavar o solo ao redor da pedra.
Depois de alguns minutos Lara estava quase lá, até que ela conseguiu retirar a pedra. A pedra era bastante pesada. No entanto Lara conseguiu removê-la. Havia uma folha de papel com algumas palavras, palavras essas que Lara conseguia entender. Lara começou a ler o que havia naquele papel até que ela deu um brado como um soldado que havia vencido a guerra. Para a sorte dela, a folha de papel continha as senhas de cada cofre da casa de Urubuzimbo.
Urubuzimbo era o amigo mais próximo do pai de Espelix. Então ele pediu uma folha de papel para Aznic e então anotou as senhas de seus cofres para que quando ele se esquecesse bastaria retirar a pedra, mas como Urubuzimbo possuía uma boa memória nunca foi necessário retirar a pedra.
O pai de Espelix guardara a folha de papel debaixo da pedra e por isso ele contratou o único desenhista da ciadade para fazer os desenhos que levavam até a pedra onde o papel estava escondido. Lara estava demasiadamente animada por ter seguido sua boa intenção. Era como se ela estivesse nas nuvens. Então Lara seguiu de volta em direção à cidade.
Ao passar direto pela fábrica Lara retornou à casa de Urubuzimbo. Ao entrar na casa, Lara foi em direção aos cofres. No papel havia as seguintes informações sobre os cofres:
Cofre 1: 17 para a esquerda e 34 para a direita;
Cofre 2: 22 para a esquerda e 22 para a direita;
Cofre 3: 1 para a esquerda e 2 para a direita;
Cofre 4: 55 para a direita e 44 para a esquerda;
Cofre 5: 10 para a esquerda e 10 para a direita;
Cofre 6: 99 para a direita e 98 para a esquerda.
No entanto havia um pequeno probleminha, Lara não sabia qual cofre era o cofre 1, nem o cofre 2, e nem o cofre quatro. Ao olhar novamente para os cofres Lara se desespera novamente.
_Carambolas, o que eu vou fazer agora? E se os cofres não estiverem em ordem numérica?
Então Lara moveu-se em direção ao baú e percebeu algo muito curioso. Do lado direito do baú havia a seguinte sequência numérica: 5, 3, 1, 4, 2, 6.
Lara sentira-se revigorada mais uma vez e então iniciou sua busca.
_Acho que entendi! O primeiro cofre da esquerda para direita na verdade é o cofre 5. O segundo cofre é o terceiro na verdade. O terceiro cofre é o primeiro. O quarto é realmente o quarto. O quinto é o segundo cofre, e o último é mesmo o sexto cofre. Agora vai dar certo!
Lara segue em direção ao primeiro cofre que na verdade era o quinto e então se abaixa para rodar o disco de marcação. Lara olha atentamente para a senha do cofre 5 e então roda o disco.
_10 para a esquerda e 10 para a direita.
Ao terminar de rodar Lara puxa a porta do cofre e assim abre o cofre.
_Carambolas, consegui!
No primeiro cofre, que na verdade era o quinto, havia uma placa de metal com a seguinte frase: “VOCÊ FOI ENGANADO!”. Então Lara fica vermelha de raiva. Mas afinal de contas, ainda havia mais cinco cofres para abrir.
Então Lara se direciona para o segundo cofre que na verdade era o terceiro. Lara olha de novo para o papel e então roda o disco de marcação.
_Um para a esquerda e dois para a direita.
Ao abrir o cofre Lara vê outra placa de metal com a mesma frase: “VOCÊ FOI ENGANADO!”.
Lara irritou-se novamente. Então Lara se direciona para o terceiro cofre que na verdade era o primeiro. Lara olha para o papel e depois gira o disco de marcação.
_Vamos lá! 17 para a esquerda e 34 para a direita.
Ao abrir o cofre Lara vê outra placa de metal, só que desta vez a frase era outra. “NÂO TEM NADA AQUI!”. Lara puxara seus cabelos de tanta raiva, pois ela não imaginava que Urubuzimbo fosse tão malvado. Então Lara mexe no quarto cofre que era de fato o quarto cofre e olha para o papel.
_55 para direita e 44 para a esquerda.
Ao abrir o cofre Lara encontra uma pena de urubu. Apesar de Lara estar irritada ela pegou a pena de urubu e a guardou dentro da meia de seu pé esquerdo. Então Lara se move em direção ao quinto cofre que na verdade era o segundo. Lara olha de novo para o papel e então começa a rodar o disco de marcação.
_22 para direita e 22 para a esquerda.
Ao abrir o cofre Lara encontra uma chave do tamanho do seu dedo mínimo. Lara pega a chave e então fica confusa.
_Esta não pode ser a chave que abre o cadeado de vidro. Ela nem é feita de vidro.
Então Lara segura a chave com a mão esquerda e se direciona para o sexto e último cofre que era de fato o sexto cofre. Lara nem precisou mais olhar para o papel, pois sua memória estava bem aguçada. Então Lara gira o disco de marcação.
_99 para a direita e 98 para a esquerda.
Depois de abrir o cofre Lara vê outro cofre, só que bem menor. Então Lara transfere a chave pequena da mão esquerda para a direita. Ao abrir o cofre Lara encontra um martelo de metal.
Lara ficara desesperada, pois ela esperava que fosse a chave de vidro que dava acesso à sala onde Aznic se encontrava. Depois de ficar certo tempo pensando Lara percebera que o martelo seria útil, pois com ele ela poderia assim quebrar o cadeado de vidro. Então Lara deixou o papel e a chave no chão da casa e levou o martelo até a fábrica.
Ao entrar na fábrica Lara subiu em direção ao terceiro andar. O que Lara não sabia era que Urubuzimbo havia engolido a chave. Mas ele deixara aquele martelo de metal para o caso de que se ele perdesse a chave de vidro ele poderia muito bem quebrar o cadeado de vidro.
Ao chegar ao terceiro andar Espelix fica surpreso e então pergunta para Lara.
_Porque você espelhedemorou tanto?
_Eu não espelheposso espelheplicar agora! Não se espelhemexa!
Então Lara faz um impulso segurando o martelo para poder quebrá-lo de uma vez só. Lara fechou os olhos e então bateu com o martelo no cadeado. O cadeado foi quebrado de maneira que vários pedaços voaram escada abaixo.
Então Espelix se levanta e diz para Lara.
_Agora é só espelheabrir a espelheporta e Aznic irá nos espelheajudar! Espelhetenho certeza disso!
Então Lara e Espelix abrem a porta. Depois de abrirem a porta eles entram na sala onde Aznic estava. No entanto Aznic permanecia com a mesma postura. Lara e Espelix caminharam em direção até Aznic.
_Será que ele não espelhepercebeu que nós espelhentramos? (perguntou Lara).
_Não espelhesei! (sussurrou o amigo).
Então Lara tenta falar com Aznic.
_Oi, eu me chamo Lara! Você é Aznic, não é? Os pais de Espelix se transformaram em cacos de vidro durante o terremoto. Você poderia ajudar a reviver os pais dele?
No entanto Aznic fizera pouco caso de Lara, pois ele não respondera nada, nem sequer virou-se para falar com Lara e Espelix.
Então Lara começa a irritar-se.
_Ei! Você poderia, por favor olhar para nós? Nós precisamos de ajuda!
Aznic não nada respondera.
_Foi você quem esmagou Baratildo?
Então finalmente Aznic se vira em direção a Lara e Espelix. Depois de ter se virado para os dois, Aznic dá um sorriso para Lara e então começa a desaparecer.
Lara começou a ficar confusa e então tentou pegar na mão de Azinc, no entanto, era tarde demais, pois Aznic desaparecera por completo. Ao perceber que aquele ser não era Aznic, Espelix se ajoelha segurando os cacos de seus pais.
_Então tudo não espelhepassou de uma espelhemiragem? Aznic nunca espelhexistiu de espelheverdade! (exclamou Espelix chorando lágrimas de vidro).
Ao ver Espelix chorando Lara comoveu-se com a dor do amigo.
_Será que Aznic é um espelhefantasma? (perguntou Lara).
_Claro que não! Espelhefantasmas não espelhexistem! (respondeu Espelix com um tom áspero).
_Mas você nunca espelheconversou com Aznic antes? (perguntou Lara).
_Meu espelhepai nunca me espelhetrouxe para espelheconhecer Aznic! Aznic nunca espelhegostou de ser espelhimcomodado!
Ao ver que a situação só piorava Lara tentou animar Espelix.
_Vamos! Ainda não é o espelhefim! Nós espelhepodemos espelhencontrar outra espelhemaneira de espelhefazer com que seus pais espelhesejam espelhereconstituidos!
_Não espelheadianta! É espelhinútil! (indagou Espelix olhando para os cacos).
_Venha comigo e então nós espelhevamos espelheprocurar Aznic!
Porém Espelix recusou ir com Lara.
_Não! (exclamou Espelix).
_Venha, por favor! Juntos espelhepodemos espelhencontrar as espelherespostas! Eu espelheajudo você e você me espelheajuda!
Então Espelix se enfurece e grita com Lara.
_Eu já espelhedisse que não espelhevou!
Lara ficou ofendida com o tom de voz de Espelix. Então Espelix colocara-se de pé e caminhou em direção à janela do último andar, pois a janela era enorme, mais parecia um buraco feito na parede.
Ao ver que Espelix pretendia fazer algo desagradável, Lara corre em direção a Espelix e o segura pela mão.
_O que você espelhepretende espelhefazer? Você espelhepretende se espelheatirar do topo da espelhefábrica? (perguntou Lara sentindo o coração palpitar).
_Lara! Espelheposso te espelhepedir uma espelhecoisa? (perguntou Espelix) .
_Claro que sim, o que é?
_Se você espelhetiver a espelhechance de espelhever a Imaginação espelhediga a ela que espelherestaure a Cidade dos Espelhos!
_Mas porque você espelhestá me espelhepedindo isso? (perguntou Lara curiosa).
_Apesar de eu ser um reflixis espelhepequeno, alguma espelhecoisa sempre me espelhedizia que a Imaginação nunca espelhegostou!
_E porque você espelhepensa assim? (pergunta Lara).
_Porque nós nunca espelhefomos espelhemelhores do que espelheninguém! Adeus, Lara!
Ao tentar saltar do terceiro andar Lara tentara segurar-lhe pela mão firmemente na tentativa de impedi-lo, no entanto Espelix foi mais rápido e então atirou-se do último andar da fábrica. Lara estava observando de cima enquanto Espelix caía em direção ao chão duro e rochoso.
As lágrimas de Lara estavam caindo no mesmo ritmo que Espelix caía até o momento em que ele caiu no chão transformando-se em minúsculos pedaços de vidro. Espelix havia deixado os cacos de seus pais no terceiro andar onde Lara estava.
Ao ver que Espelix dormia para sempre Lara foi até onde Espelix deixara os cacos de seus pais e os pegou com as duas mãos.
_Que a Imaginação o preserve do lugar de onde você veio!
Então Lara despejou os cacos da mão direita e depois os cacos da mão esquerda. Na mão direita estavam os cacos do pai de Espelix e na mão esquerda estavam os cacos da mãe de Espelix. Os outros moradores da cidade foram até onde os cacos de Espelix estavam e depois voltaram cada um para o seu afazer individual.
Então, outro terremoto sobreveio pela terceira vez. Lara começou a descer os degraus em direção ao segundo e ao primeiro andar da fábrica. Mesmo em tamanha agonia Lara não deixava de contar degrau por degrau. Ao sair da fábrica Lara se afastou à uma distância de sete metros.
O terremoto foi tão cataclísmico que a fábrica foi de chão abaixo. Até os reflixis perturbaram-se com a situação. Depois de dois minutos o restante da cidade tornou-se tal qual um copo de vidro estilhaçado.
Depois de todo o alvoroço Lara foi até onde estavam os cacos de vidro e os levou para fora da cidade. Ao chegar ao lugar onde Lara tinha a pedra que ela retirara, Lara colocou os cacos de Espelix dentro daquele buraco que ela mesma cavara.
Então Lara retornou à cidade. Ao retornar, Lara percebeu que não havia ninguém além dela naquela cidade. Lara não sabia o motivo de não haver mais nenhum reflixis na cidade, pois ela não sabia que os que sobreviveram abandonaram sua terra natal. Ao ver que estava sozinha sem ninguém por perto, Lara começou a se desesperar-se.
O que Lara não fazia ideia era que em questão de poucos minutos aquela cidade que antes era bonita estava prestes a sumir do atenalp.
Capítulo 4
(Mais Mistérios)
Percebendo que não havia ninguém mais além dela mesma naquela cidade que já era esquisita por si só, e que agora ficara mais esquisita ainda, Lara caminhou em direção à fábrica que outrora estava de pé. Não se sabe o porquê, mas Lara sentia que iria precisar daquele martelo que ela mesma deixara na fábrica antes do terremoto. Ao aproximar-se dos cacos que sobraram da fábrica, ela foi espalhando cuidadosamente com os pés, afastando os cacos grandes dos pequenos.
Ao encontrar o martelo, o qual fora feito por Miaclabut, Lara o pegou. Ao tocar no martelo, o martelo transformou-se em um cordão de ouro com um pingente no formato de um martelo. Lara ficara impressionada ao ver tamanha coisa. Então ela colocou o cordão de ouro em seu pescoço. Depois de ter colocado o cordão, eis que mais um terremoto se aproximava. Evidente que Lara se desesperou.
_Ai, Carambolas! Pra onde eu vou agora?
Então Lara caminha para a estrada da cidade. Ao ver que qualquer tentativa seria em vão, Lara fica mais desesperada ainda.
_Carambolas! O que hei de fazer agora?
Para a sorte de Lara, a escada de vidro ainda estava entre o topo e o fundo, perto de onde ficava a casa de Miaclabut. Então Lara desceu pela escada contando os degraus. Ao chegar na parte de baixo ela segurou a escada com as duas mãos com muito cuidado e colocou-a na direção que levava até sua terra natal.
Fazendo isso, ela subiu degrau por degrau, contando novamente, até chegar ao topo. Depois que ela chegara ao topo, a Cidade dos Espelhos Quebrados afundou-se completamente chão abaixo. Lara observava atentamente a cidade, agora demolida, por um grande e terrível terremoto.
_Eu não queria que ninguém se machucasse! Carambolas!
Depois que o terremoto cessou, ela virou-se para a sua cidade e sentiu tamanha alegria por estar de volta à sua cidade. No entanto, havia algo estranho. Lara estava sentindo um mau cheiro, como se alguma coisa estivesse pegando fogo.
_Mas o que será que está pegando fogo?
Lara estava bastante curiosa para saber o que estava acontecendo. Então ela prosseguiu caminhando em direção à sua casa. Ao chegar ao lugar onde ficava sua casa, Lara foi tomada por um susto enorme, pois sua casa estava em chamas. A menina começou a chorar copiosamente.
_Carambolas com uvas verdes! Porque isso está acontecendo comigo? O que eu fiz de errado? Eu não estou entendendo mais nada!
Para a terrível tristeza da menina, sua casa estava se transformando em cinzas. E não somente a sua casa que era uma biblioteca feita de papel, como também os baldes, e também todos os livros, dos quais ela gostava. Então Lara caminhou em outras direções.
_Alguém me ajude! Alguém me ajude a apagar o fogo que está consumindo a minha casa!
Então Lara gritou mais alto.
_Carambolas! Alguém, por favor me ajude a apagar o fogo!
No entanto, ninguém respondera, pois Lara até então não sabia que não havia ninguém na cidade que pudesse socorrê-la. Nem mesmo os animais que viviam na cidade estavam lá para socorrê-la. Ao ver que suas tentativas de buscar por respostas foram inúteis, ela descalça seu pé esquerdo e retira a chave de dentro do sapatinho. Então ela jogara a chave dentro daquele fogo enorme que se apossara-se de sua casa. Lara ficara mais confusa do que de costume, pois a cidade estava deserta e a garota estava mais uma vez sozinha. Lara não gostava de ficar sozinha, a não ser nos momentos em que ela estava lendo seus livros.
Então, eis que começa a chover bruscamente.
_Agora que a minha casa está em chamas não adianta mais!
Lara correu em direção à uma das casas que estava mais próxima dela, pois a carta que Aznic havia escrito ainda estava com ela. Lara pegou alguns baldes que estavam na casa e os colocou do lado de fora para que as gotas da chuva enchessem os baldes. Depois de um certo tempo, a chuva cessou e então ela saiu daquela casa e caminhou em direção ao lugar onde ficava a casa de Aznic antes de ser levada pelo vendaval.
Chegando lá, Lara se abaixa para olhar pelo buraco que havia naquele piso de madeira que ficara depois do vendaval. Lara não conseguiu enxergar.
_Carambolas! Se eu tivesse algum modo de arrancar essas tábuas. Então Lara lembrara-se do martelo que ela pegara na Cidade dos Espelhos Quebrados.
_Carambolas! Acho que já sei!
Lara tocara no pingente que tinha a forma de um martelo e então o cordão se transformara em um martelo. Lara segurou a ferramenta e bateu com ela nas tábuas de madeira quebrando-as a ponto de abrir o piso de madeira. Depois de abrir o piso de madeira, ela enxergou um espelho enorme no fundo do solo. Lara tentou puxar o espelho para fora, mas não conseguira. Então ela entrou no buraco.
_Puxa! Ainda bem que o ASTRO-REI sempre está aceso! Só assim eu posso enxergar! Mas espera aí! Enxergar o quê? Apenas o meu reflexo?
Lara ficara raciocinando durante alguns minutos. Depois de um certo tempo ela tirou a carta com as letras esquisitas e colocou o papel de frente ao espelho. As palavras esquisitas que estavam escritas na folha de papel eram mais ou menos assim:
!amixorpa es oãdirucse A .opmet siam áh oãN
.zov met oãn euq o omoc áres alaf meuq e
,essiv oãn es omoc áres êv meuq siop ,ragrexne redop adan ed áratnaida oãn e ocuop mu
siaM .edadlam arup ed mébmat e opmet ed
oãtseuq amu sanepa É.odidrep áratse odut
,arutla atse A .soiehla sovarcse e somsem són
ed sovarcse someres soviv somrevitse otnauqnE
.onrete onos oa sotiejus somatse sodot edno
,socarf sod oãçaroc o ecergene ohlugro o e
ecerucse ohnimac o, ecelaverp edadlam a
somatibah sodot edno arefse atseN
Lara esperava que aquele espelho traduzisse num piscar de olhos as palavras que estavam escritas naquela bendita folha de papel escrita à mão por Aznic.
_Carambolas com uvas verdes! Porque este espelho não traduz esta carta?
Lara esperou mais um pouco, mas não teve êxito.
_Carambolas! Que orquídeas está acontecendo?
Então Lara tentou levantar o espelho para ver se tinha algo na parte de trás. Na parte de trás do espelho havia uma pequena inscrição acompanhada de um desenho. A inscrição era uma palavra de um idioma do qual era falado a três milênios atrás. A seguinte inscrição era EPHALORIFATIHAS. Uma espécie de “palavrinha mágica”. O desenho que acompanhava esta inscrição era de um espelho quebrado.
_Será que eu devo quebrar o espelho para conseguir traduzir esta carta? (perguntou Lara a si mesma).
Então Lara deitou o espelho no chão e começou a pisar em cima dele. As primeiras rachaduras foram surgindo, no entanto, o espelho reconstituiu-se, voltando assim a ficar em perfeito e completo estado.
Lara ficara aborrecida e começara a pisar novamente em cima do espelho. Para o seu descontentamento, Lara não obteve sucesso. Então Lara lembrara-se de uma história que ela lera. Tratava-se de um livro que contava a história de uma bailarina que saia pelas ruas de sua cidade dançando e saltitando de alegria. Essa dançarina tinha um amigo que aprendeu a dançar juntamente com ela. Só que no final da história os dois tiveram de se separar. A dançarina permaneceu em sua cidade, enquanto seu amiguinho viajou de barco para uma terra distante.
A dançarina ficou muito conhecida, de modo que o rei daquele país a chamara para dançar diante dele. Para a sorte da dançarina, o seu amigo retornara daquela terra tão distante, pois o rei o chamara de volta para que ele ficasse ao seu lado, pois ele era o conselheiro do rei, alguém muito importante. Ao ver o amigo que outrora estava distante a muito tempo, a dançarina dançou com mais entusiasmo ainda.
Não apenas o rei se alegrou com a dança que ela apresentara como também os súditos de seu palácio. A dançarina apaixonou-se pelo seu amigo e eles se amaram dia após dia. No entanto, certa vez a dançarina foi até o celeiro para ver como estavam os animais. Ao tentar montar em um cavalo o animal dera um coice em sua garganta.
O namorado, outrora amigo da dançarina buscou os melhores médicos do país para ajudarem a dançarina a falar, pois o coice fora dado com tal força que derrubaria uma parede feita de aço. Ao ver que suas tentativas eram inúteis, o namorado da dançarina deixou o seu cargo, abandonou sua profissão, e dedicou-se a estudar medicina. Embora ele não tenha descoberto nenhuma forma de fazer com que sua amada voltasse a falar, todos os dias sua amada dançava à tarde.
E quando ela dançava todos os moradores daquela região iam para ver a querida dançarina dançando com formosura e graciosidade. É certo que eles não viveram pra sempre, porém, é possível afirmar que eles viveram felizes.
Este livro que Lara havia lido se chamava A Dançarina Feliz. Ao acabar de se lembrar, Lara recobrou os ânimos e começou a dançar graciosamente em cima do espelho. À medida que ela ia dançando, o espelho reluzia mais e mais, até que a luz que emanava do espelho afligisse os olhos de Lara. E de que forma Lara saberia o que estava escrito na carta de Aznic, se a luz que saia do espelho não lhe permitia enxergar as verdadeiras palavras que estavam escritas?
_Carambolas! É muito luminoso para os meus olhos! Como saberei o real significado destas palavras?
Então Lara parou de dançar e guardou a carta dentro do sapatinho do pé esquerdo. Lara foi caminhando pelas ruas, entrando de casa em casa. Já que nenhum dos moradores da Cidade sem Nome estava lá para reclamar com ela, Lara estava decidida a procurar algo que fosse de suma importância para suas buscas. Lara encontrara uma escada no quintal de Odiloroc, seu amigo, e levou-a de casa em casa.
Lara havia subido em várias casas no intuito de avistar algo que lhe despertasse a curiosidade. Ao descer da escada, ela percebeu uma coisa que atiçou-lhe bastante a curiosidade. Havia uma pena de urubu no meio da rua.
No entanto, a pena não era preta como as penas de Urubuzimbo. A pena era branca. Ao tocar na pena, a pena branca transformou-se em um pingente de ouro na forma de uma pena. Então Lara adicionou o pingente ao cordão de ouro. Mesmo assim, Lara se perguntara se haveria alguma cidade com urubus brancos. Sendo assim, ela começou a imaginar que não deveria ter deixado a pena preta que Urubuzimbo deixara na Cidade dos Espelhos Quebrados. Então Lara cantou novamente a canção mágica que trazia as coisas perdidas de volta.
“Ventos que assopram
ventos que levam
trazei de volta
os que não se negam
a desvendar
o segredo dos mistérios”
Para a sorte de Lara, a canção mágica fizera efeito em dobro, pois o vento norte trouxera a pena preta de Urubuzimbo, e o vento oeste trouxera a chave que abria a porta da casa de Aznic.
_Mas, porque esta chave veio parar em minhas mãos? (perguntou Lara a si mesma).
Então a menina usou a pena para coçar o ouvido esquerdo e depois o ouvido direito. Então Lara escondeu a pena em seu sapatinho do pé direito. Ela seguiu em direção ao mesmo lugar onde ficava a casa de Aznic.
_Será que desta vez eu conseguirei? (perguntou Lara a si mesma).
Lara entrou pelo buraco onde estava o espelho e novamente começou a dançar sobre ele. O espelho começou a reluzir. Então nesta hora Lara introduziu com certa força a chave no espelho. O espelho repeliu a chave arremessando-a para bem longe. A chave voou a mais ou menos trinta metros.
Então Lara guardou a carta dentro do sapatinho esquerdo e saiu do buraco indo na direção na qual a chave fora arremessada. Ao encontrar facilmente a chave, Lara pegou-a e então sentiu uma sensação esquisita.
Era como se a chave não quisesse sair da sua mão. Lara tentara várias possibilidades de se desapegar da chave, mas quanto mais ela tentava, mais a chave se apegava à sua mão. Ao tentar tirar com a outra mão, a mão apegou-se de igual modo, de maneira que era quase impossível desapegar-se da chave. Então a chave arrastou o corpo de Lara para o fundo da piscina que havia no quintal da antiga casa de Aznic. Para a sorte de Lara a piscina estava vazia. Lara não entendia porque a chave tinha vontade própria, mas algo de intrigante a levara para o fundo da piscina.
Talvez tenha sido por isso que Lara tenha se deixado levar pela chave. A chave que abria a casa de Aznic era uma chave de quarenta centímetros de altura e seis de largura. Uma chave bem grande e pesada, de fato. Depois de chegar ao fundo da piscina, a chave finalmente desapegara-se de suas mãos delicadas. A chave ficou apontada para baixo.
Mas o que poderia haver de tão interessante por baixo da piscina? Lara não havia estudado Biologia, mas ela sabia que o solo era um baú cheio de tesouros. Lara saiu da piscina em busca de algum instrumento pesado para poder quebrar o fundo da piscina. De tanto procurar, Lara voltara ao mesmo local. A chave ainda estava lá, apontando para baixo.
_Carambolas com milho de pipoca! O que eu devo fazer agora? Santa Imaginação!
Depois de ficar certo tempo imaginando o que ela iria fazer, Lara recordara-se de que ela tinha um martelo à sua disposição.
_Carambolas, porque eu não pensei nisso antes?
Então Lara tocara no pingente do martelo e então o pingente se transformara na ferramenta desejada. Agora sim Lara podia quebrar o piso do fundo da piscina de Aznic. Ao terminar de quebrar o piso, a chave parou de apontar para baixo e caiu no chão, pois Lara fizera apenas um buraco no fundo da piscina. O martelo voltara a transformar-se em um pingente. Lara colocou-o de volta no cordão de ouro. Ela ficou com receio de entrar, pois não fazia ideia do que havia ali embaixo.
Então ela foi até onde a chave estava e então ela percebeu que havia uma frase escrita na chave. A frase que havia na chave era: Iatrepsed arap a zul.
Mesmo não sabendo do que se tratava Lara pronunciara a frase. Então um caixão de cor prateada saiu de dentro do buraco. Lara não sabia o que era exatamente um caixão, mas ela estava fascinada pela beleza daquele objeto.
O caixão era feito de prata. A porta do caixão se abria lentamente, de modo que dava para ver quem, ou o que estava dentro dele. Ao ver que era uma mulher adulta, Lara se encantara com a aparência dela, pois a mulher que estava no caixão tinha cabelos pretos longos, pele branca, lábios vermelhos.
Ao abrir os olhos, a mulher saiu de maneira graciosa do seu caixão e então olhou com um sorriso malevolente para Lara.
_Por acaso você é a Imaginação? (pergunta Lara com brilho nos olhos).
A mulher se admirou com a pergunta de Lara e então olhara para o ASTRO-REI. Depois de um certo tempo ela respondeu-lhe.
_SIM! EU SOU!
Então Lara corre em direção à mulher e abraça-a.
_Carambolas! É tão bom te conhecer! Eu sempre acreditei em você, mas os reflixis que agora estão dormindo para sempre nunca acreditaram em você (pois Lara não sabia que alguns reflixis haviam fugido para outras terras).
Então a mulher se abaixou para encarar Lara nos olhos e lhe disse.
_Os reflixis eram seres bobos que trabalhavam por coisas bobas.
_É, mas eles não prestavam atenção no que eu dizia! (retrucou Lara).
_Pois é! Nem todos os seres deste atenalp são iguais! Você não concorda? (perguntou a mulher).
_Sim! Claro que sim! Puxa! Carambolas! Eu te amo, Imaginação!
Então a mulher abraça Lara e diz.
_Eu também te amo!
Lara ainda não estava acreditando que ela realmente estivesse cara a cara com a própria Imaginação, coisa que ela vinha esperando desde que ela surgiu neste atenalp.
_Você sabe onde Aznic está? (perguntou Lara sorrindo para a Imaginação).
_Claro que eu sei, minha bela flor! (respondeu a Imaginação).
_Em que tipo de lugar Aznic está? (pergunta Lara com o sorriso até as orelhas).
_Ele está em uma cidade chamada A Cidade de Gelo.
_Mas, porque ele foi pra lá? (pergunta Lara).
_Você é muito esperta, Lara! (exclamou a Imaginação passando a mão de forma carinhosa em sua cabeça).
_É que eu sou muito curiosa! (exclamou Lara sorrindo exageradamente).
_Bem... Aznic foi até essa cidade porque ele se cansou de cuidar da Cidade dos Espelhos Quebrados.
_Será que isso explica o fato de ele ter desaparecido da Fábrica dos Espelhos Incompletos?
_Ele desapareceu da fábrica, foi isso? (perguntou a Imaginação meio que sem jeito).
_Sim, ele desapareceu assim do nada! Achei que você já soubesse! (retrucou Lara com um tom de indignação).
_É que eu fiquei durante muito tempo dormindo neste caixão de metal! (respondeu a Imaginação meio sem jeito).
_E o que é caixão? (perguntou Lara coçando a cabeça).
_Bem... como eu poderia explicar? É... caixão é uma cama na qual os seres especiais ficam dormindo!
_E o que são seres especiais? (novamente pergunta Lara).
_São seres que tem um tipo especial de habilidade ou poder.
_Então eu sou um ser especial?
_Claro que você é! Você tem uma beleza que desperta admiração só de olhar para você, meu doce!
_Aznic é um ser especial?
Então a Imaginação toca no rosto de Lara e lhe diz.
_Uma coisa de cada vez! Certo?
_Certo! (respondeu Lara olhando nos olhos dela).
A Imaginação olhou para as nuvens e ficou bastante pensativa. Enquanto isso Lara ficara apenas olhando e admirando sua enorme beleza, pois Lara nunca havia visto tamanha beleza em uma pessoa tão admirável. Então a Imaginação parou de olhar para as nuvens e caminhou em direção ao caixão de metal. Ao tocar o caixão de metal, o caixão transformara-se em um cordão de prata com um pingente no formato de caixão. A Imaginação colocou o cordão de prata em seu pescoço. Lara ficara impressionada, pois ela achava que somente ela pudesse fazer isso.
_Carambolas! Isso foi muito impressionante! (exclamou Lara).
_Pois é! Vejo que você também tem um cordão, não é? (perguntou a Imaginação).
_Sim, mas eu tenho dois pingentes! Um deles se transforma em um martelo, e o outro se transforma em uma pena branca! Ah, e eu estou com uma das penas de Urubuzimbo dentro do meu sapatinho direito.
_O quê? Urubuzimbo ainda está vivo? (perguntou a Imaginação com tamanha curiosidade).
_Até onde eu sei, sim! Foi ele quem engoliu a chave de vidro que abria a porta do terceiro andar da fábrica!
_E você chegou a vê-lo? (perguntou a Imaginação).
_Não! (respondeu Lara).
Então a Imaginação olhara novamente para as nuvens.
_Porque você olha tanto assim para as nuvens? Não foi você quem as inventou? (perguntou-lhe a menina).
_Ah, sim... é que elas são muito bonitas! (respondeu a Imaginação).
_Esquisito! (exclamou Lara).
_O que é esquisito? (perguntou a Imaginação).
_Os moradores desta cidade me disseram que você só poderia ser encontrada acima das nuvens! Só que eu encontrei você de baixo! Não é esquisito? (perguntou Lara).
_Na verdade os moradores mentiram pra você! Eu moro embaixo do atenalp!
_E o que tem embaixo do atenalp? (perguntou Lara).
_As coisas mais beleas que nenhuma alma vivente jamais imaginou! (respondeu a Imaginação).
_Carambolas! Me leva para baixo, por favor! Eu gostaria de conhecer as maravilhas lá embaixo! Me leva! (Lara pediu-lhe com tamanho brilho nos olhos).
_Ainda não! (respondeu a Imaginação).
_E, porque?
_Ainda tenho algumas coisas para resolver. Depois que eu terminar irei mostrar-lhe as maravilhas que só existem lá embaixo, certo? (disse a Imaginação acariciando o rosto dela).
_Certo! (respondeu Lara com tamanha alegria).
_E então? Você quer vir comigo até a Cidade de Gelo?
_Sim! Sim! Mas espere um minuto! Eu vou sentir muito frio! (retrucou Lara).
_Não se preocupe! Eu vou guardar você aqui dentro do caixão de metal e depois disso, tanto o caixão como você vão estar encolhidos!
_Mas, e o meu cordão de ouro com os meus pingentes? (perguntou Lara).
_Entregue-os a mim, e eles estarão seguros! Vejo que você está precisando de um bom e duradouro cochilo! É bem quentinho dentro do meu caixão!
_Tudo bem! Eu confio em você! (exclamou-lhe Lara).
_Eu sei que você confia!
Então Lara entregou-lhe o cordão de ouro para a Imaginação. A Imaginação colocara o cordão de ouro juntamente com os pingentes em seu pescoço. Então a Imaginação tocara no pingente que tinha o formato de caixão. O pingente se transformara num caixão de prata.
_Pronto! Agora é só entrar!
Lara entrara de bom grado.
_Quando é que eu posso sair daqui? (perguntou Lara).
_Basta você me pedir e eu escutarei a sua doce voz dentro da minha cabeça! (respondera a Imaginação).
_Tudo bem!
Então Lara entrou no caixão prateado. A Imaginação fechara o caixão e o transformara num pingente. Feito isso, a Imaginação foi até onde a chave enorme estava e a transformara em um pingente. Depois disso, a Imaginação adicionou o pingente ao cordão dourado de Lara que estava em seu pescoço. Pela terceira vez a Imaginação olhou para as nuvens.
_Tenho de fazê-lo antes que seja tarde.
Lara estava cochilando dentro do caixão prateado da Imaginação. Evidentemente ela não sabia quando iria acordar, mas uma coisa era certa. Algo estava errado com o atenalp. A Imaginação começou, então, a caminhar em direção à Cidade de Gelo. Mas como chegar lá, se não havia nenhuma ponte que a levasse até lá? A Imaginação faz com que suas asas aparecessem. Então Lara voou juntamente com a Imaginação em direção à tão esperada Cidade de Gelo. Coisas novas estavam para acontecer. Lara sempre teve a enorme capacidade de roubar a simpatia de quem quer que fosse. Ela sabia que a vida era algo precioso. Uma dádiva que só poderia ser dada pela própria Imaginação. Lara estava certa de que estava em bons braços, e que não iria frustrar-se por nada que lhe acontecesse. Apesar de a casa de Lara ter sido queimada, ainda não sabemos por quem, ela havia preenchido essa lacuna ao ter visto a própria Imaginação.
Sendo assim, a jornada de Lara segue em frente. E mesmo Lara ficando em segundo plano, ela não deixava de ser tão importante no que desrespeita ao que está por vir.
Capítulo 5
(O Preço de uma Verdade)
Ao chegar à Cidade de Gelo, a Imaginação foi avistada de longe pelos cúbix, seres feitos de gelo. A Imaginação realmente estava decidida a entrar. Vendo que seria em vão impedir que a Imaginação entrasse, os cúbix permitiram que ela entrasse, e assim abriram os portões glaciais.
Ao adentrar a cidade, a Imaginação olhara novamente para as nuvens. Caminhando com tamanha paciência, a ela seguiu em direção ao Castelo Glacial. Ao entrar no castelo, os súditos direcionam seus tridentes de gelo para a Imaginação, porém, a Imaginação nada dissera, e assim continuou andando em direção ao topo do castelo.
Os súditos nada fizeram, pois sabiam quem era a Imaginação e a grandiosidade do seu poder. Chegando ao topo do castelo, ela encontrou aquele que talvez pudesse ajudá-la. Tratava-se nada mais, nada menos de Glácius, o rei da Cidade de Gelo.
Glácius era um homem de pele azul, dedos grandes, olhos azuis, e dois metros e meio de altura. Ele usava uma armadura toda feita de gelo. Até sua espada era feita de gelo. Segundo os moradores da Cidade de Gelo, a espada de Glácius era tão poderosa que tudo aquilo que ela tocasse viraria gelo em questão de segundos. Exatamente por isso Glácius era tão respeitado pelos cúbix.
_Para que você veio? Não foi o bastante todo o tempo em que você passou confinada dentro de um caixão? (perguntou-lhe o rei).
_Eu não sou efêmera. Sou uma raridade entre os seres deste atenalp. Mas você certamente deve ter esquecido da virtude que ela dera a você? Ou por acaso você esqueceu? (perguntou a Imaginação).
_Evidente que não! Sem ela eu seria...
_O quê? (interrompeu a Imaginação).
Glácius ficara sem resposta.
_Diga-me! O que você seria sem ela? Um rato morto? Um cão desvalido? Pois saiba que cada ser deste atenalp pode ser o guia de si mesmo. Basta querer! Basta olhar-se no espelho, e você saberá quem é de verdade! Quem precisa dessas coisas? Ainda é muito cedo para fazer julgamentos!
Glácius ficou olhando para a Imaginação com uma expressão de desconfiança.
_Sabe muito bem pra quê eu vim, não sabe? (perguntou a Imaginação).
_Eu sei muito bem para que você veio, mas se pensa que vou entregá-la para você, está loucamente equivocada! (gritou o rei Glácius).
_Não seja criança! Não é da sua espada ridícula que eu estou falando! De que ela me serviria? Bastaria eu sair desta cidade e ela derreteria com o vasto calor do ASTRO-REI! (disse a Imaginação).
_Então do que você está falando? (perguntou o rei).
_Estou falando daquela que está escondida debaixo deste castelo. Aquela que roubou o seu coração. Aquela que alimentava seus sonhos e sentimentos de bondade, mas que quando dormiu para sempre o seu coração esfriou-se a ponto de congelar e não sentir mais nenhum sentimento de bondade. Foi a partir daí que você se tornou o rei de uma cidade cheia de seres horrorosos e sem emoções que lhe trouxessem conforto e alegria. Vamos! Confesse que você preferiria ser o homem de antes do que esta aberração na qual você se tornou. (exclamou a Imaginação em alto e bom som).
Então Glácius deu um grito de tal maneira que até os moradores da Cidade de Gelo escutaram. Glácius puxara sua espada e seguiu em direção à Imaginação. Então ela mostrou suas asas para Glácius e bateu-as fortemente, de maneira que Glácius voara em direção à parede do castelo debatendo-se a ponto de largar sua espada. A Imaginação caminhou em direção a Glácius e pegou-lhe pelo pescoço, erguendo-o para cima.
_E então? Vai me dizer onde ela está? (pergunta a Imaginação).
_Esqueça! Você pode liderar a minha cidade, mas eu não direi onde ela está! (exclamou o rei).
_Pare com essas bobagens! Eu só quero saber como chegar até lá! E eu não quero a sua cidade! Vocês são um bando de aberrações pra mim! (replicou-lhe a Imaginação).
_Não direi! Jamais direi a você como chegar até ela!
_Você sabe melhor que eu que a sua espada congela qualquer coisa que ela tocar, não sabe? E se eu ferisse você com ela? (perguntou a Imaginação).
_Experimente para ver! (replicou).
Então a Imaginação jogou o rei Glácius para longe. Enquanto isso, a Imaginação pegara a espada e ficara olhando para ela. Glácius tentou levantar-se devagar. A Imaginação correu em direção ao rei para atingi-lo com a sua própria espada, no entanto, a lâmina de gelo quebrara-se, tornando-se em pedaços. A Imaginação ficara imóvel, sem o que dizer. Ao terminar de se levantar, Glácius pegou-lhe pelo pescoço e a derrubou por terra. O rei deu-lhe o primeiro soco, o segundo soco, o terceiro soco, até que a Imaginação ficasse encostada no chão.
_Você pensou que eu fosse tolo? A lâmina se quebra quando é direcionada para o seu verdadeiro dono. Certamente você não sabia deste pequeno detalhe! Agora me diga! Quem é o tolo agora?
A Imaginação estava desmaiada naquele chão gélido e frio.
_Você e aquele inseto não serão capazes de impedir os desígnios dela! Você pode percorrer o atenalp inteiro, mas de nada adiantará. (exclamou-lhe o rei).
Então o rei Glácius chamou seus súditos e ordenou-lhes que acorrentassem as mãos da Imaginação.
_Meus súditos! Acorrentem bem as suas mãos! Não deixem que esta aberração se liberte!
Depois de acorrentarem as mãos da Imaginação, os súditos jogaram-na no Calabouço Glacial. Lá estavam algumas criaturas congeladas. No entanto, o ser que a Imaginação estava procurando não estava lá. Enquanto isso, o rei pediu a um dos seus súditos que levasse a sua espada a um espadim. Depois de um certo tempo, o espadim mandou a espada do rei, e eis que estava restaurada como antes.
Glácius sentou-se em seu trono de gelo. Então um corvo aproximou-se voando em sua direção. Ao pousar sobre o ombro direito do rei o corvo lhe disse.
_Trago notícias da Terra Distante!
_Boas, ou ruins? (perguntou o rei).
_Depende! (disse o corvo).
_De quê? (perguntou o rei).
_Depende do que eu vou dizer para o rei! (respondeu o corvo).
_Vamos! Fale de uma vez! (disse o rei).
_Pois bem! Por lá não há ninguém! (disse o corvo).
_E desde quando isto é sinal de más notícias? (perguntou o rei).
_Espere, eu ainda não disse o restante! (exclamou o corvo).
_Então fale logo! Minha paciência já está se esgotando! (exclamou o rei).
_Pois bem! O espelho ainda está por lá!
_E que perigo isso representa?
_O espelho tem o poder de fazer com que o ASTRO-REI fique mais quente! Isso faria com que os cúbix viessem a derreter-se a ponto de virarem fumaça! Até a vida do rei estaria em risco!
O rei ficara meio pensativo e então tomou uma decisão.
_Não se preocupe que com o restante cuido eu! (exclamou o rei).
_Certo, meu rei! Estou de acordo!
Então o corvo saiu voando novamente em direção à Terra Distante. O rei convocou a matilha de lobos, e então a matilha apresentou-se perante o rei. Então o líder da matilha abaixou a cabeça em sinal de reverência e disse-lhe.
_Estamos aqui para servi-lo! Qual é a ordem do rei? (perguntou o líder da matilha).
_Quero que vocês evacuem a cidade! Aqui não será mais a moradia de vocês! (disse o rei).
_E para onde devemos ir? (perguntou o líder da matilha).
_Vocês viram o corvo voando por este céu gélido? (perguntou o rei).
_Sim, nosso rei! Nós vimos! (respondeu o líder da matilha).
_Sigam o corvo e vocês chegarão ao lugar onde eu e os moradores desta cidade em breve estaremos. (respondeu o rei).
_Sim, senhor! Estamos aqui para servi-lo, nosso rei!
Então o líder saiu juntamente com a matilha na mesma direção para onde o corvo estava indo. Esta não era exatamente a vontade de Glácius, pois esses planos não faziam parte de sua mente. Ao ver a matilha correndo em direção ao corvo pelo chão gélido Glácius ficara um pouco pensativo sobre o que ele deveria fazer com a Imaginação.
_Agora sei o que hei de fazer a essa aberração da natureza! (disse consigo mesmo).
O rei desceu em direção ao calabouço. Ao chegar ao lugar onde ela estava, o rei olhou atentamente para atentamente. Ela estava debatendo-se entre as correntes, na tentativa frustrada de sair.
_Agora você sabe quanto vale a liberdade, não é? (perguntou o rei olhando fixamente em seus olhos).
_Você não tem ideia do que está prestes a acontecer! (disse-lhe).
_Você acha que eu não sei? (perguntou o rei com um tom de ironia).
_Quem foi que disse a você? (perguntou a Imaginação ao rei).
_Ela! A própria! Eu pensei que você já soubesse disso! (respondeu novamente o rei com um tom de ironia).
_As notícias correm mais rápido do que eu imaginava! (disse a Imaginação olhando para a esquerda).
_Pois é! Eu tenho vários aliados ao meu serviço! Sou um rei muito respeitado!
_Apenas aqui na sua terra natal! (disse a Imaginação sorrindo sarcasticamente para o rei).
_É! Você tem razão! Lá fora a minha reputação não é das melhores! É por isso que eu criei o meu próprio exército!
Então Glácius começou a gargalhar em voz alta. Enquanto ele gargalhava, ela fitou-lhe os olhos como o olhar de uma cobra que tenta seduzir sua própria presa. Então ela disse-lhe com uma voz sedutora.
_Beije-me!
Glácius esperava ouvir qualquer insulto dos lábios da Imaginação, mas não esperava ouvir tais palavras da boca dela.
_O quê? (perguntou o rei).
_Não meu ouviu? Beije-me! (exclamou a Imaginação).
_Está louca? Eu a desprezo com todas as minhas forças! Seria mais fácil cravar a minha espada no seu coração apodrecido! (exclamou o rei).
_Porque você não tenta? (disse-lhe a Imaginação).
O rei começara a irritar-se.
_Não zombe de mim! Sou muito mais poderoso que qualquer ser vivo deste atenalp.
Então o rei puxou a sua espada da bainha e meteu-a com toda a força entre os seios da Imaginação. A Imaginação ficara encostada na parede devido ao golpe que o rei lhe dera. Depois de alguns segundos a Imaginação ergueu a cabeça e disse para o rei.
_Seu rei fraco e tolo!
O rei ficara pasmado diante da Imaginação.
_Eu não tenho coração, seu rei ridículo!
Então a Imaginação olhou fixamente nos olhos do rei, dizendo.
_Isso! Não resista!
O olhar da Imaginação era tão penetrante que chegara a seduzir até mesmo a própria Lara. O rei se sentira tão atraído pelo olhar sedutor da Imaginação que acabou por beijá-la. O beijo fora suavemente dado, porém o rei acabara sendo congelado pelo próprio beijo que ela lhe dera, pois ele não sabia que a Imaginação fora o primeiro ser vivo com a habilidade de dominar o gelo. Depois de tê-lo congelado, a Imaginação quebrou as algemas e retirou a espada de gelo com suas próprias mãos.
_Isso é o que acontece quando um rei se deixa-se dominar pela própria soberba. Os reis não passam de um bando de tolos que olham o próprio reflexo no espelho e depois se esquecem de como realmente são.
Como não havia nenhum súdito que estivesse dentro do calabouço, a Imaginação usou a espada do rei para quebrar o ferrolho do compartimento onde ela estava. Ao chegar na parte de cima do castelo, ela se deparou-se com os súditos do rei. No entanto, eles estavam virados de costas, de maneira que nenhum deles conseguia enxergá-la.
A Imaginação tinha vários planos em mente, mas ainda não era a hora para executá-los. Sendo assim, ela caminhou em direção ao topo do Castelo Glacial sem ser percebida. Ao chegar ao topo, ela caminhou em direção ao trono. No trono havia uma inscrição feita pelas próprias mãos de Glácius. A inscrição dizia a seguinte frase:
Longe jaz
o corpo em paz
livre da dor
porém, isento do amor
Então a Imaginação perguntara a si mesma.
_Ela não está guardada aqui! Seria óbvio demais para um enigma tão bem elaborado.
Sendo assim, ela quebrou a lâmina da espada arremessando-a contra o trono, pois de nada mais serviria o uso da espada do rei daquela cidade. Ao quebrar o trono por ter arremessado a espada, ela saiu voando pela janela do castelo em direção à cidade de Lara. Os cúbix perceberam que a Imaginação estava sobrevoando o imenso céu azul. Sendo assim, eles arremessaram seus tridentes glaciais em direção à Imaginação na tentativa de acertá-la, porém, ela desviou-se de todos os ataques ziguezagueando pelo céu.
Depois de se esquivar dos tridentes glaciais, ela prosseguiu rumo à cidade de Lara. Os cúbix começaram a sair da Cidade de Gelo, pois eles já haviam sido ordenados pelo rei para irem Á Terra Distante, que na verdade era A Cidade sem Nome. Todos os cúbix e os súditos do rei, que também eram cúbix, porém mais fortes do que os cúbix normais, todos eles evadiram a cidade, seguindo o rumo do qual a Imaginação estava tomando.
E como eles chegariam até à cidade de Lara, se o caminho que entre A Cidade de Gelo e A Cidade sem Nome havia um rio chamado aissevart? Esta é uma dúvida bastante intrigante que deixaremos para depois.
Depois de um certo tempo, a Imaginação retornou para a cidade de Lara, ao mesmo lugar onde Lara a encontrara.
Porém, havia uma surpresa bastante desagradável quanto às expectativas da Imaginação, pois ela não imaginava que o corvo e a matilha que serviam a Glácius, o rei, estivessem lá.
_Não imaginou que estivéssemos aqui, não é? (perguntou o líder da matilha).
_Pois bem! Aqui estamos! E você já nos conhece desde que ela se importava com você! (disse o corvo para a Imaginação).
_Vocês o traíram, não foi? (perguntou a Imaginação para o corvo e a matilha).
_Nós não traímos ninguém! Apenas servimos ao nosso rei Glácius! Diferente dele, o senhor nosso rei nos ofereceu abrigo e proteção! (disse o líder da matilha).
_E qual é o pássaro, ou o lobo que não quer abrigo e proteção? (perguntou o corvo para a Imaginação).
_Vocês todos são seres desprezíveis! Não achei que vocês se venderiam por tão pouco! Isso prova que vocês só pensam no hoje, mas não pensam no amanhã. (disse-lhes a Imaginação).
_E quem disse que não fizemos isso pensado no amanhã? (perguntou o líder da matilha para a Imaginação).
_Vocês são todos ridículos! (gritou a Imaginação).
_Pois bem! Que seja! Seremos ridículos até que ela defina o contrário! (disse o corvo).
_Você nem sequer sabe onde está o corpo dela! (exclamou o líder da matilha).
_E vocês nem sabem onde está o rei de vocês! (exclamou a Imaginação).
_É claro que sabemos! Ele está vindo para cá! (disse o corvo).
_Como pode um rei mover-se quando se está paralisado?
Então o líder da matilha rosnou para a Imaginação dizendo.
_O que foi que você fez com ele?
_Então vocês realmente não sabem? (perguntou a Imaginação).
_Diga! Onde está o nosso rei?
Então a Imaginação começara a gargalhar. O restante da matilha começou a rosnar contra ela. Então o líder perguntou para a Imaginação.
_Conte logo para nós! Onde está o nosso rei?
A Imaginação olhou-os com desprezo e também e lhes disse.
_Porque vocês, criaturas insignificantes, não voltam para a Cidade de Gelo, e descobrem por si mesmos?
Então o líder da matilha olhou para o corvo e disse-lhe.
_Corax! Você voltará para descobrir onde está o nosso rei! E se possível, dê ordens para os cúbix para que retornem à Cidade.
_Mas, Lupus! (cogitou o corvo).
_Depressa! (disse o líder da matilha).
_Pois bem! (disse o corvo).
O corvo voou em direção à Cidade de Gelo. Enquanto isso, o líder e a matilha preparam-se para atacar a Imaginação. A Imaginação preparou suas asas para se desviar dos ataques, mas quando as suas duas asas apareceram um dos lobos da matilha mordeu a asa direita. Então a Imaginação estendeu a asa direita e arremessou o lobo para longe.
Havia uma força extraordinária nas asas da Imaginação. Depois de ter arremessado um dos lobos para longe dela, outro lobo veio em direção a Imaginação e lhe mordera pelo calcanhar. Enquanto isso, o outro lobo mordeu-lhe o braço esquerdo. Veio outro lobo e lhe mordeu o braço direito.
Enquanto isso veio o quinto lobo e mordeu o joelho esquerdo da Imaginação. Depois disso veio o sexto lobo e morde o joelho direito da Imaginação. À essa altura, a Imaginação não tinha nenhum tipo de condição para se defender, pois estava completamente imobilizada pelos lobos.
Sendo assim, veio o líder dos lobos e mordeu-lhe o pescoço. Ao puxar seus dentes afiados, o líder da matilha acabara quebrando o cordão de prata onde estava o pingente no formato do caixão. O cordão de prata caíra no chão juntamente com o pingente de caixão. Neste mesmo momento apareceram os urubus da Terra dos Urubus Prestigiados.
A Imaginação pensava que eles estavam excluídos do atenalp. Então os urubus começaram a atacar os lobos com suas garras afiadas e com seus bicos. Apesar de um lobo ser mais forte do que um urubu, contra números não havia possibilidades. No entanto, os urubus não estavam lutando nem a favor de Lupus e seu bando e nem a favor da Imaginação. Sendo assim, os lobos soltaram os membros da Imaginação e assim recuaram, voltando para sua terra natal.
No entanto, a Imaginação não percebera que Lupus, o líder da matilha, havia levado entre seus dentes o cordão prateado juntamente com o pingente de caixão, onde estava dormindo a pequena Lara.
O alvoroço era tamanho, que nem mesmo a Imaginação conseguia ver os lobos se retirarem daquele lugar. Lupus ordenou aos demais lobos que se retirassem da Cidade sem Nome e assim fossem para a Cidade de Gelo. A Imaginação nada pudera fazer, pois estava sendo violentamente atacada pelos urubus.
Nem todos os urubus da Cidade dos Urubus Prestigiados estavam na Cidade sem Nome, mas pode-se dizer que havia cerca de uns três mil urubus atacando a Imaginação.
A Imaginação não teve outra alternativa a não ser voar para um lugar que fosse seguro para ela. Os urubus não a puderam acompanhar porque ela abriu as suas asas e saiu a toda velocidade. Sendo assim, os urubus decidiram retornar à sua terra natal.
Enquanto isso, Lupus e sua matilha estavam chegando de volta à Cidade de Gelo. Ao chegarem no Castelo Glacial, os lobos entraram no calabouço onde estava o corpo de Glácius. Coráx já estava lá, em cima do ombro direito do rei.
_E agora? (perguntou um dos irmãos de Lupus).
_Pois bem! Certamente não viemos até aqui em vão! (disse Coráx).
_E o que faremos, Coráx? (perguntou Lupus).
_Pois bem! O que é isso que você nunca soltou dos dentes desde que viemos até aqui? (perguntou Coráx).
_Ah, isto aqui é um pingente de prata! (respondeu Lupus).
_Pois bem! O que acontece se algum de nós mexer com esse pingente? (perguntou Coráx).
_Sinceramente não faço ideia! (resmungou Lupus).
_Pois bem! Você encostará o seu focinho no pingente e então veremos o que acontece! (disse Coráx).
Então Lupus encostou o focinho no pingente. O pingente reluziu, mas não acontecera nada. Lupus e sua matilha até ficaram impressionados com o reluzir do pingente, mas o corvo percebera que ainda não era o suficiente.
_Coráx! Você ainda é respeitado pelos urubus! Procure-os e faça com que eles a procurem, custe o que custar! À essa altura, ela deve ter fugido dos urubus. (ordenou Lupus).
_Pois bem! E você, cuide do resto! O nosso rei ainda merece viver! (disse Coráx).
Então Coráx retirou-se do Castelo de Gelo e começou a voar em direção a Terra dos Urubus Prestigiados. Lupus não sabia como iria fazer para descongelar o corpo de Glácius, o rei. Não havia outra opção a não ser esperar até que Lara despertasse de seu sono e pedisse para sair. Depois de alguns minutos, Lupus escutou uma voz, porém bem baixinha. Lupus estava tentando entender o que aquela voz bem baixinha dizia, mas não conseguia.
_Meus irmãos! Venham aqui e coloquem os seus ouvidos no pingente e vejam o que vocês ouvem! (ordenou Lupus a sua matilha).
Então os irmãos de Lupus se aproximaram e colocaram suas orelhas no pingente para escutarem o som que era emitido pelo pingente prateado.
_Não! Não escutamos nada!
Foi então que o pingente reluziu mais forte do que na primeira vez em que brilhara para os lobos e o corvo. O pingente transformou-se no caixão prateado, assim como antes. O caixão abriu-se por si mesmo e então saiu a menina. Lupus e seus irmãos esperavam que saísse qualquer ser daquele caixão, exceto uma menina.
_Quem é você? (perguntou a menina para Lupus batendo os dentes inferiores nos dentes superiores).
_Sou Lupus! Um mascote a serviço do rei! (respondeu Lupus).
_Mascote? Rei? Mas que frio é esse? Estou toda me tremendo! Onde estou? (perguntou Lara).
_Na Cidade de Gelo! Um lugar governado por Glácius, nosso rei! (respondeu Lupus).
_Cidade de Gelo? O que é governar? (perguntou Lara).
_Governar é exercer autoridade sobre determinado lugar, ou terra que seja habitada! (respondeu Lupus).
_Ah, sim! Este homem que está parado perto de nós? Ele é o rei desta cidade? (perguntou Lara).
_Sim! (respondeu Lupus).
_E o que aconteceu com ele? (perguntou Lara).
_Bem... É uma longa história! (respondeu um dos irmãos de Lupus).
_Será que vocês podem me agasalhar? É que eu estou morrendo de frio aqui!
Então um dos irmãos de Lupus transformou-se em um casaco aconchegante de cor cinza.
_Tome! Vista este casaco! Ele aquentará o seu corpo! (disse Lupus).
_Carambolas, que legal! Não sabia que vocês têm esse tipo de habilidade! (disse Lara estupefata).
_Cada um de nós possui uma habilidade diferente! (respondeu outro dos irmãos de Lupus).
_Muito obrigada! Mas pera aí... Se um de vocês se transformou em um casaco de pele para esquentar o meu corpo, então por que não esquentou o corpo do rei de vocês? (perguntou Lara).
_O rei foi congelado pelo beijo de um ser perverso, ser esse que vive há mais de dois milênios! Um simples casaco não anularia o feitiço do congelamento! (respondeu Lupus).
_Como assim? (perguntou Lara).
_Esse ser que beijou o nosso rei tem o poder de congelar qualquer ser vivo que a beijar. Primeiro o beijo congela por fora, mas depois o coração de quem foi beijado vai congelando até parar de bater, e assim o ser vivo passa a não existir mais. (respondeu Lupus).
_E o que se pode fazer para reverter essa situação? (perguntou Lara).
_Você terá de ir até a Cidade dos Mentirosos! (disse Lupus).
_E porque eu terei que ir para lá, se todos são mentirosos? (perguntou Lara).
_Na verdade existe um ser de pequena estatura que diz a verdade! Ele aprendeu a manipular a Chama Ígnea! Ele se chama o Verdadeiro. (respondeu Lupus).
_Mas como eu saberei se ele é mentiroso? (perguntou Lara).
_Você perceberá! (respondeu Lupus).
_Mas, o que é essa Chama Ígnea? (perguntou Lara).
_É a habilidade de manipular o fogo. O tempo está se esgotando! Eu acompanharei você até a ponte que a levará a Cidade dos Mentirosos. Enquanto isso vocês, meus irmãos. Fiquem aqui vigiando o nosso rei!
Lupus acompanhou Lara até a ponte que a levaria até à Cidade dos Mentirosos.
_Você deve seguir em frente! Não escute qualquer um que fale com você! Procure aquele que realmente é importante. Leve o casaco com você! Se por acaso alguém lhe ameaçar, o meu irmão estará com você para lhe proteger, caso seja preciso! (disse o lobo).
_Tudo bem! Como é o seu nome mesmo? (perguntou Lara).
_Lupus! E o seu? (perguntou Lupus).
_Lara! (respondeu a menina).
_Tenha cuidado, e volte logo! (disse Lupus).
_Certo! (disse Lara).
A ponte era feita de madeira. Não que esta informação fosse importante, mas alguém mais cedo ou mais tarde acabaria despencando daquela ponte, pois a madeira já se encontrava bastante desgastada. Lara atravessou enquanto Lupus voltou para o castelo onde Glácius se encontrava.
Lara estava andando devagar, pois o vento frio era forte e a neve que caia atrapalhava de certa forma sua visão.
_Carambolas! Será que eu terei que caminhar muito? (perguntou Lara para si mesma).
Enquanto isso, a Imaginação estava dentro de uma gruta no meio de um deserto.
_Acho que ninguém vai me achar por aqui! (disse ela consigo).
Então a ela abriu as suas asas e voou para um outro lugar onde também não pudesse ser vista por nenhum ser vivo do atenalp.
Coráx estava sobrevoando o imenso céu azul. Ainda faltava muito para que ele chegasse à Cidade dos Urubus Prestigiados. No entanto uma coisa lhe chamara a atenção. De longe havia minúsculos pontos pretos que voavam de maneira giratória.
Obviamente Coráx não sabia do que se tratava, mas ele sabia que se tratava de algo muito cataclísmico. Sendo assim, ele continuou voando.
_Pois bem! Vamos! Voe mais depressa! (disse ele para si mesmo).
A Imaginação tinha planos. Planos que nem sequer passavam pela cabecinha de Lara. Voando pelo céu, ela encontrou um lugar de refúgio. O lugar de refúgio era nada mais nada menos do que A Cidade das Baratas Excluídas, lugar onde Baratildo nasceu.
Ao chegar na cidade, muitas baratas estavam tomando seu banho como era de seu inteiro costume. Ao verem que a Imaginação havia chegado todas as baratas começaram a tremer dizendo.
_Não pode ser! Depois de tantos anos! Quem a libertou? (perguntou uma das baratas olhando para a Imaginação).
Ao pousar em terra seca a Imaginação começou a falar diante de todas aquelas baratas que se encontravam ali.
_Baratas jovens e baratas velhas! Uma menina me libertou! E isto é um sinal de que o atenalp foi entregue a mim! Até que se prove o contrário, eu estarei aqui para castigar os que se voltarem contra mim! É a hora de vocês se aliarem a mim! Onde está Bartildo, o líder de vocês?
Então uma das baratas respondeu.
_Nosso irmão está morto! Desapareceu deste atenalp!
_E quem é o novo líder de vocês? (perguntou a Imaginação).
_Não temos mais nenhum líder! (respondeu outra barata).
_Então deixem que eu lidere vocês! Garanto que levarei vocês a um lugar melhor do que este! (disse a Imaginação).
_Mas nós gostamos daqui! (exclamou outra barata).
_Vocês só tomam banho por aqui e não fazem mais nada! (exclamou a Imaginação).
_Não é verdade! Nós também gostamos de ler livros! Nós até temos uma biblioteca por aqui! (respondeu outra barata).
_Isso não me importa! Se vocês não aceitarem a minha proposta eu irei esmagar todas vocês, uma por uma!
No mesmo instante todas as baratas ficaram atemorizadas. Então todas ficaram olhando umas para as outras.
_Melhor dizendo! Eu congelarei vocês com o meu hálito frio!
Então as baratas ficaram mais atemorizadas ainda!
_Não temos outra escolha, a não ser nos aliarmos a ela! (disse a barata mais velha para todas as outras baratas).
_E então? Vão aceitar o meu convite, ou irão recusar? (perguntou a Imaginação).
_Sim! Somos seus aliados até à morte! (disseram as baratas em uma só voz e se ajoelharam diante dela).
_Muito bem! Então me sigam!
A Imaginação abriu suas duas asas e voou em outra direção. Parte de seus planos estava dando certo. Lara estava prestes a chegar na Cidade dos Mentirosos. Já não havia mais neve no caminho. Apenas uma estrada de terra seca e uma placa de boas-vindas, onde estava escrito: “SEJA BEM-VINDO À MELHOR CIDADE DO ATENALP!”.
Lara já percebera que a própria inscrição naquela placa de madeira já era uma mentira por si só.
_Carambolas! Já começaram a mentir daqui!
Na cidade havia vários homens usando uma roupa verde. Eles pareciam ter uma mesma aparência, somente a altura que era diferente.
_Olá garotinha! Você sabia que eu sou uma raposa? Olhe só a minha barba ruiva!
Lara ficou apenas olhando sem nada dizer, pois tudo aquilo era demais para ela.
Enquanto isso veio outro dizendo.
_Você sabe para onde foi o guerreiro da capa azul? Ele é o meu irmão!
Mais uma vez Lara não respondeu nada, pois ela se lembrara do conselho que Lupus lhe dera. Veio outro mentiroso e disse.
_Eu como tomates todos os dias porque eles fazem bem para o crescimento dos ossos! É por isso que eu sou alto!
Veio ainda outro e disse.
_As laranjas são vermelhas! São os nossos olhos que enxergam as coisas diferentes!
Lara apressou os passos, pois já estava aborrecida de tanto ouvir mentiras. Os mentirosos não viam uma pessoa diferente deles há muito tempo, principalmente uma menina tão meiga e bonita como Lara. Ao olhar para o ambiente, havia diversas casas brancas com listras verdes. Lara estava se esforçando para saber como e de que forma ela encontraria o menino verdadeiro no meio de tantos mentirosos, ainda mais sendo que se tratava de apenas um. Foi então que Lara decidiu perguntar para um dos mentirosos da cidade.
_Ei! Você sabe onde mora o verdadeiro por aqui?
_Ah, sim! Ele mora no alto de um penhasco que fica a uns mil quilômetros daqui!
Lara não acreditou no que ouviu. Então Lara se dirigiu a outro mentiroso e perguntou.
_Ei, você sabe onde mora o verdadeiro por aqui?
_Sim, eu sei! Ele mora no país das rosas amarelas!
Lara também não acreditou no que ouviu.
_Carambolas! O que eu vou fazer? Todo mundo aqui é mentiroso! Cada um pior do que o outro! Desse jeito eu não vou encontrar ele nunca!
Lara ficou pensando consigo mesma e então ela teve uma ideia que talvez pudesse dar certo.
_Carambolas com uvas-passas! Já sei o que eu vou fazer! Ei você! Pode se transformar novamente em um lobo? (disse Lara para o lobo em forma de casaco).
Então o casaco se transformou em um lobo.
_Porque você me chamou, Lara? Não tem ninguém ameaçando você! (resmungou o lobo irmão de Lupus).
_Ei sei! Mas eu precisei de você e por isso chamei! (respondeu Lara).
_E porque você me chamou?
_Você fareja as coisas de longe, não fareja? (perguntou Lara).
_Sim, mas o que você quer que eu fareje? (perguntou o lobo).
_Eu quero que você sinta o cheiro do verdadeiro! (disse Lara).
_Mas como eu vou sentir o cheiro dele, se eu não sei quem ele é? (perguntou o lobo).
_Você vai saber diferenciar o cheiro dos mentirosos e o cheiro do verdadeiro! (disse Lara).
_E como você sabe se todos eles não têm o cheiro igual? (perguntou o lobo).
_Eu ouvi falar que a mentira fede, mas a verdade tem uma essência boa! (respondeu Lara).
_Tudo bem! Mas eu vou na sua frente! (disse o lobo).
E assim seguiram Lara e o lobo farejando pelas ruas da Cidade dos Mentirosos. O lobo até o momento apenas sentia o mal cheiro dos mentirosos que estavam ao redor deles. No meio da cidade havia uma fonte chamada fonte dos desejos onde estavam as pessoas da mesma cidade de Lara.
Lara ficara impressionada ao vê-las. Entre elas estava Odiloroc e Esonião. Eles estavam jogando moedas na fonte e fazendo pedidos em voz baixa. Lara correu em direção a todos eles e tentou impedi-los de jogarem suas moedas na fonte dos desejos.
_Por favor, pessoal! Não façam isso! Vocês não percebem que isso é apenas uma grande mentira?
Então Odiloroc respondeu para Lara.
_E que mal tem, Lara? Estamos fazendo isso porque acreditamos que tudo o que desejamos vai se realizar!
_Carambolas! Vocês estão cegos? Esta é a Cidade dos Mentiros! Tudo aqui é uma farsa! (exclamou Lara).
Esonião responde a Lara.
_Isso é uma grande mentira, Lara! Este é o melhor lugar do mundo!
Lara ficara profundamente triste e saiu juntamente com o lobo. Ela ficara triste a ponto de chorar, pois não imaginava que as pessoas de sua terra natal fossem enganadas a tal ponto. Ao andar pelas ruas da cidade, o lobo sentiu um cheiro agradável e suave.
_Lara! Você está sentindo o que eu estou sentindo? (perguntou o lobo).
_Sim! Eu estou muito triste também! Aquelas eram as pessoas da minha...
_Não, não é isso que eu estou dizendo! (interrompeu o lobo).
_E do que você tá falando? (perguntou Lara).
_Eu estou sentindo um cheiro suave e agradável! Você consegue sentir? (perguntou o lobo).
Lara começou a cheirar e a sentir o cheiro.
_Sim! Eu consigo! (exclamou Lara).
_Então vamos! Me siga, Lara! Tudo indica que o verdadeiro está aqui por perto!
Lara e o lobo estavam seguindo o cheiro agradável. Dobraram à esquerda e depois à direita, mas nada encontraram.
_Mas de onde vem esse cheiro mesmo? (perguntou Lara).
_Me parece que esse cheiro vem de um lugar distante! (respondeu o lobo).
_E agora? Para onde devemos ir? (perguntou Lara).
_Ainda temos que descobrir! (disse o lobo).
Então Lara e o lobo continuaram à procura do verdadeiro. As casas tinham uma mesma aparência e isso não ajudava em nada. No entanto, o cheiro que era diferente do cheiro dos mentirosos ainda continuava a exalar. Lara ficou com uma pulga atrás da orelha quanto a existência do verdadeiro no meio de tantos mentirosos.
_Ei, quem contou para vocês sobre haver um verdadeiro no meio dos mentirosos?
_Nosso rei nos contou sobre a existência do verdadeiro no meio desta cidade.
_E se eu dissesse que o rei de vocês está enganado e que nunca existiu o verdadeiro nesta cidade? (perguntou Lara).
_Sinceramente eu não sei! Nosso rei dificilmente erra! Está chamando o meu rei de mentiroso? (perguntou o lobo).
_Não! Não é isso que eu estou querendo dizer! Mas, e se o rei de vocês escutou essa história de um mentiroso?
_Mas que tipo de ser mentiria para o rei? Em nossa cidade todos nós somos fieis ao nosso rei!
Dúvidas como essas permeavam a cabeça de Lara e também de Lupus. Mas de onde vinha aquele cheiro agradável?
_Bem... Então nós devemos retornar à Cidade de Gelo, ou continuamos a nossa busca? (perguntou Lara).
Então uma ideia veio à cabeça do lobo.
_Espere um momento! E se nós voltássemos para a Fonte dos Desejos e procurássemos por lá? (indagou o lobo).
_Certo! Vamos! (exclamou Lara).
Enquanto Lara e o lobo regrediam pelas ruas da cidade, Coráx estava chegando na Terra dos Urubus Prestigiados. A Imaginação continuava com seus planos sobrevoando o céu junto com as baratas. Lara não sabia se realmente havia um ser chamado verdadeiro naquela cidade, mas de uma coisa ela sabia, de que ela e o lobo estavam perdendo tempo demais. Ao chegarem na rua onde estava a Fonte dos Desejos Lara não viu mais os seus vizinhos que moravam na Cidade sem Nome, pois todos já haviam ido embora.
_O que você pretende fazer? (perguntou o Lobo).
_Vou entrar nessa fonte e pegar as moedas que foram jogadas aqui! (respondeu Lara).
_Mas você não pode pegar essas moedas! Elas pertencem às pessoas que jogaram aí na Fonte dos Desejos! (indagou o Lobo).
_Se foram jogadas aqui não são de ninguém, e sem se falar de que a fonte não pode gastar esse dinheiro sozinha, pode? (perguntou Lara).
De certa forma fazia sentido, e o lobo não discordou com a ideia de Lara.
_Tudo bem! Então entre na fonte! (disse o lobo).
Lara então começou a entrar na fonte. Porém essa atitude de Lara começou a chamar a atenção dos mentirosos, de maneira que todos os mentirosos que estavam ali ficaram parados apenas olhando para Lara.
Lara ficou tímida com a situação, mas algo lhe dizia que ela estava fazendo a coisa certa. Sendo assim, ela continuou a entrar na fonte. Para a sua sorte, a água que havia na fonte era rasa e não tinha nenhuma possiblidade de Lara se afogar.
Lara estava pegando as moedas que foram jogadas na fonte e isso começou a irritar os mentirosos.
_Vejam o que ela está fazendo com a nossa fonte dos desejos! Vamos correr atrás dessa garota! (gritou um dos mentirosos).
Então o lobo começou a rosnar para todos os mentirosos que se encontravam ali, de sorte que todos os mentirosos saíram correndo. Lara ficara impressionada com essa iniciativa do lobo.
_Carambolas! Você tem dentes enormes!
_Um lobo só mostra seus dentes quando deve atacar! (disse o lobo).
_E para onde será que eles foram? (perguntou Lara).
_Devem ter se escondido em suas próprias casas!
_Será que você poderia se transformar naquele casaco novamente? (perguntou Lara).
_Mas aqui nem sequer faz frio!! (indagou o Lobo).
_Eu sei! Mas é que eu não tenho bolso para guardar estas moedas! (disse Lara).
_Porque quer tanto essas moedas? (perguntou o lobo).
_Algo me diz que eu vou precisar! (respondeu Lara).
Então o lobo se transformou em um casaco e Lara o vestiu e depois guardou as moedas dentro do bolso que havia no casaco. Aquele cheiro agradável ainda pairava sobre a cidade e Lara não sabia de qual direção ele vinha.
Foi então que Lara viu um mentiroso em cima de sua própria casa coçando a cabeça. Lara se aproximou e disse.
_Ei, você! Porque está em cima dessa casa coçando a cabeça?
_Ah, olá! Está nevando muito, não está? (disse o mentiroso).
_Mas eu não vejo neve nenhuma! (indagou Lara).
_Pois eu vejo! E muita!
Lara não sabia o propósito daquilo, mas o mentiroso estava tirando a caspa de seu cabelo e estava achando que era pura neve. Lara não imaginava que além de mentiroso aquele ser era doido da cuca. Lara continuou a sentir o cheiro agradável, mas sem saber que rumo tomar. Ela não quis mais perguntar nada, pois ela já estava com a boca seca de tanto ficar sem beber água. Lara voltou para a Fonte dos Desejos e começou a beber aquela água. Lara percebera algo de diferente na água.
O reflexo do céu estava mostrando alguns pontinhos pretos no céu. Era Coráx e os urubus sobrevoando o imenso céu azul. Logicamente Lara não sabia que eram eles, mas Coráx estava voltando juntamente com os urubus para a Cidade de Gelo. Enquanto isso, a Imaginação havia chegado na Cidade sem Nome. Seu plano era controlar os cúbix ao seu favor, pois o rei Glácius havia mandado que eles se retirassem e fossem para a cidade de Lara. Ao chegar com as baratas, a Imaginação disse.
_Vocês que outrora serviram ao rei! Ele não mais está vivo, e vocês estão sem um governante sobre vocês. Permitam que eu lidere vocês e aqui será a nova Cidade de Gelo.
Mas os cúbix não aceitaram a ideia e começaram a lutar contra a Imaginação e as baratas. As baratas eram mais velozes do que os cúbix e nessa perspectiva os cúbix não acertavam os seus tridentes em nenhuma barata, pois eram muito lentos. Enquanto isso, Lara estava retornando pelas ruas, pois ela já havia saciado a sua sede. Evidentemente Lara não sabia o que fazer. Sendo assim, ela disse.
_Imaginação! Onde quer que você esteja, me ajude a encontrar esse verdadeiro, se é que ele existe.
Então Lara ficou sentada esperando um certo tempo. Apesar de a paciência de Lara ser pouca, ela estava esperando mais do que o de costume. Lara sabia que as coisas não cairiam do céu, mas neste caso ela estava esperando algo miraculoso da parte da Imaginação.
Coráx e os urubus estavam na Cidade de Gelo. Coráx sentou-se no ombro do rei Glácius, como de costume. Lupus perguntou para Coráx.
_E quanto ao Urubuzimbo? Porque ele não veio com vocês?
No entanto, no lugar de Coráx, quem respondera fora um dos urubus que lhe acompanharam.
_Uca! Uca! Ele disse que cansou de ser o nosso líder!
_Sendo assim, você, Coráx, fique aqui liderando os urubus enquanto eu vou lá fora esperar por Lara! (disse o lobo).
_Uca! E quem é Lara? (perguntou outro dos urubus).
_É uma menina muita esperta que está nos ajudando. Dentro de poucas horas o coração do rei congelará por inteiro! (respondeu Lupus).
_Pois bem! Você vai lá. Nós ficaremos aqui! (exclamou Coráx).
Sendo assim, Lupus foi até a ponte que intermediava a Cidade de Gelo e o caminho para a Cidade dos Mentirosos. Lara não aguentava mais esperar tanto tempo, pois seus braços e pernas estavam doendo de tanto esperar. Depois de alguns segundos de descanso sobreveio uma chuva sobre aquela cidade. Lara ficara ensopada e o casaco também. Lara bateu na porta de uma das casas. De repente um mentiroso abre a porta e diz.
_O que você deseja? (perguntou o mentiroso).
_É que está chovendo e será que você não poderia deixar eu entrar? (pediu Lara com uma voz tímida).
_Sabe, é que aqui já tem muitos irmãos meus e não cabe mais ninguém. Desculpe!
Então o mentiroso fechou a porta na cara de Lara.
_Carambolas! Além de mentiroso é egoísta! Mas que coisa!
Então Lara saiu correndo, na tentativa de fugir daquela chuva. Quanto mais Lara corria da chuva mais ela se distanciava da cidade, até que ela chegou em um lugar chamado A Floresta Impecável, um lugar de onde nenhum ser em sua perfeita consciência desejaria sair. Lara ficara encantada com o lugar, pois nunca avistara um lugar tão belo. Ao andar pelo solo verdejante Lara se depara com um castor que a cumprimentou dizendo.
_Olhem só! (Disse o castor para os seus outros amigos que estavam dentro da árvore). - _Temos visita! (continuou a dizer o castor).
_Olá! Me chamo Lara! (disse Lara bem tímida).
_Nossa, que belo nome! (replicou o castor).
_Obrigada! (respondeu Lara).
_De onde você vem, criança? (perguntou o castor).
_Venho de uma cidade chamada A Cidade sem Nome! (respondeu Lara).
_E por quem você está procurando aqui nesta floresta tão bela e adorável? (perguntou o castor).
_Estou procurando por um ser chamado verdadeiro! Mas acho que ele não está por aqui! Aqui só tem animais, não é? (perguntou Lara).
_Eu devo ter ouvido esse nome em algum lugar, só não me lembro onde! (respondeu o castor).
Então uma voz ecoou de dentro da árvore dizendo.
_Verdadeiro! Espere aí! Esse não é o nome daquele homenzinho de pele albina e olhos amarelos?
_Eu não sei! Eu nunca o vi! (respondeu Lara).
_Sim! Eu o conheço! (ecoou outra voz de dentro da árvore).
Então sai uma joaninha e um cascudo preto de dentro da árvore.
_Você procura pelo verdadeiro? (perguntou o cascudo preto).
_Sim! Você sabe onde ele mora? (perguntou Lara).
_Ele mora na Cidade dos Mentirosos! Receio que você retorne à cidade! (respondeu a Joaninha).
_Mas não pode ser! Eu venho de lá! Se ele fosse de lá eu teria encontrado ele! (resmungou Lara).
_É que ele tem a habilidade de ficar invisível! (respondeu o castor).
_Me disseram que ele tem a habilidade de controlar a chama ígnea! (replicou Lara).
_Também! Essa é outra habilidade que ele possui! Ele é uma criança muito sábia! (disse o cascudo preto).
_É melhor você voltar para a Cidade dos Mentirosos! (disse a joaninha).
_Tem razão! Obrigada por terem me ajudado! (agradeceu a menina).
Então Lara caminhou de volta para a Cidade dos Mentirosos. Ao retornar, Lara andou pelas ruas gritando.
_Verdadeiro! Onde está você?! Verdadeiro!
Porém Lara não obteve nenhuma resposta! Enquanto isso, a Imaginação estava batalhando contra os cúbix juntamente com as baratas. As baratas estavam levando vantagem, pois elas se desviavam dos ataques dos cúbix, de maneira que eles acabavam caindo por cima de seus próprios tridentes.
À essa altura, mais da metade dos cúbix já estavam no chão partidos ao meio. Foi então que a Imaginação disse.
_Vocês estão sucumbindo! É melhor vocês se juntarem a mim! Os cúbix não sabiam falar, por isso e pelo fato de não se renderem, eles continuaram a batalhar contra a Imaginação e as baratas.
Na Cidade de Gelo, Lupus estava com Coráx e os urubus do lado de fora, esperando por Lara. À essa altura, o coração de Glácius estava prestes a congelar por completo. Lara continuava a gritar pelo nome.
_Verdadeiro! Onde você está?! Por favor, apareça!
Ao chegar na rua onde estava a falsa fonte dos desejos, Lara tirou do bolso as moedas que pegara e então avistou uma frase bem pequena escrita no chão bem próximo à fonte. No chão estava escrito: “O INVISÍVEL SÓ SE VÊ QUANDO SE ACREDITA NELE”. Lara compreendeu esta frase. E quem não a compreenderia? Até o leitor a compreenderia, não é?
Foi então que Lara sentou-se em cima da fonte e então fechou os olhos. Depois de respirar bem fundo ela disse:
_EU ACREDITO! EU ACREDITO! EU ACREDITO NO INVISÍVEL!
Foi então que uma criança de pele albina e olhos amarelos apareceu ao lado dela.
_Você me chamou acreditando em mim! Aqui estou eu! (disse o menino).
_Verdadeiro! Então é você! (disse Lara com um tom de voz extremamente alegre).
_Sim, sou eu! Em carne e osso! (respondeu o verdadeiro).
_Eu preciso de você! (disse-lhe a garota).
_E para que você precisa de mim? (perguntou o verdadeiro).
_Me disseram que você controla a chama ígnea! Isso é verdade? (pergunta Lara).
_Sim, eu controlo! (respondeu o verdadeiro).
_Você poderia me ensinar a controlar a chama ígnea? (perguntou Lara).
_E porque você precisa de tamanha responsabilidade? (pergunta o verdadeiro).
_Um rei chamado Glácius está congelando por fora e por dentro, e eu preciso aprender a controlar a chama ígnea para salvá-lo! Me disseram que a chama ígnea tem a habilidade de esquentar por fora e por dentro! Isto é verdade? (pergunta Lara).
_Sim! Mas para controlar a chama ígnea é preciso ser uma pessoa de coração puro! Você tem o coração puro? (perguntou o verdadeiro).
_Eu acredito que sim! Bem... dizem que eu tenho! Mas não custa tentar! (disse Lara).
_Então estenda as suas mãos. Lara estende as mãos.
O verdadeiro passa as mãos dele por cima das mãos de Lara concedendo-lhe o poder da chama ígnea. As mãos de Lara reluziram como o ASTRO-REI.
_Vá! Quando você chegar lá saberá o que deve fazer! (disse o verdadeiro).
_Mas espere ai! De que modo eu devo usar esse poder? (pergunta Lara).
_Como eu disse a você. Na hora certa você saberá. (respondeu).
_Obrigada! (agradeceu Lara).
_Obrigado digo eu. Por você ter acreditado em mim! Eu sou invisível para todos os mentirosos desta cidade, mas não para você! Você foi a única capaz de me ver de verdade! Somente a Imaginação e você foram capazes de me ver!
Então Lara corre em direção a Cidade de Gelo. Ao atravessar a ponte que interligava A Cidade dos Mentirosos e A Cidade de Gelo, Lara avistou Lupus, Coráx e os urubus de longe. Pareciam até pontinhos pretos na imensidão cobertos pela neve que circuncidava o ar.
_Que bom que você chegou! (disse Lupus).
_Precisamos ir logo até onde o rei de vocês está! (disse Lara com um tom de tamanha responsabilidade).
_Pois bem! Vamos! (disse Coráx).
Ao chegarem no calabouço, Lara avistou o rei e teve compaixão dele.
_Agora você só precisa aquecer o coração do nosso rei! (disse Lupus).
_Sinceramente eu não sei como fazer! (disse Lara).
_Mas como assim você não sabe como? O verdadeiro não te ensinou a controlar a chama ígnea? (perguntou Lupus).
_Na verdade ele apenas transferiu o poder dele para mim. (respondeu Lara).
_Você precisa salvar o nosso rei! Ele não pode morrer agora! (gritou Lupus).
_Por favor, tenha calma! (disse Lara meio sem jeito).
_Mas como você vem nos falar de calma uma hora dessas?
Então Lara se irrita com Lupus e lhe diz.
_Fui eu quem foi em busca desta habilidade, e vocês não podem me culpar pelo fato de o rei de vocês estar congelando, então eu recomendo que TODOS VOCÊS TENHAM CALMA! (gritou Lara).
Então as mãos de Lara ficaram vermelhas e aquecidas. Lara ficou impressionada ao olhar para suas mãos. Então Lara foi até onde o rei estava e encostou as duas mãos no meio do peitoral do rei. Depois de alguns segundos o coração do rei voltou a bater como d’antes. Lupus, Coráx e os urubus ficaram felizes pelo que aconteceu. Então o rei Glácius começou a movimentar-se olhando ao seu redor.
_O que houve? Onde está aquela malfeitora? (pergunta o rei).
_Lara olhou para o rei e ficou impressionada com a sua voz.
_Nossa, como a sua voz é bonita! (exclamou Lara).
_Quem é você, minha jovem? (perguntou o rei).
_Sou Lara! É uma honra, majestade!
_Você viu aquela malfeitora por aí? (perguntou o rei).
_Mas de quem o senhor está falando, hein? (perguntou Lara).
_De quem mais? Daquela miserável que me congelou com o seu beijo mortal! (respondeu o rei).
Então Lara se vira para Lupus e lhe pergunta.
_Mas de quem o rei está falando, Lupus?
_Erilufc, a Rainha do Primeiro Milênio! (respondeu Lupus).
Capítulo 6
(Máscaras quebradas não preservam a Essência)
_Erilufc? Mas quem é Erilufc? (perguntou Lara).
_É a serpente primária do primeiro milênio! (respondeu Glácius).
_E como é a aparência dessa tal serpente? (perguntou a menina).
_É uma mulher com cabelos vermelhos, lábios e olhos vermelhos. (respondeu Glácius).
_Não pode ser! (disse Lara).
_O que foi, Lara? (Perguntou Coráx).
_Essa é a mesma mulher que apareceu para mim na minha terra natal! (disse Lara).
_E onde fica a sua terra natal? (perguntou Coráx).
_Na Cidade sem Nome! (respondeu Lara).
_Porque você está tão impressionada, Lara? (perguntou o rei).
_Ela disse pra mim que ela era a Imaginação! (disse Lara com uma voz trêmula).
_Ela sempre quis ser igual à Imaginação! Mas esta é uma coisa da qual ela nunca vai conseguir! (replicou Lupus).
_Eu não posso acreditar que ela me enganou! (disse Lara chorando).
_Não fique triste, Lara! Ela não merece o seu amor! Aliás, ela não merece o amor de ninguém! (disse o rei).
_Mas ela é tão bonita! (disse Lara).
_Não basta ser belo e ter um coração perverso, se é que ela tem coração! (disse Coráx).
_Não, ela não tem! Eu cravei minha espada no meio do peitoral dela e ela não morreu! (respondeu Glácius para Coráx).
_E então, nosso rei? O que devemos fazer agora? (perguntou Lupus ao rei).
_Onde estão os meus soldados? (perguntou o rei).
_Estão na terra natal de Lara! (respondeu Coráx).
_Lupus, qual foi a ordem que você deu para eles? (perguntou o rei).
_Nenhuma, meu rei! Eles apenas seguiram a sua ordem! (respondeu Lupus).
_E qual foi a minha ordem, que eu não estou lembrado? (perguntou o rei).
_A sua ordem foi que os cúbix atravessassem o rio que faz divisa entre a nossa terra natal e a terra natal de Lara. (respondeu Lupus).
_Então vão até lá novamente e vejam se os meus soldados ainda estão vivos! Deixem Coráx e os urubus por aqui! (exclamou o rei).
_Sim, nosso rei! Vivemos para fazer sua vontade! (exclamou Lupus).
Então Lupus e os lobos correram rumo à Cidade sem Nome. O lobo que estava na forma de um casaco voltou à sua forma original e assim seguiu Lupus e os demais lobos em direção à cidade de Lara.
Lara não sabia porque ela não queria ir, mas ela sentia que deveria ficar para esclarecer algumas questões com o rei Glácius. Certamente Lara não fazia ideia de que Erilufc não era a Imaginação. Sendo assim, ela começou a conversar com Glácius.
_Então quer dizer que Erilufc e a Imaginação não são a mesma pessoa? (perguntou Lara).
_Não! Erilufc é a serpente primária do primeiro milênio. (respondeu o rei).
_Mas como assim “a serpente primária”? (perguntou Lara).
_Olha, primeiramente eu queria te agradecer por não ter deixado que eu congelasse por completo! (disse o rei).
_Não foi nada! (disse Lara).
_Pois bem! É uma longa história! (disse Glácius).
_Não tem problema! Eu tenho todo o tempo do atenalp! (disse Lara).
_Já faz muito tempo e eu também não gostaria de mencionar esta história! Fico triste só de lembrar! (diz o rei).
_Por que você não conta para mim? Não foi o bastante eu ter salvo a sua vida? (perguntou Lara).
_Não é isso! É que isso foi registrado no Livro das Verdades Absolutas! (disse o rei).
_O Livro das Verdades Absolutas? Baratildo me falou sobre ele! (disse Lara em um tom de surpresa).
_E desde quando você conhece Baratildo? (perguntou o rei).
_O quê, você também o conhecia? (perguntou Lara).
_Baratildo foi a primeira barata criada no primeiro milênio! (disse o rei).
_De fato ele me falou que as baratas existem aqui no atenalp há milhares de anos, mas eu não sabia que as baratas podem viver milênios! (disse Lara).
_Sim, elas podem! Diga-me! Baratildo ainda está vivo? (perguntou Glácius).
_Infelizmente não! Ainda estou sem saber quem foi que o esmagou. (respondeu Lara com um tom de pesar).
_Você já desconfiava de algum ser vivo deste atenalp? (perguntou o rei).
_Sinceramente, não! Nem sequer faço ideia! Mas meu subconsciente diz que foi Aznic! (disse Lara).
_O primeiro dominador do papel e do vidro! De onde você o conhece? (perguntou o rei).
_É uma longa história também! Ele morava na minha terra natal! (respondeu Lara).
_E pra onde você pretende ir agora? (perguntou o rei).
_Eu ainda não sei! Eu preciso encontrar Aznic! Mas quanto mais eu procuro por ele mais distante eu fico! (disse Lara).
_Para você encontrar ele você deve achar primeiramente O Livro das Verdades Absolutas! (disse o rei).
_Mas como eu posso encontrar esse tal livro? (perguntou).
_Siga o desejo do seu coração! Qual é o maior desejo do seu coração? (pergunta o rei).
_Conhecer a verdadeira Imaginação e descobrir quem esmagou o Baratildo! (diz Lara).
_Então aprenda a escutar a voz da Imaginação! (disse o rei).
_E de que forma eu posso escutar a voz dela? (pergunta Lara).
_Basta acreditar, e você ouvirá a sua voz! (diz o rei).
_Você consegue escutar a voz dela? (perguntou Lara ao rei).
_De vez em quando! (respondeu o rei).
_Mas como assim, de vez em quando? (pergunta Lara).
_É outra longa história, Lara! (respondeu o rei).
_Nós não viramos amigos? (pergunta Lara).
_Claro que sim, Lara! (responde o rei).
_Então porque você esconde tantas coisas suas de mim? (perguntou a menina).
_É porque você deve descobrir sozinha! Será melhor você estando sozinha! E eu tenho certeza de que a Imaginação a ajudará nessa caminhada! (respondeu o rei).
_Como você sabe? (ela perguntou).
_A Imaginação sempre ajuda os seres puros de coração! (respondeu-lhe o rei).
Lara retirou-se da presença do rei e saiu do castelo. Ela ficou curiosa com uma certa coisa que tinha visto. Parecia haver alguma coisa na coroa de gelo que o rei estava usando.
Ao sair do castelo Lara se depara com o imenso frio que estava fazendo, e desta vez não havia nenhum lobo por perto para se transformar em um casaco para aquecer seu corpo. Lara saiu caminhando pelo chão plano de gelo.
_Carambolas! Que frio! E agora? Para onde eu devo ir?
Lara se senta no chão de gelo e tenta suportar o frio. Depois de alguns segundos esfregando as mãos na tentativa de se aquecer, ela lembra-se da nova habilidade que o verdadeiro lhe ensinara. Agora Lara também podia controlar a chama ígnea, pois podia aquecer-se de dentro para fora.
Só que Lara precisava sentir raiva para acionar a chama ígnea. Mas como sentir raiva, se ela estava sentindo frio? Então Lara concentrou seus pensamentos e transformou o seu desejo de se aquecer em raiva.
As mãos de Lara ficaram vermelhas novamente. Ela tentou fazer algo de novo. Então ela estalou os dedos por diversas vezes até que uma chama apareceu em meio àquela nevasca. A chama não se apagava, por mais forte que fosse o frio, e por mais violento que fosse a nevasca. Lara aproxima as mãos perto do fogo para aquentar-se.
_Carambolas com ameixas! Que coisa boa! Como é bom o calor!
Depois de um certo tempo, Lara deitou-se no chão, pois estava muito cansada. Seus olhos estavam pesados e seu corpo também. Então Lara começou a dormir. Nesse espaço de tempo foi que Lupus e os lobos chegaram à cidade de Lara.
Ao chegarem lá, eles viram todos os cúbix caídos no chão. Estavam todos quebrados. Lupus não acreditara que Erilufc estava com reforços, que, no caso, eram as baratas de fato.
_E então? Perceberam só agora que estão em menor número? (disse Erilufc).
_Nós não temos medo de você, sua serpente amaldiçoada! (disse Lupus).
_Pois deveriam, porque as baratas são minhas aliadas agora! (disse Erilufc).
_Nós somos lobos! Somos superiores às baratas, e certamente também somos superiores a você! (disse Lupus).
_Essa é a sua opinião, e não nos interessa! (disse Erilufc).
_Não importa o que interessa a você... Baratas! Como puderam se aliar a esta cobra? (disse Lupus para as baratas, mas nenhuma delas respondeu).
Lupus e os lobos tentaram atacar Erilufc, mas ela balançou suas duas asas e provocou um vento tão forte que arremessou os lobos a uns três metros de distância. Lupus e os seus irmãos tentaram atacar novamente, mas Erilufc apertou a garganta de Lupus e mordeu o pescoço com seus dentes caninos e afiados.
Os dentes caninos de Erilufc aumentaram quando ela mordeu pescoço de Lupus. Os irmãos de Lupus tentaram revidar nesse momento, porém as baratas atacaram os lobos fazendo-os retroceder juntamente com Lupus.
Então Lupus e seus irmãos fugiram de Erilufc e das baratas, mas não tiveram êxito, pois Erilufc e suas baratas estavam perseguindo Lupus e seus irmãos. Erilufc não tinha a intenção de deixá-los escapar, pois seu ódio era imenso. Lupus e os lobos estavam voltando para a sua terra natal. Enquanto isso, o rei Glácius estava na parte mais alta do castelo conversando com Coráx.
_Coráx! Cadê Urubuzimbo?
_Não sabemos, meu rei! (respondeu Coráx).
_Urubuzimbo era o líder dos urubus da Terra dos Urubus Prestigiados! E agora você está liderando os urubus! O que você acha que aconteceu com ele? (perguntou o rei para um dos urubus).
_Uca, ribas! Ele foi embora para A Cidade dos Espelhos Quebrados! (respondeu um dos urubus).
_Quem foi que disse? (perguntou o rei).
_Eu, meu rei! (respondeu o mesmo urubu se apresentando do meio dos outros urubus).
_Você sabe o motivo pelo qual ele foi embora? (perguntou o rei).
_Ele nos disse no tempo em que ele estava conosco que ele queria mudar a rotina de sua vida. Então ele foi para essa cidade esquisita. (disse o mesmo urubu).
_Não seria nesta cidade que Aznic trabalharia? (perguntou o rei).
_Meu rei, dizem os rumores que sim. Mas até hoje ninguém sabe dizer! (respondeu Coráx).
_Então eu preciso que você e os urubus vão até lá! (disse o rei).
_E por qual motivo devemos ir até lá? (perguntou-lhe outro urubu).
_Eu preciso de algumas informações de Aznic. Ele tem informações que podem me dizer onde está a minha amada! (disse o rei).
_Sim, meu rei! Eu e os urubus iremos até lá! (disse Coráx).
_Muito bem! Eu, Glácius, ordeno que vocês vão até à Cidade dos Espelhos Quebrados!
Então Coráx e os urubus saíram voando em direção à Cidade dos Espelhos Quebrados. Lara ainda estava dormindo ao lado do fogo que ela mesma fizera com suas mãos, outrora cálidas. Erilufc e as baratas ainda estavam perseguindo Lupus e os seus irmãos.
O verdadeiro estava passeando pela Floresta Impecável. Algo lhe dizia que ele precisava passar pela mata da floresta e encontrar seus amigos. Foi então que apareceu-lhe o castor lhe perguntando.
_Para onde você está indo?
_Estou cansado de andar pelas ruas da Cidade dos Mentirosos e eles nunca poderem me ver pelo fato de estarem longe da verdade! (respondeu o verdadeiro).
_E o que seria a verdade para você? (perguntou o castor).
_É tudo aquilo que te torna único e precioso neste atenalp! (disse o verdadeiro).
_Muito bem! São palavras sábias as suas! (respondeu o castor).
_Você sabe me dizer até onde esta floresta me levará? (perguntou o verdadeiro).
_Esta floresta o levará até a Terra da Saudade! Mas tenha cuidado, pois as pessoas de lá são muito melancólicas! (respondeu o castor).
_Tá bem! Serei cuidadoso! (disse o verdadeiro).
O verdadeiro caminhou em direção ao lugar, hora mencionado. Ao sair da floresta, o verdadeiro olhou e viu várias pessoas adultas. Todos os adultos desta cidade tinham um olhar bem triste. Ao aproximar-se de um daqueles adultos o verdadeiro perguntou-lhe.
_Ei, você! Sabe me dizer até onde esta cidade pode me levar?
_Eu não sei, mas eu sinto muita falta do meu cachorro! Ele conversava comigo o dia todo! (respondeu o adulto).
Então o verdadeiro se direciona para outro adulto e lhe pergunta.
_Ei! Até onde esta cidade pode me levar?
_Eu me lembro dos bons momentos em que eu era um menino! Você é uma criança, não é? É tão bom ser uma criança! Eu brincava de pega-pega, de pique-esconde, e também tinha muitos amigos! Você tem muitos amigos? Eu não tenho amigos! É muito bom ter amigos, não é? Quem é que não quer ter amigos? Ter amigos é melhor coisa do mundo! Você quer ser meu amigo? (perguntou o adulto deixando-o constrangido).
_Eu só quero que me diga até onde esta cidade me levará! (disse o verdadeiro).
Então outro adulto se aproximou dos dois e disse pro verdadeiro.
_Eu sinto saudade de quando eu morava em outra cidade. Você é de qual cidade? E quantos anos você tem? Por que os seus olhos são amarelos? E porque a sua pele é albina? É bom ter os olhos amarelos, não é? A gente enxerga tudo amarelo! Você enxerga o ASTRO-REI amarelo, ou de outra cor?
Outro adulto aproximou-se dos três e disse.
_Alguém falou aí do ASTRO-REI? É tão bom falar do ASTRO-REI, não é? Eu era professor de astronomia! Era tão bom dar aulas de astronomia! Algum de vocês já foi professor de astronomia? É tão bom falar dos astros, não é? Os astros são incríveis! Vocês conhecem algum astro além do ASTRO-REI? Eu conheço vários e vários! É bom ter conhecimento, não é?
O verdadeiro já estava com a cabeça agonizada de tanto ouvir as falácias daqueles adultos. E quanto mais ele ouvia, mais adultos vinham conversar e falar das suas saudades. Então o verdadeiro decidiu sair daquela roda de adultos, os quais estavam conversando, e seguiu em linha reta pelas ruas da cidade.
_Nossa, como eles falam! Será que o único sentimento que eles sentem é saudade?
Ao andar pelas ruas da cidade o verdadeiro ficou olhando para os adultos, os quais estavam olhando para o chão. Então o verdadeiro decidiu perguntar para um dos adultos o porquê de eles olharem para o chão.
_Ei! Porque que vocês ficam olhando para o chão?
_É porque quem vive com saudade só olha para o chão! (respondeu o adulto).
_Mas vocês não podem se deixar sufocar por esse sentimento! (respondeu o verdadeiro).
_Você sente saudade de alguma coisa? (perguntou o adulto).
_Eu tenho saudades de quando os mentirosos eram verdadeiros e só falavam a verdade! (respondeu o verdadeiro).
_E porque você sente falta desse tempo? (perguntou o adulto).
_Porque todos eles podiam viver e também porque todos nós éramos felizes! (respondeu o verdadeiro).
_Então todos vocês eram felizes? (perguntou o adulto).
_Sim! E tem mais! Nós compartilhávamos a verdade. Nós éramos propagadores da verdade. Tudo era maravilhoso nesse tempo. (respondeu o verdadeiro).
_Infelizmente não posso ajudar! Tenho saudades até de quando eu era útil às pessoas! Mesmo assim, desejo boa sorte com a sua busca! (disse-lhe o adulto).
Então o verdadeiro continuou andando pelas ruas. Ao andar pelas ruas, o verdadeiro percebeu que algumas pessoas estavam com umas fotografias em mãos. Tratava-se de fotos de pessoas que estavam vivas, mas que passaram a não existir mais. O verdadeiro caminhou pelas ruas até encontrar uma ponte que o levaria a um lugar chamado A Cidade dos Chorosos. Ao atravessar a ponte o verdadeiro percebeu que várias crianças, adolescentes e adultos , estavam chorando.
_Ei, porque vocês estão chorando tanto?
No entanto, nenhum deles respondeu. O verdadeiro tentou animá-los.
_Ei! Me contem porque vocês estão chorando!
No entanto nenhum deles respondeu, pois continuavam chorando. O verdadeiro ficou triste ao vê-los chorando. A cidade era pequena e não havia muitas ruas por onde andar. Então o verdadeiro saiu da cidade. Ao sair da cidade, ele viu uma placa onde estava escrito: “NÃO HÁ TRISTEZA MAIOR DO QUE SONHAR COM UM ATENALP MELHOR!”. O verdadeiro ficara muito pensativo a despeito deste assunto. Mas não era a hora de pensar e sim de agir.
Ao prosseguir, o verdadeiro viu um campo verdejante com milhares de flores. Todas elas cantavam uma música em uníssono. E a música dizia mais ou menos assim.
A beleza vem de dentro
Os espinhos vêm de fora
A tristeza vem de dentro
quando ao mal implora
os desastres que circundam
o atenalp e a vida
são só pontes passageiras
que a verdade eterniza
O verdadeiro entendeu o significado de cada verso cantado pelas flores. Sendo assim, ele prosseguiu em sua caminhada até se distanciar do campo florido e chegar em um deserto árido e quente. Ao continuar andando, ele sentiu um enorme calor que fazia naquele lugar. O ASTRO REI estava brilhando como sempre, mas essa situação não estava sendo tão favorável assim para o verdadeiro.
Depois de tanto caminhar, o verdadeiro ficara esgotado.
_Puxa, que calor! Será que este deserto não tem fim? E será que essas dunas não acabam?
O verdadeiro estava sobremodo sedento. Durante a caminhada ele avistou uma fonte parecida com a fonte que existe na Cidade dos Mentirosos. Então o ele correu desesperadamente em direção à fonte. Ao chegar até onde se encontrava a fonte, a mesma desapareceu de repente.
_Não acredito! Então era apenas uma miragem! Que coisa!
O verdadeiro continuou a caminhar até não ter mais forças para andar, pois ele havia subido e descido por muitas dunas.
_Ah! Eu não aguento mais!
O verdadeiro caiu no chão sujando-se assim com a areia. Então o verdadeiro ficou olhando para o ASTRO REI. Seus olhos não doíam, pois eram resistentes ao calor. Enquanto isso, Lara continuava dormindo, quando de repente, estavam chegando os lobos que estavam correndo, ou melhor dizendo, fugindo de Erilufc e suas baratas aliadas. Neste mesmo espaço de tempo, o rei Glácius estava correndo na direção onde Lara estava. Ao que parecia, tudo indicava que algo de muito ruim estava prestes a acontecer.
Ao se aproximar de Lara o rei lhe disse.
_Vamos! Acorde!
_O que foi? (perguntou Lara).
_Algo está prestes a acontecer! (respondeu o rei).
_O que vai acontecer? (perguntou Lara).
_Esta cidade está prestes a entrar em chamas! (disse o rei).
_Mas como a cidade vai entrar em chamas, se ela é completamente feita de gelo? (perguntou Lara).
_Uma chuva de fogo misturado com enxofre está prestes a cair! (disse o rei).
_E para onde vamos? (perguntou Lara).
_Para a sua terra natal! (respondeu o rei).
_Certo! (disse Lara).
_É bom nós corrermos! (disse o rei).
Então Lara e o rei correram em direção à Cidade sem Nome. Lá estavam os lobos vindo juntamente com Erilufc e as baratas. Ao que parecia, não dava mais tempo para fugir da chuva de fogo e enxofre, pois as chamas já estavam caindo do céu em direção à Cidade de Gelo. Os lobos aproximaram-se de Lara e do rei.
_E agora? Para onde iremos? (perguntou Lupus).
_Vamos direto para o meu castelo! (disse o rei).
Então Lara, o rei e os lobos correram para o castelo de gelo. Enquanto as chamas caíam, os lobos ziguezagueavam para não serem atingidos pelo fogo. Ao observar, Lara fez a mesma coisa, pois estava nervosa com a situação. O rei corria de modo retilíneo, mas conseguia se desviar das chamas.
Muitas chamas estavam caindo em direção à cidade. O rei tinha um anel de prata que tinha o poder de invocar cúbix a partir de um subsolo de gelo. Como eles estavam sob um solo feito de gelo, o rei ativou o poder do anel de gelo. Então vários cúbix surgiram do solo.
Ao entrarem no castelo o rei, Lara e os lobos se dirigiram ao topo do castelo. Enquanto isso, os cúbix formaram uma barreira para protegerem o castelo. Erilufc e as baratas também conseguiram desviar-se das bolas de fogo. No entanto houve um momento em que Erilufc foi atingida por uma bola de fogo. Erilufc agora estava totalmente em chamas.
Então Erilufc abriu os braços e disse.
_É assim que você tenta me amedrontar?
Enquanto ela dizia tais palavras, mais uma bola de fogo a atingiu em cheio. A chama consumiu as asas de Erilufc completamente. Então Erilufc transformou-se em uma serpente e saiu rastejando pelo chão gélido. Nesse intervalo de tempo as baratas decidiram voltar para a sua terra natal.
As bolas de fogo ainda estavam caindo e Lara, o rei Glácius e os lobos não sabiam o que fazer. Lara se lembrara então de que o pingente prateado no formato de caixão havia sido deixado no calabouço do castelo.
_Ei! Acho que existe uma forma de nos salvarmos! (disse Lara).
_Qual? (perguntou o rei).
_Vamos para o calabouço! (disse Lara).
_Mas pra que devemos ir para o calabouço? (perguntou Lupus).
_Foi deixado um pingente prateado do qual eu sai! (disse Lara).
_Sim, mas o que tem isso? (perguntou o rei).
_Podemos nos esconder dentro do pingente! Eu fiquei dentro dele por bastante tempo. Depois nós saímos. (respondeu-lhe a menina).
_Certo, mas quem irá nos tirar de dentro? (perguntou Lupus).
_Não sei! (disse Lara meio sem jeito).
_Você ficou louca? Nós podemos ficar dentro do pingente para sempre! (disse Lupus).
_Não temos outra opção! Em questão de segundos esta cidade será colocada abaixo! (disse o rei para Lupus).
_E então? Vamos? (perguntou Lara).
Então Lara, o rei e os lobos desceram em direção ao calabouço.
_Para que todos nós possamos entrar precisamos tocar todos juntos no pingente.
Então todos tocaram ao mesmo tempo no pingente. O pingente brilhou fortemente e sugou todos eles para dentro. Enquanto isso, as bolas de fogo misturado com enxofre continuavam caindo sobre a Cidade de Gelo, de maneira que as casas de gelos estavam em chamas. Nem mesmo os cúbix conseguiram se defender, pois a intenção deles era defender seu rei.
O fogo misturado com enxofre consumiu a todos. Foi então que a chuva cessou. Ainda restara o solo de gelo, porém, com alguns buracos.
Enquanto isso, o verdadeiro acorda e enxerga outra fonte parecida com a fonte da Cidade dos Mentirosos. Ao correr em direção à fonte, o verdadeiro percebe que se tratava de outra miragem. Então o verdadeiro parou de correr, pois sabia que a fonte não era real.
_Nossa! Quando será que este deserto irá acabar? O que será que eu vim fazer aqui?
Ao olhar ao seu redor, o verdadeiro viu alguns pontinhos pretos no céu. Certamente ele não sabia do que se tratava, mas de uma coisa ele sabia. Que sua sede era grande.
Coráx e os urubus já haviam chegado à Cidade dos Espelhos Quebrados. Ao chegarem lá, Coráx deparou-se com uns macacos que estavam povoando a cidade. Os macacos estavam limpando a cidade, pois havia muitos cacos de vidro para tirar de lá. Então Coráx tenta falar com um dos macacos.
_Ei! Quem é o líder de vocês?
_Não temos líder! (respondeu o macaco).
_Pois bem! Então isso significa que todos vocês são iguais! (disse Coráx).
_Não! Significa que nós trabalhamos pela ordem! (respondeu o macaco).
_Mas como pode haver ordem sem que haja equilíbrio? (perguntou Coráx).
_O equilíbrio é o de menos! O que nós precisamos mesmo é de uma nova ordem! (respondeu o macaco).
_Mas quem disse que nós seres deste atenalp somos livres para decidirmos qual deve ser a ordem das coisas? (disse Coráx).
_Uma vez que se tenha a vida como uma dádiva, só a razão de estarmos vivos é o suficiente! (respondeu o macaco).
_Se você faz de si um ser inferior aos outros você não tem a liberdade de escolher o que realmente importa! (disse Coráx).
_E quem disse que nós estamos preocupados com a liberdade? O que realmente queremos é que a nova ordem venha. Só assim poderemos evoluir. (respondeu o macaco).
_Pois bem! Não pode haver evolução sem mudanças, não é? Eu realmente espero que vocês tomem conhecimento do que está em jogo neste atenalp! (disse Coráx em um tom de seriedade).
_Ah, sim! Realmente temos noção de nossas escolhas, e não queremos voltar atrás! Agora se nos der a licença, precisamos varrer os cacos desta espelunca, por quê, como você deve saber, as coisas passadas ficam para trás, e nós precisamos evoluir! (disse o macaco).
Então Coráx saiu da presença do macaco e aproximou-se de um orangotango e lhe perguntou.
_O que exatamente vocês pretendem fazer com esta cidade destruída?
_Ah, sim! Nós vamos construir A Nova Selva. Depois de varrermos todas as sujeiras nós iremos plantar sementes de banana e assim teremos um paraíso só nosso. Este é o nosso objetivo, mas como você bem pode ver ainda falta muita coisa. (respondeu o orangotango).
_Pois bem! Boa sorte com o trabalho de vocês! (diz Coráx).
_Ah, sim! Obrigado!
Depois de observar o trabalho dos macacos, Coráx chegara à breve conclusão de que não havia nada para se procurar naquele lugar. Então Coráx se voltou para os seus urubus subordinados e lhes disse.
_Pois bem! Não há nada a se fazer por aqui! Vamos voltar para o nosso rei!
Coráx e os urubus voaram em direção a Cidade de Gelo. O que eles não faziam ideia era que o castelo de gelo e o solo haviam sido danificados pela chuva de fogo misturado com enxofre. De fato, os macacos estavam dispostos a transformar a Cidade dos Espelhos em A Nova Selva. No entanto, ainda faltava muito para eles cumprirem essa tarefa. O verdadeiro continuava naquele deserto sedento e aflito pelo calor que estava fazendo.
_Não estou mais aguentando todo esse calor!
Enquanto os macacos estavam trabalhando chegou Urubuzimbo e perguntou para um dos macacos.
_Mas quem deu ordem para que vocês viessem aqui?
_Nós somos a ordem! (respondeu o macaco).
_Quem disse? (disse Urubuzimbo).
_Eu estou dizendo! Porque? (disse o macaco em um tom aborrecido).
_Vocês não têm o direito de trabalharem aqui! Este lugar pertence a Aznic! (disse Urubuzimbo).
_Então faça o seguinte! Mande-o vir aqui pessoalmente que nós resolveremos esta questão! (disse-lhe o macaco).
_Ele anda bastante ocupado para vir aqui! (respondeu Urubuzimbo).
_Então diga a ele que esta cidade não é mais a terra natal dele, e, portanto, nós a tomamos! (respondeu o macaco).
_Mas você não tem autoridade para isso! Se você soubesse quem é Aznic você falaria com os outros macacos para abandonarem esta cidade destruída! (disse Urubuzimbo).
_E quem é ele para nos dizer o que devemos ou não devemos fazer? (perguntou o macaco).
_Ele é bem mais do que eu e você possamos imaginar! (respondeu Urubuzimbo).
_Isso pouco importa! Agora é tarde! Ainda temos muito o que fazer, e você não está ajudando em nada! (disse o macaco).
_E quem disse que eu vim ajudar? (disse Urubuzimbo).
_Você não me dá medo! Conheço muito bem quem é você! (disse o macaco).
_Ah, é? E quem sou eu? (disse Urubuzimbo).
_Um pobre urubu que abandonou a sua pátria para trabalhar para um ser desprezível! (respondeu o macaco).
_Isso é o que você pensa! (disse Urubuzimbo em um tom aborrecido).
_Não! Isso é o que a metade do atenalp pensa! (respondeu o macaco).
_Eu não vou perder o meu tempo falando com você! Não tenho tempo pra isso! (respondeu Urubuzimbo).
Urubuzimbo saiu de perto do macaco e retirou-se voando para outro lugar. De tanto sentir fome e sede, o verdadeiro começara a chorar amargamente. Suas lágrimas penetravam o solo árido e quente do deserto. De repente, eis que começara a nascer do solo uma bela e grande árvore com belos frutos.
O verdadeiro ficou admirado, pois nunca vira algo tão fascinante. Então o verdadeiro subiu na árvore e pegou alguns frutos para comer. A árvore era tão grande que dava para ver metade do deserto. As frutas eram roxas e possuíam um gosto delicioso. O verdadeiro pensou consigo.
_Se as minhas lágrimas fizeram nascer essa árvore com frutos deliciosos talvez a minha saliva possa fazer nascer uma fonte de água!
Então o verdadeiro cuspiu na areia e então nasceu uma pequena fonte de água. O verdadeiro ficou muito feliz por seu pensamento ter-se tornado realidade. Agora o verdadeiro tinha comida, água e uma extensa sombra para descansar antes de continuar sua busca.
O verdadeiro encostou-se na árvore e descansou por um breve tempo depois de ter bebido água o suficiente para matar a sua sede. De repente, do nada, aparecera um homem gordo de pele cinza.
O verdadeiro avistou o tal homem de longe e gritou.
_Ei!
No entanto, o homem nada respondera. O verdadeiro ficou indignado por ele não ter dito nada. Depois de um certo tempo, o homem exibiu-lhe um sorriso e desapareceu logo em seguida. O verdadeiro olhou novamente para o lugar de onde ele aparecera e então se perguntou.
_Nossa! Será que eu vi apenas mais uma miragem?
Desta vez já era a segunda vez que Aznic aparecia e desaparecia. Mas será que Aznic realmente existia? Seria ele apenas fruto da imaginação? Ou seria ele uma espécie de fantasma?
Sendo assim, nosso amigo verdadeiro subiu na árvore e pegou mais alguns frutos. Após ter descido da árvore, o verdadeiro continuou a sua jornada e assim seguiu a sua caminhada. Ainda havia muitas coisas para acontecer, e este era apenas o início da jornada, mesmo depois de terem acontecido tantas coisas. Tudo o que aconteceu fazia parte de uma pequena parcela de fatos que aconteceram por uma grande razão.
Depois de caminhar um pouco mais, o verdadeiro avistou uma cidade. Depois de conseguir ver a cidade, o verdadeiro recobrou os ânimos e assim continuou caminhando. Entretanto, antes de chegar, ele escutou uma voz sussurrando em seus ouvidos. E a voz sussurrava as seguintes palavras:
_VERDADEIRO! VOCÊ É PARTE DOS MEUS PLANOS!
PASSE POR ESTA CIDADE E NÃO PARE PARA
CONVERSAR COM NINGUÉM!.
O verdadeiro não entendeu o porquê de a voz ter dito isso para ele, mas ele apenas concordou e disse.
_Sim! Eu farei isso e tudo mais o que me pedir!
Então a voz lhe disse:
_MUITO BEM! FAÇA ISSO!
Ao passar pela cidade, o verdadeiro não falou com nenhum dos seres que estavam na cidade. Ele apenas seguiu em linha reta. Apesar de não ter falado com ninguém, uma das pessoas aproximou-se dele e lhe disse.
_Ei! Vejo que você é diferente! O que você veio fazer aqui na nossa cidade?
Porém o verdadeiro seguiu direto sem nada responder à pessoa que lhe fizera a pergunta. Depois disso veio outra pessoa e lhe disse.
_Você é um deles, não é? Você não é bem-vindo aqui! É melhor você procurar outro lugar para morar!
Obviamente, o verdadeiro não estava entendendo o porquê de tudo aquilo, mas certamente era por uma boa razão. Então a voz lhe disse:
_SIGA PELA DIREITA!.
O verdadeiro perguntou para a voz.
_Mas para quê?
Então a voz lhe respondeu:
_ESTA CIDADE PODE LEVAR A VÁRIOS LUGARES! DEPENDENDO DA DIREÇÂO QUE VOCÊ TOMAR, VOCÊ PODE CHEGAR A UM LUGAR DIFERENTE!.
Então o verdadeiro concordou e assim seguiu pela direita.
_Certo! Farei tudo o que você me mandar!
A voz lhe respondeu então:
_MUITO BEM! FAÇA ISSO E VOCÊ ENCONTRARÀ O QUE VOCÊ TANTO BUSCA! VOCÊ GOSTARIA DE SER VISTO PELOS MENTIROSOS, NÃO É?
_Sim! Eu desejo muito! (respondeu o verdadeiro).
_ENTÃO SIGA ÀS MINHAS INSTRUÇÕES E QUANDO VOCÊ VOLTAR À CIDADE DOS MENTIROSOS PREGUE SOBRE O MEU NOME E ELES SERÃO PURIFICADOS PELO MEU PODER. SÓ ASSIM ELES PODERÃO ENXERGAR VOCÊ. NÂO É ISSO QUE VOCÊ DESEJA?
_ Sim, eu desejo! Mas como falarei em seu nome se eu não conheço você? (diz o verdadeiro).
_EU SOU AQUILO QUE NENHUM OUTRO SER CONSEGUE DEFINIR.
_Mas qual é o seu nome para que eu possa falar de você para os mentirosos? (perguntou-lhe).
_EU SOU A IMAGINAÇÃO! AQUELA QUE CHAMA À EXISTÊNCIA AQUILO QUE NUNCA VEIO A EXISTIR!
_Mas como eles crerão em você, se eles não virem você? (perguntou o verdadeiro).
_QUANDO OS MENTIROSOS SE CONVERTEREM EM VERDADEIROS ASSIM COMO VOCÊ, ENTÃO ELES PODERÃO VIVER DE ACORDO COM A MINHA VONTADE! MAS ANTES DISTO, É NECESSÁRIO QUE VOCÊ DIGA PARA ELES DEIXAREM DE SEREM MENTIROSOS!
_E como eu farei isso? (perguntou o verdadeiro).
_VOCÊ SABERÁ O QUE FAZER QUANDO CHEGAR A HORA. NÂO SE PREOCUPE! APENAS CONFIE EM MIM!
_Tudo bem! Eu me rendo à sua vontade! (respondeu o verdadeiro).
_CONTINUE CAMINHANDO, E VOCÊ CHEGARÁ EM UMA CIDADE ONDE HÀ PESSOAS QUE PASSAM FOME! DIGA A ELAS QUE ELAS DEVEM IR PARA O DESERTO E LÀ EU FAREI CHOVER ÁGUA E O DESERTO PRODUZIRÁ TODA SORTE DE ÀRVORES QUE DÊEM FRUTO! NÃO SE PREOCUPE SE ELES NÂO ACEITAREM VOCÊ! APENAS FAÇA O QUE EU ESTOU LHE ORDENANDO!
_Sim! Eu irei até lá!
Capítulo 7
(A Busca)
Sendo assim, o verdadeiro prosseguiu em sua caminhada. Ao chegar numa cidade conhecida como A Cidade dos Incrédulos, o verdadeiro aproximou-se de um dos incrédulos e lhe disse.
_Olá! Eu preciso dizer uma coisa para você! Você e os outros moradores desta cidade precisam ir para o deserto!
_E porque nós deveríamos ir para lá? (perguntou o incrédulo).
_Lá no deserto vocês podem saciar a fome e a sede de vocês! (respondeu o verdadeiro).
_É bem verdade que não apenas eu, como todos os outros moradores desta cidade passamos fome e sentimos sede, mas por qual motivo nós deveríamos acreditar em você? (perguntou o incrédulo).
_Porque eu escutei a voz da Imaginação! (respondeu o verdadeiro).
_Ah, tá! E eu sou um sapo alado! (disse o incrédulo em um tom de ironia).
_Mas você precisa acreditar! Eu venho do deserto, e lá aconteceram coisas maravilhosas! (disse o maravilhoso).
_Então me prove! (disse o incrédulo).
_Veja! Segure aqui este fruto! É de uma árvore frutífera que brotou no deserto. (disse o verdadeiro).
_E como eu sei se o que você está dizendo é verdade? Você poderia muito bem ter pego esse fruto de alguma outra árvore! Árvores não brotam em desertos! (gritou o incrédulo).
_Mas é verdade! Você precisa acreditar! (disse o verdadeiro).
_Olha, eu agradeço por você ter me dado este fruto para eu comer, mas isso não nos torna amigos! Eu só acredito no que eu vejo! (disse o incrédulo).
_Então você não acredita na Imaginação porque você nunca a viu! (gritou o verdadeiro em um tom aborrecido).
_Nem eu e nem os outros moradores desta cidade! (disse o incrédulo em um tom de voz tristonho).
_Tudo bem! Não posso lhe julgar se você não acredita! Só espero que você e os outros moradores desta cidade alguma hora acreditem que a Imaginação realmente existe! (disse o verdadeiro).
_Talvez por um breve momento eu acredite, mas acredite, há outros incrédulos mais incrédulos do que eu! (disse o incrédulo).
_Então eu não posso fazer mais nada a não ser desejar boa sorte! (disse o verdadeiro).
O verdadeiro deixou de conversar e seguiu a sua caminhada. Então a voz lhe disse.
_NÃO SE PREOCUPE! VOCÊ FEZ A SUA PARTE! APENAS PROSSIGA, E EU LHE MOSTRAREI O CAMINHO!
O verdadeiro prosseguiu em sua caminhada até chegar em um lugar chamado A Terra dos Juízes. O verdadeiro ficara impressionado, pois os juízes da cidade estavam discutindo uns com os outros. O verdadeiro procurou algum dos juízes que lhe desse um pingo de atenção, mas nenhum deles lhe dera atenção.
Os juízes diziam frases como: “EU SOU O MELHOR DESTA CIDADE!”, “ELE NÃO PASSA DE UM BOBOCA!”, “NINGUÉM AQUI ALÉM DE MIM É DIGNO DE COISA ALGUMA! APENAS EU MEREÇO O MELHOR DO ATENALP!”.
De fato, o verdadeiro estava enjoado de tanto ouvir tantas frases voltadas para o ego humano, não sabendo eles que a Imaginação não se agrada de soberbos. Até que um dos juízes para de conversar e vai até o verdadeiro para lhe perguntar.
_Você é algum tipo de juiz novo por aqui? Pois saiba que aqui não há mais espaço para nenhum juiz a mais! Aqui já está cheio!
_Até onde esta cidade me levará? (perguntou o verdadeiro).
_A um lugarzinho inferior, pois os seres de lá só comem cenouras e outras besteiras como alfaces, repolhos e cebolas. (respondeu o juiz).
_Mas essas coisas não são besteiras! (respondeu o verdadeiro).
_O que? Como ousa me responder dessa maneira? (exclamou o juiz).
_Desculpe, mas eu não lhe ofendi em nada. Apenas disse que essas coisas são importantes para saúde! (disse o verdadeiro).
_E além de me responder ainda ousa tirar sarro da minha cara! (disse o juiz).
_Não foi isso que eu quis dizer, mas se você está dizendo, tudo bem! (disse o verdadeiro).
_Já chega! Eu não posso mais suportar isso! Você está preso por desacatar e questionar a minha autoridade!
Então o juiz prendera o verdadeiro e o levara para a prisão dos juízes. Na prisão havia muitos outros homens que haviam sido presos por uma simples besteira. Na prisão havia dez celas. A décima cela estava reservada para o décimo homem que no caso seria o verdadeiro. Em cada cela havia um homem. Depois de encerrar o verdadeiro na prisão o juiz lhe disse.
_Isso é pra você aprender que não se deve responder uma autoridade de tamanha dignidade.
Então o juiz distanciou-se e foi embora do cárcere. O verdadeiro ficara olhando ao seu redor e para os outros homens até que um deles lhe pergunta.
_Você questionou ao juiz, não foi?
_Não! Eu apenas respondi com o mais sincero respeito e ele decidiu me prender! (respondeu o verdadeiro).
_Isso sempre acontece toda vez que se responde a um juiz! (disse o homem).
_Mas eu não fiz nada demais! (respondeu o verdadeiro).
Capítulo 8
(Além da Prisão)
_Isso já foi dito por outros homens que já vieram para cá. (respondeu o homem).
_E há quanto tempo você está preso aqui? (perguntou o verdadeiro).
_Há mais de dez anos! (respondeu o homem).
_Mas o que você fez de tão grave pra você ter recebido essa punição? (perguntou o verdadeiro).
_Nada demais! Eu apenas respondi ao juiz de maneira simples e ele me prendeu aqui onde estou até hoje! (respondeu o homem).
_Então quer dizer que eu vou ficar aqui durante dez anos, é isso? (perguntou o verdadeiro).
_Talvez sim, talvez não! (respondeu o homem).
_Mas como assim, “talvez sim, talvez não’’? (perguntou o verdadeiro).
_Quero dizer que você pode ficar aqui durante dez anos! (respondeu o homem).
_E há quantos anos você está aqui? (perguntou o verdadeiro).
_Eu estou aqui há seis anos! Ainda faltam mais quatro anos para eu sair daqui! (disse o homem).
_Eu estou aqui há nove anos! Ainda falta mais um ano! (disse outro homem).
_E para mim ainda faltam mais sete anos, pois eu estou aqui há três anos! (respondeu um outro homem).
_Mas vocês acreditam mesmo que vocês vão sair daqui? (perguntou o verdadeiro).
_Como assim? (perguntou o primeiro homem).
_E se os juízes estivessem mentindo pra vocês? (perguntou o verdadeiro).
_Não! Isso não pode ser verdade? (disse o segundo homem).
_Mas é claro que pode! Se eles são os donos desta cidade eles podem muito bem estar mentindo e querendo manter vocês aqui pra sempre! (disse o verdadeiro).
_Nossa! Como nós não pensamos nisso ainda! (disse o terceiro homem).
_E se for realmente a verdade? (disse o quarto homem).
_Mas de que adianta saber disso, se nós não temos o direito de perguntar aos juízes se eles pretendem nos manter aqui por toda a eternidade? (perguntou o quinto).
_O que faremos então? (perguntou o sexto homem).
_Deve haver algum modo de sairmos daqui! Estamos presos aqui há tantos anos! (disse o sétimo).
_E se nós cantarmos uma canção? (disse o verdadeiro).
_Mas pra quê? (perguntou o oitavo homem).
_Existe uma canção dedicada à Imaginação! (disse o verdadeiro).
_E o que isso tem a ver conosco? (perguntou o nono).
_Se nós cantarmos esta música as paredes desta prisão cairão e nós poderemos fugir, pois os juízes estão sempre discutindo com eles mesmos! Eles não vãos perceber que nós estamos fugindo! (disse o verdadeiro).
_E se essa música não funcionar? (perguntou o primeiro).
_Então ficaremos com a falsa esperança de alguma hora nós sairmos daqui!
Os nove prisioneiros concordaram com o verdadeiro. Então o verdadeiro ensinou a música e pediu que todos cantassem. E a música dizia mais ou menos assim:
Oh, digníssima Imaginação
Tudo é Teu por direito
Tu criaste todas as coisas
E por estas e outras coisas és digna
de toda aceitação
Enquanto o verdadeiro e os demais cantavam esta música sobreveio um terremoto, o qual estremeceu toda a prisão, de maneira que as paredes da prisão desmoronaram e caíram por terra. Todos os presos ficaram impressionados com o que acontecera, pois não faziam ideia de que algum dia pudessem sair da cadeia antes do tempo, isto é, se é que de fato os juízes estavam determinados a soltá-los.
_Viram? Eu não disse que a Imaginação nos tiraria daqui? (exclamou o verdadeiro).
Os outros prisioneiros ficaram sem o que dizer, pois ainda permaneciam admirados com o que acontecera. De fato, eles estavam impressionados, no entanto, os juízes viram que a prisão havia desabado devido o terremoto que já havia cessado. Então os juízes começaram a correr atrás do verdadeiro e dos demais prisioneiros.
O verdadeiro dobrou a esquerda, passou por cima de dois juízes, e esquivou-se de um juiz que estava frente a ele e assim seguiu correndo. Alguns dos prisioneiros foram pegos pelos juízes, mas a maioria conseguiu escapar deles. O verdadeiro continuou correndo até não ser mais visto por eles.
Capítulo 9
(Conselhos)
Ao sentir-se cansado, o verdadeiro parou para descansar. Agora o verdadeiro estava em um lugar chamado As Árvores Aconselháveis, um lugar onde havia terra seca e árvores que possuíam rostos. Eram esquisitas e sabiam falar. Então uma das árvores dirigiu a palavra ao verdadeiro e lhe disse.
_O que você está fazendo aqui? Ninguém deseja vir para cá!
_O que vocês são? (perguntou o verdadeiro com uma cara de espanto).
_Não está vendo? Nós somos árvores que falam!
_Porque o solo onde vocês estão enraizadas está seco? (perguntou o verdadeiro).
_Porque nós não temos quem cuide de nós! Antigamente havia pessoas por aqui que amavam cuidar de nós, mas com o tempo, elas se tornaram egoístas e começaram a defender interesses que não são bons nem para nós e nem para o atenalp. (respondeu a árvore).
_Como você se chama? (perguntou o verdadeiro).
_Meu nome é Infrutildo! E você, como se chama? (perguntou a árvore).
_Pode me chamar de verdadeiro! (respondeu o verdadeiro).
_Estamos aqui há mais de dois milênios. Testemunhamos coisas que vimos e que poucos viram. (disse a árvore).
_E porque a Imaginação não trouxe a chuva para que vocês pudessem se saciar para poderem frutificar? (perguntou o verdadeiro).
_As pessoas que cuidavam de nós eram perversas e praticavam coisas dignas de reprovação. A Imaginação ficou triste com as mortes que aconteceram aqui, e então, ela permitiu que os antigos moradores deste lugar se destruíssem até que não restasse mais nenhum. Depois disso vieram outros moradores de outras terras para povoarem esta terra que hoje está seca. Mas aconteceu o mesmo. Os moradores começaram a disputar pelos frutos que nós dávamos para eles, pois cada um era mais egoísta do que o outro, e então, a Imaginação fez com que cada um deles queimasse até virar cinzas. Foi quando um dos humanos que estavam queimando encostou-se em uma das árvores, a qual também acabou queimando até virar cinzas. Um dos nossos irmãos ancestrais blasfemou contra a Imaginação, e por esta causa a Imaginação decidiu que não cairia uma gota sequer da água da chuva para saciar a nossa sede, e por isso, permanecemos sedentas e infrutíferas. (disse a árvore).
_Mas a Imaginação não pode punir todas as árvores, se apenas uma cometeu um erro! (disse o verdadeiro).
_Isso foi o que nós também pensamos! Mas nós também ficamos todas indignadas com a Imaginação quando nossa irmã ancestral virou cinzas. A Imaginação considerou o nosso sentimento de indignação como a própria blasfêmia. Foi a partir daí que eu percebi que a blasfêmia não é apenas quando você abre a boca para ofender a Imaginação, mas também quando você tem um sentimento ruim a respeito da dela. Basta pensarmos, e quando menos pensamos já estamos fazendo o errado, pois o erro tem suas diversas formas. No final das contas eu reconheço que pequei contra a Imaginação, e não apenas eu pequei, como todas nós! (disse a árvore).
_Então a culpa também foi de vocês? (perguntou o verdadeiro).
_De certa forma sim, pois ficamos com raiva da Imaginação por um ser humano que se incendiou juntamente com a nossa irmã! (respondeu a árvore).
_Mas quem errou foi a pessoa que foi incendiada pelo fogo e não a Imaginação! (respondeu o verdadeiro).
_Exatamente por isso! Nós colocamos a culpa na Imaginação, sendo que ela não teve nenhuma parcela de culpa. (respondeu a árvore).
_Nossa, eu não sabia que os humanos eram egoístas já desde os tempos antigos! (disse o verdadeiro).
_Acredite! Você não gostaria nem um pouco de ver o que nós vimos! (disse outra árvore).
_O que vocês viram foi algo de tão ruim assim? (perguntou o verdadeiro).
_Você não tem nem ideia! (respondeu a mesma árvore).
_Eu gostaria de entender porque o atenalp é assim! (disse o verdadeiro).
_É, mas haverá um dia em que as nossas esperanças serão renovadas e não haverá árvore nenhuma que não seja frondosa e infrutífera! (disse outra árvore).
_E como vocês sabem disso? (perguntou o verdadeiro).
_Nem tudo está perdido! A Imaginação é pura e fiel ao que ela disse! (disse a mesma árvore).
_E o que ela disse? (perguntou o verdadeiro).
_Ela disse aos seres do primeiro milênio que ela restauraria o atenalp, e todas as coisas seriam como antes! (respondeu outra árvore).
_Mas quando isto vai acontecer? (perguntou o verdadeiro).
_Ainda não sabemos! Mas nós acreditamos que isto se cumprirá, e você também deve acreditar! (respondeu a mesma árvore).
_Para onde este lugar me levará? (perguntou o verdadeiro).
_Bem... este lugar levará você até uma bifurcação! De um lado fica a estrada para A Cidade dos Corações de Pedra, e do outro fica a estrada para A Terra das Raposas, no entanto você deve ir para A Cidade dos Corações de Pedra. (respondeu a árvore).
‘_Obrigado! (agradeceu o verdadeiro).
_Não vá para A Terra das Raposas. Elas são perigosas e só lhe conduzirão por onde você não deve ir! (disse a árvore).
_Mais uma vez obrigado! (disse o verdadeiro).
Capítulo 10
(Um pedido de ajuda)
Sendo assim, nosso amigo, o verdadeiro, continuou caminhando. Ao chegar à bifurcação, ele tomou a estrada que o levaria A Cidade dos Corações de Pedra. Chegando lá, ele sentiu-se intimidado, pois as pessoas de lá estavam encarando-o com uma expressão de quem estava emburrado.
Ele tentou aproximar-se de uma daquelas pessoas que se encontravam ali por perto, mas a tal pessoa distanciou-se mais ainda, pois não queria conversar com ninguém. Então o verdadeiro tentara aproximar-se de outra pessoa, mas esta também se afastou dele. A mesma voz, que era a voz da Imaginação falou para o verdadeiro dizendo.
_VERDADEIRO! EU QUERO QUE VOCÊ FALE AS PALAVRAS QUE EU DISSER! VOCÊ VAI FALAR COM ESTE POVO QUE POSSUI UM CORAÇÃO DE PEDRA! SE ELES NÃO OUVIREM VOCÊ NÃO SE PREOCUPE, POIS EU ESTOU COM VOCÊ E NÃO DEIXAREI QUE NINGUÉM FAÇA NENHUM MAL A VOCÊ!
_Sim! Eu farei o que me pede! (respondeu o verdadeiro).
Então ele caminhou até um lugar que tinha algumas pedras altas e subiu em cima delas para poder falar conforme o que a Imaginação dissesse para que ele falasse aos moradores da cidade.
_Peço a todos que ouçam! Desde que esta cidade foi fundada os habitantes daqui possuíam um coração alegre e cheio de felicidade, de maneira que todos se ajudavam e eram ajudados. Não era da vontade da Imaginação que as coisas piorassem. Mas acontece que as raposas se rebelaram contra os humanos, pois eles estavam destruindo o lugar que a Imaginação reservou para elas, de sorte que no primeiro milênio elas decidiram atacar os antigos habitantes desta terra. Por isso a Imaginação entregou os ancestrais de vocês para serem consumidos e devorados pelas raposas. Isso entristeceu bastante o coração da Imaginação, pois ela não deseja que os seres do atenalp se destruam uns aos outros. No entanto, ela respeita a decisão de cada ser vivo deste atenalp. O confronto entre os ancestrais de vocês e as raposas durou por tanto tempo que até hoje as raposas são odiadas por todos vocês. O ódio entre vocês e as raposas foi tão grande que a geração deste milênio que são vocês nasceu com um coração de pedra. Eu imagino como deve ser penoso andar pelas ruas de uma terra natal com um coração tão pesado e sem sentimentos. O que estou querendo dizer a vocês é que vocês devem ir até A Terra das Raposas e devem pedir desculpas pelo mal que os ancestrais de vocês fizeram.
Então um dos homens que estavam no meio da multidão disse para o verdadeiro.
_E porque nós devemos ir para lá, se foram os nossos ancestrais que erraram?
A multidão começara a gritar em forma de concordância.
_Porque é melhor respirar a vida do que viver a guerra! (respondeu o verdadeiro).
_E quem disse que nós queremos a paz? (perguntou o homem).
_Acreditem no que eu estou dizendo! A vida é uma dádiva que a Imaginação nos deu! Não devemos desperdiçá-la! (disse o verdadeiro).
_Você pode até conhecer a nossa história, mas não conhece a nossa gente! Você é um louco que só fala besteiras! (disse o homem em tom de resmungo.)
_Eu não estou obrigando nenhum de vocês a fazer o que não deseja! Vejam! Só peço que vocês vivam em harmonia! (disse o verdadeiro).
_Não precisamos disso! Somos autossuficientes! (respondeu o homem).
_Por favor! Não façam isso! Não seria melhor viver em paz? (disse o verdadeiro).
_Isso é uma grande besteira! (replicou o homem).
Então o povo começou a gritar em alta voz: “PARA FORA! PARA FORA! PARA FORA!”.
A Imaginação disse para ele.
_NÃO SE PREOCUPE COM ISSO! APENAS RETIRE-SE DESTA CIDADE! AS RAPOSAS JÁ ESTÃO VINDO PARA CÁ! VÁ LOGO E NÃO OLHE PARA TRÁS!”.
Sendo assim, o verdadeiro retirou-se da cidade e seguiu pela estrada sem saber aonde chegaria. Enquanto ele caminhava pela estrada ele conseguiu ouvir o grito dos moradores da cidade, e era tão alto o grito que dava para se escutar de muito longe. As raposas estavam devorando as pessoas. Eram cerca de cinco mil raposas, e o povoado da cidade era tão pequeno quanto uma cadeira de balanço. Na cidade não havia crianças, somente adultos.
O verdadeiro seguiu o seu caminho sem olhar para trás, pois a Imaginação havia lhe dito para não olhar para trás, em hipótese alguma. A Imaginação tinha as mais puras intenções com aquele povo, pois ela sabia muito bem que as raposas estavam planejando acabar não só com as pessoas, como também planejavam destruir a cidade. Depois que o verdadeiro andou alguns minutos o céu azul tornou-se vermelho de uma hora para outra.
Capítulo 11
(Ao fim da Jornada)
Depois de tanto caminhar, ele parou por um instante para descansar. Ele estava um pouco cansado. Então ele escutou a voz da Imaginação.
_AQUI TERMINA A SUA JORNADA! AGORA EU O LEVAREI DE VOLTA PARA A CIDADE DOS MENTIROSOS!
_Mas como eu chegarei até lá, se estou longe do caminho? (perguntou o verdadeiro).
_ NÃO SE PREOCUPE! EM UM PISCAR DE OLHOS VOCÊ ESTARÀ LÀ! NADA É IMPOSSÍVEL PARA MIM! (disse-lhe a Imaginação).
_Tudo bem! Eu acredito em você! (respondeu o verdadeiro).
_FECHE OS OLHOS! (ordenou-lhe a Imaginação).
Ele fechou os olhos. Quando os abriu, eis que já estava na sua terra natal.
_Nossa! (exclamou o verdadeiro).
_AGORA QUE OS MENTIROSOS ESTÃO VENDO VOCÊ. DIGA A ELES QUE EU AINDA AMO CADA UM DELES, MESMO QUE ELES NÃO MEREÇAM! (disse a Imaginação).
Um dos mentirosos perguntou para o verdadeiro.
_Você finalmente apareceu! Por onde você tem andado todo esse tempo? Nós achamos que nunca mais veríamos você!
Então o mentiroso abraçou-lhe com tamanho ímpeto e disse para a multidão de mentirosos que estava na cidade.
_Meus irmãos! Escutem-me! O nosso irmão finalmente apareceu! Talvez vocês não se lembrem dele, mas ele é aquele irmão que brincava conosco e desapareceu com o tempo! Vamos agradecer à Imaginação pelo nosso irmão porque ele finalmente apareceu!
O verdadeiro tomou a palavra e começou a falar.
_Peço uma coisa a vocês! Que vocês parem de mentir a partir de agora e peçam desculpas à Imaginação!
Então todos os mentirosos ajoelharam-se arrependidos de suas mentiras e disseram em uma só voz. _OH, IMAGINAÇÃO! DESCUPE-NOS POR TODAS AS NOSSAS MENTIRAS! A PARTIR DESTE MOMENTO TODOS NÒS DIREMOS A VERDADE! SOMENTE A VERDADE!
Então todos os mentirosos começaram a brilhar em uma espécie de luz amarela. O verdadeiro também estava brilhando com a mesma intensidade que os seus irmãos estavam brilhando. Todos estavam dançando e cantando uma música antiga que eles conheciam no tempo em que eles nunca haviam mentido. A música era assim:
MUITO EM BREVE
ELA SE APRESENTARÁ A TODOS NÒS
E NÒS AGUARDAMOS A SUA VINDA
ELA É MARAVILHOSA
E O SEU CORAÇÃO É INTEIRAMENTE PURO
PREDICAMOS A SUA VERDADE
E TESTEMUNHAMOS OS SEUS FEITOS
NINGUÉM HÁ COMO ELA
SOMOS SEUS FILHOS
E TUDO O QUE SOMOS É DELA
DESDE AGORA E PARA SEMPRE
DESDE AGORA E PARA SEMPRE
DESDE AGORA E PARA SEMPRE
SOMOS PREDICADORES DA VERDADE
SOMOS HERDEIROS DO SEU REINO
SOMOS DESCEDÊNCIA SUA
SOMOS FILHOS DA ESPERANÇA
SOMOS FILHOS DE SUA MEJESTADE
DESDE AGORA E PARA SEMPRE!
Capítulo 12
(A História Continua)
Enquanto isso, Coráx e os urubus liderados por ele haviam chegado à Cidade de Gelo. Pena que o castelo estava totalmente destruído. Ao ver que a cidade estava totalmente destruída Coráx começara a pensar que, tanto o rei Glácius como Lara e os lobos haviam desparecido para sempre.
_E agora o que faremos? (perguntou um dos urubus).
_Pois bem! Vamos para o calabouço! Mas eu só quero alguns de vocês! Quem sabe o nosso rei esteja escondido lá! (disse Coráx).
Então Coráx e alguns dos urubus foram até o calabouço.
_Vamos! Procurem por toda a parte! (ordenou-lhes Coráx).
No entanto eles não encontraram nem o rei, nem Lara, e nem o lobo. Coráx ficou demasiadamente triste e assim decidiu que não havia mais nada a se fazer, pois ele achava que o seu rei estava dormindo para sempre.
_Vamos embora! Não temos mais nada para fazer aqui! (disse Coráx).
Ao sair do calabouço juntamente com os urubus, um deles que estava do lado de fora perguntou para Coráx.
_E então? O rei está lá?
_Você está vendo ele aqui conosco, seu palerma? (disse Coráx com um tom de voz aborrecimento).
Então o mesmo urubu baixou a cabeça.
_Vamos embora daqui! Esta não é mais a minha cidade! (disse Coráx).
Sendo assim, Coráx saiu voando juntamente com os urubus. Na realidade o que Coráx e os urubus não sabiam era que o pingente que guardava Lara, o rei Glácius e os lobos haviam submergido na água, pois abaixo do chão gélido havia água em abundância.
O pingente submergiu bem fundo, até que uma baleia adulta o engoliu. Quando o pingente entrou pela garganta da baleia ele tocou a úvula de sua garganta, de modo que, quando isso aconteceu, o pingente brilhou de maneira que Lara, Glácius e os lobos saíram do caixão. Assim que eles saíram, o pingente voltou a transformar-se em um pingente na forma de um colar no pescoço de Lara. Todos eles ficaram surpresos.
_Hã? Onde estamos? (perguntou Lara).
_Na Cidade de Gelo é que não é! (respondeu Lupus).
_Estamos dentro da barriga de uma baleia! (respondeu Glácius).
_Como você sabe que nós estamos dentro da barriga de uma baleia? (perguntou Lara).
_Só haveria um animal que pudesse conter seres como nós! (respondeu Glácius).
_E agora? O que faremos, meu rei? (perguntou um dos irmãos de Lupus).
_Eu não sei! Sinceramente eu não sei! (respondeu Glácius).
_Já sei! E se nós pedirmos para a Imaginação? Certamente ela ouviria o nosso pedido e nós sairíamos daqui! (disse Lara).
_Eu não creio que isso possa acontecer? (disse Glácius com um tom de incredulidade).
_Carambolas! E porque você não acredita? (perguntou Lara).
_Bem! É uma longa história! Não vale à pena! Ela não nos ajudará! (disse Glácius).
_E como você sabe se ela não nos ajudará? Existe alguma coisa impossível para ela? (perguntou Lara).
_Vamos ficar aqui para sempre! Você não compreende? Estamos presos para sempre! E se sairmos da boca da baleia a água congelará até os nossos ossos! (disse Glácius).
_Mas você não é o rei da Cidade de Gelo? Você tem o domínio sobre o gelo! (disse Lara).
_Eu domino o gelo, mas sou feito de carne como qualquer outro ser humano do atenalp! (respondeu o rei).
_Deve haver alguma maneira de sairmos daqui! (disse Lupus).
_Exatamente! Deve haver alguma maneira de sairmos daqui, Lupus! (disse Lara).
Então Lara fizera um pedido à Imaginação.
_Querida Imaginação! Eu acredito em você! Por favor, nos ajude! Eu peço de todo o meu coração! Acredito que você vai escutar o meu pedido.
Depois que Lara fez o seu pedido, todos eles sentiram uma sensação de arrebatamento, como se eles estivessem subindo. De fato, a baleia estava nadando para cima, de maneira que ela colocou a sua cabeça para fora da água e vomitou Lara, o rei Glácius e os lobos.
Havia muitos buracos no solo de gelo da cidade, pois o fogo com enxofre havia causado vários buracos no solo gélido da cidade.
Ao saírem da barriga da baleia, ela retornou para o fundo da água subterrânea. Todos se levantaram.
_Eu não disse que a Imaginação ouviria o nosso pedido de ajuda? Porque você não acreditou? (disse-lhe a menina).
_O mais importante é que voltamos para a Cidade de Gelo! (disse o rei tentando escapar da verdade).
_Mas você deve admitir que a Imaginação existe e que ela ouve os pedidos de ajuda! (disse Lara).
_Eu sei muito bem que ela existe! (disse o rei).
_A cidade está acabada! O que faremos, meu rei? (perguntou Lupus).
_Vamos reconstruí-la! (respondeu o rei)
_Mas como? (perguntou Lara).
_Lembra-se de que eu lhe disse que o meu anel tem o poder de invocar cúbix do solo de gelo? (perguntou o rei).
_Sim! (respondeu Lara).
_Quando eu invocar os cúbix mandarei que eles reconstruam o meu castelo! (disse o rei).
_E quanto tempo vai demorar? (pergunta Lara).
_O tempo que for necessário! (responde o rei).
_E quanto tempo é necessário? (pergunta Lara).
_Você verá! (responde o rei).
Capítulo 13
(Novas Fronteiras)
Glácius usou seu poder para invocar os cúbix. O anel de Glácius brilhava de forma intensa. Então foram surgindo os cúbix do solo de gelo da cidade. Desta vez o número era maior do que o número anterior que se acabara.
_Meus servos! Reconstruam o castelo juntamente com esta cidade! (exclamou o rei).
Então os cúbix se movimentaram-se em direção ao castelo e assim começaram a trabalhar.
_Lara, você pode ficar aqui e me ajudar se quiser! (disse-lhe o rei).
_Não, Glácius! Eu tenho que resolver mistérios e descobrir quem é Aznic! (respondeu a garota).
_Bem... Então eu não posso fazer nada a não ser te desejar muita sorte! (disse o rei).
_Obrigada! (Lara agradeceu).
_Permita-me abraçá-la! (disse-lhe o rei).
_Claro! (respondeu).
Glácius abraçou Lara carinhosamente.
_Você é realmente uma menina de coração puro! (disse o rei).
_Você também pode ser um rei com um coração puro. É só pedir à Imaginação, e ela lhe concederá um novo coração! (disse a menina).
_Infelizmente não há mais tempo para isso! É tarde demais! (replicou).
_Lembre-se do que eu disse! Nada é impossível para a Imaginação!
_Adeus Lara! Quando você quiser vir até nós é só decidir e nós estaremos aqui de braços abertos! (disse-lhe o rei).
_Obrigada! (respondeu).
Então Lara despediu-se do rei e dos lobos e assim saiu caminhando em direção a sua terra natal, A Cidade sem Nome. Para a sorte dela, as bolas de fogo misturado com enxofre também haviam caído no rio que intermediava A Cidade de Gelo e A Cidade sem Nome, de maneira que as bolas de fogo evaporaram o rio por completo. Agora Lara teria de atravessar em seco, apesar de que o rio era fundo, isso não era problema para Lara, pois ela conseguiu atravessar de um lado para o outro e assim chegar a sua terra natal de volta.
Ao chegar em sua cidade, ela retornou para o lugar onde ficava a casa de Aznic. O espelho que Lara encontrara ainda estava lá por perto, dentro do buraco que Lara abriu. Lara não sabia o que fazer para continuar sua jornada. Então ela ajoelhou-se e pediu ajuda à Imaginação.
_Querida Imaginação! Preciso de sua ajuda! Não sei o que fazer neste momento! Me ajude a encontrar Aznic, pois quero saber se foi ele quem matou Baratildo! Preciso saber! Por favor!
Então Lara escutou uma voz doce e suave. Era a mesma a mesma voz que o verdadeiro havia escutado.
_LARA! EU SOU A IMAGINAÇÃO! ESCUTE O QUE EU TENHO PARA LHE DIZER! ENTRE NO BURACO E FIQUE EM CIMA DO ESPELHO! QUANDO VOCÊ ESTIVER EM CIMA DO ESPELHO DIGA AS SEGUINTES PALAVRAS:"LEVE-ME PARA O LUGAR DAQUELE QUE EU PROCURO!”
_Imaginação? É você? (perguntou Lara surpresa).
_SIM! SOU EU! VOCÊ ESCUTOU O QUE EU LHE DISSE? (perguntou-lhe a Imaginação).
_Sim, mas o que eu devo fazer depois? (perguntou Lara).
_APENAS FIQUE DE PÉ EM CIMA DO ESPELHO E REPITA ESSAS PALAVRAS: “LEVE-ME PARA O LUGAR DAQUELE QUE EU PROCURO! (disse-lhe a Imaginação).
_E o que irá acontecer depois? (perguntou a menina).
_O ESPELHO A LEVARÀ ATÉ O LUGAR QUE VOCÊ DEVE IR! (respondeu a Imaginação).
_E o que eu devo fazer assim que eu chegar lá? (perguntou).
_ASSIM QUE VOCÊ CHEGAR LÁ EU LHE DIREI ENFIM O QUE VOCÊ DEVE FAZER! (respondeu-lhe a Imaginação).
_Certo! Carambolas, como é bom ouvir a sua voz! (exclamou Lara).
Então Lara desceu em direção ao buraco onde se encontrava o espelho e ficou de pé em cima do espelho. Lara disse as seguintes palavras.
_Leve-me para o lugar daquele que eu procuro!
O espelho começara a brilhar em forma de uma luz azul e então o espelho teletransportou Lara para um lugar chamado A Cidade das Cinzas. Lara lembrara-se daquela história da qual Baratildo lhe contara sobre como ela era bem antes de entrar em chamas. A voz da Imaginação lhe disse.
_LARA! COMO VOCÊ BEM PODE VER ESTA É A CIDADE DAS CINZAS! PROCURE POR AZNIC!
_Certo! (disse Lara sentindo o coração palpitar).
Lara começou a caminhar para a direita e para a esquerda procurando por Aznic. Certamente Lara não estava acreditando que ela finalmente encontraria o verdadeiro Aznnic. Havia muito para acontecer e Lara ainda haveria de descobrir a origem de muitas coisas.
Lara caminhou bem devagar, pois as cinzas voavam a uma velocidade muito forte. Enquanto Lara ia caminhando ela ia gritando.
_Aznic! Aznic! Aznic! Onde está você?
Lara gritou tanto que ela perdeu o vigor de sua voz e passou a gritar em um tom menos elevado, até que por trás de um montão de cinzas estava um senhor gordo e careca, de pele cinza. Era Aznic.
Capítulo 14
(Por trás da História)
Aznic estava sentado no chão feito uma criança que se encolhe toda vez quando está com frio. Lara aproximou-se aos poucos de Aznic. Então ele começara a falar.
_Antes que a cidade de Papelândia fosse fundada havia um menino muito esperto que tinha o vasto sonho de criar um mundo no qual ele mesmo pudesse viver e desfrutar de suas maravilhas. Desde que ele era apenas uma criança, os seres do atenalp já o tinham por grande estima, visto que ele fora presenteado pela Imaginação com o precioso e incrível dom de dar vida ao papel. No entanto, ele era invejado por aqueles que se diziam ser seus colegas, pois eles não podiam fazer o mesmo que ele fazia. O menino não sabia o que era inveja, pois seu coração era desprovido de maldade. Foi então que ele fora expulso para fora da cidade onde morava pelos próprios vizinhos, pois os que se diziam serem amigos do tal menino inventaram uma mentira cabeluda para os adultos. A mentira que eles disseram era de que se menino não fosse expulso daquela cidade todos iriam sofrer um castigo terrível e esse castigo seria derramado sobre toda aquela cidade. Apavorados com a história mentirosa, os vizinhos expulsaram-no da cidade, pois acabaram acreditando neste falso boato. Desde então, o menino ficara sozinho, sem ninguém para ajudá-lo, sem ninguém para acolhê-lo. O menino sentiu na própria pele a dor de ser rejeitado, e quando chovia, ele tirava água dos poços de lama para beber. Houve um certo momento em que a Imaginação apareceu para o menino em sonhos dizendo o que ele deveria fazer. Depois de ter-se levantado do chão molhado pela chuva, o menino andou rumo ao lugar que a Imaginação lhe havia dito. O menino seguiu o conselho da Imaginação e seguiu em frente até que ele chegou ao lugar chamado A Terra do Nada. Neste mesmo lugar havia outro garoto sentado, olhando para o chão, como alguém que perdera a esperança há muito tempo. Então o menino tentou aproximar-se dele, mas o outro menino não queria nenhum tipo de aproximação. O menino tirou do bolso uma folha de papel e deu vida a essa folha. Em um piscar de olhos, a folha transformara-se em um elefante que caminhava para todas as direções e enrolava a sua tromba. O menino que antes estivera triste resolveu olhar para aquele papel cheio de vida e ficou alegre por ver uma coisa tão simples, embora fascinante. O menino disse que se ele quisesse aprender a dar vida às folhas de papel teria de ser seu amigo, e evidentemente o menino aceitou com um enorme sorriso no rosto. O menino ficara bastante feliz ao saber que naquele alegre momento ele havia ganhado um amigo de verdade. A partir daquele momento os dois brincavam juntos, contavam de um até cem, e admiravam a luz do ASTRO-REI.
_Esse menino era você, não era? (perguntou Lara).
_Sim! (respondeu-lhe Aznic).
_E o outro menino que você conheceu foi o fundador de Papelândia a quem você ensinou a transformar o papel em qualquer coisa, não é? (perguntou-lhe Lara).
_Sim! (respondeu Aznic).
_Carambolas! Como é triste a sua história! (disse Lara enquanto enxugava algumas lágrimas de seus olhos).
_Estamos propensos a carregar um fardo nesta vida! Esta é a nossa sina! (disse Aznic).
_Eu não acredito nisso! (replicou Lara educadamente).
_E no que você acredita? (perguntou Aznic).
_Acredito que somos o caminho que decidimos trilhar! (respondeu a menina).
_Você é só uma criança! Não sabe nem qual é o significado da vida! (replicou Aznic).
_Eu sei que um velho fica feliz ao receber um abraço! Eu também sei que uma criança chora quando sente falta de alguém que ela ama! Sei também que os escritores escrevem aquilo que está em seus corações. Se isso não é viver o que mais é viver? (replicou Lara sabiamente).
_Você é muito esperta, mas isso não é o suficiente para me convencer de que este atenalp pode melhorar! (disse-lhe Aznic).
_Se o atenalp pode melhorar, eu não sei, mas certamente podemos fazer dele um lugar bem melhor! (respondeu Lara assertivamente).
_Como? (perguntou Aznic).
_Podemos ser melhores e fazer os outros felizes! Este é o sentido da vida! (disse Lara).
_Eu também já fui um sonhador e veja só onde eu estou! (replicou Aznic).
_Você só está aí porque você quer. Você estava lá na fábrica e eu vi você, mas você não me deu atenção! Muitos refixis morreram por sua culpa! (disse Lara).
_Eu não estava lá! (respondeu Aznic).
_Carambolas com milho assado! Mas se não era você, então, quem era? (perguntou Lara).
_E eu vou saber? Eu nunca estive na Cidade dos Espelhos Quebrados! (disse Aznic).
_Não pode ser! Você estava lá no topo da fábrica de costas, com os braços cruzados. Aí você virou pra mim, deu um sorriso e desapareceu! (disse Lara).
_Eu nunca estive lá! (respondeu Aznic).
_Então quem era que estava lá na fábrica? (perguntou Lara).
_Como eu vou saber? Eu vim pra cá depois que eu saí da sua terra natal! (respondeu-lhe Aznic).
_E porque você saiu da minha cidade? (pergunta Lara).
_Eu tinha outros planos! (responde Aznic).
_Que planos? (pergunta Lara).
_Isto não é assunto seu! (responde Aznic).
_Como assim não é assunto meu? Claro que é! Diga-me! O que você foi fazer quando saiu da minha cidade? (pergunta Lara).
_Eu já disse que não é assunto seu! (repondeu-lhe Aznic).
_Foi você quem matou Baratildo? (pergunta Lara).
Capítulo 15
(Responda-me)
_Do que você está falando? (perguntou Aznic).
_Foi você quem esmagou Aznic e foi embora da minha terra natal? (perguntou Lara com um tom de voz aborrecido).
_Não sei o que você está dizendo! Eu jamais faria uma coisa horrível dessas! (disse-lhe Aznic).
_Você esmagou Baratildo quando ele foi à sua antiga casa e quando eu cheguei lá você já tinha ido embora! (disse Lara).
_Você não sabe o que está dizendo, eu jamais faria uma coisa dessas! Eu amava Baratildo! (respondeu Aznic).
_Então porque você expulsou Baratildo e as outras baratas para fora da sua casa? (perguntou Lara).
_Eu os expulsei porque o meu coração estava demasiadamente triste e eu não queria magoá-los! (respondeu Aznic).
_Mas você os magoou! Quando você os colocou para fora você os magoou! (ela gritou extremamente aborrecida).
_O seu povo me julgou! Eles me ofenderam e disseram que eu era um louco! (também gritou Aznic).
_E isso é desculpa pra você ter expulsado aquelas pobres baratas? (disse Lara).
_Eu os expulsei porque eu queria que elas vivessem uma vida melhor, pois eu sabia o quanto era ruim viver longe da família! (respondeu Aznic).
_E você sabe o que é família? (gritou novamente a menina).
_É tudo aquilo que você e eu não temos, pois somos filhos da Imaginação! Ou você não sabe que neste atenalp não existem parentescos entre os seres humanos? (disse-lhe Aznic).
_Você é um velho feio, gordo e cheio de sarnas! (gritou a menina mais alto que antes).
_E você é uma fedelha que mal sabe o conceito da vida e dos seres viventes! (respondera-lhe Aznic).
_Você esmagou Baratildo e tem medo de dizer. (disse Lara).
_Eu já disse que eu não matei Baratildo! Eu o amava! Quantas vezes eu vou ter que repetir? (disse Aznic).
_Você tem um coração perverso e nem você mesmo sabe disso! (replicou Lara).
_Você é uma menina tola e infantil! (replicou Aznic).
Então Lara escutou a voz da Imaginação.
_LARA! ACREDITE NO QUE AZNIC DISSE! ELE NÃO MATOU BARATILDO E ELE NUNCA ESTEVE NA FÁBRICA DOS ESPELHOS INCOMPLETOS!
Lara disse para Aznic.
_Você tem razão! Você não matou Baratildo! E você nunca esteve na Fábrica dos Espelhos Incompletos!
_Eu não disse pra você? Eu não matei Baratildo! (repondeu-lhe).
_Mas eu só acreditei em você porque a Imaginação me disse isso! (respondeu Lara).
_Ah, então você escuta a voz da Imaginação agora? (perguntou Aznic).
_Sim! Eu escuto! Ela não falava com você quando você era criança? Você deveria acreditar no que eu estou lhe dizendo! (respondeu a menina).
_Eu só acredito se eu escutar a voz dela! (replicou Aznic).
_Antes mesmo de eu escutar a voz da Imaginação eu já acreditava nela. Você deveria fazer o mesmo. (disse-lhe Lara).
_É como eu disse! Eu só acredito se ela falar comigo! (respondeu-lhe Aznic).
_Então você parou de acreditar há muito tempo! (disse-lhe a menina em tom de reprovação).
_Eu só acredito naquilo que eu vejo! (respondeu Aznic).
_ Por acaso alguma vez você já viu o vento? (pergunta Lara).
_Não! (respondeu Aznic).
_Mas você pode senti-lo tal como agora, não pode? (perguntou Lara).
_Claro que sim! (respondera Aznic).
_Então você não acredita que o vento existe! Você nunca viu ele! (replicou Lara).
Aznic ficara impressionado com a lição que Lara lhe havia ensinado.
_Escute, Aznic! Não posso obrigar você a acreditar em nada, mas acho que você deveria recuperar aquela esperança que você tinha quando você era criança. (disse Lara).
Os olhos de Aznic começam a lacrimejar.
_Eu não consigo mais! (disse Aznic com um tom de voz muito triste).
_Você não consegue porque não quer! Nem tudo está perdido! (replicou Lara).
Lara começa a distanciar-se de dele, então Aznic disse para ela.
_Espere! Venha cá, Lara!
Lara foi até onde Aznic estava.
_Pegue na minha mão! (disse Aznic).
Lara pegou na mão de Aznic. Ao pegar na mão dele, Lara sentira uma virtude sair de sua mão. Aznic estava transferindo a habilidade de transformar papel em qualquer coisa para Lara. Depois que Lara soltara-lhe a mão ele disse para ela.
_Isto é tudo o que eu tinha! (disse Aznic).
_O que você fez comigo? (perguntou Lara).
_Eu lhe entreguei a habilidade de transformar papel em qualquer coisa! Agora esta responsabilidade é sua! (respondeu-lhe Aznic).
_Carambolas! Eu não sei como agradecer! (disse Lara).
_Não me agradeça! Talvez você consiga mudar o atenalp! (disse Aznic).
_Eu não tenho poder para isso! Somente a Imaginação é quem pode tornar isso possível! (respondera-lhe a garota).
_Isso é você quem diz! (respondeu Aznic).
_Eu acredito, mesmo que eu não possa ver! (respondeu Lara).
Lara distanciou-se de Aznic. Então Lara se vira de volta para Aznic e lhe diz.
_Ah! Eu esqueci! Isso não é tudo o que você tem! Você também possui um coração! Só falta entrega-lo à Imaginação!
Capítulo 16
(Submundo)
Lara distanciou-se de Azinc e assim caminhou para fora da Cidade das Cinzas. Então a voz da Imaginação disse para ela.
_LARA! BEM PERTO DE VOCÊ EXISTE UMA ESCADA COM MUITOS DEGRAUS! ESTA ESCADA A LEVARÀ PARA UM LUGAR SOMBRIO AONDE VOCÊ DEVE IR!
_E como se chama esse lugar? (perguntou).
_ESSE LUGAR SE CAHAMA O REINO DAS SOMBRAS! VOCÊ DEVE IR PARA LÀ! (disse-lhe a Imaginação).
_Mas porque eu devo ir para lá? (perguntou-lhe Lara).
_APENAS SIGA EM FRENTE E OLHE PARA BAIXO! (disse-lhe a Imaginação).
Lara caminhou alguns passos para frente e então olhou para baixo. A Imaginação lhe disse.
_AGORA ESFREGUE A MÃO DIREITA NO CHÃO!
Lara esfregou a mão direita no chão até que ela começou a avistar uma pequena.
_AGORA PUXE A LAVANCA QUE EXISTE NA PORTA E ABRA-A!
Lara fez conforme a Imaginação lhe dissera. Ela viu uma escada que levava a um lugar subterrâneo.
_Carambolas! É muito escuro aí dentro! Como eu vou fazer pra enxergar nesse lugar escuro? (perguntou Lara).
_LEMBRA-SE DO ANTIGO ANEL QUE SE ENCAIXOU NO SEU DEDO INDICADOR DA MÃO DIREITA? (disse-lhe a Imaginação).
_Sim! (respondeu Lara).
_ESSE ANEL BRILHA SEMPRE QUE VOCÊ ESTIVER NO ESCURO! NÃO PRECISA DIZER NADA! BASTA ENTRAR NO ESCURO E ELE COMEÇARÁ A BRILHAR INTENSAMENTE COM SUA LUZ BRANCA! (respondeu a Imaginação).
_Carambolas! Que legal! (exclamou a menina).
_ AGORA DESÇA PELOS DEGRAUS E FAÇA O QUE TIVER DE SER FEITO! SÓ PODEREI FALAR COM VOCÊ ASSIM QUE VOCÊ TIVER VOLTADO DO REINO DAS SOMBRAS! (disse-lhe a Imaginação).
_Mas porque eu não vou poder escutar a sua voz? (perguntou Lara).
_PORQUE EXISTEM COISAS QUE VOCÊ DEVE DESCOBRIR SOZINHA! AGORA VÁ E FAÇA O QUE TIVER DE SER FEITO! (disse a Imaginação).
Lara começou a descer pelos degraus, um por um. A mania de Lara contar os degraus de uma escada não havia sumido de forma nenhuma. O anel começara a brilhar e a iluminar o caminho para O Reino das Sombras. Lara começou a contar.
_Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze.... trezentos, trezentos e um, trezentos e dois, trezentos e três... setecentos, setecentos e um, setecentos e dois, setecentos e três... novecentos e noventa e um, novecentos e noventa e dois, novecentos e três, novecentos e quatro, novecentos e cinco, novecentos e seis, novecentos e sete, novecentos e oito, novecentos e nove, mil.
Depois de ter descido os mil degraus, Lara parou para descansar um pouco, pois havia feito muito esforço com as pernas. Realmente estava muito escuro. Mais à frente havia um chão no formato de um xadrez.
_Carambolas! Como é esquisito por aqui! Esse chão tem um formato de um xadrez.
Há alguns metros havia uma porta de cor marfim. A porta não possuía fechadura, apenas, a maçaneta. De repente apareceram do nada todas as peças gigantes do xadrez. As peças pretas e as peças brancas começam a perseguir Lara aos poucos. Lara começara a correr, apesar de seus pulmões estarem cansados. O rei branco e a rainha de cor preta estavam atrás de Lara, quase que a alcançando. As peças queriam esmagá-la com todo o seu peso, no entanto, ela começara a correr em forma de ziguezague. O cavalo preto tentou acompanhá-la, porém não conseguiu.
Então o cavalo preto se esbarra no outro cavalo branco, pois os dois vinham em direções opostas. Os peões foram saltitando atrás de Lara.
_Santa Imaginação! Alguém me ajude!
A escuridão estava atrapalhando Lara, mas ela correu até a porta. As peças de xadrez foram correndo atrás dela na tentativa de alcançá-la. Lara abrira a porta, pois a ela já estava aberta. Depois de entrar em outro lugar, ela fechara a porta por dentro. Não havia como as peças de xadrez passarem pela porta, pois elas eram gigantes e a porta, tal qual a menina era pequena. Agora que Lara estava a salvo, ela olhou para frente e viu algo esquisito.
Lara estava em uma mansão com cem quartos. Em cada fechadura de cada porta havia uma respectiva chave e em cada porta havia um número conforme a sequência. Na sala da mansão havia uma mesa envernizada. Lara começara a contar quantos quartos existiam na mansão. A mansão possuía dez andares e Lara ainda estava no primeiro andar. Lara estava sabendo que muita coisa aguardava por ela, pois ela teria de descobrir coisas que talvez ninguém houvesse descoberto antes da fundação do atenalp.
Capítulo 17
(Enigmas)
Lara caminhou em direção ao quarto de número um. Ela abriu a porta. Ao entrar no quarto, ela deparou-se com quadros de pinturas que tinham vida própria. Eram cinco quadros ao todo. As pinturas mostravam crianças bem mais jovens que Lara. Todas estavam chorando em voz baixa.
_Ei! Porque vocês choram tanto? (perguntou Lara).
_Porque fomos esquecidos pelo nosso pintor! (respondeu uma das crianças).
_Quem era o pintor de vocês? (perguntou Lara).
_Era um adulto que possuía muito dinheiro! (respondeu a outra pintura).
_E porque ele se esqueceu de vocês? (perguntou Lara novamente).
_Ele perdeu a paixão por pintar, e com o passar do tempo, ficamos jogados por aí até que Eriluf nos trancou aqui! (respondeu outra pintura).
_E porque Erilufc se interessaria por pinturas? (perguntou Lara).
_Na verdade ela sempre gostou de causar dor e sofrimento a tudo aquilo que tem vida. Até mesmo aquilo que não possui vida própria ela gosta de causar sofrimento! (respondeu outra pintura).
_Mas ela não está por aqui, está? (Lara perguntou).
_Isso não sabemos, pois só conhecemos a escuridão, mas agora vimos a luz que emana do seu anel! Como você é bonita! (disse uma das pinturas).
_Obrigada! (agradeceu Lara).
_Disponha! (disse uma das pinturas).
_O que eu posso fazer para que vocês parem de chorar? (perguntou Lara).
_Leve-nos de volta para cima! (respondeu uma das pinturas).
_Vocês querem dizer para onde o ASTRO-REI brilha? (perguntou Lara).
_Sim! Estamos com saudades de ver as flores, a natureza e os seres humanos! (respondeu uma das pinturas).
_Infelizmente eu não posso fazer isso! (respondeu Lara).
_E porque não? (perguntou uma das pinturas).
_Eu estou procurando por Erilufc! Eu vou derrotar ela sozinha! (diz Lara).
_Desculpe dizer isso, mas você não conseguirá derrotá-la mesmo que você tivesse todos os exércitos do atenalp junto com você! (disse uma das pinturas).
_A Imaginação está comigo! Eu sou uma menina pura de coração e eu vou derrotá-la! (disse Lara energicamente).
_Podemos lhe dar um conselho? Fique longe o quanto puder de Erilufc! Ela é o ser mais perverso que existe! (disse-lhe uma das pinturas).
_Eu já disse! Eu vou derrotar Erilufc! (Lara repetiu).
_Então não há dúvidas! (disse uma das pinturas).
_De quê? (perguntou Lara).
_De que você é uma menina tola! (respondeu-lhe uma das pinturas).
_Eu não sou tola coisa nenhuma! Eu só não tenho medo dela! (respondeu a menina).
_Você só diz isso porque você nunca viu a maldade que emana dela! (respondeu uma das pinturas).
_Eu seguirei em frente, custe o que custar! (disse Lara).
_Porque você não nos tira daqui? Seria uma causa mais nobre! (disse uma das pinturas).
_Não! Eu tenho que seguir em frente! (respondeu Lara).
_Por favor! Leve-nos até o atenalp! Estamos cansados de ficar aqui! (implorou a pintura).
_Eu peço desculpas, mas eu não posso! (respondeu-lhes Lara).
Então Lara saiu do primeiro quarto e dirigiu-se ao quarto de número dois. Lara abriu a porta e entrou. No quarto havia vários pregos pregados nas quatro paredes. Os pregos formavam quatro números. Lara não entendera nada. Sendo assim, Lara saíra do segundo quarto e fora até o quarto de número três. No terceiro quarto havia um cofre, só que diferente do cofre que Lara abriu na Cidade dos Espelhos Quebrados. O cofre tinha uma senha de quatro dígitos.
Lara acabou de se lembrar dos números que existiam no quarto de número dois. Então ela retornou para o segundo quarto e olhou novamente para as quatro paredes. Os números que haviam na parede eram 5, 2, 7 e 9. Agora faltava apenas Lara saber qual era a sequência correta para abrir o cofre. Lara saiu do segundo quarto e voltou para o terceiro. Depois de entrar no quarto, ela dirigiu-se ao cofre e começou a digitar.
_Carambolas! Qual será a senha? Tem tantas possibilidades! Ai, carambolas! Eu vou tentar esse; 9257, 9752, 9725, 9527, 9572, 2975, 2957, 2795, 2759, 2597, 2579, 7925, 7952, 7259, 7295, 7592, 7529.
Ela havia tentado todas essas combinações, mas nenhuma delas havia funcionado. Então Lara parou para pensar direito.
_Espera! Carambolas! Falta mais uma sequência! Então Lara digita o número 9275. O cofre se abriu. Lara tirou uma folha de papel com algo escrito nela. Na folha de papel estava escrito o seguinte:
“Era uma vez um menino abandonado, jogado ao relento. Vivia jogado por aí, sem ter ninguém com quem conversar. E quanto mais o menino procurava amigos, mais solitário ele se via. Cansado de viver só, o menino retirou-se da cidade onde se abrigava e foi em busca de um lugar cujo desprezo e solidão prevaleciam. Tristeza e solidão faziam parte do seu cotidiano. Ele olhava para o ASTRO-REI desejando o fim de sua existência, mas era inútil, de modo que quanto mais ele suplicava à Imaginação para deixar de existir mais vivo ele permanecia. Ele não entendia o porquê de estar passando por tudo aquilo, mas uma coisa ele sabia. Que sua existência não fora feita apenas para o sofrimento. Apesar de tudo, ele aprendera uma lição muito valiosa. Que todo ser que faz parte deste atenalp tem a sua importância. Então ele começou a valorizar-se extremamente, de maneira que, ele acabou por acreditar que o atenalp fora feito somente para ele, e que os outros habitantes não passariam de intrusos. Não estava nos planos da Imaginação que um menino tão inocente sofresse a ponto de odiar todos os seres do atenalp. Mas mesmo assim, a Imaginação permitiu que isso acontecesse. Quando o menino começou a ficar louco, ele foi invadido por uma força tão maligna que tinha a habilidade de trazer a escuridão e o medo a todo o atenalp. Talvez você esteja se perguntando: “Então porque a Imaginação não fez nada?”. Para a nossa sorte, ela fez algo digno de sua eterna sabedoria. Ela o trancafiou em um submundo onde nenhuma centelha de luz pode alcançar. Ele permaneceu trancafiado e preso por se considerar superior à própria Imaginação e também por cativar tamanho ódio dentro de seu coração. Este garoto existe desde o início do terceiro milênio e não é apenas uma lenda, pois a maioria dos seres viventes sente medo quando a história desse menino é mencionada. Esta é apenas uma parte da história, os outros textos que foram escritos pelos mais antigos estão por aí mundo afora. Dizem que o restante da história foi escrito em um livro chamado “O Livro das Verdades Absolutas”. Até hoje ninguém sabe o paradeiro do livro. Desde então, muitos inventaram hipóteses de onde o livro tenha parado. Uns dizem que o livro fora queimado, outros dizem que o livro fora jogado em um vulcão, outros dizem que o livro ainda existe, mas que, no entanto, as palavras contidas no livro desapareceram. Existem muitas teorias sobre o paradeiro desse livro.”
_Carambolas! Que coisa terrível! (disse Lara).
Então Lara saiu do terceiro quarto e foi para o quarto de número quatro. Lara abriu a porta e entrou. Ao entrar, ela deparou-se com vários papagaios coloridos. Os papagaios estavam discutindo entre si.
_Você é depenado! (disse o primeiro papagaio).
_Você que é um inútil! (respondeu o segundo papagaio).
_Ei, vocês! Chegou alguém aqui! (resmungou o terceiro papagaio).
_Olá! Meu nome é Lara!
_Você é uma menina, não é? (perguntou o quarto papagaio).
_Sim, eu sou! (respondeu Lara).
_Nossa dona era uma menina! Nós éramos muito felizes com ela! Então surgiu uma mulher que nos prometeu uma vida melhor! Nós fomos bobos e acreditamos! Por isso viemos para cá! (disse o quinto papagaio).
_A dona de vocês era uma menina? (perguntou Lara).
_Isso mesmo! Nós éramos muito felizes! Ela nos dava biscoitos de sal e água também! (disse o primeiro papagaio).
_Como se chamava essa menina? (perguntou Lara).
_Ela se chamava Diná, mas nós a chamávamos de “Di”! (respondeu o segundo papagaio).
_Carambolas! E vocês não se arrependem de terem feito isso? (perguntou Lara).
_Sim! Tanto é que nós gostaríamos que você nos levasse para fora! (disse o terceiro papagaio).
_Eu não posso! Estou procurando por uma mulher! (respondeu Lara).
_Não diga que você está procurando por Erilufc! (disse o quarto papagaio).
_Sim, estou! (ela respondeu-lhes).
_Gente! Essa menina é louca! (disse o primeiro papagaio).
_É sim! (indagou o quarto papagaio).
_É mesmo! Ela está maluca! (disse o terceiro papagaio).
Os cinco papagaios começaram a caçoar de Lara. Lara irritou-se profundamente e então começou a dizer-lhes.
_Do que vocês estão rindo? Eu sou uma menina corajosa!
Lara saiu do quarto de número quatro e foi para o quarto de número cinco. Ao entrar no quinto quarto, ela se deparou com vários algodões no chão. Lara não entendera o porquê de aqueles algodões estarem lá. Sendo assim, ela saiu do quinto quarto e foi para o quarto de número seis. Ao entrar, Lara encontrou muitas caixas de fósforo. Lara saiu do quarto e foi para o quarto de número sete. Ao entrar, ela avistou vários ovos. Esses ovos continham pintinhos, os quais estavam prestes a nascer. Lara deixou tudo do jeito que estava e assim foi para o quarto de número oito. Ela deparou-se com várias lesmas se arrastando pelas paredes. Uma das lesmas perguntou para Lara.
_O que você está fazendo em um lugar como este? Você também foi trancafiada por aquela mulher sem coração?
_Não! Na verdade, estou à procura dela! (respondeu Lara).
_Isso não é nada bom! Escute! Temos uma historinha que sempre contamos para quem conhecemos! (disse a lesma).
_Ah, é? E que historinha é essa? (perguntou Lara).
_Era uma vez um caranguejo que sonhava em se casar com uma concha, mas a concha não queria casar-se com ele. (começou a lesma).
_Espera aí! O que é casar? (interrompeu Lara).
_Fique calada e escute! É... onde foi que eu parei mesmo? Ah, sim! Então o caranguejo disse á concha que ele seria o melhor marido de todos os seres aquáticos. A concha agradeceu dizendo que não, pois já possuía dentro de si uma pérola de grande valor. O caranguejo ficou demasiadamente triste por ter seu pedido de casamento rejeitado. Então, um certo dia, um homem da terra, nadando pelo imenso mar, acabou encontrando a concha que rejeitara o pedido de casamento do caranguejo. O homem retirou a pérola da concha e a vendeu por uma quantia razoável. Enquanto isso, a concha perdeu o seu valor, pois além de ter perdido a sua preciosa pérola, ela fora jogada no meio das pedras ao redor do mar. E a concha passou a viver sozinha no meio da praia enquanto o caranguejo se casou com uma ostra. Você entendeu a história? (perguntou a lesma).
_Será que você pode contar a história de novo? É que eu tava coçando o meu nariz e não prestei atenção! (disse Lara enquanto terminava de coçar o nariz).
_Sua menina mal educada! Vai embora daqui! Vai logo! Aqui não é lugar para você! Vá embora! (gritou a lesma).
Então Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número nove. Lara encontrou algumas folhas de papel.
_Carambolas! Quantas folhas de papel existem por aqui!
Lara saiu do quarto e foi para o quarto de número dez. Ao entrar, ela deparou-se com uma quantidade enorme de areia no chão! Lara pegou a areia e despejou-a no chão. Então ela espalmou as mãos e assim saiu do quarto. Ela começou a subir pelos degraus contando um por um.
_Um, dois, três, quatro, cinco...onze, doze, treze...
Ao chegar no segundo andar da mansão, ela olhou para cima e viu os outros andares. Realmente ainda faltava muita coisa pela frente. Então ela entrou no quarto de número onze. Ao entrar, ela encontrou algumas garrafas. Nas garrafas havia um líquido venenoso. Lara ficara com receio de beber o líquido que havia na garrafa, muito embora ele parecesse um tanto quanto gostoso de se ingerir.
_Acho melhor não beber isso! (disse ela consigo mesma).
Então ela saiu do quarto e abriu a porta do quarto de número doze. Lara foi abrindo a porta aos poucos até se deparar com três leões que estavam dentro do quarto. Os leões estavam demasiadamente famintos. Quando os leões viram que a porta estava sendo aberta, um dos leões tentou atacar, mas Lara foi mais astuta e trancou a porta de uma vez. Então um dos leões falou.
_Abra a porta, criatura pequena!
_Não! Porque eu deveria abri-la? Vocês acabaram de me atacar! (exclamou Lara).
_É que nós pensamos que era aquela mulher arrogante! (disse o segundo leão).
_Vocês também foram enganados por Erilufc? (perguntou Lara).
_Sim! Todos nós! (respondeu o terceiro leão).
_Não posso tirar vocês daí! (disse Lara).
_E porque não, criatura pequena? (perguntou o primeiro leão).
_Meu nome é Lara, tá? (respondeu Lara em um tom aborrecido).
_Desculpe-me! E porque você não nos tira daqui, Lara? (perguntou o mesmo leão).
_Eu já confiei demais em certas pessoas e em certos animais! Não quero me decepcionar novamente! (disse-lhes a menina).
_Mas nós prometemos que não vamos fazer nenhum mal a você! (disse o segundo leão).
_Eu já disse que não! Até mais! Lara dirigiu-se em direção ao quarto de número treze e abriu a porta. Ao entrar no quarto, ela encontrou cinco caixinhas de música. Lara abriu a primeira, depois a segunda, a terceira, a quarta, e por último, a quinta. Todas as caixinhas possuíam uma melodia assustadora. Lara ficara com medo só de ouvir tais melodias e por isso acabou saindo do quarto. Ao entrar no quarto de número quatorze ela deparou-se com vários gatinhos. Os gatinhos olharam para Lara e começaram a dizer.
_Mamãe! Mamãe! Mamãe!
_Eu não sou a mãe de vocês! (disse Lara).
_Mamãe! (diziam os gatinhos).
_Eu já disse que eu não sou a mãe de vocês! (respondeu-lhes a menina aborrecidamente).
_Então seja a nossa mãe! (disseram-lhe os gatinhos).
_Eu não posso! Sinto muito! (resmungou Lara).
Então Lara correu depressa para fora do quarto e trancou a porta. Depois de trancar a porta ela abriu a porta do quarto de número quinze. Ao entrar no quarto ela viu animais, só que eles não eram animais de verdade, pois eram feitos de acrílico. Lara ficara algum tempo admirando as esculturas de acrílico. Apesar de tamanha distração ela saiu do quarto e abriu a porta do quarto de número dezesseis. Ao entrar, ela encontrou algumas maçãs. Lara pegou uma e tentou comê-la, mas não conseguiu, pois, a maçã, assim como as outras, era de plástico.
_Carambolas! (resmungou Lara irritada).
Lara saiu do quarto e se dirigiu em direção ao quarto de número dezessete. Ao entrar, Lara olhou e viu várias bolinhas de gude no chão. As bolinhas eram de várias cores. Lara pegou uma por uma e depois as deixou-as de volta no mesmo lugar. Então ela saiu do quarto e entrou no quarto de número dezoito. Lara deparou-se com vários cachorros. Um dos cachorros derrubara Lara e começara a lamber o rosto dela. Lara sentia cócegas em sua face, de modo que sua barriga doera de tanto rir. Então o mesmo cachorro parou de lamber o rosto de Lara e lhe disse.
_Brinca com a gente!
_Não posso! Tenho que encontrar uma pessoa! (respondeu Lara).
_Isso não importa! Brinca com a gente, por favor! (disse-lhe o mesmo cachorro).
_Eu já disse! Eu tenho que encontrar essa pessoa! (respondeu-lhe).
_Isso pode esperar! Brinca com a gente, nem que seja só um pouco! (disse o cachorro).
_Eu não posso! E eu já vou embora! (disse-lhes Lara já irritada).
Lara deixou os cachorros dentro do quarto e saiu. Ela abriu a porta do quarto de número dezenove. Ao entrar, ela encontrou um apito. Lara pegou o objeto e então começara a soprar com toda a força. Então ela escutou um barulho vindo de um dos quartos. Ela só não sabia de qual. Lara deixou o apito e foi para o quarto de número vinte. No quarto de número vinte havia uma mesa com um papel escrito. No papel estava escrito o seguinte:
“Tu me envolves em teu vasto mundo. Que o meu coração se regozije mesmo estando nas profundezas da Escuridão. Onde há somente um que pode me enxergar estando eu corrompido pelas misérias da alma e também da natureza decadente. Que o denso sono me consuma, e que as trevas me devorem assim como delas me alimento. Onde o ASTRO-REI não brilha. Onde as flores nunca brotam. Onde a alma sempre uiva. Onde as trevas nunca acabam. E quem pode me julgar, se estou acostumado ao silêncio que a escuridão me presenteou? E quem pode me deter, se não for aquele a quem muitos reverenciam?”
_Carambolas com feijão assado! Isso está ficando cada vez mais assustador!
Então Lara colocara o papel de volta na mesa e saiu do quarto. Lara subiu em direção ao terceiro andar. Lara foi contando os degraus enquanto subia. Sua mania de contar as coisas era incurável.
_Um, dois, três... quinze, dezesseis, dezessete...
Ao chegar no terceiro andar, ela dirigiu-se ao quarto de número vinte e um e assim entrou. No quarto havia cinco caixas de papelão vazias. Ao ver que nada havia para se fazer lá ela saiu do quarto e entrou no quarto de número vinte e dois. Ao entrar, Lara encontrou três ratinhos brancos. Um dos ratinhos saudou-lhe dizendo.
_Oh, olá minha jovem!
_Oi! (disse Lara).
_Será que você não tem aí um pedacinho de biscoito para nos dar? (perguntou o mesmo ratinho).
_Desculpe, mas eu não tenho nenhum alimento aqui comigo! (respondeu-lhe a menina).
_Tudo bem! Não faz mal! Será que você poderia nos tirar daqui e nos levar de volta para cima? (perguntou o mesmo ratinho).
_Não posso porque eu tenho que encontrar uma pessoa! (respondeu Lara).
_Já sei! Você está procurando aquela mulher malvada, não é? (perguntou o ratinho).
_Sim, vocês sabem onde ela está? (perguntou Lara).
_Não sabemos! Mas de uma coisa nós sabemos! (disse-lhe o segundo ratinho).
_O quê? (perguntou Lara).
_Ela pode estar em qualquer um desses outros quartos! (respondeu-lhe o terceiro ratinho).
_Mentira! Se ela estivesse em algum desses quartos ela já teria aparecido pra mim! (respondeu Lara).
_E então? Você vai nos tirar daqui, ou não vai? (perguntou o primeiro ratinho).
_Sinto muito, mas não! (disse-lhes Lara).
Lara saiu do quarto e trancou a porta. Um dos ratinhos ficara resmungando.
_Ei, você não pode fazer isso conosco! Nós somos ratinhos dóceis e não fazemos mal a ninguém!
Lara foi até o quarto de número vinte e três. Ao entrar, Lara encontrou um cabide de madeira e um vestido preto. Lara sentiu uma vontade enorme de tocar no vestido, mas depois ela desistira de pegá-lo, pois ela acreditava que o vestido era amaldiçoado e poderia transformá-la em um bicho qualquer. Lara saiu do quarto e foi até o quarto de número vinte e quatro. Ao entrar, ela encontrou uma garrafa com água e um copo em cima de uma mesa.
Ela sentiu uma vontade enorme de beber aquela água, porém, ela não o fez, pois ela não sabia se a água estava envenenada, ou não. Então Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número vinte e cinco. Ao entrar Lara encontrou uma flauta de madeira. Embora soubesse pouquíssima coisa sobre o instrumento, ela não ousou tocá-lo. Sendo assim, ela prosseguiu em sua jornada. Lara entrou no quarto de número vinte e seis. Ao entrar, ela deparou-se com um canguru. Então o canguru lhe disse.
_Vamos apostar uma corrida!
_Não! (respondeu Lara).
_Ah, qual é? É só uma corrida! Nós vamos para o primeiro andar e começamos a subir até chegarmos no décimo andar! E então? O que me diz? (perguntou o canguru).
_Não! (respondeu Lara novamente).
_Qual é? Mas porque não? (perguntou o canguru).
_Porque NÃO é NÃO! (respondeu Lara).
Então Lara saiu do quarto e trancou a porta. Lara foi até o quarto de número vinte e sete. Ao entrar ela encontrou no chão do quarto um caixinha com coleções de cera. Lara tirou as coleções de cera e depois colocou-as de volta na caixinha. Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número vinte e oito. Depois de entrar, ela encontrou umas bolinhas de borracha. Lara decidiu sair do quarto e trancou a porta. Depois de fazer isso, ela entrou no quarto de número vinte e nove. Ao entrar a menina deparou-se com um arco e algumas flechas. Lara tentara manusear o arco e assim atirou algumas flechas contra a parede, mas não conseguira. Então ela deixou o arco e as flechas no chão e saiu do quarto. Ao sair do quarto, Lara foi para o quarto de número trinta. Ao entrar, ela se deparou com uma caixa de giz. Lara saiu do quarto e subiu em direção ao quarto andar. Lara foi subindo os degraus e contando degrau por degrau, como sempre.
Ao chegar no quarto andar, ela dirigiu-se em direção ao quarto de número trinta e um. Ao entrar, ela se deparou com uma agulha e um novelo de linha. Lara pegou a agulha e novelo e depois os colocou de volta no chão. Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número trinta e dois. Ela encontrou vários balões coloridos. Ela ficou por algum tempo admirando aqueles balões. Então ela saiu do quarto e entrou no quarto de número trinta e três. Lara encontrou um pote cheio de mel. Ela ficara com medo de provar o mel e se sentir mal, pois não sabia se aquilo era de fato mel, ou não. Sendo assim, ela saiu do quarto e entrou no quarto de número trinta e quatro. Ao entrar, ela encontrou um lápis com borracha.
Lara deixara o lápis com a borracha do jeito que estavam e saiu do quarto. Ao entrar no quarto de número trinta e cinco, ela encontrou orquídeas. As orquídeas sabiam falar. Então elas suplicaram-lhe dizendo.
_Por favor! Precisamos de água! Regue-nos! Estamos murchando!
_Me desculpem, mas eu não posso fazer isso! Estou procurando a Erilufc! (disse Lara).
_Por favor! Regue-nos! Estamos desidratadas! Por favor! (disseram-lhe as orquídeas em tom de súplica).
_Sinto muito! Sinto muito mesmo! (disse-lhes a menina).
Lara deixou as orquídeas, embora sua consciência estivesse pesada devido ao clamor daquelas pobres flores e assim saiu do quarto. Lara entrou no quarto de número trinta e seis. Ao entrar, Lara deparou-se com uma bicicleta.
_Carambolas! Como é linda essa bicicleta! Mas eu não posso andar com ela agora! Preciso achar aquela mulher de uma vez por todas! (disse ela consigo mesma).
Então Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número trinta e sete. Ao entrar, Lara se deparou com um lindo rouxinol.
_Saudações, minha bela menina! (disse o rouxinol).
_Olá! (respondeu Lara).
_Você gostaria de ouvir o meu canto? (perguntou o rouxinol).
_É que eu estou ficando sem tempo! (disse Lara).
_Aposto como você está procurando por aquela mulher que não tem gosto por música! (disse o rouxinol).
_Acertou em cheio! (respondeu Lara).
_Aquela mulher é uma desalmada! Me trancafiou aqui e olhe só! Cá estou! Eu cantava todos os dias para uma criança cega! Essa criança se parecia um pouco com você! (disse o rouxinol).
_É mesmo? (perguntou Lara).
_Sim! É mesmo! (respondeu o rouxinol).
_Olha! Não me entenda mal, mas é que eu preciso encontrar aquela mulher! (disse Lara).
_Você pretende derrotar ela sozinha? (perguntou o rouxinol).
_Bem, eu não estou exatamente sozinha! (respondeu Lara).
_Você acredita na Imaginação, não acredita? (perguntou o rouxinol).
_Sim! Eu acredito! (respondeu Lara).
_Tudo bem! Cada um acredita naquilo que quer! (disse o rouxinol).
_O que você quer dizer com isso? (perguntou Lara).
_Nada! Eu só estou dizendo que cada um decide acreditar no que quiser! (respondeu o rouxinol).
_Ah, sim! Bem... eu preciso ir! (concluiu a menina).
_Não quer nem sequer escutar o meu belo canto? (perguntou-lhe o rouxinol).
_É que eu estou um pouco sem tempo! Preciso ir! Foi um prazer! (disse a menina).
Então Lara saiu do quarto e deixou o rouxinol falando sozinho. Lara abriu a porta do quarto de número trinta e oito. Ao entrar, Lara encontrou duas penas brancas. Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número trinta e nove. Ao entrar, ela achou uma cadeira de cor marfim. Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número quarenta. Ao entrar, Lara encontrou um balde cheio de tinta azul. Lara encostou o dedo na tinta e depois limpou-se. Então ela saiu do quarto. Lara subiu em direção ao quinto andar. Á medida que Lara ia subindo ela ia contando os degraus. Ao chegar no quinto andar ela parou para descansar por um breve momento. Depois de descansar, ela abriu a porta do quarto de número quarenta e um. Ao entrar, ela encontrou vários desenhos nas paredes. Os desenhos tinham uma estrutura que Lara nunca havia visto antes. Eram desenhos de estrelas.
Lara nem sequer sabia o que eram estrelas. Lara saiu do quarto e dirigiu-se em direção ao quarto de número quarenta e dois. Ao entrar no quarto, ela encontrou um telescópio e uma janela na parede. A janela estava trancada e não havia nenhuma chave que a pudesse abrir, pelo menos não naquele quarto. Lara achara o telescópio bonito. Então ela saiu do quarto e entrou no quarto de número quarenta e três. Lara deparou-se com uma planta carnívora. No entanto, a planta era pequena. Lara encosta o dedo na planta e a planta mordeu-lhe o dedo indicador. O dedo de Lara sangrara. Ela chupou o dedo como se o sangue fosse parar no lugar correto e assim prosseguiu. Lara deixou a planta carnívora no mesmo lugar e saiu do quarto. A planta carnívora não sabia falar. Lara entrou no quarto de número quarenta e quatro.
Ao entrar, ela deparou-se com uma escova de pentear o cabelo. Lara começa a usar a escova e a pentear seus cabelos dourados. Lara ficara um bom tempo penteando-os. Depois de um certo tempo ela percebeu que estava perdendo tempo e então deixou a escova no chão e saiu do quarto. Ela entrou no quarto de número quarenta e cinco. Ao entrar, ela se deparou com um escorpião. Só que o escorpião estava dentro de uma garrafa. O escorpião dirigiu-se à garota dizendo-lhe.
_Ora, ora! O que temos aqui! Uma menininha bonita!
_Meu nome é Lara! Como você se chama? (perguntou Lara).
_Eu não tenho nome, mas pode me chamar de escorpião! (respondeu o escorpião).
_Eu já sei que você é um escorpião! Mas você não possui nenhum nome? (perguntou Lara).
_Sim, eu tinha um nome. Quando o meu dono que era um biólogo cuidava de mim! Só que quando qualquer ser vivo vem para esta escuridão cada um de nós perde o nome, pois de nada serve um nome quando se vive na escuridão! (respondeu o escorpião).
_Isso foi Erilufc quem disse, não foi? (perguntou Lara).
_Você conhece aquela mulher? (perguntou o escorpião).
_Infelizmente sim! (respondeu Lara).
_Eu era da Cidade dos Escorpiões! Meus irmãos escorpiões eram malvados, pois eles picavam com seus aguilhões qualquer ser vivo que eles vissem! (disse-lhe o escorpião).
_E porque eles faziam isso? (perguntou Lara).
_Porque eles eram malvados e queriam matar qualquer ser vivo que se colocasse no caminho deles! (respondeu o escorpião).
_Então quer dizer que você era o único bonzinho de todos os escorpiões? (perguntou Lara).
_Sim! Os seres humanos dizem que nós escorpiões somos todos perversos, mas isso não é verdade! Eu sou um escorpião bonzinho! Sou menor que todos os meus irmãos, mas sou bondoso! (disse o escorpião).
_Quem colocou você dentro dessa garrafa? (perguntou Lara).
_Quem você acha que foi? (disse-lhe o escorpião em um tom irônico).
_Foi a Erilufc! (disse Lara).
_Sim, foi ela! Ela é o ser mais maléfico que eu já vi em toda a minha vida! (disse o escorpião).
_Mas, espere um momento! De todos os escorpiões malvados, porque Erilufc foi fazer mal justamente a você? (perguntou Lara).
_Erilufc só gosta de fazer o mal aos seres de bom coração! Como eu era o único escorpião bonzinho, ela preferiu me trancar dentro desta garrafa na qual eu estou agora! (respondeu o escorpião).
_Carambolas! Agora eu vi o quanto ela é malvada! (disse Lara).
_Escuta, você pode me tirar daqui? (pergunta o escorpião).
_Infelizmente eu não posso! Tenho pouco tempo e preciso encontrar aquela mulher malvada! (respondeu-lhe a menina).
_Mas eu não estou pedindo para que você me leve embora daqui! Só quero que você quebre esta garrafa! (disse o escorpião).
_E que diferença vai fazer você sair da garrafa, se você não vai poder sair deste quarto? (pergunta Lara).
_Eu só quero sair daqui de dentro! Não aguento mais viver trancafiado! (disse o escorpião).
_Mas você vai continuar trancafiado mesmo assim! Não vai fazer muita diferença! (disse Lara).
_Por favor! Tire-me daqui! Eu sou um escorpiãozinho bom! (implorou o escorpião).
_Eu já confiei demais nos outros! Eu fui enganada por muitos! (disse Lara).
_Leve-me junto com você! Eu posso ser o seu bichinho de estimação! (disse o escorpião).
_Você pode muito bem querer me matar! Como eu vou saber se você está dizendo a verdade ou não? (perguntou Lara).
_Se eu estiver mentindo, você pode usar o seu sapato para me esmagar! (disse-lhe o escorpião).
_Eu vou tirar você da garrafa e vou levar você junto comigo, mas fique sabendo que se você tentar fazer alguma coisa suspeita eu serei extremamente cruel com você! Tenho poder pra fazer você pegar fogo! Você me ouviu bem? (disse Lara).
_Sim! Prometo que não farei nenhum mal a você! Serei bonzinho como eu sempre fui! (respondeu-lhe o escorpião).
_Assim espero! (disse Lara).
Lara pegou a garrafa e arremessou-a contra o chão. Depois de quebrar a garrafa, ela disse para o escorpião pequeno.
_Venha! Suba e se esconda-se dentro de meus cabelos!
Então o escorpião subiu pelo corpo de Lara até chegar na cabeça. Depois de entrar no cabelo de Lara o escorpião lhe disse.
_Obrigado, Lara! Só sairei quando você mandar!
_Acho bom mesmo, viu? (disse Lara).
Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número quarenta e seis. Ao entrar Lara, viu um vagalume. O vagalume voava de um lado para o outro. Então o vagalume disse para Lara.
_Você veio me tirar daqui, não é?
_Meu nome é Lara! Mas quem disse que eu vim tirar você daqui? (perguntou Lara).
_Quando Erilufc me raptou, um dos meus irmãos me disse que alguém viria me buscar. Eu sabia que nenhum dos meus irmãos teria a capacidade de chegar até aqui para me tirar daqui. Então eu cheguei à conclusão de que uma pessoa viria para me libertar deste lugar horrível. (disse o vagalume).
_Bom... não era bem isso que estava em meus planos, mas você me pode ser útil! (disse Lara).
_Eu posso acender no escuro! Durante todo o tempo em que eu estive aqui eu tenho treinado a minha iluminação dentro deste quarto escuro, e como você bem pode ver, eu consigo iluminar um quarto inteiro! (disse o vagalume).
_Isso estou vendo! Você ilumina com muita intensidade! Mas eu ainda não sei se você pode vir junto comigo! (disse Lara).
_Ah, deixa eu ir junto com você! Eu não aguento mais ficar neste lugar monótono! (disse o vagalume).
_Tudo bem! Você pode vir comigo! (disse Lara).
_Puxa, muito obrigado! (agradeceu o vagalume esperançoso e alegre).
_Por nada! (respondeu Lara).
_Seja bem-vindo! (disse o escorpião para o vagalume).
_Ué! Quem disse isso? (perguntou o vagalume).
_Escorpiãozinho! Quem mandou você falar? (disse Lara para o escorpião).
_Eu disse que eu só ia sair só se você mandasse, mas eu não disse que eu não ia falar! (respondeu o escorpião).
_Tem um escorpião dentro de você, é? (perguntou o vagalume para Lara).
_Na verdade o escorpião está dentro do meu cabelo, mas não precisa ficar com medo! Ele é bonzinho! (disse Lara para o vagalume).
_Oh! Ainda bem! (disse o vagalume).
Lara saiu junto com o vagalume e o escorpião dentro de seu cabelo. Então ela entrou no quarto de número quarenta e sete. No quarto havia manchas de mãos estampadas na parede.
_Não há nada por aqui! Vamos! (disse Lara).
Lara saiu do quarto. O vagalume foi seguindo Lara voando e cantarolando. Lara abriu a porta do quarto de número quarenta e oito. Ao entrar, Lara deparou-se com um grilo saltitante.
_Oi! (disse o grilo para Lara).
_Olá! (respondeu Lara).
_Vamos ver quem pula mais alto? (disse-lhe o grilo saltitante).
_Não, obrigada! É que eu estou com pressa! (respondeu Lara).
_Ah, vamos! Vai ser divertido! (disse o grilo).
_Ela disse que não! Você é surdo? (disse o vagalume para o grilo).
_É! Parece que ele realmente é surdo! (disse o escorpião).
_Ei! Eu não sou surdo coisa nenhuma! Ei! Espere um momento! Quem foi o outro que falou? (perguntou o grilo).
_Fui eu, seu tagarela! (disse o escorpião para o grilo).
_Quem é você? E onde você está, seu covarde? (disse o grilo).
_Foi o escorpião quem falou! (respondeu Lara).
_Mas eu só estou vendo uma menina e um vagalume por aqui! (disse o grilo confuso).
_É que o escorpião está aqui dentro do meu cabelo! (respondeu Lara ao grilo).
_Por favor! Não permita que ele me devore! (disse o grilo temeroso).
_Fique tranquilo! Esse daqui é bonzinho! Tanto é que ele não me devorou! (respondeu o vagalume para o grilo).
_Ah, bom! Então tá! (disse o grilo).
_Você quer vir junto comigo? (perguntou Lara para o grilo).
_Supimpa! O que eu mais quero é poder sair daqui! Faria mesmo isso? (perguntou o grilo para Lara).
_Sim! Eu faria e vou fazer isso por você, mas me prometa uma única coisa! (disse Lara).
_Qualquer coisa! Qualquer coisa! (disse o grilo).
_Fique quieto e seja um grilo comportado! (disse Lara).
_Pode deixar! (disse o grilo).
_Vamos! (disse Lara).
Lara saiu do quarto. O vagalume seguiu Lara voando, o grilo seguiu a menina saltitando, enquanto que o escorpião é levado por Lara dentro de seu cabelo. Lara abriu a porta do quarto de número quarenta e nove. Ao entrar, ela encontrou dois sapatinhos pretos. Lara ficara com muita vontade de usá-los, porém ela desistira da ideia.
_É melhor eu não calçar esses sapatinhos! Eles podem ser amaldiçoados!
_Concordo! (disse o vagalume).
Então Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número cinquenta. No quarto havia um retrato com a foto de Aznic. Lara não entendeu o porquê de aquela foto estar lá.
_Quem é esse homem? (perguntou o grilo).
_Que homem? (perguntou o escorpião).
_Não saia daí! Se não eu deixo você sozinho neste quarto! (disse Lara ao escorpião).
_Pode deixar! Desculpe-me! (disse o escorpião).
_Mas quem é mesmo esse homem? (perguntou o vagalume).
_Alguém que já perdeu a esperança há muito tempo! (disse Lara).
_E porque ele perdeu a esperança? (perguntou o escorpião).
_Porque ele deixou de acreditar na Imaginação! (respondeu Lara).
_Ele anda triste pelos cantos? (perguntou o grilo).
_É uma longa história! Bem... vamos sair daqui! (disse ela).
Lara saiu do quarto e começou a subir em direção ao sexto andar. Lara foi subindo as escadas enquanto que o grilo ia seguindo-a saltitando pelos degraus e o vagalume a seguia voando. Lara mais uma vez estava contando os degraus.
_Um, dois... sete, oito...onze, doze!
_Essa brincadeira é muito legal! Vamos contar juntos! Quinze, dezesseis, dezessete, dezoito... (disse o grilo pulando e contando juntamente com Lara).
_Isso não é uma brincadeira, seu boboca! É que isso é uma mania minha! (disse Lara).
_Mas eu posso contar junto com você? (perguntou o grilo).
_Cale-se, seu tolo! (disse o vagalume).
_Vocês dois aí! Parem com isso! Vocês estão atrapalhando Lara! (disse o escorpião).
_Fiquem quietos! (disse Lara).
_Desculpe! (disse o escorpião).
_Desculpe! (disse o vagalume).
_Desculpe! (disse o grilo).
Ao chegar ao sexto andar, Lara abriu o quarto de número cinquenta e um. Ao entrar, ela encontrou uma melancia. A melancia estava no chão, porém, ela estava inteirinha e era agradável aos olhos de quem a visse. O grilo sentira uma vontade de comer e então pulou em cima dela para então comê-la.
_Puxa! Esta melancia deve ser uma delícia!
_Não coma, seu bobão! Ela pode estar envenenada! (disse Lara).
_E como você sabe se ela está envenenada ou não? Você não comeu a melancia ainda! (disse o grilo).
_Aqui no Reino das Trevas qualquer alimento pode estar envenenado! (disse Lara).
_Vamos sair daqui! (disse Lara).
_Mas eu quero dar só uma mordidinha! (disse o grilo).
_Você não ouviu? Vamos sair daqui! Aqui não tem nada que nos interesse! (disse o vagalume).
_Mas esta melancia me interessa! (disse o grilo).
_Cale a boca e vamos logo! (disse o escorpião).
_Deixem de besteira e vamos logo! (exclamou a pequena Lara).
Lara saiu do quarto e entrou no quarto de número cinquenta e dois. Ao entrar, ela viu várias frases escritas na parede. Frases esquisitas que davam medo a qualquer um. E as frases eram as seguintes: “Não há terror maior do que passar a eternidade na escuridão”, “Três milênios de medo são melhores do que uma hora ao lado da Imaginação”, “Pra quê viver se todos estão fadados ao sofrimento?”, “As mãos ensanguentadas ferem a alma dos que não podem ver”, “Uma coisa é necessária para que o tudo vire o nada”, “Pescoços sufocados de crianças inocentes”, “O futuro do destino é padecer nas profundezas das trevas”.
_Carambolas! Que coisa assustadora! Nunca li coisas tão horríveis como essas! (disse Lara).
_É mesmo! São horríveis! (disse o vagalume).
_Sem dúvida alguma! (disse o grilo).
_Será que foi Erilufc quem escreveu essas coisas? (perguntou o vagalume).
_Não sei, mas são palavras que expressam muito medo e solidão! Vamos sair daqui! (respondeu Lara).
Então Lara saiu e entrou no quarto de número cinquenta e três. Ao entrar, Lara se deparou com cinco velas. As velas estavam apagadas.
_Por que essas velas estão aqui? (perguntou o grilo curioso).
_Não faço ideia! Mas Erilufc tem prazer em fazer o mal. (respondeu o vagalume).
_Pra que aquela mulher iria querer algumas velas? (perguntou Lara).
_É bastante difícil de se compreender! (disse o escorpião).
_Pois é! Vamos! Temos que continuar! (disse Lara).
Lara e seus amigos saíram do quarto e entraram no quarto de número cinquenta e quatro. Ao entrarem, Lara e seus amigos se deparam com uma máquina antiga de datilografar.
_O que é isso? (perguntou o grilo).
_Com certeza é uma coisa que você não sabe! (respondeu o vagalume).
_Ah, engraçadinho! (disse o grilo).
_Vem aqui pra você ver quem é que é engraçadinho! (disse o vagalume provocando o grilo).
_Então desce aqui pra gente brigar e você vai ver quem é o bom de briga! (disse o grilo).
_Ei, vocês! Parem com isso! (disse o escorpião).
_Tem razão! A cada minuto que se passa vocês começam a brigar! (disse Lara).
_Ei Lara! Que objeto é esse? (perguntou o grilo).
_É uma máquina de datilografar! (respondeu Lara).
_E pra que serve uma máquina de datilografar? (perguntou o grilo).
_Ué! Para datilografar, seu bobo! (respondeu o vagalume).
_Não perguntei nada a você e sim para Lara! (respondeu o grilo).
_Ei, vocês! Já vão começar novamente? (disse Lara).
_Será que vocês não fazem outra coisa que não seja discutir? (perguntou o escorpião).
_E você fique aí na sua onde você está! (disse o vagalume ao escorpião).
_Eu estou aqui mesmo! Eu não estou aí! (respondeu o escorpião).
_É bom que nem esteja! (disse o vagalume).
_Parem já com isso! Acho que vou ter que deixar vocês sem mim! (gritou s menina).
_Por favor, Lara! Não faça isso conosco! Nós dependemos de você! (disse o grilo).
_É, Lara! Precisamos da sua ajuda! (afirmou o vagalume).
_Não nos deixe, Lara! (disse o escorpião).
_Tudo bem! Mas nenhum “piu”! (disse Lara).
_Mas nós não somos pintos! (disse o grilo).
_O que foi que eu disse agora há pouco? (perguntou Lara).
_Desculpe-me, Lara! (respondeu o grilo).
_Vamos continuar! (disse Lara).
_Sim! Vamos! (disse o vagalume).
Então Lara e seus amigos foram para o quarto de número cinquenta e cinco. Ao entrarem no quarto, Lara e seus colegas encontram uma lupa.
_Mas de que serve uma lupa aqui neste lugar? (perguntou o vagalume).
_Não seria bom pegar essa lupa e levar ela com você, Lara? (perguntou o grilo).
_Não sei! É melhor deixarmos ela aí onde está! (respondeu Lara).
_Então vamos continuar! (disse o escorpião).
_Sim! Vamos continuar! (respondeu Lara).
Lara e seus colegas seguiram para o quarto de número cinquenta e seis. Ao entrarem no quarto, Lara e seus colegas se depararam com várias borboletas monarcas.
_Olá! (disse Lara).
_Olá! (repetiram as borboletas).
_O que vocês fazem aqui? (perguntou Lara).
_O que vocês fazem aqui? (repetiram as borboletas).
_Vocês sabem onde está Erilufc? (perguntou Lara).
_Vocês sabem onde está Erilufc? (repetiram as borboletas).
_Será que vocês só sabem repetir o que a gente diz? (perguntou o grilo).
_Será que vocês só sabem repetir o que a gente diz? (repetiram as borboletas).
_JÁ CHEGA! (disse o vagalume).
_JÁ CHEGA! (repetiram as borboletas).
_Parem já com isso! (gritou Lara em um tom aborrecido).
_Parem já com isso! (repetiram as borboletas).
_Esperem! Eu sei de uma coisa que vai funcionar! (sussurrou o escorpião aos ouvidos da pequena Lara).
_E o que é? (perguntou Lara sussurrando).
_É só você dizer assim: “Eu sou uma borboleta ridícula!”. É só dizer que elas vão repetir! (sussurrou o escorpião).
Lara fez um gesto com a mão na boca para que os seus colegas ficassem em silêncio e então falou.
_EU SOU UMA BORBOLETA RIDÍCULA!
_EU SOU UMA BORBOLETA RIDÍCULA!... Ei, espera aí! Eu não gostei disso aí não! (disseram as borboletas).
Lara começou a sorrir juntamente com seus colegas. Então Lara e seus colegas foram para o quarto de número cinquenta e sete. Quando entraram no quarto eles viram várias meias que estavam cheirando muito mal. Lara nem sequer ousou pegá-las. Lara e seus colegas saíram do quarto e entraram no quarto de número cinquenta e oito. O quarto estava cheio de sangue. Lara ao ver a enorme mancha de sangue ficou com enjoo e depois saiu do quarto com seus colegas dizendo.
_Vamos sair daqui! Este quarto é o mais terrível de todos!
Lara e seus colegas entraram no quarto de número cinquenta e nove. Ao entrarem, Lara e seus colegas encontraram um machado pequeno.
_Será que esse machado é de Erilufc? (perguntou o vagalume).
_Não sei! Mas não faz sentido haver um machado por aqui! (disse Lara).
_Nada faz sentido por aqui! (disse o escorpião).
_Vamos! (disse a menina).
Lara e seus colegas saíram do quarto e entraram no quarto de número sessenta. Ao entrarem, eles encontraram umas flores de girassol. Lara tentou falar com as flores e disse-lhes.
_Oi!
_Olá! (respondeu uma das flores).
_Carambolas! Como vocês são tão bonitas! (disse Lara).
_Obrigada, mas nós não somos carambolas! (respondeu outra das flores).
_Eu sei! É que carambolas é só uma maneira minha de falar quando fico impressionada com alguma coisa! (respondeu Lara).
_Como você se chama? (perguntou outra flor).
_Me chamo Lara! (respondeu Lara).
_Que nome lindo! (disse a primeira flor).
_Obrigada! (agradeceu Lara).
_Por nada! (disse a segunda flor).
_Mas vocês vêm de onde? E quem era o jardineiro que cuidava de vocês? (perguntou Lara).
_Nós somos de um lugar chamado O Jardim das Flores! Quem cuidava de nós não era uma jardineira! Era uma menina que não falava! (respondeu uma das flores).
_Carambolas! E como essa menina se chamava? (perguntou Lara).
_O nome dela era Tâmara! Ela tinha um brilho nos olhos! (disse outra das flores).
_E o que aconteceu com ela? (perguntou Lara).
_Ela adoeceu com o tempo e nós ficamos sozinhas sem ter ninguém para nos regar! (respondeu uma das flores).
_Carambolas! Que coisa triste! (disse Lara).
_Depois um menino nos arrancou da terra e trouxe a todas nós para este lugar! (disse uma das flores).
_Um menino? (perguntou Lara).
_Sim! Um menino! (respondeu uma das flores).
_E como esse menino se chama? (perguntou Lara).
_Não sabemos! Mas ele tem poder para assustar qualquer ser vivo do atenalp! (disse uma das flores).
_Espero não ter que ver esse menino! (disse Lara).
_Peça à Imaginação para não ver esse menino porque ele é pura maldade! (respondeu uma das flores).
_Obrigada pelo conselho! (agradeceu Lara).
_Vocês já vão? (perguntou uma das flores).
_Sim! Nós precisamos! (respondeu Lara).
_E o que você está procurando mesmo? (perguntou uma das flores).
_Não é pelo que, e sim por quem nós estamos procurando! Estamos procurando por Erilufc! (disse Lara).
_Boa sorte, Lara! (disse uma das flores).
_Obrigada! (respondeu Lara).
Então Lara e seus colegas saíram do quarto e subiram os degraus que os levariam ao sétimo andar. Lara não perdera a mania de contar os degraus e assim continuou contando de um por um.
_Um, dois, três.... dez, onze, doze, treze... vinte, vinte e um, vinte e dois, vinte e três!
Ao chegarem no sétimo andar, Lara e seus colegas entraram no quarto de número sessenta e um. Ao entrarem no quarto, Lara e seus amiguinhos depararam-se com algumas rosas de cheiro agradável.
_Olá! (disse Lara).
_Oi! (disseram as rosas).
_Carambolas! Como vocês são bonitas e cheirosas! (disse Lara sentindo o perfume das rosas).
_Agradecemos! (disseram as rosas).
_Mas quem era o jardineiro que cuidava de vocês? (perguntou Lara).
_A mesma menina que cuidava das flores de girassol! (respondeu uma das flores).
_Tâmara? (perguntou Lara).
_Sim! Era ela quem cuidava de nós! (respondeu a outra flor).
_Essa menina era parecida comigo? (perguntou Lara).
_Um pouco! (respondeu a outra flor).
_Eu sinto muito, mas eu e meus amigos precisamos ir! (disse Lara).
_Vocês estão procurando por Erilufc, não estão? (perguntou uma das flores).
_Sim, estamos! (respondeu o vagalume).
_Boa sorte! É a única coisa que podemos desejar a vocês! (disseram as flores).
_Nós agradecemos! (disse Lara).
Lara e seus colegas saíram do quarto e foram para o quarto de número sessenta e dois. Ao entrarem, Lara e seus colegas encontraram um tabuleiro de xadrez no chão.
_Parece um tabuleiro de xadrez! (disse o grilo).
_Não parece um tabuleiro, é um tabuleiro de xadrez, seu bobão! (resmungou o vagalume).
_Vocês já vão começar? (disse o escorpião).
_O tabuleiro está aqui, mas onde é que estão as peças? (perguntou Lara).
_Pois é, Lara! Cadê o cavalo? E onde está o rei e a rainha? (disse o vagalume).
_Isso não vai melhorar a nossa situação! Vamos para o próximo quarto! (disse Lara).
_Certo! (disse o vagalume).
Lara e seus colegas foram para o quarto de número sessenta e três. Ao entrarem, Lara se escandalizou ao ver vários olhos nas paredes.
_O que é isso? (perguntou o vagalume).
_Ora, são olhos! Será que você é cego? (disse o grilo falante).
_Isso eu já sei! O que significam esses olhos nas paredes? (disse o vagalume).
_Será que eles falam? (perguntou Lara).
_Ah, Lara! Pelo amor da Imaginação! São olhos e não bocas! (disse o grilo).
_Eu também sei disso! (disse Lara).
_E então? Vamos para o próximo quarto? (perguntou o escorpião).
_Isso mesmo! (respondeu Lara).
Lara e seus colegas entraram no quarto de número sessenta e quatro. Ao entrarem Lara colocou o dedo no nariz, pois havia um gambá sentado em cima de uma cadeira.
_Porque vocês estão com o dedo no nariz? Afinal de contas nem todo gambá é de fato fedido! (disse o gambá).
Então o gambá pulou da cadeira e começou a andar na direção de Lara e seus colegas.
_O que foi? Parece até que eu sou um leão faminto! (disse o gambá).
_Afaste-se de nós! Você é perigoso! (disse Lara se afastando mais ainda do gambá).
_Perigoso? Eu? Eu nunca fiz mal a ninguém! (disse o gambá).
_Isso é o que você diz. (disse-lhe a pequena Lara).
_Vocês são todos supersticiosos! Eu tinha vários amigos na floresta e nenhum deles se afastava de mim! (disse o gambá).
_E quem eram esses amigos? (perguntou o grilo).
_Quem mais? Eram os outros gambás da mesma espécie que eu! (respondeu o gambá).
_Então tá explicado! (disse o vagalume).
_Um momento! Não vamos tirar aqui conclusões precipitadas! Eu e outros gambás sempre fomos animais cheirosos! (disse o gambá).
_Ah, sei! E a mentira? (disse Lara).
_Estou dizendo a verdade! Você acha que se eu fosse fedido Erilufc teria me raptado para ficar aqui nesta prisão? (disse o gambá).
_É! Até que faz sentido! (disse Lara um pouco conformada).
_Completamente, minha cara! Eu sou um animal muito limpo, e mentiroso é quem diz que eu sou fedido! (disse o gambá).
_Lara! (exclamou o escorpião)
_Oi! (disse Lara).
_Pode confiar no que ele disse! Eu não senti nenhum fedor da parte desse gambá! (disse o escorpião).
Lara, o vagalume e o grilo falante tiraram a mão do nariz.
_Muito bem! Acreditamos em você! Mas você vai ter que contar a sua história! (disse Lara).
_Bem... deixe-me ver! Por onde eu começo? Ah, sim! Eu era um gambá muito feliz e vivia entre os meus irmãos gambás! Nós vivíamos em um lugar chamado A Bela Floresta! Havia muitas árvores belas e cheias de frutas. Nós até tomávamos banho todos os dias! Como eu poderia dizer. nós gambás somos muito higiênicos! (disse o gambá).
_Agora diga para nós como você veio parar aqui! (disse Lara).
_Muito bem! Como eu havia dito, eu e os meus irmãos brincávamos uns com os outros! De repente um menino veio até nós! Aparentemente ele nos parecia até muito simpático, mas o rosto dele se transformou em algo horrível! Eu fiquei com tanto medo que eu desmaiei! Quando acordei eu já estava aqui trancafiado neste quarto horroroso! (disse o gambá).
_Então você quer dizer que não foi Erilufc que prendeu você aqui neste lugar? (perguntou o vagalume).
_Não sei dizer ao certo! Ela é tão perversa que poderia se transformar em um menino inocente! (respondeu o gambá).
_Você acredita nisso, Lara? (perguntou o escorpião).
_Sinceramente, não sei! Não conheço os poderes de Erilufc! Mas quem sabe sim! Ela se fez passar pela Imaginação! (respondeu Lara).
_Ela enganou você, Lara? (perguntou o gambá).
_Sim! (respondeu Lara).
_Nossa! Ela é realmente tenebrosa! (disse o gambá).
_E então? Vamos sair daqui? (perguntou o grilo).
_Não seja apressado, eu tenho todo o tempo do atenalp! (disse o gambá).
_Você gostaria de vir conosco? (perguntou Lara ao gambá).
_Eu? (perguntou o gambá).
_Por acaso tem outro gambá cheiroso por aqui? (perguntou o vagalume).
_É você mesmo! Gostaria de vir conosco? (perguntou Lara).
_Claro que sim! Seria uma honra! (respondeu o gambá).
_Pois então vamos! Temos muito a procurar! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos saíram do quarto e entraram no sexagésimo quinto quarto. Ao entrarem, nada mais encontram do que um tapete amarelo.
_Nossa, quem colocaria um tapete aqui? (perguntou o grilo).
_Não sei, mas até que decorou o quarto! (disse Lara).
_É! Ficou bonito mesmo! (disse o gambá).
_Vamos! (disse Lara).
Lara e seus colegas foram para o sexagésimo sexto quarto. Quando entraram, encontraram um cofrinho cheio de moedas.
_De quê servem estas moedas se estamos aqui em baixo nesta escuridão? (perguntou o gambá).
_Nós só podemos comprar coisas lá em cima! (disse o vagalume).
_É cada coisa doida que a gente vê por aqui! (disse o grilo).
_Vamos entrar no próximo quarto, meus amiguinhos! (disse Lara).
Lara e seus amigos saíram do quarto e entraram no sexagésimo sétimo quarto. Ao entrarem, eles encontraram uma penca de bananas.
_Nossa! Que desperdício! (disse o gambá).
_Não coma! As bananas podem estar envenenadas! (gritou Lara).
_Ai, meus ouvidos! Você acha que eu sou surdo, ou o quê? (disse o gambá).
_Você não pode comer as bananas! Erilufc pode ter envenenado elas! (disse Lara).
_Você está dizendo bobagens! Eu vou comer apenas uma! (disse o gambá).
_Eu acho que também vou comer uma! (disse o grilo).
_Não comam! Mas vocês são mesmo teimosos, hein! (disse o escorpião).
_É só um pedacinho! (disse o gambá sorridente).
_Já chega! Vocês querem ser trancados no quarto novamente? (perguntou Lara).
_Não, por favor! (disse o gambá).
_Não faça isso conosco! (disse o grilo).
_Então se comportem e façam o que eu mando! (disse Lara).
_Tá bom! (disse o gambá).
_Certo, Lara! (disse o grilo).
_Vamos para o próximo quarto! (disse Lara).
_Sim! Vamos! (disse o grilo).
Então Lara e seus amigos foram para o sexagésimo oitavo quarto. Quando eles entraram, encontraram uma taça no chão. A taça estava cheia de vinho.
_O que é que tem dentro dessa taça? (perguntou o grilo).
_Nossa, grilo, como você é curioso! (disse o vagalume).
_Cale a boca! (disse o grilo para o vagalume).
_Cale a boca você, seu grilo chato! (disse o vagalume).
_Vocês! Parem com isso! Vamos para o outro quarto! Ninguém aqui vai beber o líquido que está nessa taça! (disse Lara).
Lara e seus amiguinhos decidiram ir para o sexagésimo nono quarto. Quando eles entram, eles se deparam com quatro ventríloquos sentados no chão.
_Olá! (disse Lara).
Mas nenhum dos ventríloquos respondeu.
_Oi! (disse o grilo).
Novamente nenhum dos ventríloquos não disse nada.
_Quem será que construiu esses ventríloquos? (perguntou o gambá).
_Não sei, mas com certeza essa pessoa tinha muita habilidade! (respondeu Lara).
_É verdade! (disse o vagalume).
_Vamos para o próximo quarto! (disse Lara).
Lara e seus amigos foram para o septuagésimo quarto. E se alguém não sabe o que significa septuagésimo quer dizer que Lara e seus amigos entram no quarto de número setenta. Assim que entraram, Lara e os demais encontraram uma ampulheta em cima de uma cômoda. Só que eles não sabiam que a ampulheta era mágica.
_Nossa que bela ampulheta! (disse Lara).
Lara tocou na ampulheta com o seu dedo indicador da mão esquerda. Ao tocar na ampulheta, a ampulheta reluziu em uma luz branca muito forte, a qual sugou Lara, o grilo, o vagalume, o gambá e o escorpião para dentro de si. Desta vez Lara e seus colegas estavam dentro da ampulheta, tão pequenos quanto os grãos de areia que haviam dentro da ampulheta.
_E agora, o que faremos? (disse o gambá desesperado).
_Lara! Porque você inventou de tocar na ampulheta? (disse o grilo).
_Não se preocupem, meus amiguinhos! Deve haver alguém modo de sairmos daqui! (disse Lara).
_Ah, é? E por acaso você vai quebrar o vidro da ampulheta para que possamos sair daqui? (disse o gambá).
_Até que não é uma má ideia! (respondeu Lara).
_Não entendi! O que você quer dizer com isso? (perguntou o gambá).
_Eu não posso fazer nada se eu agir sozinha! Mas se eu, você, o grilo e o vagalume empurrarmos a ampulheta para frente com os nossos corpos certamente a ampulheta será movida para frente e então cairá no chão! Só assim poderemos sair daqui! (disse Lara).
_Que ideia brilhante! (disse o vagalume).
_Certo! Então vamos fazer o que Lara disse! Um, dois, três... empurrem!
Lara e seus colegas empurraram a parte de baixo da ampulheta de maneira que a ampulheta foi se movendo aos poucos até cair no chão. Assim que a ampulheta caiu no chão, Lara e seus colegas voltaram aos seus tamanhos originais.
_Uma boa ação essa nossa! (disse o vagalume muito feliz).
_Essa sua ideia foi ótima, Lara! (disse o gambá).
_Obrigada, mas nós agimos em conjunto! Agora vamos para o próximo quarto, meus amigos! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos subiram pelas escadas em direção ao oitavo andar. Lara foi contando de degrau a degrau, embora isto não fosse nenhuma novidade.
_Um.... dez... quinze... vinte...
Quando chegaram no oitavo andar, Lara e seus amigos entraram no septuagésimo primeiro quarto. Ao entrarem eles encontram um aquário no chão. No aquário havia vários peixinhos coloridos. Lara ficou com vontade de tocar no aquário, mas depois arrependeu-se e disse.
_Os peixinhos são bonitinhos, mas não devemos desistir da nossa procura!
_Tem razão, Lara! (disse o grilo).
Então Lara e os demais foram para o septuagésimo segundo quarto. Ao entrarem, ela e os outros ficam impressionados, pois não havia absolutamente nada no quarto.
_Essa mansão está ficando cada vez mais esquisita! (disse o gambá).
_Vamos! (disse Lara).
Lara e os outros saíram do quarto e entraram no septuagésimo terceiro quarto. Quando entraram, encontraram uma vassoura.
_Pra que vamos precisar de uma vassoura? (disse o gambá sorrindo).
_Só se for para varrer esta mansão inteira! (disse o grilo sorrindo também).
Lara começou a sorrir. Depois o vagalume e o escorpião começaram a sorrir também.
_Já chega, meus amigos! Temos que continuar! (disse Lara em um tom sério).
Lara e seu amigos foram para o quarto de número setenta e quatro. Ao entrarem, Lara e seus amigos se depararam com um enorme bolo de chocolate.
_Santa Imaginação! (disse o gambá).
_É, mas nenhum de nós vai comer sequer um pedaço desse bolo de chocolate! (disse Lara).
_Mas, Lara! Nós estamos famintos! (disse o gambá).
_Nós, não! Insetos não comem bolo! (disse o vagalume).
_É isso aí! (disse o grilo).
_Nem eu gosto de bolo, mesmo sendo um aracnídeo! (disse o escorpião).
_E o que é um aracnídeo? (perguntou o gambá meio confuso).
_Aracnídeo é uma classe de animais que possuem seis patas! (respondeu o escorpião).
_Isso mesmo! (disse o vagalume de acordo).
_Ah, sim! Agora tá explicado! (disse o gambá).
_Temos que continuar, meus amiguinhos! (disse Lara).
_De acordo! (disse o grilo).
Então Lara e os outros entraram no septuagésimo quinto quarto. Quando entraram eles encontraram vários chapéus no chão.
_Ninguém mexe nesses chapéus! (disse Lara).
Então Lara e os demais saem do quarto e vão para o quarto de número setenta e seis. Quando entraram, eles se depararam com uma casinha feita de papelão. Lara se aproxima bem pertinho da caixinha de papelão, mas não a toca. Lara começara a chorar silenciosamente.
_O que foi, Lara? (pergunta o escorpião).
_É que eu estou me lembrando da minha casa onde eu morava! (responde Lara).
_E o que fizeram com a sua casa? (perguntou o gambá).
_Alguém tocou fogo nela! (respondeu Lara).
_Nossa! Que desagradável! (disse o gambá).
_Mas você faz ideia de quem tenha incendiado a sua casa? (perguntou o vagalume).
_Não! Eu só sei que essa pessoa é muito perversa! (respondeu Lara).
Um silêncio prevalecera sobre os amigos de Lara.
_Vamos! Não há nada para procurarmos aqui! (disse Lara enquanto enxugava as lágrimas).
Lara e os demais entraram no quarto de número setenta e sete. Quando eles entraram, eles se depararam com um desenho bastante intrigante na parede. Nem Lara e nem os seus amigos sabiam do que se tratava aquele desenho na parede.
_Carambolas! Que desenho bonito! (disse Lara).
_É bonito mesmo! (disse o grilo).
_Mas o que será esse desenho? (perguntou o vagalume).
_Ecorpiãzinho! Será que você pode sair só por um instante do meu cabelo para ver que tipo de desenho é esse? (perguntou Lara).
_Sim, claro! (respondeu o escorpião).
Então o escorpiãozinho saiu de dentro do cabelo de Lara para ver o desenho.
_Hum...Não sei! Mas se parece muito com o ASTRO-REI! (disse o escorpião).
_Mas o ASTRO-REI é amarelo! (disse Lara).
_Sim! Foi só uma hipótese minha! (disse o escorpião).
_Certo! Você pode voltar para o meu cabelo! (disse Lara).
_Obrigado! Gosto de estar junto de você! (disse o escorpião subindo pelo corpo de Lara).
_Vamos continuar! Lara e seus colegas entraram no quarto de número setenta e oito. Quando entraram, eles encontraram um envelope.
_O que é isso? (perguntou o gambá).
_É um envelope! (respondeu Lara).
_O que será que tem dentro desse envelope? (perguntou o grilo).
_Não sei, mas vou abri-lo! (disse a menina).
Ao abrir o envelope Lara encontrou uma folha de papel. Não havia nada escrito na folha.
_Vamos! (disse Lara).
Lara e seus colegas entraram no septuagésimo nono quarto. Ao entrarem Lara e seus amigos se depararam com várias cabeças de búfalo penduradas nas paredes.
_Que coisa horrível é essa? (disse o vagalume).
_Vamos sair daqui! Isso está ficando cada vez mais horrível! Carambolas! (disse Lara).
Então Lara e seus colegas entraram no quarto de número oitenta. Quando entraram, a menina e os seus colegas saíram logo do quarto e trancaram o quarto, pois havia dois tigres dentro do quarto.
_Abram a porta para nós sairmos! (disse um dos tigres).
_Não! Vocês são tigres, e tigres são uma ameaça para criaturas pequenas como nós! (disse Lara).
_Abram a porta para nós! Nós prometemos que não vamos fazer nenhum mal a vocês! (disse o outro tigre).
_De jeito nenhum! O que vocês acham que nós somos? (disse o gambá).
_É! Vocês pensam que nós somos idiotas, é? (disse o grilo).
_Não! Só achamos que vocês estão perdidos! Deixem-nos ajudá-los e nós mostraremos o caminho para vocês! (disse um dos tigres).
_Eu já fui enganada várias vezes e eu não pretendo ser enganada de novo! (disse Lara).
_Você foi enganada pela pessoa errada! Nós somos sinceros! (disse o outro tigre).
_Não abriremos a porta e ponto final! (disse Lara).
_Por favor! Abram a porta para nós! (disseram os tigres).
_Quando eu digo não é não! (disse Lara).
Então Lara e seus colegas subiram pelos degraus em direção ao nono andar. Lara ia subindo os degraus e contando um por um.
_Um, dois, três... dez ... onze ...quatorze ... vinte.
Quando chegaram no nono andar, Lara e seus colegas entraram no quarto de número oitenta e um. Ao entrarem, Lara ficara impressionada, pois ela achava que nunca mais veria Miaclabut e seus filhos novamente.
_Miaclabut! Você está vivo? (disse Lara).
_Quem é que tá fedido? (disse Miaclabut).
_É! E pelo visto continua surdo como sempre! (replicou Lara sorridente).
_Quem é essa formiga velha? (perguntou o grilo).
_É Miaclabut! O primeiro metalúrgico do atenalp! (respondeu Lara).
_Miaclabut! Fico feliz em ver você! (disse Lara).
_O quê? Me deram água pra beber? (disse Miaclabut).
_Não, pai! Ela disse que está muito contente em ver o senhor! (disse a formiga azul).
_Lara, como você chegou até aqui em baixo? (perguntou a formiga preta).
_Bem... é uma longa história! (respondeu).
_Esses são os seus amigos? (perguntou a formiga amarela).
_Sim! Eu os conheci aqui mesmo na mansão! (respondeu Lara).
_E por acaso é esse anel que você está usando que está iluminando o caminho? (perguntou a formiga amarela).
_Sim! (respondeu Lara).
_Ei, Lara! Quem são essas formigas coloridas? (perguntou o escorpião).
_Quem foi que falou? (perguntou a formiga roxa).
_Fui eu, o escorpião!
Miaclabut e as outras formigas ficaram tremendo-se de tanto pavor.
_Um escorpião entre nós? (disseram todas as formigas).
_Sim, mas não se preocupem! Eu sou um escorpião bonzinho! Só me alimento de folhas e frutas! (respondeu o escorpião).
_Ah, menos mal! (disse Miaclabut).
_Eu sinto muito por interromper a conversa de vocês, mas nós precisamos continuar! Há outros quartos para explorar! (disse Lara).
_Certo! Eu concordo, Lara! (disse Miaclabut).
_Afinal de contas, o que aconteceu com vocês no momento em que vocês foram capturados? (perguntou Lara).
_Os lençóis negros nos trouxeram até aqui! Será que você esqueceu do que aconteceu conosco? (disse Miaclabut).
_É mesmo! Carambolas! (disse Lara meio sem graça).
_E agora? Para onde vamos? (perguntou a formiga branca).
_Vocês! Subam juntamente com Miaclabut e entrem no meu cabelo! E não se preocupem, pois o meu amigo escorpião não vai fazer nenhum mal a vocês! (disse Lara).
Então Miaclabut e as outras formigas subiram pelo corpo de Lara e entraram no cabelo dela.
_Agora vamos em frente! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos entraram no quarto de número oitenta e dois. Quando Lara abriu a porta do quarto vários olhos com asas saíram voando pela mansão.
_Mas o que são essas coisas? (perguntou o grilo).
_São olhos que voam! (respondeu Lara).
_Por acaso você já viu alguma coisa parecida? (perguntou o gambá).
_Nunca! (respondeu Lara).
Os olhos alados estavam voando pela mansão, meio que numa espécie de dança. Os olhos estavam voltados para Lara.
_Porque aqueles olhos alados estão olhando só pra mim? (perguntou Lara).
_Vai ver eles estão admirando a sua beleza! (respondeu a formiga branca).
_Não parece ser admiração! (disse Lara meio desconfiada de algo).
_Vamos continuar! (disse o vagalume).
_Sim, vamos! (disse Lara).
Lara e seus amigos entraram no quarto de número oitenta e três. Assim que entraram, eles se depararam com um asno que estava chorando.
_Porque você está chorando? (perguntou Lara).
_Sinto falta da minha terra natal! (respondeu o asno).
_De que terra natal você vem? (perguntou Lara).
_Eu nasci e fui criado em uma terra chamada A Terra das Goiabeiras! Havia um menino chamado Hipólito. Esse menino cuidava de mim e me dava banho todos os dias. (disse o asno).
_E o que aconteceu com ele? (perguntou o gambá).
_Ele ficou doente e depois sumiu do atenalp. Enquanto isso, eu fiquei sozinho! (respondeu o asno).
_Carambolas! A sua história é muito triste! Você gostaria de vir com a gente? (perguntou Lara).
_Você está falando sério? (perguntou o asno).
_Sim, estou! (responde Lara).
_Muito obrigado! Não se preocupe! Eu não vou atrapalhar vocês em nada! (disse o asno).
_Tudo bem! Temos que ir para o próximo quarto! Vamos! (disse Lara).
Então Lara e seus colegas entraram no quarto de número oitenta e quatro. Ao entrarem, eles encontraram um pirulito enorme.
_Nossa! Que pirulito enorme! (disse o gambá).
_É grande mesmo! (disse o asno).
_Ninguém vai sequer tocar no pirulito! (disse Lara).
_Mas é só uma pequena lambida! (disse o gambá).
_Não! (disse Lara).
Então Lara e os seus amigos entraram no quarto de número oitenta e cinco. Ao entrarem, Lara e seus colegas encontram um copo vazio.
_Vamos! Precisamos continuar! (disse Lara).
Lara e seus colegas entraram no quarto de número oitenta e seis. Ao entrarem, eles encontram várias pimentas no chão.
_O que são essas coisas aí no chão? (perguntou a formiga amarela).
_São pimentas! (respondeu Lara).
_Elas são boas para se comer? (perguntou a formiga preta).
_Não! Elas fazem a língua arder! (respondeu Lara).
_Puxa! Elas parecem ser tão apetitosas! (disse o gambá).
_Vamos sair daqui e ir para o próximo quarto! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos foram para o quarto de número oitenta e sete. Quando eles entraram, encontraram um baú cheio de joias.
_Nossa! Quantas joias! (disse o gambá).
_Mas de que nos servem estas joias se estamos aqui embaixo? (perguntou o grilo).
_Não servem de nada! (respondeu Miaclabut).
_Vamos! Temos de ir! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos entraram no quarto de número oitenta e oito. Ao entrarem, eles depararam-se com um hipopótamo.
_O que você está fazendo aqui? (perguntou o hipopótamo).
_Eu estou procurando Erilufc! Foi ela que colocou você aqui? (perguntou Lara).
_Não! Foi um menino que me colocou aqui! (respondeu o hipopótamo).
_E como é a aparência desse menino? (perguntou Lara).
_Deixe-me ver se eu lembro!
Enquanto o hipopótamo tentava se lembrar o hipopótamo desmaiou e ficou caído no chão.
_Ei! Acorda! Acorda! (disse Lara tentando reanimar o hipopótamo).
No entanto o hipopótamo não acordara.
_Será que ele dormiu pra sempre? (perguntou o gambá).
_Não! Ele apenas desmaiou! (respondeu o vagalume).
_Devemos esperar até que ele acorde? (perguntou o grilo).
_Não! É melhor não! Pode ser que ele demore muito a acordar! (disse Lara).
_Então vamos! Temos que continuar mesmo assim! (disse o grilo).
Então Lara e seus amigos entraram no quarto de número oitenta e nove. Ao entrarem, Lara e seus amigos se depararam com uma cama com um travesseiro em cima.
_Carambolas! Como eu estou com sono! Acho que vou deitar nessa cama e dormir um pouco! (disse Lara).
_É isso mesmo, Lara! Você dorme enquanto a gente espera o hipopótamo acordar! (disse o gambá).
_Não! Eu não sei se essa cama está amaldiçoada ou não! (disse Lara).
_Lara! Você não acha que está exagerando? (perguntou a formiga azul).
_Não! Eu preciso dobrar a minha atenção, pois a Imaginação me disse que eu veria coisas horríveis e até agora eu realmente tenho visto coisas tenebrosas! (disse Lara).
_Tudo bem então, Lara! (disse a formiga azul).
_Então vamos prosseguir!
Lara e seus amigos prosseguiram e entraram no quarto de número noventa. Ao entrarem, Lara e os demais se depararam com dez estátuas diferentes. Cada estátua estava em uma posição diferente. A primeira estava de joelhos. A segunda estava apontando para cima. A terceira estava apontando para baixo. A quarta estava apontando para a esquerda. A quinta estava apontando para a direita. A sexta estava com os braços cruzados. A sétima estava com as mãos em forma de preces. A oitava estava com a mão direita em cima da cabeça e a esquerda apoiada no ombro. A nona estava sentada no chão com as pernas cruzadas e a décima estava apontando o dedo indicador para Lara.
_Carambolas! Porque aquela estátua tá apontando o dedo indicador pra mim? (perguntou Lara).
_Vai ver ela gostou de você e quer ser sua amiga! (respondeu o gambá).
_Elas nem sequer tem vida própria! (respondeu Lara).
_E agora? (perguntou o grilo).
_Agora nós vamos subir até o décimo andar! Esse com certeza deve ser o último! (respondeu Lara).
_Vamos lá! (disse o vagalume).
Então Lara e seus amiguinhos começaram a subir os degraus até chegarem no décimo e último andar. Lara mais uma vez estava contando os degraus. Era mais fácil o ASTRO-REI deixar de brilhar do que Lara parar com a sua mania de contar as coisas.
_Um... dez ...vinte ...trinta ...
Ao chegarem no décimo andar Lara e seus amigos foram entrando logo no quarto de número noventa e um. Ao entrarem, eles encontram várias perucas coloridas.
_Olha só quantas perucas! Acho que vou usar uma! Tenho pouco cabelo mesmo! (disse Miaclabut).
_Nenhuma dessas perucas cabe na sua cabeça! (respondeu a formiga branca).
_É fácil! Basta tirar só um pouquinho da peruca e botar na minha cabeça! (disse Miaclabut).
_Vamos para o próximo quarto! (disse Lara).
Lara e seus colegas foram para o quarto de número noventa e dois. Ao entrarem, eles encontraram vários caroços de arroz no chão.
_Arroz cru? Ninguém merece! (disse a formiga amarela).
_Logo eu que tô com fome! (disse o grilo).
_Ninguém toca nesses caroços de arroz! Pode estar... (disse-lhes Lara enquanto os demais lhe interromperam).
_Já sabemos! Pode estar envenenado! (disseram o grilo, o gambá, o vagalume e o escorpião).
_Quem? Quem que é tapado? (perguntou Miaclabut).
_Ai! Nada, pai! (respondeu a formiga roxa).
_Vamos continuar! (exclamou Lara).
Então Lara e seus amigos foram para o quarto de número noventa e três. Ao entrarem eles encontraram vários óculos no chão.
_Vamos sair daqui! (disse Lara).
Lara e seus amigos entraram no quarto de número noventa e quatro. Quando eles entraram, eles se depararam com um pote cheio de lágrimas.
_O que é isso? (perguntou o vagalume).
_É um pote, seu bobão! (respondeu o grilo).
_Isso eu já sei! Quero dizer, o que tem dentro desse pote de vidro? (perguntou o vagalume).
_Deve ser água! (respondeu o asno).
_Porque nós não verificamos? (perguntou o gambá).
_Não! (disse Lara).
_Ah, Lara! Você está ficando chata! (disse o gambá).
_É isso, ou eu tranco vocês todos em um mesmo quarto! (disse Lara).
_Não! Tudo bem! (respondeu o gambá).
_Então vamos! Não podemos vacilar nenhum passo! (disse Lara).
Lara e seus amigos entraram no quarto de número noventa e cinco. Ao entrarem no quarto, Lara e seus amigos deram um grito enorme.
_Carambolas com milho cozido e farofa amarela, que coisa horrível! (disse Lara).
_Nossa! Isso é muito tenebroso! (disse o gambá).
_Realmente essa mansão é esquisita mesmo! (disse o vagalume).
Lara e seus amigos se escandalizaram, pois havia pernas e braços de crianças que viveram no primeiro milênio. Essas pernas e braços certamente haviam sido colocados por alguém.
_Vamos sair logo daqui! Eu não aguento olhar para isso! (disse Lara assustada).
_Tem toda razão, Lara! Então Lara e os demais entraram no quarto de número noventa e seis. Quando entraram novamente gritaram todos.
_Isso está ficando mais obscuro! (disse Lara).
_Que coisas horríveis! (disse o gambá).
_De fato isso é aterrorizante! (exclamou o grilo).
_Isso me provoca nostalgia! (disse o asno).
No quarto havia vários corações que haviam sido arrancados por Erilufc.
_Vamos para o outro quarto! Só espero que não tenha nada demais no próximo quarto! (disse Lara).
Lara e seus amigos caminharam em direção ao quarto de número noventa e sete. Ao entrarem, eles encontram várias línguas no chão.
_Vamos sair daqui! Eu já não aguento olhar pra tantas coisas horríveis! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos entraram no quarto de número noventa e oito. Ao entrarem com as mãos nos olhos para não verem nenhuma coisa horrorosa, Lara fora a primeira a tirar a mão dos olhos. Havia um desenho na parede muito bem desenhado. Esse desenho se parecia bastante com Lara.
_Esse desenho se parece comigo! (disse Lara).
_Podemos tirar a mão da frente de nossos olhos? (perguntaram os amigos de Lara).
_Podem tirar sim! (respondeu Lara).
Então os amigos de Lara tiraram as mãos de seus olhos para verem o desenho.
_Puxa, esse desenho realmente se parece com você, Lara! (disse o gambá).
_É a sua cara! (disse o asno).
_É verdade, mas isso não vai nos ajudar em nada! (disse Lara).
_Já sabemos! Vamos para o próximo quarto! (disse o grilo).
_Acertou em cheio! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos foram para o quarto de número noventa e nove. Ao entrarem Lara começou a ouvir vozes tenebrosas falando aos seus ouvidos.
_Por acaso vocês disseram alguma coisa? (perguntou Lara).
_Não! (responderam os amigos de Lara).
No entanto as vozes insistiam em sussurrar aos seus ouvidos. As vozes diziam: “Você não deveria ter vindo aqui!”, “Você não é bem-vinda aqui!”, “Você é uma menina maldita!”, “A Imaginação é uma desgraça assim como você!”.
_Parem! Parem de falar nos meus ouvidos! (gritou a menina atordoada).
_Mas nós não estamos dizendo nada! (disse o gambá).
_E de quem são essas vozes? (perguntou Lara).
_Que vozes? (perguntou o grilo).
_As vozes que eu estou ouvindo! (respondeu Lara).
_É melhor nós sairmos daqui, Lara! Este lugar não está fazendo bem a você! (disse o escorpião).
_Sim! Vamos! (disse Lara).
Então Lara e seus amigos abriram a centésima porta. Ao abrirem Lara e seus amigos ficaram surpresos. Havia um menino sentado no chão.
Capítulo 18
(Um Ser Desconhecido)
_Quem é você? (perguntou Lara).
_Ah, oi! Meu nome é Obaid! (respondeu o garoto).
_E o que você faz sentado aí no chão? (perguntou o gambá).
_Erilufc me prendeu aqui no centésimo quarto! Ela é o pior ser que eu já vi em toda a minha vida! (respondeu o garoto).
_Ela também prendeu a todos nós, exceto essa garotinha simpática de cabelo amarelo! (disse o asno).
_Bem... e como você se chama? (perguntou o garoto para a menina).
_Meu nome é Lara! (respondeu Lara).
_Lara? (perguntou Obaid).
_Sim! Porque você ficou surpreso? (perguntou Lara).
_Nada! É que esse nome é diferente dos que eu já ouvi! (disse Obaid).
Então Obaid disse consigo mesmo em seus pensamentos.
_Essa garota é aquela da qual a profecia tanto fala! Maldição!
_O que foi? Você está bem? (perguntou Lara).
_Eu estou bem! É que eu estou cansado de tanto ter ficado neste quarto! (respondeu Obaid).
_E desde quando você está neste quarto? (perguntou o grilo).
_Desde o segundo milênio! (respondeu Obaid).
_Carambolas! É muito tempo! (disse Lara).
_Realmente é muito tempo mesmo! (disse Obaid).
_E agora, para onde vamos? (perguntou a formiga branca).
_Vocês estão procurando por Erilufc, não estão? (perguntou Obaid).
_Sim, mas só porque Lara está decidida a encontrar ela! Se fosse por nós, certamente já estaríamos lá em cima, onde o vento é suave e agradável! (resmungou o gambá).
_Bico calado! (disse o vagalume).
_Quem tem bico é galinha! (resmungou o gambá).
_Vocês dois, parem já com isso! (resmungou Lara).
_Quem é o dono do infinito? (disse Miaclabut).
_Carambolas, já vai começar outra vez! (disse Lara).
_Quem jogou xadrez? (disse Miaclabut).
_Carambolas com milho e cenoura crua! (disse Lara).
_Deixa pra lá, papai! (disse a formiga azul).
_Eu sei onde Erilufc está! (afirmou Obaid).
_Ah, é? Você sabe mesmo? (perguntou o gambá).
_Sim, exatamente! Eu sei onde Erilufc está! (respondeu Obaid).
_Mas como você sabe onde ela está se você passou esse tempo todo aqui trancado neste quarto? (perguntou o grilo).
_Erilufc me levou para outros lugares antes de me colocar aqui neste quarto! (respondeu Obaid).
_Mas como pode haver outros lugares por aqui nesta mansão? Só existem cem quartos nesta mansão, sem contar a outra parte de fora da mansão onde existem peças gigantes de xadrez! (disse Lara).
_Não se preocupem! Existe mais um quarto aqui nesta mansão! (respondeu Obaid).
_Mas como pode haver mais um quarto se só existem cem? (perguntou Lara).
_O quarto número cento e um! (disse Obaid).
_Existe o quarto número cento e um? (perguntou o vagalume).
_Sim! (responde Obaid).
_E como nós não pudemos enxergar esse quarto antes? (perguntou Lara).
_Porque esse quarto é invisível! (respondeu-lhes Obaid).
_E o que estamos esperando? Vamos lá! (disse o gambá).
_Por favor! Me acompanhem!
Então Obaid levantou-se do chão e saiu do quarto. Lara e seus amigos o seguiram degraus abaixo. Lara e os demais desceram até o nono andar. No momento em que Lara e seus amigos passaram pelo quarto de número oitenta e oito Lara lembrou-se do hipopótamo. Desta vez, Lara esqueceu-se de contar os degraus.
_Ei, seu hipopótamo! Você está acordado? (batia Lara na porta do lado de fora).
_O que foi, Lara? (perguntou Obaid).
_É que nesse quarto tem um hipopótamo! Acho que vou abrir a porta e tentar falar com ele para ver se ele quer vir conosco! (respondeu Lara).
_Tudo bem! Eu espero aqui! (disse Obaid com um sorriso irônico).
Lara entrou no quarto de número oitenta e oito novamente. No entanto, o hipopótamo continuava deitado no chão. Lara tentou acordá-lo.
_Ei! Acorde! Nós já sabemos para onde ir! Ei! Acorde!
_Não adianta, Lara! Ele vai ter que ficar aí! (disse o gambá).
_Bom... pelo menos nós podemos deixar a porta aberta! Pelo menos ele vai poder voltar lá para cima, caso ele consiga escapar das peças gigantes de xadrez, é claro! (disse Lara).
_Vamos, Lara! Mais cedo ou mais tarde ele vai acordar! (disse o vagalume).
_Sim! Vamos!
Lara e seus amigos uniram-se novamente a Obaid e assim foram descendo degraus abaixo em direção ao primeiro andar da mansão. Lara lembrara-se de que ela não havia contado os degraus anteriores. Assim sendo, ela contou os degraus pelos quais já houvera passado.
_Um, dois, três... dez, onze, doze ...
_O que você está fazendo? (perguntou-lhe Obaid).
_Ah, sim! É que eu tenho a mania de contar os degraus quando eu estou subindo ou descendo por eles! (respondeu Lara).
_Muito bem! (disse Obaid com um sorriso sarcástico).
Obaid desceu juntamente com Lara e seus amigos até o primeiro andar.
_Nossa! Que canseira! (disse o gambá).
_Tirou as palavras da minha boca! (disse o grilo).
_E agora? Para onde vamos? (perguntou o asno).
_Afastem-se! Eu vou fazer uma citação que eu ouvi Erilufc fazer! (disse Obaid).
_E pra que serve essa citação? (perguntou Lara).
_É para fazer com que a porta se torne visível! (respondeu Obaid).
_E para onde essa porta nos levará? (perguntou a formiga azul).
_Para o lugar onde Erilufc está! (respondeu Obaid).
Lara e seus amigos afastaram-se de Obaid para que ele pudesse recitar tais palavras. Então Obaid começou a fazer sua citação:
Coração que grita e clama
por um vasto desejo de malignidade
sombras que se projetam
luz que erradica
frases da morte
calma que mata
sono que ilude
vaso de sangue
vento que espalha
vozes que matam
mãos que se cortam
rio que afoga
mar do orgulho
ego que exalta
terra que cobre
corpo a dois palmos
sangue que jorra
mundo acabado
seres perdidos
copo quebrado
olhos enfermos
língua maldita
casa dos loucos
chuva insaciável
tinta vermelha
Após ter dito essas palavras, uma porta foi aparecendo aos poucos.
_Carambolas! Essas palavras são mágicas mesmo! Como foi que você aprendeu essas palavras de uma vez só? (perguntou Lara).
_Digamos que eu tenha uma mente fresquinha! (respondeu Obaid).
_E agora? (perguntou o grilo).
_Agora é só abrir a porta e entrar por ela! Vamos? (disse Obaid).
_Sim! Vamos! (disse Lara).
Então Obaid abriu a porta e disse para Lara e seus amigos entrarem primeiro. Lara e seus amigos entraram, e por último Obaid. Então eles foram transportados para um lugar onde não havia nada. Esse lugar era bem maior do que os outros quartos da mansão. O chão era plano e de uma cor acinzentada.
_Chegamos! (disse Obaid).
_Certo, mas cadê a Erilufc? (perguntou o gambá).
_Seus tolos! (disse Obaid).
_Do que você nos chamou? (disse o grilo).
_É exatamente isso o que vocês são! (respondeu Obaid).
_Então isto é uma armadilha, não é? (perguntou Lara).
_Isso mesmo! E vocês caíram direitinho! (respondeu Obaid).
_Seu larápio! Você vai ver só uma coisa! (disse o grilo pulando em direção até Obaid para atacá-lo).
Então Obaid pegou o grilo com apenas dois dedos.
_Seu mentiroso, o que vai fazer com o nosso amigo? (perguntou Lara indignada).
_Nada demais! (responde Obaid).
Depois de ter dito essas palavras Obaid abriu a boca e jogou o grilo em direção à boca, e então começou a mastigar o grilo.
_NÃO! PARE COM ISSO! (disse Lara angustiada).
No entanto, quanto mais Lara pedia para que Obaid parasse mais ele mastigava o grilo, até engolir o grilo goela abaixo.
_SEU PERVERSO! VOCÊ É UM MONSTRO! (gritou o gambá com grande raiva).
_Estava apetitoso! (disse Obaid dando gargalhadas).
Então Lara começara a chorar bastante.
_Porque você fez isso? (perguntou Lara).
_Porque a escuridão foi feita para os perversos! (respondeu Obaid).
_Você vai ver só! Isso não vai ficar assim! (disse Lara com tom de raiva).
_E não vai ficar mesmo! Aqui não é lugar para uma menina doce e ingênua como você! (disse Obaid).
Então Obaid lançou um encantamento.
_Erbifastum Laborati!
Quando Obaid disse essas palavras, Lara e seus amigos viram-se enjaulados em uma prisão composta por densas trevas em forma de grades.
_O que você pretende fazer conosco? (perguntou o vagalume).
_Não se preocupem! Eu só quero uma gota de sangue dessa pobre e triste menina! (respondeu Obaid).
_Uma gota de sangue? (perguntou Lara).
_Por acaso você é surda? Você ouviu muito bem o que eu disse! Mas como eu sou perverso eu beberei todo o seu sangue até que não sobre nenhuma gota! (disse-lhe Obaid com um tom de voz perverso).
_Mas o que você vai obter sugando todo meu sangue? (perguntou Lara).
_Você não sabe, menina desgraçada? Diz a profecia que aquele que bebesse o sangue de uma menina pura se tornaria o ser mais poderoso do atenalp! (respondeu Obaid).
_E pra quê você quer se tornar o ser mais poderoso do atenalp? (perguntou a formiga preta).
_Vocês ainda não entenderam? Quando eu beber o sangue dessa maldita menina eu serei tão poderoso quanto a própria Erilufc! (respondeu Obaid).
_Então esse é o seu plano, governar o atenalp? (perguntou o gambá).
_Foi para isso que eu nasci! Eu tomarei o trono da Imaginação, e no final das contas, ela terá que se curvar diante de mim! (disse Obaid).
_Mas nunca que isso vai acontecer! A Imaginação é a criadora do atenalp! Não existe ninguém como ela! (disse Lara).
_Como você é ingênua, Lara! Você nunca parou para pensar como seria o atenalp sem a existência dela? (pergunta Obaid).
_Sem a existência dela não existiria nem o atenalp! (respondeu Lara).
_Você fala como se nós dependêssemos dela, mas isso não passa de uma ilusão que ela mesma criou! (diz Obaid).
_Não existe nenhuma ilusão! O único iludido aqui é você! Você acha que é maior do que aquela que criou as coisas mais maravilhosas do atenalp? (cogitou a menina).
_Se tudo o que ela criou é tão maravilhoso assim, então por que ainda existe fome no atenalp? E porque ainda existem desgraças por aí? Agora você vai me dizer que eu sou o culpado dessas coisas? (disse-lhe Obaid).
_Infelizmente eu não tenho resposta para essas perguntas, mas uma coisa eu posso dizer! (disse Lara).
_E o que você pode dizer em meio a tudo isso? (pergunta Obaid).
_Cada um é responsável pelos seus atos! (respondeu Lara).
_Muito bem! Muito bem! Agora você disse a coisa certa! (disse Obaid batendo palmas aplaudindo sarcasticamente a menina).
_Porque você está me parabenizando? (pergunta Lara).
_Porque eu nunca pensei que eu pudesse encontrar um ser tão inocente e desprezível como você! Pensando bem, acho que não só vou beber o seu sangue como também vou comer a sua carne! (disse Obaid).
Então Lara fechou os olhos e fez um esforço ao se concentrar. Nesse exato momento, o anel de Lara começara a brilhar com mais intensidade. O anel de Lara brilhou com tanta intensidade que Obaid pôs a mão direita na frente de seus olhos para proteger-se. A luz tornar-se tão resplandecente que a jaula feita de escuridão dissipou-se num pequeno piscar de olhos. Obaid ficara cego, mesmo que por um breve instante.
_Maldita! O que você fez comigo? Você vai ver só! Eu vou aniquilar você, sua desgraça! (disse Obaid).
Enquanto Obaid procurava apalpava a escuridão a pequena Lara dissera aos seus amigos dando-lhes as devidas instruções.
_Muito bem, meus amigos! Vamos agir em equipe! Miaclabut e as formigas entram nos ouvidos de Obaid e começam a gritar dentro dos ouvidos dele para que ele fique perturbado! Asno! Você vai dar um coice sempre que ele vier em sua direção! Gambá! Você vai se segurar na perna dele e vai ficar mordendo. Não importa qual seja a perna! Vagalume! Você vai entrar na boca dele e sacudir a úvula, e cuidado para que ele não mastigue você! Escorpião! Você fica comigo, caso seja necessário, você o ataca!
Os amigos de Lara concordaram coma ideia. Enquanto Obaid ficava movimentando-se pra lá e pra cá, Lara e seus amigos começaram a agir. Então as formigas desceram juntamente com Miaclabut e foram em direção até Obaid. Quando as formigas começaram a subir pelo corpo de Obaid, ele começou a bater no seu corpo, mas as formigas se desviaram de seus golpes.
_O que é isso? (dizia Obaid consigo mesmo).
As formigas chegaram até os ouvidos e assim entraram. Algumas entraram no ouvido direito, e outras no ouvido esquerdo. Então elas começaram a gritar. Obaid começara a perturbar-se.
_Parem com isso! Minha cabeça está doendo! Parem! Parem! Não consigo suportar esses berros dentro da minha cabeça!
Neste exato momento veio o gambá correndo em direção à perna de Obaid. O gambá agarra-se à perna esquerda e então deu-lhe uma bela de uma mordida. Obaid abrira a boca e dera um grito. Neste momento, veio o vagalume sobrevoando e entrara em sua boca. Obaid começara a tossir e a engasgar-se. Enquanto ele se engasgava, ele aproximara-se do asno, o qual virou-se de costas e lhe dera um coice bem na barriga. Obaid abriu a boca e então o vagalume saiu de dentro da boca dele, o gambá soltara a perna dele, e as formigas saíram de dentro dos ouvidos dele. O asno afastara-se dele, as formigas voltaram para o cabelo de Lara, o gambá aproximou-se dela. Depois de um certo tempo Obaid abriu os olhos e assim disse-lhes.
_Malditos! Vocês vão me pagar por essa! Malditos!
Obaid abrira a boca e então aranhas começaram a sair de sua boca.
_Que coisa nojenta! (disse Lara).
_É nojento mesmo! (concordou o gambá).
As aranhas começaram a caminhar em direção a Lara e seus amigos. O asno começara a pisar em cima de algumas aranhas. O gambá escondera-se atrás de Lara.
_Ai, Lara! Por favor, defenda-me! (disse o gambá).
_Não se preocupe! (disse o escorpião).
Então o escorpião desceu do corpo de Lara e começou a lutar com algumas aranhas. O escorpião dava suas ferroadas nas aranhas com as quais lutava e elas caíam mortas no chão. As formigas também desceram para lutar contra as aranhas, exceto Miaclabut que já estava bem velhinho.
_Você fica aqui comigo! (disse Lara para Miaclabut).
_Quem é que tem abrigo? (perguntou Miaclabut).
_Eu disse que você fica aqui comigo! (disse Lara).
_Ah, entendi! É aqui que eu fico, não é? (disse Miaclabut).
_É mais ou menos isso! (respondeu Lara).
Depois de exterminarem todas as aranhas, pois eram muitas, Obaid ficara muito irritado.
_Vocês vão ver só! (disse Obaid).
Então o menino concentrou suas forças, de maneira que o lugar ficara mais escuro que o normal. Agora o anel de Lara parecia apenas uma faísca em meio a um porão escuro.
_Juntem-se a mim, meus amigos! (disse Lara).
_Agora vocês não me escapam! (disse Obaid dando gargalhadas).
Lara fez um esforço para que o anel brilhasse com mais intensamente, porém, ela não conseguira.
_E agora, Lara? (perguntou o gambá tremendo de medo).
_Não se preocupem, meus amiguinhos! Apenas confiem na Imaginação! (disse Lara).
_Mas está muito escuro, Lara! Como nós poderemos ver Obaid? (perguntou o vagalume).
_Você é um vagalume, não é? (perguntou Lara).
_Sim, eu sou! (respondeu o vagalume).
_E o que vagalumes fazem quando estão no escuro? (perguntou Lara).
_Eles brilham! (respondeu o vagalume).
_Então eu quero que você brilhe o máximo que você puder! Mas não se esqueça que Obaid pode atacar a qualquer momento! (disse Lara).
_Mas eu não sei se consigo brilhar com tanta intensidade! (disse o vagalume).
_Apenas faça a sua parte! Nós acreditamos em você! (disse Lara).
_Obrigado! (agradecera o vagalume).
Então o vagalume começou a voar para lá e para cá. Seu esforço era notoriamente admirável. De tanto esforçar-se, o vagalume finalmente conseguira, de maneira que Lara conseguiu ver Obaid.
_Agora eu vi você! (disse Lara).
No entanto, ao tentar agarrar Obaid, Lara percebera que ela havia agarrado algo diferente. Ela havia agarrado um lençol negro. Os outros lençóis que estavam ali por perto prenderam o gambá, o escorpião, o asno, e as formigas.
_Lara! Por favor! Tire-nos daqui! (implorou o gambá).
_Não se preocupe, gambá! Eu vou ajudar vocês! (disse Lara).
Lara soltou o lençol negro de uma vez, pois ela sentiu que algo pontiagudo vinha em sua direção para acertá-la em cheio. Lara foi andando para lá e para cá. Então um lençol agarrou-a e tentou segurá-la. Lara sentira a mesma sensação de que a mesma coisa que tentara acertá-la anteriormente estava vindo outra vez em sua direção. Então Lara deu um pulo para frente. Dessa vez a coisa só havia acertado o lençol negro, o qual se dividiu em dois pedaços.
_Apareça de uma vez, Obaid! (exclamou Lara irritada).
_Vocês humanos são uma desgraça! Não merecem viver! Mas sabe de uma coisa, Lara? Para fazer uma borboleta sofrer não é preciso matá-la, basta arrancar as suas asas! (disse Obaid).
_O que você quer dizer com isso? (perguntou Lara).
_Eu sou o tudo e o nada! Nada me desperta tanto ódio do que ver um ser tão fraco e desnorteado! A luz foi feita para os fracos! A escuridão foi feita para os fortes! Todos os que recusarem ser meus escravos padecerão nas minhas mãos! Eu não sinto medo de nada! Eu sou o próprio medo! Apagarei a sua existência desta esfera sem movimento! (disse Obaid).
_Você está dizendo asneiras! Você é um bobão! (disse Lara).
_Como ousa me insultar dessa maneira? Eu tenho poder para te destruir a qualquer momento! Onde está a Imaginação agora? Se ela fosse boa para com você ela certamente já estaria aqui para te ajudar! Onde está aquela em quem você tanto deposita sua confiança? Eu bebi o sangue de várias pessoas do atenalp! Eu bebi o sangue de Orféia! Eu bebi o sangue de Anívia! Eu bebi o sangue de Sansídia! Eu comi a carne de Temísia! Eu assassinei todas elas acreditando que elas fossem você, e mesmo assim a Imaginação não me impediu de fazer isso! Então me responda! Onde está a Imaginação quando você mais precisa dela? (disse-lhe Obaid).
_Ela me disse que eu teria que vir até aqui sozinha e que eu enfrentaria muitos desafios! Mas ela me disse que eu conseguiria vencer esses desafios! Então é nela que eu acredito! Você pode ter matado muitas pessoas, mas eu tenho a certeza de que essas pessoas estão junto da Imaginação! A morte delas não foi em vão! Então eu farei com que você saiba quão poderosa é a Imaginação! (disse Lara).
_Oras! Não me faça rir! Você me enoja com esse discurso infantil! (disse Obaid).
_E eu que pensei que você tivesse um coração bondoso! Mas agora eu vejo que você é tão perverso quanto a própria Erilufc! (disse Lara).
_Isso porque você não sabe nem um terço da história dela! (disse Obaid).
_Você vai ver! Eu irei derrotar você! (disse Lara).
_Duvido muito! (respondeu-lhe Obaid).
Lara concentrou sua raiva e os lençóis começaram a pegar fogo.
_Maldita! O que foi que você fez? (perguntou Obaid).
_Você acha que eu não percebi? Então é você quem controla esses lençóis negros, não é? (perguntou Lara).
_Foi o maldito do vagalume que mostrou pra você enquanto você conversava comigo, não foi? (perguntou Obaid).
_Você é bem esperto! (disse Lara).
_Não seja tola! Lembre-se de que você e seus amiguinhos estão no meu território! (disse Obaid).
_E pelo visto você pode fazer aparecer quantos lençóis você quiser, não é? (perguntou Lara).
_Até que você é bem espertinha pra uma menininha ingênua! (disse Obaid).
_Não me subestime! (disse Lara).
_Ah! Com certeza não! (disse Obaid).
Então Lara começou a concentrar o poder de seu anel. Á medida que Lara ia se concentrando o ambiente ia iluminando-se cada vez mais. Quando o ambiente ficara iluminado a menina percebera que Obaid estava cara a cara com ela. Obaid estava com um machado feito de densas trevas em sua mão direita. Então Obaid tentara acertá-la, contudo Lara se esquivara de Obaid.
_Por essa eu não esperava! Como você conseguiu se esquivar? (perguntou Obaid).
_Eu sou muito habilidosa! Como eu disse, não me subestime! (disse Lara).
Obaid ficara mais irritado ainda e assim tentou acertar Lara, uma, duas, três vezes, mas Lara deu uma cambalhota para a direita e para a esquerda. Enquanto Lara tentava se esquivar dos ataques de Obaid, Miaclabut caiu do cabelo de Lara e ficou no chão. Obaid tentava atacar Lara por várias vezes, mas não conseguia acertá-la com seu machado sombrio. Miaclabut começou a pronunciar algumas palavras, as quais diziam:
Digníssima de todos os seres
a Ti elevo o meu pensamento
perdoa a minha transgressão
e faz-me ser com d’antes
não apenas a mim
como também aos meus filhos
serviremos a Ti
pois sempre foste digna de receber glória
humilho-me diante de Ti
e reconheço minhas falhas
agora ajuda-me
para que eu possa ajudar os demais
pois és mais justa do que todos
Depois que Miaclabut dissera essas palavras ele e as outras formigas transformaram-se, como que num piscar de olhos, em homens revestidos com suas armaduras. Miaclabut transformou-se em um homem de barbas acinzentadas e que tinha uma armadura cinza e uma bela espada prateada. Os filhos de Miaclabut também se transformaram em cavaleiros, cada um com uma cor diferente. Todos empunhavam suas espadas. Os filhos de Miaclabut puxaram suas armas da bainha e assim começaram a rasgar os lençóis. Então Miaclabut e seus filhos começaram a batalhar contra os lençóis negros. No entanto, os lençóis reconstituíram-se e voltaram ao normal.
_Mas pai! O senhor não vai ajudar Lara? (perguntou o cavaleiro da armadura azul).
_Não se preocupem com Lara! Ela é uma menina muito esperta! Ela sabe se defender! (respondeu Miaclabut).
Obaid estava fazendo esforço máximo para acertar a menina, mas ele não estava conseguindo.
_Por que você não fica quietinha só um minutinho pra eu te acertar? (perguntou Obaid).
_Porque eu não sou boba que nem você! (respondeu Lara).
_O que foi que você disse? (disse Obaid).
Nessa mesma hora Obaid abriu a boca e então o vagalume entrou novamente na boca dele. Obaid ficou tossindo por um certo tempo.
_Ei! Vocês não vão tirar a gente daqui não? (perguntou o gambá).
_Desculpe-nos! (disse o cavaleiro da armadura branca).
Então o cavaleiro da armadura amarela golpeou os lençóis que estavam segurando o escorpião, o gambá e o asno. Quando o gambá, o escorpião e o asno caíram no chão eles agradeceram ao cavaleiro da armadura amarela. Enquanto isso, Miaclabut e os outros cavaleiros lutavam contra os lençóis. Obaid continuava tossindo. Lara foi em direção até ele e o empurrou fazendo-o cair no chão. Quando Obaid caíra no chão, Lara pulou em cima dele. Obaid abriu a boca e o vagalume saiu. Quando o vagalume saiu, veio o asno para dar-lhe um coice. Quando Obaid começou a se levantar o asno deu outro coice que o deixou caído no chão por um tempo.
Então o escorpião foi em direção para picá-lo com o seu ferrão, mas quando ele aproximou-se de Obaid, todos os lençóis negros que se encontravam naquele lugar cobriram Obaid como uma espécie de armadura. Então Obaid se transformou em uma criatura horrenda e macabra. Obaid havia se transformado em um ser totalmente negro com olhos vermelhos.
_E agora, Lara? Você tem medo de mim? (perguntou Obaid).
_Não! Eu não tenho! (respondeu Lara).
_Meus filhos! Em conjunto! (disse Miaclabut aos seus filhos).
Então o gambá, o asno e o vagalume aproximaram-se de Lara. O escorpião subiu de volta ao cabelo da menina. Maiclabut e seus filhos ficaram em derredor de Lara para protegê-la.
_Nós seremos seu escudo, Lara! (disse Miaclabut).
_Não se preocupem comigo! Façam o seguinte! Levantem suas espadas ao alto! (disse Lara).
_Mas o que você pretende fazer, Lara? (perguntou o cavaleiro de armadura roxa).
_Vocês sabem que espadas de metal absorvem a luz e repelem! Eu vou usar o poder do meu anel e vou mirar a luz em direção ás espadas de vocês! Quando isso acontecer, mirem a luz em direção a Obaid! (disse Lara).
_Certo! (disseram os cavaleiros).
Obaid tentou atacar Lara, mas os cavaleiros não permitiram e defenderam-na com as suas espadas. Obaid tentara atacar de novo, mas os cavaleiros defenderam-lhe novamente.
_Maldição! (disse Obaid).
_Agora! (disse Lara).
Então os cavaleiros levantaram suas espadas para o alto. Lara concentrou o poder do anel. O anel começou a brilhar intensamente. Lara direcionou a luz do anel na direção das espadas. A luz atingiu a lâmina de cada uma das espadas e assim fora redirecionada para Obaid.
_NÃO! Tirem essa maldita luz de mim! (disse Obaid).
Então Obaid começara a se dissipar em meio à luz. Obaid fez seu machado aparecer novamente. O machado apareceu em sua mão direita. Então ele foi em direção a garota para atacá-la, mas ela fez com que seu anel brilhasse mais ainda, e assim Obaid fora dissipado pela luz completamente. Depois de algum tempo, apareceram os lençóis. Os lençóis começaram a dividir-se até o momento em que Obaid aparecera deitado no chão. Sua expressão já não era a de antes, e sua forma voltara a forma de um menino.
_Ainda vai lutar conosco? (disse Lara).
_Eu já cansei de lutar já há muito tempo atrás! (disse Obaid).
_Não pense que nós somos tolos! Nós não vamos mais cair nessa sua conversa de menino inocente! (disse Lara).
_Vocês não estão mais conversando com Obaid! (respondeu o menino).
_Como assim? Você está querendo nos enganar! Você é um monstro! (disse o gambá).
_Vocês podem até não acreditar, mas eu fui mantido como preso por Erilufc durante muitos anos! (disse o menino).
_Você está querendo enganar a gente! (disse Maiclabut).
_Não! Desta vez sou eu que estou dizendo! Por favor acreditem em mim! (disse o menino).
_Não podemos confiar em você! Você matou muitas pessoas inocentes! Você é um monstro! (disse Lara).
_Desta vez não é o Obaid que está dizendo! Sou eu! Vocês precisam acreditar em mim! (disse o menino).
_Como assim? Eu não estou entendendo! (disse Lara).
_Obaid era uma força maligna que existiu há muito tempo! Eu fui domado por essa força maligna, mas agora estou livre! (disse o menino).
Lara começou a pensar um pouco.
_No quarto de número três havia uma carta que falava sobre um menino que teve uma vida bastante difícil. Esse menino é você? (perguntou Lara).
_Sim! Esse menino sou eu! (respondeu o menino).
_E qual é o seu verdadeiro nome? (perguntou Lara).
_Meu nome é Benique! (respondeu o garoto).
_Não se preocupe! Obaid foi dissipado pela luz intensa do meu anel! (respondeu Lara).
_Lara! Você ganhou um novo amigo! Mas infelizmente eu não posso subir lá para cima com você! (disse o garoto).
_E porque não? (perguntou Lara).
_Eu me revoltei contra a Imaginação! Não existe mais perdão para mim! Eu me considerei superior à Imaginação, e por esta razão não sou mais digno do seu perdão! Não existe perdão para os que blasfemam! (disse o garoto).
_Não diga bobagens! Existe perdão sim! Se você estiver arrependido de verdade a Imaginação o perdoará! (respondeu Lara).
_Agora é tarde, Lara! Em breve dormirei para sempre! Você sabe o que isso quer dizer? (perguntou o garoto).
_Sim! Eu sei o que quer dizer! (disse Lara derramando lágrimas de tristeza).
_Não se esqueça de mim, Lara! (disse Benique).
_Não me esquecerei! (disse Lara sentindo o pranto apossar-se de seu âmago).
Benique começou a desaparecer em forma de pétalas vermelhas, como quando uma rosa é despedaçada. Lara estava segurando Benique enquanto ele se dissipava.
_Eu espero que você alcance os seus objetivos! (disse Benique).
_Não se preocupe! Eu me lembrarei de você! (disse Lara).
_Prometa-me uma coisa! (disse Benique).
_Sim? (disse Lara).
_Prometa-me que você vai derrotar Erilufc! (disse Benique).
_Se a Imaginação estiver comigo tudo será possível! (disse Lara).
_Perdoe-me por eu ter matado o seu amigo grilo! (disse Benique).
_Não se preocupe! Agora eu sei que não era você! (respondeu Lara).
Então Benique desaparecera por completo. Até mesmo os cavaleiros começaram a chorar.
_Nossa! Que história mais triste! (disse o gambá).
_É, mas nós precisamos seguir em frente! (disse Lara limpando as lágrimas).
_E o que faremos, então? (perguntou o asno).
_Seguiremos em frente! (respondeu Lara)
Capítulo 19
(De volta ao atenalp)
Depois que Benique sumiu, a porta do quarto aparecera novamente.
_Vejam só! (disse o vagalume).
_Isso significa que podemos voltar à mansão! (disse Miaclabut).
_Isso mesmo! (disse Lara).
_Então! O que estamos esperando? (perguntou o gambá).
Lara e seus amigos saíram do quarto e assim retornaram à mansão. Assim que retornaram, Lara e seus amigos perceberam que todos os animais que estavam presos saíram, pois todas as outras cem portas abriram-se depois que Obaid fora dissipado pela luz do anel de Lara. Na mansão estavam voando os papagaios coloridos juntamente com os olhos alados e as borboletas monarcas. As lesmas estavam se arrastando pelas paredes. Os três leões estavam juntamente com os dois tigres, os cachorros, os gatinhos, os três ratinhos brancos e o hipopótamo, enquanto que os pintinhos já haviam chocado os ovos. Os peixinhos, porém, permaneciam no mesmo lugar.
_Nossa! Carambolas! (disse Lara).
_É mesmo! Carambolas! (disse o gambá).
De repente, num piscar de olhos, todos os animais desaparecem, inclusive os peixinhos. As flores também desapareceram.
_Carambolas! Para onde eles foram? (perguntou o vagalume).
_Devem ter voltado para sua terra natal! (respondeu Lara).
_E agora? (perguntou o cavaleiro azul).
_Agora nós teremos de passar pelas peças enormes de xadrez e subir pela escada até chegarmos de volta a parte de cima! (respondeu Lara).
Quando Lara terminara de falar um terremoto começara a surgir de dentro do Reino das Trevas. Lara e seus amigos começaram a correr e então, eles abriram a porta por onde Lara havia entrado no início de sua busca subterrânea.E lá estavam as peças de xadrez. Eles tiveram de passar por todas elas, no entanto, elas começaram a persegui-los.
_Rápido! (disse Lara).
Ao chegarem a escada, Lara e seus amigos começaram a subir os degraus. Lara foi contando os degraus assim como ela havia feito quando descera por eles.
_Um, dois, três, quatro.... dez, onze...trinta, trinta e um, trinta e dois... cinquenta, cinquenta e um, cinquenta e dois... noventa.... cem... duzentos....
Assim que eles chegaram na parte de cima, a porta por onde Lara havia entrado se fechara.
_Carambolas! Não quer abrir! (disse Lara).
_Vamos empurrar juntos! (disse Maiclabut).
Então eles começaram a empurrar a porta para cima juntos, contudo, a porta não abria. Então Lara olhou para baixo e viu que os degraus da parte de baixo estavam desmoronando-se.
_Carambolas! O que faremos agora? (disse Lara).
_Vamos pedir à Imaginação para que ela nos ajude! (disse o gambá).
Lara e seus amigos começaram a gritar em alta voz.
_Imaginação, ajude-nos, por favor! Imaginação! Ajude-nos, por favor!
No momento em que os últimos degraus iam se desmoronando, a porta se abrira e eles puderam sair.
_Obrigada! (disse Lara).
_Obrigado! (disseram os cavaleiros).
_Obrigado, santa Imaginação! (disse o escorpião).
_Obrigado! (disse o asno).
_Obrigado! (disse o vagalume).
_Muito obrigado! (disse o gambá).
Lara e seus amigos agradeceram à Imaginação por tamanho feito. Então Lara olhou para o horizonte e disse.
_Onde é que estamos mesmo?
_Não sabemos! (responderam os amigos de Lara).
Então a voz da Imaginação voltou a falar no interior de Lara.
_VOCÊ ENFRENTOU OS DESAFIOS COM MUITA CORAGEM! NÃO SE PREOCUPE QUANTO AO BENIQUE! ELE SERÀ LEMBRADO POR MIM! EU O AMAVA, MAS ELE DESVIOU O SEU CORAÇÃO DA MINHA VONTADE! AGORA VOCÊ SE DESPEDIRÁ DOS SEUS AMIGOS E EU OS TRANSPORTAREI DE VOLTA ÀS SUAS TERRAS NATAIS! VOCÊ SEGUIRÁ A JORNADA, POIS AINDA TENHO COISAS MARAVILHOSAS PARA MOSTRAR A VOCÊ!
_Tudo bem! Como quiser! (disse Lara decisivamente).
Então Lara despediu-se de seus amigos.
_Adeus, escorpiãozinho! Você é um escorpião legal! Adeus, Miaclabut e cavaleiros! Foi muito bom ter conhecido vocês! Adeus, gambá! Suas palavras engraçadas vão fazer falta! Adeus, asno! Você é muito comportado! Adeus, vagalume! Você fez um ótimo trabalho durante a nossa busca!
Os amigos de Lara despediram-se dela de forma pesarosa. Depois de terem se despedido, os amigos de Lara desapareceram. Cada um deles voltou à sua terra natal.
_E agora? Para onde seguirei? (perguntou Lara à Imaginação).
_NÃO PRECISA CAMINHAR! VOU LEVÁ-LA A UM LUGAR ONDE NINGUÉM JÀ FOI! (respondeu a Imaginação).
Então Lara desapareceu num piscar de olhos. Em questão de segundos ela aparecera em um lugar muito belo. Era um campo verdejante onde havia uma mesa feita de vidro. Em cima dessa mesa havia um belo livro.
_Carambolas! Será que esse é o...? (cogitou consigo mesma).
_SIM, LARA! ESTE É O LIVRO DAS VERDADES ABSOLUTAS! ABRA-O E LEIA! (disse a Imaginação).
Então Lara aproximou-se do livro e o abriu lentamente. Porém, não havia nada escrito no livro.
_Mas não tem nada escrito! (disse Lara).
_OLHE NOVAMENTE E VEJA COM ATENÇÃO! PREPARE O SEU CORAÇÃO! VOCÊ VAI SABER DE TODA A VERDADE! A VERDADE PELA QUAL VOCÊ SEMPRE ALMEJOU! (disse a Imaginação).
Então Lara olhou novamente e eis que as palavras começaram a aparecer. Lara há muito almejava encontrar tal livro, no entanto, ela não sabia se o livro de fato existia, ou não. Agora Lara estava sabendo que o livro de fato existia. Ela estava muito feliz pelo simples fato de poder segurar aquele livro. Então ela sentou-se na grama verdejante e assim começara a lê-lo.
Capítulo 20
(O Livro que todos almejavam ler)
O Livro das Verdades Absolutas...
Tudo começara com o Princípio. Um homem com um coração inteiramente puro e bondoso. Ele mesmo criara a si mesmo e não dependera de ninguém para que viesse a existir. Por isso mesmo, Ele é chamado de o Princípio. Sua face era tão resplandecente que nenhum ser suportaria olhá-lo face a face. Somente uma pessoa com um coração inteiramente puro poderia olhá-lo de frente, pois qualquer vestígio de maldade em seu coração a transformaria em uma estátua de pedra.
Vendo que não havia ninguém além de Si mesmo, o Princípio fizera a Imaginação, o primeiro ser criado por Ele. A Imaginação era um ser extraordinário, pois tinha a capacidade de criar tudo o que lhe viesse à cabeça. Seus pensamentos estavam em harmonia com o Princípio. A Imaginação carregava o mesmo amor e a mesma bondade que havia no coração do Princípio. Exatamente por isso, ela podia olhá-lo face a face. Ao perceberem que só haviam eles dois, eles decidiram criar um terceiro ser. Daí, então, surgiu a Luz. A Luz era mais um ser extraordinário, pois fora feita para ajudar os outros seres que a Imaginação criou.
O Princípio depositou toda a sua confiança na Imaginação, pois sabia que ela era pura de coração, e que nada do que ela criasse viria a causar confusão. Então a Imaginação fez surgir uma casa de ouro, onde seria o repouso e a moradia da Luz, para que assim ela pudesse descansar. A Imaginação criou as abelhas e também os gafanhotos dourados. Entretanto, tudo isso ainda não era bom o suficiente para a Imaginação. Ela desejava que tudo fosse tão belo quanto seu intento. Sendo assim, ela criou os unicórnios. Cada um de uma cor diferente.
Porém, as coisas poderiam melhorar, caso ela desejasse. Foi então que ela criou o arco-íris. Ela também enfeitou o céu com as estrelas e criou juntamente com a Luz o ASTRO-REI, para reger o dia, o ASTRO-RAINHA, para reger a noite, e os demais atenalps. Quando o Princípio se apresentava, todos os seres criados pela Imaginação prostravam-se diante dele forma de reverência. Foi assim que surgiu a Cidade Celestial. Um lugar de criaturas maravilhosas cheias de alegria e paz de espírito. Contudo, havia um desejo profundo no coração da Imaginação, pois a Cidade Sublime não era o suficiente para completar os seus desejos e intentos. Sendo assim, ela criou o atenalp luza. No entanto, ainda não havia nenhum ser neste atenalp.
Havia somente água e mais água. A Imaginação fez com que aparecessem as rochas e o vasto solo que passou a ser pisado pelos seres que mais tarde ela criaria. Mas a terra seca e infértil não era exatamente o que ela queria. Foi então que ela fizera brotar do chão árvores belas e frondosas. Havia muitas flores cobrindo o solo do atenalp luza. Também havia muitas árvores que davam frutos dos seus mais variados tipos. Árvores que davam laranjas, uvas, bananas, carambolas, seriguelas, e outras frutas deliciosas.
Depois de criar estes suprimentos, a Imaginação criou outros tipos de seres, tais como os pássaros, de todas as espécies, os peixes, de todas as espécies, também os insetos de todas as suas espécies, os répteis, de todas as suas espécies, os quadrúpedes, de todas as suas espécies e tudo mais o que possuía fôlego. Tudo estava muito belo. Faltava apenas um pequeno detalhe. Sendo assim, a Imaginação perguntara ao Princípio: “O que devo fazer para completar a minha obra?”. Então, o Princípio respondera-lhe: “Vamos criar alguém que se pareça conosco!”. A Imaginação e o Princípio perguntaram para a Luz se ela concordava com a ideia de fazer um ser que fosse semelhante a eles. A Luz concordara com tal ideia. E assim os três fizeram conforme o desígnio de seus corações.
Então a Imaginação desceu da Cidade Sublime e misturou a terra do solo com a água do mar. Aos poucos ela foi esculpindo e atribuindo as formas que ela desejava. Depois de algum tempo o corpo daquele ser já estava formado. No entanto, havia um pequeno detalhe. O corpo não se movia. A Imaginação parou para pensar o que ela deveria fazer. Foi então que ela soprou no nariz do ser. Então o corpo que estava outrora parado ganhara vida. Vendo que ele tinha mobilidade e vontade própria, ele começara a andar pelo vasto chão do atenalp. No entanto, a criatura precisa de um nome. Olhando diretamente para sua criadora, ele lhe perguntara.
_ Quem sou eu?”.
Então a Imaginação respondera-lhe:
_Você é a minha obra-prima, e homem será o seu nome. (respondeu-lhe a criadora).
_Nome? O que é nome? (perguntou o ser olhando para a Imaginação).
_É a sua identificação! (respondeu ela).
_E que que é Identificação? (perguntou novamente o homem).
_Venha comigo (disse a Imaginação).
Então a Imaginação levou-o até um pequeno lago e lhe disse.
_Olhe! Consegue ver?
Então o homem ficara admirado com a sua imagem refletida na água.
_Quem é este ser?
Então a Imaginação olhara em seus olhos com ternura e lhe disse.
_Este é você!
O homem atentou para suas mãos e perguntou para a Imaginação.
_Então este sou eu?
_Sim (respondeu a Imaginação).
_Agora eu sei o que é nome! (exclamou o homem).
_E o que é nome? (perguntou a Imaginação).
_É tudo aquilo que eu sou!
Esta e muitas outras coisas a Imaginação ensinou para o homem. No entanto, o homem sentia-se muito só. A Imaginação disse ao Princípio: “Não é agradável ficar sozinho! Vamos fazer outro ser que seja semelhante a ele, mas que seja ao mesmo tempo diferente”. Sendo assim, Imaginação, o Princípio e a Luz concordaram em criar um outro ser que fizesse companhia ao homem para ele não viesse mais a sentir-se sozinho. Foi então que a Imaginação pegou uma das nuvens que havia no céu e modelou-a como se estivesse modelando o barro, dando formas à nuvem, até que, repentinamente, eis que já estava criado o ser. Este ser foi chamado de mulher pela Imaginação.
Não obstante, o homem estava cuidando de alguns animais até que apareceu-lhe a mulher, tão bela e tão formosa. Os olhos do homem fixaram-se sobremodo sobre a mulher. Nesta bendita hora apareceu a Imaginação, para explicar algumas dúvidas que perpetuavam em suas mentes fresquinhas, pois tanto o homem quanto a mulher ainda não sabiam porque estavam ali, qual era o sentido da vida, e principalmente porque foram criados. Todas as manhãs, a Imaginação aparecia no meio da floresta. Ela ensinava coisas que eram maravilhosas aos ouvidos de qualquer ser que tivesse entendimento. E assim ambos foram instruídos, homem e mulher.
Todos os animais do atenalp sabiam falar, até mesmo as baratas. Até que uma certa vez um camaleão vermelho aproximara-se para conversar com a mulher. Ele lhe disse.
_Ei, mulher! Por acaso a Imaginação disse porque vocês estão aqui?
_Sim, e nós já sabemos muito bem! (respondeu-lhe a mulher).
_Mas será que ela realmente disse a verdade? (perguntou o camaleão vermelho).
_Sim, disso não temos dúvida! (indagou a mulher).
_Você é tão bela e inteligente! Não precisa de ninguém para saber o que acontece! (disse o camaleão com um olhar malicioso).
A mulher ficara sem o que dizer.
_Você e o seu companheiro poderiam multiplicar-se e assim formar um grande exército.
_E de que me serve um exército, se nós vivemos bem por aqui? (perguntou a mulher).
_Um exército serve para fortificar os seus laços de sangue e formar o seu próprio reino! (respondeu o animal).
_Mas o que é um reino? (perguntou a mulher olhando atentamente enquanto o camaleão a rodeava).
_É tudo aquilo que te dá poder! (exclamou o camaleão).
_Mas o que é poder? (novamente perguntou a mulher).
_É ter a capacidade de decidir o que você bem entender da sua vida. Isso certamente a Imaginação não ensinou a vocês! (exclamou o camaleão).
_Não! A Imaginação só nos falou sobre o comportamento dos animais, o nascimento das flores, e do amor, mas isso ela não ensinou a nós. (exclamou a mulher).
_Viu só? Eu não disse? E você sabe porque ela não falou sobre isso para vocês? (perguntou-lhe).
_Não! (respondeu ela).
_Porque ela sabe que se vocês se multiplicarem vocês terão o maior reino formado que vocês já viram. Esse é o maior medo da Imaginação. (disse-lhe o animal).
_Mas foi ela quem nos criou! (exclamou a mulher sentindo uma sensação incômoda em seu coração).
_Por motivos maliciosos! Ela quer somente que você e o outro a quem você chama de homem sejam escravos dela para todo o sempre (disse o camaleão).
_O que é ser um escravo? (perguntou a mulher).
_É a pior coisa do atenalp!
Repentinamente, eis que trovões começaram a surgir de modo que o camaleão vermelho correu para longe da presença da Imaginação. No meio dos trovões surgira a Imaginação. Ela estava muito brava pelo que ocorrera. Foi então que ela decidiu amaldiçoar o camaleão vermelho dizendo-lhe.
_Você está amaldiçoado para todo o sempre, pois eu lhe coloquei em um atenalp tão bonito para viver juntamente com os outros animais, e, no entanto, você seduziu a mulher que Eu mesma criei. Portanto você rastejará a partir de agora. A areia do atenalp será o seu alimento a partir de agora em diante. Então as quatro patas do camaleão vermelho encolheram-se até desaparecerem. Foi assim que o camaleão deixou de ser camaleão e tornou-se uma serpente vermelha, mas não deixava de ser peçonhenta até as eras vindouras.
A serpente vermelha olhou de longe para o homem e para a mulher e assim lhes dissera.
_Eu farei com que a sua criação sofra muito, pois ainda tenho uma língua peçonhenta para enganar quem eu quiser! É apenas uma questão de tempo!
A serpente dera uma risada maléfica e assim ausentara-se daquele lugar por um tempo. O lugar onde o homem e a mulher estavam não tinha nome. Mas isso não importava, pois eles continuavam a viver felizes naquele lugar. Verde, amarelo, azul, vermelho, e outras cores circundavam aquele mundo aparentemente inimaginável. Certa tarde, a Imaginação apareceu aos dois e disse que eles deveriam se multiplicar para que o atenalp estivesse cheio de pessoas felizes.
Os dois concordaram com a ideia e assim fizeram. O homem uniu-se à mulher e tiveram o primeiro filho a quem deram o nome de Miac. Mais tarde eles uniram-se novamente e tiveram o segundo filho, a quem puseram o nome de Leba. E assim continuaram vivendo. Esta fora a melhor oportunidade que a serpente vermelha tivera para se aproximar e fazer suas malícias. Já que ela não teria nenhuma chance de enganar o homem e a mulher, ela faria de tudo para causar dissenção à família que o homem e a mulher constituíram. A serpente começou a observar a uma certa distância a maneira como Miac e Leba se comportavam. Miac era agricultor, pois cuidava das árvores e de toda a vegetação ao seu derredor. Enquanto isso, Leba era cuidador de animais, pois tinha amor principalmente pelos bois e vacas daquele lugar tão belo. No entanto, nem o homem e nem a mulher haviam-lhes alertado sobre a serpente vermelha.
Ao ver que Miac era mais rude, a serpente aproximou-se dele e perguntou-lhe.
_Será que vocês nunca se cansam? (disse-lhes a serpente).
_Do quê? (perguntou Miac).
_De acreditar que vocês são livres! (respondeu a serpente).
_Mas nós somos livres! Podemos ir para onde quisermos! (respondeu Miac).
_Isto não é verdade! (indagou a serpente).
_Como assim? (perguntou Miac com um tom aborrecido).
_A Imaginação só ensinou a vocês sobre o que existe aqui em baixo, mas ela nunca ensinou a vocês sobre o que existe lá em cima. Aposto que você nunca escutou tais coisas! (indagou a serpente).
_Mas de quê mais nós precisamos? Temos frutas, verduras e legumes para nos mantermos! Isso não prova que a Imaginação é boa para conosco? (perguntou Miac).
_Ela só faz isso para que vocês acreditem que este atenalp nunca irá acabar! Mas assim que todos os alimentos do campo acabarem ela abandonará vocês e vocês suplicarão a ela, mas ela não os socorrerá! (disse a serpente).
_Mas existem muitas árvores que dão fruto por aqui. Como é que todos os alimentos do atenalp podem acabar, uma vez que somos quatro, ao todo? (perguntou Miac em um tom irônico).
_A Imaginação não ordenou que vocês se multiplicassem? (sugeriu-lhe o argumento).
Então o coração de Miac sentiu um aperto. A serpente prosseguiu em seu discurso.
_Não demorará muito até que vocês se tornem milhares de milhares, e assim que isso acontecer, todos os alimentos do atenalp acabarão, até mesmo toda água que existe neste atenalp. Ela os colocou aqui para ver como vocês irão sofrer segundo após segundo, milésimo após milésimo. É isso o que você deseja? (perguntou a serpente olhando diretamente nos olhos de Miac).
_Não! (respondeu Miac com o coração cheio de um novo e terrível sentimento nunca sentido antes).
_Então mate os seus pais! Mate o homem e a mulher que geraram você! Mas seja cauteloso e não deixe que seu irmão Leba saiba disso!
Depois de semear a semente do ódio em seu coração, a serpente vermelha retirou-se para bem distante, onde não pudesse ser vista por nenhum outro ser vivente. Miac estava confuso quanto às palavras que ele havia escutado da boca astuta serpente, e também, ele não sabia como continuar vivendo como se nada se tivesse acontecido. Certo dia estava Leba cuidando dos bois, quando lhe veio Miac, seu irmão. Então Leba lhe dissera.
_Irmão! O que você está fazendo aqui? Não deveria estar cuidando das árvores? (perguntou Leba).
_Sim, meu irmão! Mas acontece que esses dias eu tenho andado confuso! (disse Miac).
_Confuso? (perguntou Leba).
_Sim! (respondeu Miac).
_Confuso em relação a quê? (perguntou Leba).
_A Imaginação disse aos nossos pais que eles deveriam se multiplicar e encher este atenalp, não foi? (perguntou Miac).
_Sim, isso é verdade! (respondeu Leba).
_E quando não sobrar mais nenhum fruto para nós comermos? (perguntou Miac com um tom de voz aborrecido).
_Você sabe que isso não vai acontecer! (disse Leba sorrindo amigavelmente para o seu irmão).
_É claro que vai acontecer! (gritou Miac).
_Como? (perguntou Leba com em um aborrecido).
_Em questão de anos seremos milhares de milhares e não sobrará nenhum fruto para nos alimentarmos, e assim vamos acabar lutando uns contra os outros. É isso o que você quer? (perguntou Miac).
_Como você sabe se vai ser assim ou não? Você não prevê o futuro! (argumentou Leba).
_Eu não preciso ver o céu para saber que ele é azul, meu irmão! Isso é apenas uma questão de tempo! Me ajude a convencer nossos pais a não se multiplicarem. Só assim o atenalp estará em equilíbrio! (disse Miac).
_Você está ficando louco! Quem disse a você que nós temos que omitir as ordenanças que a Imaginação nos fez? Por acaso nós somos melhores do que os nossos pais? Você está ficando louco! (disse Leba ao seu irmão).
_Se você não acredita eu terei que agir sozinho! (disse Miac).
Então Miac afastou-se de seu irmão.
_Espere, o que você pretende fazer? (perguntou Leba, no entanto, seu irmão não lhe dera ouvidos).
_Miac! (exclamou Leba sem receber nenhum tipo de resposta).
No mesmo dia, a serpente aparecera a Miac exatamente quando ele estava cuidando de uma videira. A serpente estava entre as uvas maduras e lhe aparecera dizendo.
_Você viu como o seu irmão se comportou?
_Ele é um tolo! Eu não deveria ter dito nada a ele! (exclamou Miac).
_Eu estava observando enquanto você discutia com ele! Ele é um tolo que não entende como as coisas realmente são! (resmungou a serpente).
_E o que eu devo fazer para mudar isso? (perguntou Miac olhando para a serpente).
_O que você faria se uma dessas uvas estivesse podre? (perguntou a serpente olhando no fundo dos olhos de Miac).
_Eu a jogaria fora! (respondeu Miac).
_Então! Tudo o que você tem que fazer é matar os seus pais e também matar o seu irmão Leba!
No mesmo instante em que a serpente lhe dissera isso, o coração de Miac sentira um aperto muito forte, pois aquele pedido era pior do que uma ofensa indesculpável para ele.
_Você enlouqueceu? (perguntou Miac).
_A sua sobrevivência, ou a miséria e destruição de todos! O que prefere, hã? (perguntou-lhe a serpente).
_Eu não quero que haja miséria! Mas eu também não quero que o meu irmão e os meus pais morram pelas minhas próprias mãos! (disse Miac).
_É você ou todos perecerão! O que você escolhe? A decisão é sua! (concluiu a serpente).
A serpente desaparecera imediatamente, pois sabia que a Imaginação já estava descendo ao atenalp para conversar com Miac. Foi então que apareceu a Imaginação. Miac olhou para a Imaginação e lhe disse.
_Você já deve saber porque eu estou irritado com você, não é? (perguntou Miac).
_E você teve a coragem de acreditar em tudo o que a serpente vermelha lhe disse? Você é realmente muito ingênuo! Você acha mesmo que eu deixaria os meus filhos perecerem por uma simples causa? (perguntou a Imaginação).
_E quanto a mim? (perguntou Miac).
_Você está sendo egoísta! Não se deve pensar apenas em si mesmo quando se tem vários seres no atenalp para cuidar. Você sabe a diferença entre os animais de que você cuida e as frutas que seu irmão cuida? (perguntou-lhe a Imaginação com tamanha paciência).
_As frutas foram feitas para comer e os bois e vacas foram feitas para comer somente as folhas! (respondeu Miac).
_Não! A diferença está na maneira como você cuida de cada uma delas! As frutas dependem tanto de cuidado para sobreviverem como os bois e as vacas. (respondeu-lhe a Imaginação).
_Mas eu tenho medo de que os meus pais se multipliquem e os filhos dos filhos deles se multipliquem! (disse Miac).
_Você tem medo de que o atenalp não tenha alimento o suficiente para a edadinamuh! (perguntou-lhe a Imaginação).
_Isso mesmo! (respondeu Miac).
_Ouça bem o que vou lhe dizer! Seu pai e sua mãe lhe disseram que nada é impossível para mim, não foi? (perguntou-lhe a Imaginação).
_Sim, eles disseram! (respondeu).
_Então a única coisa que deve fazer é acreditar! E mesmo que haja milhares de milhares de seres neste atenalp, eu posso fazer com que chova toda a sorte de frutas para que vocês se alimentem! Você não confia em mim? (perguntou-lhe).
_Eu confio! Eu... eu... eu só tenho medo! (inadgou ele).
_Pois não dê mais ouvidos ao que a serpente lhe disser e siga em frente cuidando dos animais!
Sendo assim, Miac ficou feliz por saber que a Imaginação jamais o abandonaria, e também por saber que a Imaginação sempre teve um coração bom para com a edadinamuh. Miac continuou a cuidar dos animais e Leba continuou a cuidar das árvores e das plantas. Sabendo que suas tentativas foram em vão, a serpente transformou-se em uma mulher muito bela e formosa. apareceu primeiramente ao homem, pai de Miac e de Leba. A mulher aparecera primeiramente ao homem, pai deles, o qual estava cuidando das flores para que elas não viessem a murchar. Assim que a viu ele logo encantara-se por ela.
_Olá! (disse a serpente com um tom de voz delicado).
_Oi! (disse o homem com o olhar paralisado).
_Este lugar sempre foi coberto de flores? (perguntou a serpente).
_Sim! (respondeu o homem).
_Elas não são todas maravilhosas? (disse a mulher).
_Sim, mas nenhuma delas se compara à sua beleza! (respondeu-lhe o homem).
_Delicadeza a sua! (disse a serpente).
_É a mais pura verdade! (disse o homem fitando os olhos nela).
_Você gostaria de passear comigo pelos campos? (perguntou a mulher com um tom de voz carinhoso).
_Agora? (perguntou o homem meio sem jeito).
_Sim, agora! (respondeu a serpente).
_É que à tarde eu tenho um compromisso com a minha companheira! (disse o homem).
_Você é quem sabe! (disse a mulher com um tom de voz sarcástico).
O homem pensou direito e então disse à mulher.
_Espere! Eu vou com você!
_Então vamos! Garanto que será maravilhoso! (disse a serpente).
Enquanto isso, a mulher, esposa do homem, estava cuidando da casa feita à base de palha que o homem fizera juntamente com Miac e Leba. Miac e Leba estavam ajudando sua mãe, a mulher, esposa do homem, a arrumar a casa para que ficasse mais bonita. No entanto, a mulher ficara preocupada pelo fato de o homem ter demorado a chegar. Enquanto isso, a serpente já havia seduzido o homem o suficiente para torná-lo escravo. Depois de andarem pelo campo, a serpente em forma de mulher despedira-se dizendo.
_Depois de amanhã nos veremos! Você vai sentir minha falta?
_Claro que sim! (respondeu-lhe o homem).
No dia seguinte, a serpente apareceu em forma de mulher para Miac e o seduziu da mesma forma que fizera com o homem pai dele. A serpente andou pelos campos com Miac. Mas como Miac era mais ingênuo do que seu pai, ele fora tomado por uma paixão violenta que mais tarde se tornaria uma paixão inflamada. Antes de a serpente despedir-se de Miac, ela perguntou-lhe.
_Você faria qualquer coisa por mim?
_Qualquer coisa! (respondeu Miac).
_Então mate o seu irmão Leba!
Miac estava tão obcecado pela mulher que ele nem sequer pensara duas vezes. Depois que a mulher desaparecera, Miac pegou uma pedra disforme e caminhou em direção ao campo onde Leba, seu irmão estava. Quando Leba o avistou, perguntou-lhe.
_Irmão meu, não era pra você estar cuidando das plantas e das árvores?
Porém Miac nada respondera, pois estava enfeitiçado pela serpente. Leba ficara atormentado ao ver que a expressão facial de Miac houvera se transformado, pois ele não sabia o que se passava em seu coração corrompido. Leba nem sequer sabia o porquê de Miac estar segurando uma pedra.
_Para que você está segurando essa pedra, meu irmão? (perguntou ele).
Porém, Miac não lhe respondera. Foi então que ele começou a andar em sua direção Leba estava pensando que se tratava-se apenas de uma brincadeira, pois de vez em quando Miac tinha o costume de brincar com seu irmão. No entanto, Miac batera com a pedra na cabeça de seu irmão várias vezes até que ele dormisse pra sempre, pois Miac temia que seu irmão Leba encontrasse a mulher que na verdade era a serpente, e ganhasse o coração dela primeiro. O sangue de Leba espalhou-se pelo campo. Então a Imaginação bradou do alto com a sua doce voz.
_Miac! O que você fez?
Caindo em si, Miac deixou a pedra cair e colocou as duas mãos no rosto dizendo.
_Eu não sei o que eu fiz! Eu não sei o que eu fiz!
_É claro que você sabe o que fez! Você matou o seu irmão e por esta causa você será maldito enquanto você viver! E eu colocarei uma marca na sua testa para que todo aquele que olhar para você saiba o que você fez! (disse-lhe a Imaginação).
Então Miac começou a chorar copiosamente dizendo.
_É grande o meu erro. E agora eu terei que fugir do meu pai e da minha mãe, para que eles nunca mais me vejam.
Foi assim que Miac matou seu irmão e fugiu para terras longínquas. E as demais gerações posteriores viam e percebiam que ele era o único homem amaldiçoado do atenalp. A serpente também não ficara sem punição, pois também queria destruir o amor entre o homem e a mulher, querendo seduzir o homem no intuito de abandonar a sua esposa. No mesmo dia em que Miac matou o seu irmão Leba, a Imaginação apareceu a serpente e lhe disse.
_Você será maldita para todo o sempre. E a sua fama correrá de geração após geração. Portanto eu confinarei você em um depósito e só será liberta pelas mãos de uma menina pura de coração. Ela será parte do meu plano para salvar a edadinamuh. Ela será a minha escolhida para aniquilar o poder das trevas. Depois que a Imaginação disse isso a serpente fora confinada em um caixão prateado que a manteria presa até que o terceiro milênio chegasse. O homem e a mulher tiveram outros filhos e assim foram se multiplicando e enchendo o atenalp conforme a Imaginação lhes havia ordenado.
Este livro foi escrito para explicar com antecipação o princípio das coisas, uma vez que o início de tudo foi escrito por este singelo escritor. As coisas que foram escritas são verdadeiras e quem duvidar delas fez-se incrédulo como os que nunca leram nenhum livro. Nada de difícil compreensão foi mencionado neste livro, pois as palavras descrevem como a história de fato aconteceu. E quem não acredita nela não faça menção da história. Deixe que ela conte por si própria.
No segundo milênio os humanos viviam de acordo com a sua própria perversidade. Cada qual fazia aquilo que lhe dava vontade. Uns xingavam os outros, desejavam o mal uns dos outros, odiavam uns aos outros. No entanto, nem todos eram maus por natureza, pois havia um casal que se amava. Um homem e uma mulher. O homem se chamava Ésoj, e a mulher se chamava Airam. Ambos possuíam um coração generoso e cheio de bondade.
Certo dia, Airam estava lavando as suas roupas quando de repente apareceu-lhe uma abelha do Reino das Luzes. A abelhinha disse para Airam.
_Olá, mulher sortuda! Trago notícias agradáveis para você!
_E que notícias são essas? (perguntou Airam).
_Você será mãe! (disse a abelhinha).
_Mas como eu serei mãe, se eu nunca me deitei com o meu marido? (perguntou Airam).
_O filho que nascerá dentro de você é fruto da Luz. E a Luz virá até você e fará com que você tenha um menino! (respondeu a abelhinha).
_E como se chamará o menino? (perguntou-lhe Airam).
_Susej! (respondeu a abelhinha).
Então Airam ajoelhou-se e disse.
_Seja conforme o que o Princípio desejar!
A abelhinha saiu da presença de Airam e voltou para o Reino das Luzes. Então Airam foi até sua casa e contou o que havia acontecido para os seus pais. Depois de contar aos seus pais, ela contou para Ésoj. Alguns meses depois Airam estava grávida.
O marido de Airam não compreendeu o modo como Airam havia engravidado, porém ele manteve essa informação consigo mesmo e não contou pra ninguém. Ao anoitecer Ésoj começou a sonhar, e eis que em seus sonhos, os vizinhos estavam acusando Airam de traição. Então apareceu uma abelhinha no meio dos vizinhos e disse-lhe.
_Não acusem ela, pois ela é uma mulher inocente. O que dela irá nascer é trabalho do Princípio! O povo parou de acusá-la e cada um foi para a sua casa. Então Ésoj acordara assustado e disse.
_Santo Princípio! O que foi isso? O que significa este sonho? Então a voz do Princípio ecoou de dentro do coração de Ésoj dizendo.
_ÉSOJ! NÃO TEMA, POIS O BEBÊ QUE ESTÁ SE FORMANDO NA BARRIGA DE AIRAM É TRABALHO DE MINHAS MÃOS!
Ésoj acalmara-se, pois agora acreditava nas palavras que Airam lhe dissera. Quando amanheceu Ésoj foi ao encontro de Airam. Ao encontrar-se com ela, Ésoj lhe disse.
_Era verdade! O que você me disse é a pura verdade!
_Não se preocupe, meu amor! Estamos sob a proteção do Princípio!
_Daqui há alguns meses você virá comigo! (disse Ésoj).
_Para onde eu irei com você? (perguntou-lhe Airam).
_Nós moraremos na mesma casa! (respondeu-lhe Ésoj).
_Os vizinhos vão me acusar de um erro que eu não cometi! (disse-lhe Airam).
_Não se preocupe! Eu digo que eu sou o pai da criança! As pessoas de nossa cidade confiam em mim! Não se preocupe! (disse-lhe ele).
_O que vamos fazer depois que a criança nascer? (perguntou Airam).
_Eu ainda não sei! O Princípio nos auxiliará! (respondeu Ésoj).
_Tem razão! Devemos confiar mais no Princípio! (disse Airam).
_Você está bem? (perguntou Ésoj).
_Sim! Só sinto algumas dores de vez em quando, mas isso é normal! Faz parte da gravidez! (respondeu Airam).
_Volte ás suas atividades! Vamos agir como se tudo estivesse indo bem! (disse Ésoj).
_Mas as coisas estão indo bem! (disse Airam).
_Pra mim não é normal que uma mulher consiga engravidar do nada! (respondeu Ésoj).
_Mas a abelhinha não falou com você em sonhos? (perguntou Airam).
_Como você sabe disso? (perguntou Ésoj).
_A mesma abelhinha que falou com você é a mesma abelhinha que me deu a notícia de que eu iria engravidar. Foi ela que me falou que ela apareceu em seus sonhos para poder falar com você! (respondeu Airam).
_Tudo bem! Agora eu realmente acredito! (disse-lhe o esposo).
Então Airam retornou às suas atividades domésticas enquanto Ésoj voltou a trabalhar na floresta cortando lenha. Os dois continuaram apaixonados até o dia em que a criança nasceu. Airam teve bastante dificuldade para dar à luz. Ésoj ajudou-a a conceber a criança. A criança era uma linda menina. O bebê recebera o nome de Susej Com o tempo, a menina aprendeu as atividades de casa com Airam, sua mãe, e também aprendeu o trabalho de cortar árvores com Ésoj, seu pai. O atenalp parecia grande e pequeno ao mesmo tempo para Susej. A cada dia que se passava, Susej aprendia com os animais e com a natureza ao seu redor.
Ela amava tudo aquilo que possuía vida. Ésoj ensinava-lhe histórias que tinham um final feliz. Airam ensinara-lhe a nunca desistir de seus sonhos. E assim crescia Susej diante do Princípio. O coração de Susej era puro tal qual a água cristalina de um mar de águas doces. O Princípio amava Susej. E assim Susej foi crescendo com o passar dos anos. Depois de virar uma mulher adulta, Susej decidiu peregrinar pelo atenalp, pois o Princípio a chamara para fazer novos amigos que vivessem ao lado dela e que a ajudassem a consolar as pessoas de coração triste.
Sendo assim, Susej fez doze amigas que aprendiam com ela o significado de ser mais bondoso e mais gentil. Por onde Susej passava as pessoas paravam para escutá-la, de maneira que muitas pessoas passaram a admirá-la. De fato, estava nos planos do Princípio que Susej se tornasse a pacificadora do atenalp. Ela tornou-se muito mais do que uma pacificadora, pois o Princípio realizava maravilhas através de suas mãos.
Num certo dia, Susej reuniu-se com o povoado de uma cidade e começou a falar para aquele povo. E todo o povo a parou para escutá-la.
_Alegres são aquelas pessoas que deixam de fazer o errado e passam a fazer o certo! Contentes são aqueles que dão uma rosa cheirosa para as almas deprimidas! Bondosos são aqueles que pedem ajuda ao Princípio, pois eles receberão o que estão pedindo! É fazendo o bem que se semeia o que foi plantado! É ajudando o outro que se é ajudado! É esquecendo dos erros e deixando de cometê-los que se vive uma nova vida! Observem os pássaros! Eles não tem emprego! E mesmo assim eles não são esquecidos pelo Princípio! Os viajantes que viajam pelo deserto andam com uma garrafa de água para que quando sobrevier a sede eles não fiquem cansados e mortos de sede! Da mesma maneira devemos ser prudentes! A chuva desce sobre pessoas de bom e de mau coração! E nem por isso elas agradecem! Tudo está diante de nós! O que é realmente mais importante? Deixar um filho morrer de fome, ou continuar trabalhando em busca de glórias passageiras? Pensem em como cada um de vocês pode melhorar a maneira de ser! Eu não vim aqui para me promover, mas para falar o quão importante é confiar no Princípio! Cada um de vocês tem a livre escolha de acreditar no que quiserem! Mas não seria melhor confiar em ser superior que nos ama de verdade? Nós devemos aprender a olhar para o outro e não apenas para nós mesmos! Existem pessoas que fazem o mal e existem pessoas que fazem o bem, mas ninguém é totalmente bom. Se alguém deseja livrar-se da maldade que existe em seu coração, peça ao Princípio para que lhe dê um coração bondoso e purificado, e essa pessoa não terá o seu pedido renegado. As riquezas só embelezam por fora, mas a verdadeira riqueza embeleza por dentro. Não devemos viver como se fôssemos os únicos seres existentes do atenalp! Não podemos aceitar a mentira como se fosse verdade! Cada um de nós pode ser um sujeito melhor e fazer do seu próximo uma pessoa mais feliz! Quem vive nas trevas anseia por luz! Quem tem fome anseia por pão! Quem tem sede almeja por água! Quem é solitário sonha em ter amigos! Quem vive num buraco deseja sair dele. Quem vive perdido deseja ser achado. Peçam! Peçam! Peçam! E o Princípio lhes concederá! Desejem! E o sonho se realizará! Queiram! E a vontade será satisfeita!
Todas as pessoas daquele povoado escutaram as palavras de Susej e ficaram todas admiradas por verem uma mulher tão sábia e generosa. No entanto, havia muitas mulheres perversas que invejavam Susej. Essas mulheres não tinham amor próprio, a não ser a arrogância e o orgulho. A cada dia que se passava, essas mulheres tentavam criar um novo plano para prendê-la. Entretanto, Susej retirava-se para não ser pega por elas, pois sabia que se ela permanecesse ali, elas certamente a prenderiam. As dozes mulheres que seguiam Susej já estavam sabendo que o Princípio havia-lhe dado uma missão muito valiosa no atenalp, e de fato, ela estava cumprindo com a sua missão.
Com o passar do tempo, Ésoj envelheceu e morreu, mas Susej não desistiu de sua missão, pois ela sabia melhor do que ninguém que a sua jornada não havia terminado. Susej passou por várias cidades e povoados como A Cidade das Rosas, A Cidade dos Aflitos de Espírito, A Terra das Mil e uma Belezas, entre outras cidades. Em cada lugar por onde ela passava coisas maravilhosas aconteciam. Airam estava sentindo-se sozinha, pois seu marido havia morrido e agora Susej estava fazendo o que o Princípio havia determinado. Susej não tinha o sonho de se casar, pois essa não era a sua missão. Algumas das amigas de Susej já haviam se casado.
Certa vez uma das amigas de Susej foi falar com as mulheres invejosas que odiavam Susej. Elas perguntaram quanto a amiga de Susej queria para que Susej fosse entregue a elas. A amiga de Susej que se chamava Saduj disse-lhes.
_Quero um saco cheio de moedas!
_Assim está feito! (respondeu uma das mulheres invejosas).
Houve um jantar em uma certa casa da cidade em que estavam reunidas todas as amigas de Susej. Ela também estava na casa. Todas estavam comendo carne e bebendo água. Saduj já havia chegado na casa depois de ter falado com as mulheres invejosas. Então Susej disse-lhes.
_Queridas amigas! Estamos reunidas aqui para agradecer ao Princípio por todos os momentos que temos vivido até aqui. Mas lamento dizer que já não estarei mais com vocês!
_Mas porquê? (perguntou uma das amigas chamada Ogait).
_O meu dever ainda não foi totalmente cumprido! Eu preciso completar a minha missão aqui neste atenalp! (respondeu Susej).
_Mas ainda existem muitas pessoas tristes e solitárias no atenalp! (disse Érdna, outra das amigas).
_Como eu disse, eu ainda tenho uma missão para cumprir aqui! Aqueles que sentirem minha falta não estarão sozinhos. (disse Suséj).
_O que você está querendo dizer com isso? (perguntou Ordep).
_Estou dizendo que eu vou desaparecer do atenalp! (respondeu Susej).
_Mas, como assim ‘desaparecer’? (perguntou Epilef).
_Eu serei motivo de escândalo para todos! (respondeu-lhes Susej).
_Como assim? (perguntou Érdna).
_Vou pintar este atenalp com a minha tinta!
As doze amigas de Susej não entenderam do que se tratava, no entanto, ela estava referindo-se ao seu sacrifício. Depois de terem comido carne e bebido água todas retiraram-se da casa e foram para uma montanha. Ao chegarem na montanha, Susej sentou-se com suas amigas. Então Susej disse para as suas amigas.
_Fiquem aqui! Eu preciso ficar sozinha por um tempo, mas não se preocupem, pois daqui há pouco eu estarei com vocês.
As amigas de Susej ficaram esperando, mas de repente, sobreveio-lhes um sono e elas acabaram dormindo. Susej foi para um lugar isolado da montanha, pois ela precisava falar a sós com o Princípio. Então disse Susej.
_Aqui estou! Você me preparou para que eu pudesse ajudar os seres humanos. Não desobedeci nem um pouco a sua vontade. Pelo contrário! Fiz tudo aquilo para o qual eu fui designada. Você me escolheu para confortar o coração dos pobres e dos cansados. Estou muito triste porque sei que as minhas amigas não estarão mais comigo. Muitas coisas aconteceram desde que eu nasci. Agradeço pela minha mãe Airam! Não sei como ela vai sobreviver sem a minha presença, mas sei que você confortará o coração dela dia após dia. Também estou sabendo que uma das minhas amigas me traiu e que essa amiga vai me entregar por ganância. Cada momento foi especial para mim. Agradeço de todo o meu coração pelo fato de você ter feito maravilhas através das minhas mãos. Conheci muitas pessoas de bom coração e pude perceber o quão generosas são essas pessoas. Verdadeiramente sou grata por você ter estado comigo todos esses anos. Mas sei que a nossa história não acaba por aqui. Aliás! Ainda há muitas coisas que devem acontecer. Obrigada de coração! Muito obrigada! Cuide das minhas amigas!
Depois de Susej ter dito todas essas palavras ela retornou para o lugar onde estavam suas amigas. Susej viu que elas estavam dormindo, mas ela preferiu não acordá-las. Então chegaram as mulheres invejosas. Uma das mulheres invejosas perguntou.
_Você é que se julga ser filha do Princípio?
_Sim! Eu sou desde que nasci! (respondeu Susej).
Então as mulheres invejosas amarraram Susej pelas mãos com cordas bem fortes de se quebrar.
_Você vem conosco! Você será julgada! (disse uma das mulheres invejosas).
Ao chegar em uma casa. Susej entrou nessa casa juntamente com as outras mulheres invejosas. Dentro da casa havia outras mulheres invejosas que estavam gritando. Então a principal das mulheres invejosas fez um sinal pedindo silêncio e perguntou para as mulheres invejosas.
_Muito bem! Que tipo de queixa vocês tem contra esta mulher?
_Esta mulher realiza sinais e maravilhas pelo poder da serpente vermelha! Veja só! Ela está até com os olhos roxos! Isto é um sinal de que ela está dominada pela maldade! (respondeu uma das mulheres invejosas).
_E você? O que diz em sua defesa? (perguntou a mulher principal para Susej).
_Eu nasci para confortar o coração dos aflitos! Mas se vocês estão dizendo que eu fui dominada pela maldade da serpente vermelha vocês estão muito enganados!
Então outra das mulheres invejosas dera um tapa em seu rosto dizendo.
_Como você se atreve a dizer que a principal mulher está enganada? Você não tem respeito? (disse a mulher invejosa).
_Eu não falei nada demais! Mas se eu falei alguma coisa errada, é com razão que você me dá um tapa!
_Silêncio! Eu sou a principal das mulheres aqui! Eu tenho só mais uma pergunta para fazer! (disse a principal das mulheres invejosas).
_Então, faça! (disse Susej).
_É verdade que você se julga ser a filha do Princípio? (perguntou a principal).
_Sim! Eu sou! (respondeu Susej).
Ao ter dito essas palavras, todas as mulheres invejosas se enfureceram e começaram a gritar dizendo.
_De que mais provas precisamos para saber que esta mulher está dominada pelo mal?
As mulheres davam tapas e mais tapas no rosto de Susej, de maneira que o seu rosto ficara demasiadamente inchado. Então a principal das mulheres invejosas disse.
_Não precisamos mais de provas. Esta mulher irá para a Cidade dos Majestosos. Então as mulheres invejosas levaram-na para a tal cidade. Chegando lá, as mulheres jogaram Susej no chão diante de Sedoreh. Sedoreh era a rainha da cidade e ela estava olhando para Susej com um olhar de desprezo.
_Me disseram que você é a filha do Princípio! Isso é verdade?
No entanto, Susej ficou calada.
_Esta mulher é uma louca! Levem-na para outro lugar! Eu não vejo nenhuma culpa nela! Somente loucura!
Então as mulheres invejosas decidiram levar Susej para A Cidade de Sotalip, a rainha das casas de gesso. Chegando lá, as mulheres invejosas jogaram Susej no chão diante da rainha Sotalip. A rainha ficou observando Susej por um certo tempo e também começou a imaginar que ela fosse louca.
_Então vocês trouxeram uma louca para ser julgada por mim, é isso?
_Não senhora, minha rainha! Esta mulher disse coisas que são um exagero para todas nós. (respondeu-lhe uma das mulheres invejosas).
_Então me fale! Que tipo de coisas esta mulher disse? (perguntou Sotalip).
_Ela disse que ela é a filha do Princípio! (respondeu a mesma mulher invejosa).
_É verdade o que ela disse? (perguntou Sotalip para Susej).
Porém, Susej nada respondeu.
_Como você se chama? (perguntou Sotalip).
Susej permanecera em silêncio.
_Você não diz nada? Não sabe que eu posso mandar soltarem você e que eu posso ao mesmo tempo dar ordens às minhas amazonas para que executem você? (perguntou Sotalip).
_Você não poderia fazer nada se o Princípio não te desse autoridade! (respondeu-lhe Susej).
_Se você é a filha do Princípio, então porque ele não vem aqui para te buscar? (perguntou Sotalip).
_Porque eu ainda tenho uma missão neste atenalp! (respondeu Susej).
_Que missão? (perguntou Sotalip).
Porém Susej nada mais respondeu.
_Amazonas! Podem executar esta mulher! Ela é uma louca!
Então as amazonas de Stalip pegaram-na pelo braço e a levaram a um lugar onde se batia nas pessoas que eram presas ali. As soldadas começaram a bater em seu rosto e em seu corpo até que ficassem desfigurados. Depois de fazerem isso, as amazonas começaram a quebrar-lhe todos os dedos. Depois, elas arrancaram todos os fios de cabelo da cabeça de Susej deixando-a totalmente sem cabelo. Susej havia derramado muito sangue, contudo, o mais o incrível de tudo é que ela não dizia nada e muito menos pediu clemência. Mesmo depois de tudo isso, as amazonas pegaram uma pedra de mais ou menos setenta quilos e obrigaram-lhe a carregá-la até a cidade onde ela nascera. As mulheres invejosas acompanhavam seu sofrimento com seus corações inflamados pelo ódio e pelo escárnio. As amazonas empurravam-na com todo ímpeto para que ela andasse mais rápido. Susej deixou a pedra cair por várias vezes no chão, pois era muito pesada.
E toda vez que isso acontecia, as amazonas batiam mais ainda em Susej. Ao chegar na cidade, Susej viu uma multidão de mulheres que estavam esperando por ela. Entretanto, elas não estavam lá para ajudá-la, senão para acusá-la. E assim diziam em alta voz.
_Louca! Louca! Mulher louca!
Enquanto isso, Airam estava entre a multidão e, juntamente com ela as doze amigas de Susej, inclusive a amiga que lhe havia entregue às mulheres invejosas. Quando Saduj viu o rosto e o corpo ensanguentados de Susej, Saduj sentiu em seu coração um grande pesar que ela não conseguiu conter. Então Saduj retirou-se e foi para o alto de uma montanha. Saduj atirou-se do alto da montanha até debetar-se violentamente com o chão. Quando Saduj caíu no chão seu corpo dividiu-se em duas partes. E o sangue de Saduj espalhou-se pela terra. Havia um grupo de pessoas que morava ali por perto. E quando essas pessoas viram o corpo de Saduj elas ficaram aterrorizadas.
As outras onze amigas de Susej só vieram saber da morte de Saduj pouco tempo depois. Enquanto isso, Susej continuava carregando a pedra. Quando Susej chegou ao local onde deveria chegar, as amazonas de Sotalip começaram a bater em Susej com pedaços de madeira. Cada uma das amazonas carregava consigo um pedaço grosso e pesado de madeira. Airam estava vendo tudo aquilo. Seu coração estava sobremaneira aflito. Depois de baterem com os pedaços de madeira, cada uma das mulheres que havia na multidão pegou uma pedra para atirar em Susej.
Elas começaram a atirar as pedras contra Susej. Seu corpo já estava dilacerado pela força com que as pedras eram lançadas. Airam começou a chorar desesperadamente e então, ela tentou se colocar-se na frente de Susej para impedir que ela fosse apedrejada, mas as amazonas de Sotalip a tiraram do caminho de Susej. Depois disso, a principal das mulheres invejosas que também estava no meio da multidão pegou um bocado de areia e colocou dentro da boca de Susej. Susej não quis engolir o bocado de areia, mas a principal das mulheres invejosas empurrou a areia goela abaixo.
Depois disso, uma das mulheres invejosas pegou seu saco de pano que continha uma certa quantidade de sal e assim despejara aos poucos em seu corpo dilacerado. Por fim, uma das amazonas que era a principal de todas puxou a sua espada da bainha e então traspassou-lhe o coração.
Susej suspirou profundamente e caiu imóvel no chão. Assim que as mulheres invejosas, a multidão e as amazonas foram cada uma para a sua casa, Airam e as onze amigas de Susej foram até ela. A dor de Airam era tão grande que ela não conseguia conter-se. As amigas de Susej estavam chorando amargamente.
Airam e as onze amigas decidiram enterrar o corpo de Susej. Elas levaram-na para fora da cidade, a um lugar chamado o Jardim Iluminado. Depois de enterrarem o corpo de Susej, elas voltaram para a cidade. As onze amigas de Susej hospedaram-se na casa de Airam.
_Porque será que fizeram isso com ela? (perguntou Érdna).
_Porque era assim que deveria acontecer! (respondeu-lhe Ordep).
_Mas que mal ela fez para merecer isso? (perguntou Émot).
_Nenhum! Simplesmente ela fez o que deveria fazer! (respondeu Ordep).
_Porque vocês deixaram que ela fosse presa? (perguntou Airam).
_Nós estávamos dormindo! Não sabíamos que ela estava sendo procurada por aquelas mulheres invejosas! (respondeu Ogait).
_Ela era a minha única filha! Eu a amava mais do que a minha própria alma. (disse Airam).
_Infelizmente não podemos fazer nada! Ela morreu por cada uma de nós! (disse Érdna).
_Mas se ela era realmente filha do Princípio, então porque ele não a socorreu quando ela mais precisou? (perguntou Émot).
_Émot, não devemos questionar os desígnios do Princípio! O que tinha de ser feito foi feito e nada podemos fazer contra isso! (respondeu Ordep).
_Vamos simplesmente confiar no Princípio! Ele sabe o que é melhor para nós! (disse Airam).
Depois de uma semana, Airam foi até o Jardim Iluminado. No entanto, assim que Airam chegou lá ela notara uma coisa diferente, pois o corpo de Susej não estava mais lá. Airam havia deixado uma rosa vermelha cravada no túmulo de Susej. Desta vez, o túmulo estava sem a rosa. Havia um buraco enorme no chão no mesmo lugar onde Susej havia sido enterrada.
_Santo Princípio! Onde foi parar o corpo da minha filha?
Airam ficara desesperada ao ver que o corpo de Susej sumira. Então apareceu-lhe uma abelhinha luminosa, a qual lhe disse.
_Não se preocupe, pois o corpo de Susej não está mais aqui! O Princípio deu a vida de volta a ela e a tirou de dentro do túmulo!
Airam ficara muito alegre ao ouvir tal notícia, pois ela não tinha mais esperanças de ver a sua amada filha. Então ela retornou para a sua casa e disse para as onze amigas de Susej que ela estava viva. Porém, algumas disseram que era difícil de acreditar. Contudo, duas amigas foram até o Jardim Iluminado. Assim que chegaram lá viram o túmulo aberto.
_Será que as amazonas de Sotalip levaram-na para outro lugar? (perguntou Ordep).
_Talvez tenham feito isso! (respondeu Oãoj).
No mesmo momento apareceu-lhes Susej do nada e lhes disse.
_Não tenham medo! Sou eu! As duas amigas de Susej ajoelharam-se diante dela e disseram-lhe.
_É você, Susej?
_Sim! Sou eu! Vão para a casa de Airam e digam que eu estou viva! (disse Susej).
Então as duas amigas que viram Susej voltaram para a casa de Airam e disseram a ela e também às demais amigas que ali estavam tudo o que elas viram e ouviram. No entanto, Émot não acreditara e lhes dissera.
_Eu acreditarei somente se eu a vir!
Foi nesse mesmo instante que Susej apareceu-lhe e lhe disse.
_Aqui estou, Étmo! Toque em mim e veja, pois estou viva! (disse-lhe ela).
Então Étmo tocou em seu delicado rosto e depois caiu de joelhos dizendo.
_Desculpe, por favor! Eu achei que você nunca mais voltaria para nós!
_Sim, eu entendo porque você não acreditou, mas o Princípio me devolveu a vida, pois eu cumpri a minha missão aqui no atenalp. A partir de agora vão e falem do meu nome para as pessoas, pois quem quiser se aproximar do Princípio deve acreditar em mim primeiramente. E não se preocupem com as dificuldades desta vida, pois eu sempre estarei com vocês até o tempo em que todas as coisas sejam restauradas. Então Susej ficou com Airam, sua mãe, e com suas onze amigas ensinando-lhes como elas deveriam se comportar diante das dificuldades do dia-a-dia.
Susej ficou com elas durantes trinta dias. No último dia levou-as para uma alta montanha e lhes disse.
_Desde agora estou indo para junto do Princípio! Não temam o dia de amanhã, pois o dia de a manhã pertence ao Princípio. E não se esqueçam das palavras que eu lhes falei, pois é necessário que muitas outras coisas aconteçam! Estarei com aqueles que chamarem por mim! E ajudarei aqueles que desejarem estar juntos comigo! Eu recebi autoridade do Princípio e posso julgar aqueles que tem um coração perverso! Em breve a serpente vermelha será julgada e a maldade será destruída. Não haverá mais dor, nem lágrimas e nem desespero, pois eu estarei para sempre com os seres de bom coração. Mais uma vez eu lhes digo. Não temam, pois eu estarei com vocês até que todas as coisas aconteçam.
Estas crônicas relatam os fatos que verdadeiramente aconteceram. Cinco dedos escreveram, mas a história é contada por várias vozes, e cada uma delas tem razão, pois estes fatos são verdadeiros. Tudo isto aconteceu no segundo milênio, mas somente poucos acreditaram nesta história.
Capítulo 21
(A Guerra)
Depois de ter lido O Livro das Verdades Absolutas, Lara levantou-se irrequieta e disse consigo mesma.
_Carambolas! Então tudo isto é verdade?
_SIM! NADA DO QUE ESTÁ ESCRITO É MENTIRA! TUDO ISTO FOI REGISTRADO POR DOIS HOMENS! A PRIMEIRA CRÔNICA FOI ESCRITA POR SÈSIOM, E A SEGUNDA FOI REGISTRADA POR OUTRO HOMEM CHAMADO SUETAM. AGORA VOCÊ SABE QUEM EU SOU E O QUANTO EU SOFRI PELA HUMANIDADE! (disse a Imaginação).
_Você sofreu por todos? Inclusive por mim? (perguntou Lara).
_SIM, LARA! INCLUSIVE POR VOCÊ TAMBÈM! (respondeu a Imaginação em um tom doce e suave).
_Posso perguntar uma coisa? (perguntou Lara).
_EU JÁ SEI O QUE VOCÊ VAI PERGUNTAR! VOCÊ ESTÁ CURIOSA PARA SABER O QUE ACONTECEU DE VERDADE COM O SEU AMIGO BARATILDO, NÃO É? (disse-lhe a Imaginação).
_Carambolas! Como é que você sabe? (perguntou Lara).
_EU SOU ONISCIENTE! CONHEÇO TODOS OS PENSAMENTOS DE TODOS OS SERES VIVENTES DO ATENALP! (respondeu-lhe a Imaginação).
_Ah, sim! Então tá explicado! (disse Lara sorrindo).
_BARATILDO FOI MORTO PELO FUNDADOR DA CIDADE DE PAPELÂNDIA! (disse-lhe a Imaginação).
_Mas como pode ser isso? (perguntou Lara).
_LEMBRA-SE DE QUE A CHAVE ESTAVA EM CIMA DA CASA DE AZNIC? (disse-lhe a Imaginação).
_Sim! Eu me lembro! (respondeu Lara).
_O FUNDADOR SUBIU ATÉ A PARTE MAIS ALTA DA CASA E RETIROU A CHAVE! DEPOIS ELE DESCEU E ABRIU A PORTA DA CASA E ENTROU! ENTÃO ELE ESMAGOU BARATILDO E DEPOIS TRANCOU A CASA, SUBIU ATÉ A PARTE MAIS ALTA NOVAMENTE, PÔS A CHAVE, DESCEU NOVAMNTE E SEGUIU SEU RUMO! (respondeu a Imaginação).
_Carambolas! Então foi ele quem fez isso! Eu nunca poderia imaginar que fosse ele! Então foi ele mesmo? (disse Lara).
_SIM! FOI ELE! (respondeu-lhe novamente a Imaginação).
_E por acaso ele possui algum nome? (perguntou Lara).
_SIM! TRIOS É O NOME DELE! (respondeu-lhe a Imaginação).
_Depois que ele matou Baratildo, para onde ele foi? (perguntou Lara).
_ELE FOI PARA UM LUGAR CHAMADO O RIO DAS LÁGRIMAS ETERNAS! (respondeu a Imaginação).
_O que ele foi fazer nesse lugar? (perguntou Lara).
_ELE ACREDITAVA QUE O LIVRO DAS VERDADES ABSOLUTAS ESTIVESSE DENTRO DO RIO, MAS ELE FRUSTROU-SE QUANDO COMEÇARA A PROCURAR PELO LIVRO! (disse-lhe a Imaginação).
_Mas se o livro estivesse dentro do rio ele certamente estaria molhado! (cogitou a menina).
_NÃO, MINHA PEQUENA! ELE NÃO ESTARIA MOLHADO, POIS SUAS FOLHAS NÃO ABSORVEM ÁGUA! ELE É UM LIVRO DIFERENTE DOS OUTROS QUE VOCÊ JÁ LEU! (respondeu-lhe a Imaginação).
_E onde é que Trios está agora? (perguntou Lara).
_ELE ESTÁ NA CIDADE DE GELO! (respondeu a Imaginação).
_E o que ele está fazendo lá? (perguntou Lara).
_ELE ESTÁ LUTANDO CONTRA GLÁCIUS E SEU EXÈRCITO! (respondeu-lhe a Imaginação).
_E porque ele está fazendo isso? (perguntou Lara).
_PORQUE ERILUFC FOI BUSCÁ-LO PARA AJUDÁ-LA A DERROTAR GLÁCIUS E ASSIM CONSTRUIR UM NOVO IMPÉRIO! (respondeu a Imaginação).
_Mas o que Erilufc pretende fazer com tudo isso? (perguntou Lara).
_ELA QUER QUE TODOS SE AJOELHEM DIANTE DELA! ELA QUER OCUPAR O MEU TRONO E SUBJUGAR O PRINCÍPIO JUNTAMENTE COM A LUZ! (respondeu a Imaginação).
_Você vai me levar até lá? (perguntou Lara).
_SIM! MAS NÃO SE PREOCUPE, POIS EU VOU REUNIR VOCÊ AOS AMIGOS QUE VOCÊ FEZ NO REINO DAS TREVAS! (respondeu a Imaginação).
_Então eu vou vê-los novamente? (Lara perguntou).
_SIM! (respondeu-lhe a Imaginação com sua doce voz).
_Então eu estou pronta! (disse Lara).
_NÃO TENHA MEDO, POIS EU ESTOU COM VOCÊ! (disse-lhe a Imaginação).
_Eu sei! Sempre confiei em você! (disse Lara).
A Imaginação transportou Lara para A Cidade de Gelo em um piscar de olhos. Quando Lara chegara ao lugar ela viu seus amigos dos quais tinha feito no Reino das Trevas.
_Gambá! Escorpião! Vagalume! Asno! Miaclabut e demais cavaleiros! Que bom ver vocês! (disse-lhes Lara com entusiasmo).
_É muito bom revê-la, Lara! (disse-lhe Miaclabut).
_Lara! Nos desculpe, mas estamos no meio de uma guerra! Podemos deixar os abraços para depois? (disse-lhe o gambá).
_Tudo bem! Vamos lutar juntos! Olhem! Lá está Erilufc! (exclamou a garota).
_Mas ela está junto com os leões. (disse Lara).
_Erilufc tem o poder de seduzir e hipnotizar qualquer ser que tenha vida! (respondeu-lhe Miaclabut).
_Vejam! Ali está Glácius lutando! (disse Lara).
_Nós sabemos que Glácius sempre foi o rei da Cidade de Gelo, mas, quem são aqueles lobos que estão brigando com os leões? (perguntou o cavaleiro azul).
_Aqueles lobos são servos fiéis do rei! Mas eu não entendo porque Corax e os urubus não estão aqui! (disse Lara).
_Ei, eu já ouvi falar de Corax! (disse o gambá).
_Menos conversa e mais atenção! Os leões estão vindo em nossa direção! (disse-lhe Miaclabut).
_Eu estou com medo! (disse o asno).
_Não precisa ter medo, pois a Imaginação disse que estaria comigo! (disse Lara).
Então Erilufc olhou atentamente para onde estavam Lara e seus amigos.
_Hum... Então vocês estão aqui! Mas como foi que chegaram assim do nada? Bem... isso não importa agora! Vou destruir um por um! Leões! Vocês já sabem o que fazer. (ordenou-lhes).
Então alguns leões dentre a multidão que lá se encontrava avançaram em direção a menina e seus amigos.
_Os leões estão vindo para nos atacar! E agora? O que faremos? (perguntou o asno).
_Vamos lutar! Não é hora para sentir medo. A Imaginação disse que iria nos ajudar. (disse-lhes Miaclabut).
Os leões estavam cada vez mais próximos. Em questão de segundos, Lupus e seus irmãos viram que Lara e seus amigos estavam em apuros. Sendo assim, ele e seus irmãos afastaram-se de seu rei e senhor por um breve momento na intenção de defender a garota e seus amigos. Eles começaram a morder os leões e a batalhar contra eles. A disputa estava acirrada. Mordias e arranhões eram trocados entre eles.
_Lupus, tenham cuidado! Os leões são muito perigosos! (disse-lhes Lara).
_Não se preocupe, Lara! Um lobo só mostra os seus dentes quando deve atacar! Nós somos lobos preparados para a guerra! (disse-lhe Lupus).
Lupus e seus irmãos digladiavam-se acirradamente contra os leões. Os leões eram mais lentos do que os lobos e acabavam escorregando no chão gélido e liso, o que lhes conferia uma certa vantagem. Enquanto eles caíam, os outros lobos mordiam o pescoço deles com todo o ímpeto e brutalidade selvagem, fruto de seus instintos de combate. O sangue jorrava tal qual a água das fontes.
_E vocês? Vão ficar aí parados? (exclamou Miaclabut aos seus filhos).
_Vamos lutar, meu pai! (responderam os cavaleiros).
Miaclabut e seus filhos começaram a desembainhar suas espadas. E assim começaram a lutar. O gambá desviava-se de um e de outro leão, de maneira que alguns leões escorregavam e quebravam suas pernas.
_Ai, Lara! Ajudem-me! (disse o gambá se esquivando de um e de outro leão).
_Acho que vou ficar voando aqui por cima mesmo! (disse o vagalume).
_Vagalume! Atraia a atenção e faça com que os leões corram atrás de você! (disse Lara).
_Mas pra quê? (perguntou o vagalume).
_Um leão cansado vale menos que um rato! (respondeu Lara).
_Ah, sim! Agora eu entendi! Como você é esperta, hein! (disse o vagalume).
_Vá logo! (disse Lara).
O vagalume saiu voando de um lado para o outro. Boa parte dos leões distraiu-se com o vagalume e começaram a persegui-lo.
_Ai, ai, ai! Voe rápido! Voe rápido! Voe rápido! (dizia o vagalume para si mesmo).
O asno não sabia o que fazer. Ele ficou entre os cavaleiros.
_Protejam-me! Eu não quero ser devorado! (disse-lhes o animal).
_Carambolas! Tive uma ideia! (disse Lara).
_Ai! Não estou gostando nada disso! (disse o asno).
_Vamos formar uma dupla! (disse Lara).
_Como assim? (perguntou o asno).
_Eu vou subir em você e então vou usar o poder do meu anel para cegar os leões. Assim que eles ficarem parados você vai dando coices com toda a sua força em um, e depois no outro, até eles caírem tontos no chão. (disse-lhe Lara).
_Não gostei dessa ideia! (disse-lhe o asno).
_Não seja covarde! Deixe apenas que eu monte em você, aí você sai correndo e fugindo dos leões! (aquiesceu Lara).
_Ahhh... tá bom! Mas isso não vai dar certo! (disse-lhe o asno).
_Isso é você quem diz! (disse-lhe a menina).
Lara então montou no asno.
_Vamos! (exclamou Lara).
O asno saiu correndo a toda velocidade, embora o chão de gelo estivesse liso o asno conseguia manter-se firme. Alguns leões que estavam perseguindo o vagalume deixaram de perseguir o vagalume e assim começaram a perseguir o asno, pois seus olhos foram atraídos pelos movimentos agitados do animal. Lara que estava sentada em cima de seu amigo concentrou o poder de seu anel e o anel assim começara a reluzir intensamente, de maneira que alguns leões ficaram com suas vistas debilitadas, mesmo que por um breve momento.
_É agora, asno! (disse Lara).
O asno começara a dar coices em todas as direções. Ele colocara tanta força nas patas traseiras que a maioria dos leões que foram golpeados ficaram desmaiados no chão.
_Muito bem, asno! (disse-lhe Lara).
_Deu certo! Deu certo! (disse o ano).
Ao ver que os leões estavam em desvantagem, Erilufc ficou demasiadamente irritada.
_Malditos! Eles estão em vantagem! (disse Erilufc).
_O que devemos fazer agora? (perguntou-lhe Trios).
_Não se preocupe! Deixe que eu mesma cuido disso! (respondeu Erilufc).
Glácius estava lutando junto de seus fiéis soldados, os cúbix. Os cúbix tinham altura e força o suficiente para lutarem contra os leões. A espada de Glácius perfurava o coração dos selvagens de forma desbravadora, no entanto, quanto mais leões ele matava, mais deles apareciam em sua frente. No momento em que Glácius os perfurava, os leões eram congelados, e então ele dava um soco com grande ímpeto que os despedaçava.
_Vocês não são páreo para mim! (exclamou ele).
Enquanto o rei Glácius combatia os animais ferozes, eis que Erilufc voou em sua direção para atacá-lo. Glácius usou a sua armadura para defender-se. Erilufc deu-lhe um golpe que fez com que ele se arrastasse pelo chão. Glácius levantou-se e disse-lhe.
_Você sabe que não vai dar certo! (disse o rei).
_Eu sou o ser mais perverso do atenalp! No final das contas todo joelho se dobrará diante de mim! (disse-lhe a mulher).
_Blasfêmia! Você não tem o direito de dizer isso! Você não passa de uma renegada! Sabe o que acontece com seres renegados como você? (perguntou o rei).
_Conquistam o atenalp! (respondeu Erilufc).
_Errado! Caem na eterna desgraça da maldição! (respondeu-lhe Glácius).
_Eu sou absoluta! Não há um ser vivo que não trema diante de mim! Até mesmo você que se julga um rei, mas nunca o foi de verdade, teria sequer a coragem de morrer por aqueles que o amam? (perguntou-lhe Erilufc).
_Não só teria a coragem como também faria isso por qualquer um, mesmo que alguém não fosse capaz de morrer por mim! (respondeu o rei).
_Quanta bobagem! Isso é um discurso típico de que quem está fadado a sofrer! (disse Erilufc).
_Você sabe muito bem que não há mais remissão para você, não é? (perguntou-lhe o rei).
_E quem disse que eu preciso disso? Eu sou a própria remissão! Eu serei a dominadora desta esfera insignificante! (respondeu-lhe Erilufc).
_Sabe que não tem mais volta! (disse-lhe Glácius).
_E quem aqui está pensando em voltar atrás? Você sabe que eu sou a única que conhece a sua história, não sabe, Miac? (perguntou-lhe Erilufc).
_Fique fora disto! Meu passado só desrespeito a mim! (respondeu-lhe Glácius).
_Ahh. O seu passado! O seu passado exala mau cheiro tanto quanto esse seu corpo velho e sujo! Até onde eu sei, você também é um renegado! Você matou o seu irmão Leba por minha causa, lembra? (perguntou-lhe Erilufc).
_Foi você quem me seduziu! (disse-lhe o rei).
_E você caiu feito uma mosca cai na teia de uma aranha! (disse-lhe Erilufc).
_Você foi a maior desgraça que já me aconteceu! (disse-lhe Glácius exercendo o seu furor).
_Confesse! Você ainda é apaixonado por mim! (disse-lhe Erilufc).
_Mas nunca que eu me apaixonaria por um ser tão baixo e desprezível como você! Você é contra os princípios da Imaginação! (disse-lhe Glácius).
_Ah, sim! A Imaginação? Não foi ela quem condenou você colocando uma marca no meio da sua testa? (perguntou-lhe Erilufc).
_Se você sabe disso, então porque está me perguntando? (disse o rei).
_É que eu adoro destruir corações frágeis como o seu! (disse-lhe Erilufc).
_Você não me ofende! Você já está derrotada! (disse o rei).
_Isso nós saberemos agora! (exclamou ela).
Erilufc atacou Glácius usando apenas suas mãos rígidas. Glácius usou sua espada para atacá-la, no entanto, ela defendera-se com os braços. Glácius atacou-lhe outra e outra vez, mas não conseguira. Enquanto isso, o escorpião atacava minuciosamente um e outro leão. Cada leão que ele atacava caía imediatamente ao chão, pois o veneno do escorpião fazia efeito na mesma hora em que lhes picava.
_De pressa! Tem muitos leões por aqui! Acho que tem mais leões aqui do que formigas no atenalp! (disse o cavaleiro de armadura roxa).
_É sim! (disse o cavaleiro da armadura preta).
_Vamos! Você fica com os da direita e eu fico com os da esquerda! (disse o cavaleiro da armadura branca).
_E se os da esquerda vierem para a direita? (perguntou o cavaleiro da armadura preta).
_Você ataca do mesmo jeito! (respondeu o cavaleiro da armadura branca).
Lara continuava em cima do asno cegando os leões com o poder de seu anel. O asno continuava a dar coices nos leões.
_Escorpião! Rápido! Os leões que forem caindo você sobe em cima deles e dá uma picada! (disse-lhe Lara em alta voz).
_Sim, Lara! Boa ideia! (disse-lhe o escorpião).
O gambá continuava a fugir dos leões.
_Ai, santa Imaginação! (dizia o gambá).
O vagalume continuava a voar e a distrair os leões.
_Puxa! Já estou ficando cansado de tanto voar pra lá e pra cá! (disse o vagalume).
_Você sabe que não conseguirá me derrotar com essa sua espada ridícula! (disse-lhe Erilufc).
_Eu te abomino, criatura repulsiva e arrogante! Tu és a pior de todas as feras do atenalp! O teu futuro é comer do pó desta terra! (disse-lhe Glácius enfurecido).
_Cale a boca, seu miserável! (ela gritou).
Erilufc foi em direção até ele para atacá-lo, mas ele usou sua espada e cortou alguns fios de seus cabelos.
_Maldito! Como ousa? Vou arrancar a sua cabeça por causa disso! (exclamou-lhe Erilufc com seus dentes cerrados de tanto ódio).
_Pode vir! Arrancarei a sua cabeça primeiro! (disse-lhe Glácius).
_Desgraçado! Não zombe de mim! (ela gritou).
Então Erilufc abrira sua boca. Várias centopeias começaram a sair. Elas foram em direção ao rei, entretanto, ele começara a esmagá-las, uma por uma. Quanto mais ele pisava nas centopeias, mais delas iam aparecendo.
_Eu vou acabar com todas vocês, suas criaturas abomináveis! (disse o rei).
Erilufc abrira sua boca novamente. No entanto, desta vez começaram a sair serpentes venenosas.
_Vão e se espalhem! (ordenou-lhes).
As serpentes espalharam-se e foram em direções diferentes. Algumas foram em direção até Lara e seu amigo asno. Uma das serpentes que se rastejavam por ali mordeu a pata esquerda da frente do asno.
_Ai! (gritou o animal).
_Asno! (gritou Lara desesperada).
_Acho que eu vou morrer agora! Fuja, Lara! (disse-lhe o asno).
_Não, asno! Você é o meu amigo! (disse-lhe Lara angustiada).
Assim que Lara terminou de dizer essas palavras, os leões avançaram e começaram a atacar e a despedaçar o pobre quadrúpede que agora estava caído no chão. Lara fora arremessada com ímpeto a uma certa distância durante o ataque dos leões. Vendo que nada podia fazer a respeito, começara a chorar amargamente.
_NÃO!
Os leões continuavam devorando o asno com suas presas afiadas.
Lara tentou concentrar o poder de seu anel para cegar os leões, mas não conseguira.
_Vamos! Vamos! Funciona! (disse Lara consigo mesma).
Ela havia esquecido de que possuía a chama ígnea, poder esse que fazia com que qualquer coisa pegasse entrasse em chamas. Mesmo que ela usasse seu poder de nada adiantaria, pois o asno, seu amigo, já estava dormindo para sempre desde que fora ataca por uma das serpentes.
As serpentes começaram a vir em sua direção. Lara começou a correr.
_Ai! Carambolas! Vagalume! Vagalume, onde está você? (chamou Lara pelo seu amigo vagalume).
_Estou aqui! (respondeu o vagalume).
_Será que você ainda consegue produzir aquela luz verde de maneira intensa? (perguntou Lara).
_Acho que consigo! (respondeu-lhe o vagalume).
_Não quero que você ache, quero que você tenha certeza! (gritou Lara ainda sentindo a perda de seu amigo asno).
_Ah... sim! Vou fazer o máximo possível! (respondeu o vagalume).
_Distraia as serpentes com a sua luz! (disse Lara).
_Certo! Ei, espera aí! Mas as serpentes não são cegas? (perguntou o vagalume).
_As serpentes normais deste atenalp são! Mas as serpentes que eu vi saírem da boca de Erilufc são diferentes, pois elas conseguem enxergar! (respondeu Lara).
_Então essas serpentes saíram da boca de Erilufc, foi? (perguntou o vagalume).
_Vagalume! Mais ação e menos perguntas! (disse Lara).
_Tá, tá bom! Mas não precisa ficar irritada! (disse o vagalume).
_Vamos logo! Você não percebeu que o asno foi devorado pelos leões? Á essa altura eles devem estar lambendo os ossos dele. (disse Lara com lágrimas nos olhos).
_Certo! Tudo bem! (disse o vagalume).
Sendo assim, o vagalume voou bem perto das serpentes para distrai-las. Elas tentavam atacá-lo na tentativa de engoli-lo, contudo, ele desviava-se de seus ataques meticulosos.
_Ai, ai, ai! (dizia o vagalume).
O gambá continuava escondendo debaixo dos leões adormecidos. Seu medo era tão grande que ele soltava uma flatulência a cada cinco segundos. Enquanto isso, Glácius estava esmagando centopeias e pisando na cabeça das serpentes. Erilufc aproveitou sua distração e o atacara novamente. Glácius arrastou-se a uns quatro metros de distância. Então ele tomou um pouco de distância e fez um gesto com a mão esquerda.
_Cúbix! Ao meu comando!
Ele apontou o braço esquerdo em direção à Erilufc. Os cúbix começaram a andar em sua direção para atacá-la. Erilufc começara a recuar. Havia cúbix de todas as direções para atacar, de modo que ela ficara cercada por eles. Os cúbix, então, começaram a bater no rosto dela.
_Vocês acham que esses socos me machucam? (exclamou ela arrogantemente).
Ela deu um golpe com sua perna esquerda, o qual despedaçara metade dos cúbix que estavam próximos a ela.
_Não pode ser! (sussurrou Glácius).
_Não me subestime, seu verme medroso! (disse Erilufc olhando para ele).
_Meus soldados! (exclamou o rei fazendo-lhes outro gesto com as mãos).
Então os cúbix começaram a segurar Erilufc pelos braços.
_Hum...Você acha mesmo que pode me manter presa? (disse Erilufc em forma de provocação).
_Não custa tentar! (respondeu Glácius).
_Então venha me atacar! Prometo que não vou me mexer! Nem um centímetro! (disse-lhe Erilufc).
Glácius preparou sua espada e correu em sua direção para atacá-la. Ao aproximar-se dela, ele golpeou-lhe o rosto com sua lâmina afiada. Ele ficara admirado, pois nenhum arranhão lhe fora causado em seu rosto.
_Mas, o quê...? (disse Glácius incrédulo).
_Ah, Glácius! Até parece que você não me conhece. Vamos! Tente acertar o meu rosto novamente! (disse a mulher em tom de provocação).
Glácius atacara novamente o rosto de Erilufc com sua espada, mas nenhum corte lhe fora feito.
_Não pode ser! (disse Glácius).
_Porque você está tão impressionado? (disse Erilufc).
_Você é um monstro! (disse-lhe o rei).
_Sim, você acertou! (disse-lhe Erilufc).
O rei Glácius abaixara sua espada e então Erilufc fizera muita força fazendo com que os braços dos cúbix se quebrassem. Erilufc deu-lhe um soco bem no meio do estômago de Glácius. Ele caiu no chão contorcendo-se de tanta dor. Enquanto isso, ela deu um soco em um cúbix despedaçando-o completamente e depois golpeou outro cúbix fazendo-o em pedaços. Enquanto isso, Glácius tentava levantar-se. Erilufc fizera um sinal com a mão direita e exclamou.
_Leões! Devorem este pobre miserável! Deixem apenas o anel para mim! (disse Erilufc).
Alguns dos leões que se encontravam ali por perto avançaram em direção ao rei Glácius, mas para a sorte do rei, Lupus e seus irmãos apareceram para impedi-los formando assim um bloqueio.
_Terão de passar por todos nós! (disse um dos irmãos de Lupus).
Os leões avançaram em direção aos lobos, mas os lobos contra-atacaram-nos. Enquanto os eles brigavam com os selvagens, Erilufc aproximou-se de Glácius e pegou sua espada de gelo.
_O que acha de morrer trespassado por sua própria espada? (perguntou-lhe Erilufc). Glácius permaneceu calado.
_É uma vergonha um rei ser derrotado por uma mulher tão bela e desejável como eu. (disse Erilufc envaidecida).
No entanto Glácius permanecera em silêncio.
_Você poderia ter poupado o seu irmão Leba, mas você não o fez! Você ficou encantado pela minha beleza! Reconheça! Você perdeu! (disse-lhe Erilufc).
Erilufc levantou a espada para atacá-lo, contudo, Lupus avançou-lhe empurrando-a a uma certa distância.
_Seu lobo desgraçado! Você verá o quanto vou fazê-lo sofrer! (disse Erilufc).
Então Erilufc correu em direção a Lupus com a espada de Glácius na mão, porém Miaclabut interpôs-se no meio e bloqueou seu ataque com a sua espada.
_E você acha mesmo que eu deixaria você matar um rei tão importante? (disse Miaclabut).
_Saia do meu caminho, Miaclabut! (disse Erilufc com um tom de raiva).
_Nunca! (disse-lhe Miaclabut).
Então Erilufc começou a batalhar contra Miaclabut acirradamente. A espada de gelo era tão dura quanto as espadas de aço que Miaclabut e seus filhos estavam usando. Enquanto isso, Trios, o fundador de Papelândia, como se chamava antigamente, desceu para batalhar. Ele estava usando uma armadura feita de papel. No entanto essa armadura era tão dura quanto a própria pele de Erilufc. Quando Trios chegara até o centro de onde estava acontecendo a guerra, ao aproximar-se de Lara, Trios perguntou-lhe.
_Então você é a menina da profecia, não é? (perguntou-lhe)
_Eu não sei do que você está falando! Quem é você? (disse-lhe Lara).
_Além de boba é ingênua! Eu sou o fundador de Papelândia. (disse-lhe Trios).
_Ah... Então você é o bobo que se vendeu por tão pouco! Você tinha um dom maravilhoso! (disse Lara).
_E ainda tenho! (disse Trios sorrindo).
_Não pense que você é o único que domina o papel! (disse-lhe Lara).
_Ah, então quer dizer que o boboca do Aznic entregou a você a única habilidade que eu ensinei a ele? (perguntou-lhe Trios).
_Sim! Até que você é bem esperto pra um bobão! (disse Lara).
_Obrigado, eu acho! (disse Trios).
_Agora eu sei porque Aznic desenhava você como se você fosse um tigre! (disse-lhe Lara).
_Ah, é? E Porque? (perguntou-lhe Trios curioso).
_Naquele tempo em que vocês eram amigos ele via você como um líder corajoso e feliz! Mas agora veja só até onde foi parar! Seguindo as ordens de Erilufc! (disse Lara).
_Você é muito meiga, sabia? (disse-lhe Trios).
_Pare de caçoar de mim! (disse Lara).
_E então? Vai brigar comigo, ou vai ficar aí chorando! (disse-lhe Trios).
_Já disse pra não ficar caçoando de mim! (disse Lara).
Então Trios cuspiu bolas de papel. Quando as bolas de papel caíram no chão elas se transformaram em réplicas dele mesmo.
_Você acha mesmo que essas réplicas de papel vão me fazer algum mal? (disse Lara sorrindo).
_É, mas essas réplicas são bem diferentes dos seres que eu fazia antigamente! (disse-lhe Trios).
_Ah, é? E o que esses pedaços de papel fazem? (perguntou Lara).
Então uma das réplicas de Trios cuspiu fogo para cima.
_É isso o que eles fazem! (respondeu-lhe Trios).
_Carambolas! Pra que eu fui perguntar? (disse Lara).
_Minhas réplicas! Ataquem! (exclamou ele).
As réplicas foram em direção até Lara.
_Ai, ai! Carambolas! (disse Lara fugindo das réplicas).
O gambá aproximou-se das réplicas e disse a Lara.
_Não se preocupe, Lara, eu distraio esses bonecos de papel! (disse o gambá).
_Não precisa! Eu só estou ganhando tempo! (disse Lara).
_Tudo bem! (disse o gambá).
_Continue distraindo os leões! (disse Lara).
_Tá! (respondeu o gambá).
Lara estava fugindo dos bonecos de papel simplesmente para ganhar tempo, pois estava concentrando sua raiva para ativar a chama ígnea. Desse modo, ela iria atear fogo nos bonecos de papel. Miaclabut continuava a bradar a sua espada contra Erilufc. Enquanto isso, os filhos de Miaclabut estavam batalhando contra os leões. Os cúbix estavam formando um círculo para proteger seu rei, Glácius. Lupus e os demais lobos brigavam com os leões e matavam o restante das serpentes que ainda haviam sobrado.
_Você não se cansa de lutar, não é? (perguntou Miaclabut).
_Vou servir a sua cabeça num prato aos leões! (disse Erilufc).
_Ainda não percebeu? (perguntou-lhe Miaclabut).
_O quê? (perguntou-lhe Erilufc).
_Os leões estão ficando em menor número e logo logo o seu exército ficará menor! (disse-lhe Maiclabut).
_Ah... Maldito! (disse Erilufc).
_Admita! Você está em desvantagem! (disse-lhe Miaclabut).
_Por enquanto! (respondeu Erilufc).
Então Erilufc afastou-se para fazer uma citação:
“Coração de ferro
boca maldita língua perversa
sangue que escorre
mão que escreve lágrimas ao vento
portas abertas
luz apagada
praga que anda
trinta ofensas
castiçal de óleo
flores murchas
cabeça inclinada
venha e mutile
as feridas expostas
Depois que Erilufc recitou as palavras, apareceu um espelho gigante bem distante da Cidade de Gelo. Lençóis negros começaram a sair do espelho. Quando os lençóis entraram em contato com o chão, os lençóis transformaram-se em cavaleiros de armadura e espada escuras. Os cavaleiros negros começaram a correr em direção a guerra. Quando Glácius levantou-se ele ficou sobremaneira assustado.
_Cavaleiros! Olhem para lá! (disse ele apontando para o lugar de onde vinham os cavaleiros negros).
Miaclabut e os outros cavaleiros olharam.
_Nossa! Agora a coisa vai ficar feia! (disse o cavaleiro de armadura amarela).
Então Glácius jogou a sua coroa de gelo no chão e pisou em cima dela, deixando-a em pedaços. Tal atitude fazia parte de um pedido de extrema urgência.
_ Santa Imaginação! Sei que estou em débito com você! Mas por favor, ajude-nos! (disse o rei).
No momento em que Glácius proferiu tais palavras o céu ficou verde e as nuvens se abriram. Então começou a chover folhas de papel.
_Hã? Não entendi! (disse o rei).
Lara olhou para o céu e viu folhas de papel caindo.
_Carambolas! Que legal! Agora eu vou poder montar o meu exército! (disse Lara).
_Não seja tola! Eu também tenho a habilidade de transformar folhas de papel no que eu quiser! (disse-lhe Trios).
_Eu acho que não! (disse Lara).
_Como assim? (perguntou Trios).
_As folhas de papel só se transformam no que você quiser quando você tem um coração puro, e até onde eu sei, o seu coração deixou de ser puro já faz muito tempo! (disse Lara).
_Não importa! Eu vou tocar fogo nos seus bonecos de papel do mesmo jeito! (disse-lhe Trios).
_Isso é o que veremos! (disse-lhe Lara).
Lara parou de correr e começou a tocar nas folhas de papel. Á medida em que ela tocava nas folhas de papel, as folhas iam se transformando em réplicas dela mesma. Os leões que ainda restaram começaram a devorar os bonecos de papel.
_Lara! Os leões estão engolindo os bonecos de papel! (disse o gambá desviando-se dos leões).
_Eu sei disso! Esse é exatamente o meu plano! (disse Lara).
_Como assim? (perguntou-lhe o gambá).
_Em breve você verá! (respondeu Lara).
Depois que os leões devoraram os bonecos de papel Lara concentrou sua habilidade da chama ígnea. Então os pedaços de papel que estavam dentro da barriga dos leões começaram a pegar fogo. A fumaça começou a sair das narinas e da boca dos leões. Eles sentiram o fogo consumir-lhes os estômagos de tal maneira que a maioria deles caiu adormecida no chão. Enquanto isso, os cavaleiros negros vinham aproximando-se de Lara. Lara não sabia o que fazer desta vez e então ela começou a fugir dos cavaleiros. Foi neste momento que chegou Corax juntamente com os urubus. Corax também havia se juntado aos urubus brancos.
_Urubus negros e brancos! Ataquem a tropa de cavaleiros negros. (ordenou o corvo aos seus subordinados).
Então os urubus negros e os urubus brancos começaram a atacar os cavaleiros negros. A guerra estava tão confusa que não dava para saber ao certo quem era quem. Lara ficara impressionada, pois não pensava que Corax e seus urubus viessem a aparecer novamente. Glácius viu Corax e os demais urubus de longe. Seu coração alegrou-se por saber que ele não estava só nesta guerra. À essa altura, Lara e seus amigos já estavam cansados de tanto lutarem. No entanto, eles sabiam muito bem que nenhum deles poderia descansar até que Erilufc e seu maldito exército fossem derrotados.
Os leões continuavam a atacar e os demais amigos de Lara continuavam a lutar, cada um à sua maneira.
_O meu exército é bem maior do que você imagina, Miaclabut! (disse Erilufc).
_Isso não importa, porque nós somos mais espertos do que vocês! (disse Miaclabut).
_Veremos! (disse Erilufc).
Então Glácius avançou em sua direção e dera-lhe um soco em seu rosto.
_Você acha mesmo que um golpe insignificante como esse seria capaz de me ferir? (disse Erilufc).
_Bem... pelo menos eu te acertei! (respondeu Glácius).
Então Erilufc usou a espada de gelo para acertar Glácius, mas ele esquivara-se da espada. Miaclabut confrontou a sua espada novamente com a espada de gelo.
_Devolva essa espada! (disse Miaclabut).
_Hã? Até parece que eu vou devolvê-la! Não me faça rir! (disse Erilufc).
A batalha estava árdua e difícil para os dois lados. Cada qual estava se esforçando ao máximo para vencer. Trios estava admirado por estar lutando contra a menina da profecia, conforme Obaid havia dito. Muitas coisas ainda haviam de acontecer.
_Você sabe muito bem que é inútil lutar contra mim, não sabe? (disse Trios).
_Isso não me importa! Enquanto eu estiver com os meus amigos eu lutarei até o fim, pois o meu nome é Lara! (disse Lara).
_Ah! Afinal! Eu esqueci de lhe dizer uma coisa! Mesmo que você controle a chama ígnea, ela não funcionará contra mim! Embora a minha armadura seja feita de papel ela resiste ao fogo e ao gelo! (disse-lhe Trios).
_Também não me importa! Vou derrotar você mesmo assim! (disse Lara).
Mesmo alguns dos leões tendo engolido os bonecos de papel feitos por Lara, ainda assim haviam sobrado vários bonecos. Esses bonecos continuaram a lutar contra os bonecos de Trios.
_Os meus bonecos são mais fortes do que os seus! Veja! Eles até cospem fogo! (disse Trios).
Enquanto os bonecos de Trios estavam cuspindo fogo, os bonecos de Lara estavam sendo queimados, mas quanto mais os bonecos de Lara eram destruídos mais folhas de papel caiam do céu. Lara ia tocando nas folhas e as folhas iam transformando-se em bonecos à sua imagem e semelhança.
_Não importa quantos bonecos você levante contra mim! Os meus são mais fortes do que os seus! (disse Trios).
Na verdade Lara só estava fazendo isso para ganhar tempo, pois sua cabecinha estava pensando em algo que chamasse a atenção de Trios. Lupus e seus irmãos continuavam a lutar contra os leões. Os filhos de Miaclabut também estavam lutando contra as feras selvagens. Corax e os urubus estavam tentando afastar os cavaleiros negros que Erilufc havia invocado para longe da cidade.
_Pois bem! Eu quero que todos vocês espantem esses cavaleiros negros para longe da Cidade de Gelo! (disse Corax).
_Sim, senhor! (responderam os urubus).
Erilufc continuava a lutar contra Miaclabut e Glácius, porém, Erilufc estava em vantagem.
_Vocês dois não passam de dois idiotas que pensam estar fazendo alguma coisa virtuosa! (disse Erilufc).
_Cale a boca, sua maldita! (disse Glácius).
_Glácius! Você sabe muito bem que ela jamais a devolverá a você de volta! (disse Erilufc).
_Já disse para calar essa sua maldita boca! (disse Glácius).
_Eu sei como as palavras doem! (disse Erilufc).
_Não deixaremos que você destrua o atenalp! (disse Miaclabut).
_E quem disse que eu quero destruir o atenalp, seus idiotas? (disse Erilufc).
_Sejam lá quais forem as suas intenções, você não conseguirá o que deseja! (disse Glácius).
_Me diga uma coisa, Glácius! Quando você pisou na sua coroa você abdicou o seu cargo de rei? (perguntou-lhe Erilufc).
_Não! (respondeu Glácius).
_Então porque você a quebrou? (perguntou-lhe Erilufc).
_Porque um rei não é reconhecido pela coroa que ele possui, mas sim pela braveza de seu coração! (respondeu-lhe Glácius).
_Oh! Que palavras honoráveis! Você merece aplausos! (disse Erilufc com um sorriso sarcástico).
_Não seja cínica! (disse Miaclabut).
_Você ainda é um metalúrgico, não é? (ela perguntou a Miaclabut).
_Não lhe devo satisfações! (ele respondeu).
_Você fará uma bela estátua homenageando a mim! (disse Erilufc gargalhando).
_Mas nunca que eu vou fazer uma coisa dessas! (disse Miaclabut).
_Ah, você vai sim! (disse ela).
Então Erilufc avançou de uma vez até ele, mas ele defendeu-se com a sua espada. Glácius aproveitou a chance e deu um pontapé no estômago de Erilufc. Erilufc cuspiu saliva no chão gélido. Miaclabut levantou a espada e tentou transpassá-la. Nesse momento um leão avançou em sua direção, mas ele bravamente empenhou sua espada e atravessou o leão, fazendo-o adormecer para sempre. Glácius tentou pisotear Erilufc, mas Erilufc dera uma cambalhota para a direita e para a esquerda. Depois, ela levantou-se e abriu suas asas. Quando ela bateu suas asas, Miaclabut e Glácius foram jogados a uma certa distância, como se estivessem sendo jogados por um forte vendaval.
De repente, parou de chover folhas de papel, e todos os bonecos que Lara fizera haviam sido fulminados pelos bonecos de Trios. Lara tentara aproximar-se dele, mas os bonecos bloquearam o caminho a fim de que ela não conseguisse chegar até ele.
_Escute! Preciso falar uma coisa muito séria pra você! (disse Lara).
_O que você tem pra conversar comigo, garota boba? (perguntou Trios).
_Você ainda deseja ter uma família? (perguntou-lhe Lara).
_Por que eu desejaria ter uma coisa tão ridícula assim? (disse Trios).
_Você não criou com suas próprias mãos duas filhas de papel? (perguntou Lara).
_Isso é passado! Você deveria saber que quem vive de passado é museu! (disse Trios).
_É, mas existem certos museus que valem à pena visitar! (respondeu Lara).
_Isso não é assunto para crianças como você. Fique fora disto! (disse-lhe Trios).
_Não! Não vou ficar! Olhe ao redor! Você está feliz com a situação do atnalp? Não percebe que as coisas estão em uma situação crítica, e que todos precisam viver em paz? (disse Lara).
_E o que mais você espera? Que o atenalp seja perfeito e que todas as criaturas e seres vivos sejam felizes? Isto é a realidade! Cresça e apareça! (disse Trios).
_Você está dizendo isso porque você, assim como Azinic, acha que não tem mais como voltar atrás! (disse Lara).
_O que eu penso não importa! O que importa é que eu estou aqui bem na sua frente e que você vai desaparecer deste atenalp assim como eu vi muitos desaparecerem! (disse Trios).
_Eu acredito que pessoas más podem mudar e serem boas novamente, exceto Erilufc que não tem mais como voltar atrás. Mas você ainda tem um coração cheio de bondade. Eu posso ver isso em você! (disse Lara).
_Não diga besteiras! (gritou Trios).
_Vamos! Eu sei que você ainda pode ser bondoso novamente assim como você foi no passado. Você é o fundador de Papelândia. Você ainda é capaz de reerguer aquela cidade e fazer dela um lugar bonito. (disse Lara).
_Cale a boca! Eu tinha sonhos! Eu era um homem jovem e cheio de esperanças assim como você, e veja só onde eu estou agora! (disse Trios).
_Você só é assim porque você quer. Tudo depende do seu querer. Seja aquele fundador que possuía um bom coração novamente e você verá como é bom ser feliz. (disse Lara).
_Meu lugar é junto das sombras. Ah! E fui eu quem colocou fogo na sua adorável casinha! (disse Trios).
_O quê? (disse Lara impressionada).
_É exatamente o que você ouviu. Eu queimei a sua casa tão adorável! (disse Trios).
_Isso não importa! Casas arrasadas podem ser reconstruídas. Mas pelo visto você não quer se redimir com a Imaginação. Ainda se esqueceu de que foi ela quem te deu essa habilidade de controlar o papel? (disse Lara).
_Pouco me importa se foi ela quem me deu, ou não! Agora eu vou acabar com você!
Então os bonecos de Trios perseguiram Lara cuspindo fogo ao mesmo tempo em sua direção.
_Ai, ai, ai! Carambolas! O que eu faço agora? (disse Lara).
De repente, o gambá pulou em direção ao rosto de Trios.
_Sai daí, seu gambá asqueroso! (dizia Trios tentando tirar o gambá de seu rosto).
Neste momento Lara aproveitou-se da ocasião e deu-lhe uma rasteira. Trios caiu de uma vez no chão. O gambá continuava agarrando-se ao rosto dele. O vagalume deixou de distrair os leões e começou a distrair os bonecos de Trios. Os bonecos cuspiam fogo atrás do vagalume, mas não o acertavam. Lara pegou uma certa quantidade de neve do chão de gelo. Depois de pegar um pouco de neve, ela formou uma bola e acertou um dos bonecos em cheio. Os bonecos caíram e não conseguiram mais levantar-se. Enquanto eles tentavam levantar-se do chão, ela ia até eles e pisava-lhes fazendo com que eles ficassem amassados.
_Toma, toma e toma! (disse Lara pisoteando os bonecos).
Então Lara formou mais bolas de neve e jogou em outros bonecos fazendo-os caírem no chão.
_Toma, toma e toma! (disse Lara).
No entanto, não deu tempo de fazer assim com todos os bonecos, pois Trios levantou-se mais zangado do que antes. Trios pegou o gambá com as duas mãos e o atirou para longe. O gambá foi lançado em um ponto específico onde havia vários leões. Os leões avançaram para atacá-lo, mas o gambá foi mais esperto e esquivou-se dos leões. Então Erilufc abriu as suas asas e voou em direção ao gambá. O gambá estava correndo muito depressa, mas não o suficiente para escapar de suas mãos. Erilufc segurou-o com suas duas mãos e disse.
_Humm... adoro sangue de gambás!
Então Erilufc fez tanta força com as mãos que quebraram todos os ossos do pobre animal. Depois de quebrar todos os ossos do gambá, Erilufc mordeu o pescoço e começou a sugar todo o seu sangue. Lara assistia de baixo o seu amigo sendo morto.
_GAMBÁ! NÃO! (exclamou a menina).
Depois de ter sugado todo o seu sangue, Erilufc jogou o corpo do gambá no chão. Lara foi correndo em direção ao gambá que já estava morto. Ela segurou-o em seus braços e começou a chorar.
_Meu amigo gambá! (disse ela).
Então Erilufc olhou para Lara de cima e lhe disse.
_Não se preocupe, minha adorável criatura! Você será a próxima!
Então Erilufc voou em direção até Lara. Lara começou a correr, mas seus esforços eram inúteis, pois Erilufc estava prestes a alcançá-la. Lara parou por um momento e depois fez uma bola de neve e a atirou contra ela.
_Você é mesmo tão infantil, Lara! Bolas de neve não me assustam! (disse Erilufc).
Então várias bolas de neve começaram a ser atiradas contra Erilufc. Era o verdadeiro e seus amigos que haviam deixado de mentir.
_O que é isso? (disse Erilufc).
_Este atenalp jamais será governado por alguém como você, Erilufc! (disse o verdadeiro).
_Hum! Pois pra mim vocês todos não passam de uns insetos! (disse Erilufc).
O verdadeiro e seus amigos vinham de outra direção, pois a própria Imaginação havia dito para que eles ajudassem Lara e seus amigos.
_Verdadeiro? (disse Lara).
_Sim, Lara! Eu e meus amigos estamos aqui para ajudar! (disse o verdadeiro).
_Obrigada! Obrigada mesmo! (disse Lara).
Agora Lara estava sendo defendida dos ataques de Erilufc.
_Vocês não me dão medo! Eu sou mais forte do que qualquer ser que exista neste atenalp! (disse Erilufc).
Erilufc voou na direção da menina para atacá-la, mas o verdadeiro e seus amigos concentram a chama ígnea. Enquanto Erilufc vinha se aproximando deles, em questão de segundos ela começara a entrar em chamas. Era a chama ígnea. Então Erilufc saiu voando em direção ao castelo de gelo, pois os cúbix já o haviam reconstruído. Ao chegar no castelo de gelo Erilufc fez outra citação das trevas.
“Quantum nordes
feris marxes est
noca maras
demos quastes
frigius losteristus
mamefios quad merum
isto cordes isto leres
guapa reris malegórdia
transferasis miagortas
densos lasis”
Depois de fazer esta citação, outro espelho maior do que o primeiro que surgira antes aparecera. Desta vez não eram os cavaleiros que vinham do espelho e sim as peças gigantes de xadrez. Quando Lara viu aquelas peças enormes vindo em sua direção e na direção de todos os que estavam batalhando ela disse.
_Santa Imaginação! Carambolas com açúcar!
Os cavaleiros negros abriram espaço para que as peças de xadrez gigantes pudessem passar. Corax e os urubus pararam de lutar contra os cavaleiros negros e começaram a voar até o topo das peças de xadrez.
_E agora? O que faremos? (perguntou um dos urubus brancos).
_Pois bem! Faremos um buraco neste chão de gelo! Só assim as peças de xadrez cairão nesse buraco e se afundarão na água gelada! (respondeu Corax).
_E como vamos fazer isso? (perguntou um dos urubus pretos).
_Não se preocupem! Conheço uma citação que o nosso rei me ensinou! (disse Corax).
_E que citação é essa? (perguntou outro dos urubus brancos).
_Esta citação! Cada palavra que eu disser vocês todos repitam, certo? (disse Corax).
_Sim, senhor! (responderam os urubus).
Então Corax começou a fazer a citação. Conforme Corax dizia as palavras, os urubus iam repetindo.
“Capa preta
nuvem branca
guarda-chuva
guerra solta
paz do nunca
ventos norte
sopro forte
penas fortes
bico amarelo
roupa fria
aparência dos sete
pés revoltados
triste manhã
relógio de areia
digníssima!
transformai-nos
á tua imagem
e à tua semelhança”
De repente, Corax e os outros urubus transformaram-se em cavaleiros. Corax havia guardado este segredo apenas para si, pois Glácius havia ensinado essa citação para quando fosse necessário. Os urubus brancos se transformaram em cavaleiros de armadura branca e os urubus pretos se transformaram em cavaleiros de armadura preta, só que dava para perceber ao longe quem eram os cavaleiros negros de Erilufc e os cavaleiros negros de Corax. Sendo assim, Corax foi até um certo ponto e então os seus cavaleiros o seguiram. Quando Corax chegou no lugar onde queria, ele disse.
_Pois bem! Agora usem suas espadas para fazerem um buraco bem grande.
Os cavaleiros começaram a usar suas espadas para fazer um buraco. Enquanto isso, Erilufc estava sentada no trono de gelo do castelo do rei Glácius.
_Eu serei a governadora deste atenalp! (disse Erilufc).
Glácius, Miaclabut e os filhos dele continuaram a lutar contra os leões. Erilufc sabia que o número de leões estava bem menor do que antes. Sendo assim, Erilufc bateu palmas e disse algumas palavras mágicas em alta voz.
_Laborforum Ergmastum!
De repente, os leões começaram a ser revestidos de uma armadura dourada e diferentes armas para lutar. Desta vez as coisas estavam ficando mais difíceis, pois agora os leões estavam equipados com armaduras de ouro e armas para combater.
_Nossa! O que é isso? (perguntou o cavaleiro de armadura azul).
_Como foi que esses leões se muniram com essas armaduras e armas de uma hora pra outra? (disse o cavaleiro de armadura preta).
_Agora não importa! O que importa neste momento é que precisamos continuar lutando! (disse Miaclabut).
_Onde está o nosso rei Glácius? (perguntou Lupus).
_Não sabemos! (respondeu o cavaleiro de armadura amarela).
_Será que ele seguiu Erilufc até o castelo de gelo? (perguntou o cavaleiro de armadura branca).
_Talvez sim! Talvez não! (respondeu Miaclabut).
_Vocês ficam aqui lutando que eu vou até lá! (disse Lupus).
_Não seria melhor ficar aqui lutando conosco? (perguntou Miaclabut).
_Tenho certeza de que vocês darão conta! (disse Lupus).
_Tudo bem, então! (disse MIaclabut).
Lupus correu em direção ao castelo de gelo. Seus irmãos ficaram lutando contra as feras. Os cúbix estavam ajudando Lara para que Trios não lhe fizesse nenhum mal. O verdadeiro e os seus irmãos também estavam ajudando.
_Saiam da minha frente! Esta luta é minha! (disse Trios).
_Não sairemos! (respondeu o verdadeiro).
_Se não querem sair por bem, sairão por mal! (disse Trios).
Então Trios começou a cuspir mais bolas de papel. As bolas de papel transformaram-se em mais bonecos de papel. Lara estava sendo protegida por muitos agora. Trios ordenava que os bonecos atacassem Lara, mas os bonecos não conseguiam, pois os cúbix colocavam-se na frente para bloquear a passagem até Lara. O fogo que saia da boca dos bonecos não derretia a matéria dos cúbix, pois o fogo que lhes saia da boca era superficial. Enquanto Lara era protegida pelos cúbix e pelos verdadeiros, ela fazia bolas de neve, e atirava nos bonecos. De um por um Lara conseguia acertar todos os bonecos que podia, até que não sobrou mais nenhum. O vagalume continuava distraindo os leões.
Glácius chegou até o castelo de gelo e entrou nele. Ao chegar ao lugar onde se encontrava seu trono, Glácius viu Erilufc sentada.
_É isso mesmo! Eu sou a rainha de todos, e todos devem se submeter a mim! (disse Erilufc).
_Pare de dizer bobagens! Você acredita que um reino só poder ser construído à base de ordens? (disse Glácius).
_Não! Á base de ordens, não. Mas à base de ameaças, sim! (respondeu Erilufc).
_Você é uma louca! (disse Glácius).
_As pessoas só sabem obedecer quando suas vidas estão sendo colocadas em risco. Não concorda? (disse Erilufc).
_Não! (respondeu o rei).
_E porque você não concorda? (perguntou Erilufc).
_Porque somente o amor é que deve prevalecer! (respondeu Glácius).
_Que coisa mais meiga! (disse Erilufc).
_Pare de zombar de mim! (gritou o rei).
_Eu estou com a sua espada! Venha aqui tomá-la de mim! (disse Erilufc).
Glácius irritou-se sobremodo e correu em sua direção, no entanto, ela voou por cima dele e depois pousou no chão.
_Lute como se deve, sua desgraçada! (disse Glácius).
_Você acha mesmo que eu vou deixar você tocar em mim? (disse Erilufc).
_Não vou desistir até que eu te veja morta! (disse Glácius).
_Ha, ha, há! Eu não morro nunca! (disse Erilufc).
Então Glácius gritou com maior veemência e assim correu em sua direção. A razão havia-lhe fugido. Somente o ódio por um ser tão desprezível achava-se em seu coração. Glácius sempre costumava dizer que um rei deveria ser equilibrado. Para o azar do dele, esse ensinamento fora esquecido facilmente. Erilufc o traspassou com sua própria espada de gelo.
_Quem diria! Um rei como você derrotado por sua própria espada! (disse Erilufc).
O sangue começara a escorrer pela boca.
_É isso mesmo! Em breve você vai morrer, meu caro amigo! (disse Erilufc).
_Eu não sou seu amigo! (disse Glácius).
Erilufc retirou a espada de dentro dele e depois deu-lhe um soco bem forte fazendo-o cair no chão. Depois de cair no chão Erilufc, voou por cima dele e sentou-se em cima dele. Ela começara a bater em seu rosto com muita força. Enquanto ela lhe espancava brutalmente, ele se lembrava dos doces momentos em que ele passara com sua esposa e seu filho.
Capítulo 22
(Confissões de um Rei)
Erilufc espancou-o tanto que ele ficara inconsciente. Ela, então, tirou o anel de seu dedo e o colocou no dedo indicador de sua mão direita. Agora, Erilufc era a dona legítima do anel. Lupus, que estava vendo tudo, avançara em Erilufc, no entanto, ela acabara saindo do castelo. Enquanto ela estava voando, Lupus começou a tentar reanimar seu senhor e rei.
_Meu rei! Meu rei! Acorde! Meu rei! (exclamou Lupus).
No entanto o rei Glácius não acordara. Sendo assim, Lupus voltara para a guerra. Assim que Lupus chegou até o lugar onde os amigos de Lara estavam, ele disse em alta voz.
_O rei Glácius está morto!
Então Lara escutou a notícia e saiu do meio dos verdadeiros e dos cúbix e assim correu em direção ao castelo. Lara foi sozinha, enquanto os seus amigos ficaram lutando ferrenhamente. Assim que ela chegou até o castelo, a menina subiu até a parte de cima do castelo para ver o rei Glácius. Lara aproximou-se dele e lhe disse.
_Agora não é hora de dormir para sempre! Precisamos de você! (disse a menina chorando).
_O que um rei como eu poderia fazer de justo agora? (disse-lhe Glácius recobrando a consciência).
_Você me ensinou que um verdadeiro rei não desiste de suas batalhas, mesmo que elas pareçam ser impossíveis! (disse-lhe a garota).
_Estamos perdidos, Lara! A guerra está acabada, e quem venceu foi Erilufc! (disse-lhe o rei).
_Não! Não diga isso! Carambolas! Você me ensinou tanta coisa!
_Escute-me, Lara! Vou dizer uma coisa pra você e quero que você guarde segredo!
_O quê? (perguntou Lara desmoronando em lágrimas).
_Peça à Imaginação que liberte a minha adorável esposa! (disse-lhe o rei).
_Tudo bem! Mas onde está a sua esposa? (perguntou Lara).
_Ela está lá em cima no Reino das Luzes! A Imaginação a trancafiou porque eu pedi a ela para que a guardasse em segurança! (respondeu-lhe o rei).
_Mas como é que se chama a sua esposa? (perguntou Lara).
_Ela nunca me disse o nome dela!
_Tudo bem!
_Ah! Tem mais uma coisa que eu preciso dizer a você! (disse o rei).
_Pode dizer! (disse-lhe Lara).
_Meu nome nunca foi Glácius! (disse o rei).
_Como assim? (perguntou Lara confusa).
_O meu verdadeiro nome é Miac! (disse o rei).
_Carambolas! Então você é o homem que matou o próprio irmão chamado Leba? (perguntou-lhe Lara).
_Sim! (respondeu-lhe o rei).
_Mas como você pode estar vivo desde o primeiro milênio? (perguntou Lara).
_Foi a marca que a Imaginação colocou em mim! (disse-lhe o rei).
_Então a marca que você recebeu te deu vida eterna? (perguntou Lara).
_Sim! Mas se porventura eu fosse atingido pela minha própria espada, eu morreria! Esta foi a condição que a Imaginação me deu! (disse-lhe o rei com a respiração ofegante).
Capítulo 23
(A Guerra Continua)
_Erilufc acertou você com a sua própria espada?
_Sim! Agora, a única coisa que me resta é a morte! (respondeu Miac enquanto escutava o som da guerra).
_Não diga isso! Você ainda vai viver! (disse-lhe a menina tentando engolir o choro).
_Apenas faça o que eu lhe pedi! (disse-lhe Miac).
_Tudo bem! (disse Lara limpando as lágrimas).
Então Miac suspirou profundamente e dormiu para sempre. Lara começou a chorar mais ainda. O corpo de Miac desintegrou-se em pequenos flocos de neve. Lara ficou apenas olhando os flocos de neve voarem pelos ares de uma forma poética.
_Sua morte não será em vão! (disse Lara consigo mesma).
Então Lara saiu do castelo e voltou ao cenário de guerra. Desta vez Erilufc estava mais poderosa, pois agora o anel que controlava os cúbix estava com ela.
_Agora sigam as minhas ordens! Matem todos! (disse Erilufc).
Os cúbix passaram a lutar do lado de Erilufc. Lupus avisou a todos os amigos de Lara que Erilufc agora estava com o anel de seu antigo senhor e rei. Os cúbix começaram a matar os verdadeiros, um por um, até que restasse somente o verdadeiro principal. Corax e seus cavaleiros continuavam a lutar contra os cavaleiros negros. Os leões estavam perseguindo Lara que vinha na direção de seus amigos. Trios procurou por Lara, porém não a encontrou. Miaclabut e seus filhos estavam agora ajudando Corax e seus cavaleiros a derrotarem os cavaleiros negros.
Lara foi até onde os cavaleiros negros estavam e ativou o poder de seu anel. O anel brilhara intensamente dissipando os cavaleiros negros, de maneira que todos desaparecem em um piscar de olhos. Agora, Corax e seus cavaleiros juntamente com Miaclabut e seus filhos deveriam lutar contra os as feras selvagens, no entanto, eles não o fizeram, pois eles tinham que fazer um buraco enorme para que as peças de xadrez caíssem no buraco e submergissem na água gelada que havia por baixo. As peças de xadrez eram muito lentas para se moverem, o que deu tempo o suficiente para que os cavaleiros fizessem um buraco no chão de gelo. Quando as peças de xadrez se aproximaram, a maioria caiu dentro do buraco e submergiu-se na água gelada. Lara olhou para o céu e disse em alto e bom som.
_Santa Imaginação! Escute a minha prece! Traga de volta a esposa de Miac para que ela possa nos ajudar!
Assim que Lara terminou de pronunciar essas palavras uma coisa caiu do céu. Era um bloco de gelo com um esqueleto do lado de dentro. Os amigos de Lara não olharam para cima por causa da guerra, mas Lara, sim. Quando o bloco de gelo colidiu com o chão de gelo, o cubo de gelo partira-se em dois aos poucos. Assim que o bloco de gelo se desfez por completo o esqueleto começou a se mover por conta própria.
_Onde estou? Onde está o meu amado? (perguntou o esqueleto olhando em redor de si).
Lara se encontrava por perto e então ela lhe disse.
_Você está se referindo ao rei Glácius, não é? (perguntou Lara).
_Sim! Você sabe onde ele está? (perguntou-lhe o esqueleto).
_Receio dizer, mas ele se foi! (respondeu Lara).
_Como assim?
_Ele foi derrotado por Erilufc! (respondeu Lara).
_Não! Não pode ser!
_Eu sinto dizer sobre isso!
_Não se preocupe, minha cara!
Então o esqueleto começara a pronunciar algumas palavras mágicas.
“Carne
tendões
ossos
nervos
devolvei-me o vigor
que outrora eu tivera”
Depois de dizer essas palavras, os nervos, as veias, a carne e os tendões começaram a revestir os ossos. Lara estava apenas observando o que estava acontecendo diante de seus olhos. Em poucos instantes o esqueleto havia se transformado em uma bela mulher de cabelo ruivo e olhos de cor cereja.
_Mas quem é você? (perguntou Lara).
_Meu nome é Missa! (respondeu-lhe a mulher).
_Você era esposa de Glácius? (perguntou Lara novamente).
_Sim!
_Você me disse o meu nome, mas não falou para Glácius como era o seu nome. Porquê? (perguntou-lhe a menina).
_O fato de eu nunca ter dito o meu nome para ele era porque eu era a única mulher da atenalp com este nome.
_Sim, mas e daí? (perguntou-lhe novamente).
_Eu não queria que ele soubesse que eu também era uma assassina. (disse-lhe a mulher).
_Foi por isso que você nunca mencionou o seu nome para Glácius? (perguntou Lara).
_Sim! Mas este não era o motivo principal. (respondeu-lhe).
_E qual era o motivo principal? (perguntou-lhe novamente).
_Os assassinos de minha terra tinham uma marca no rosto. Essa marca era feita a ferro quente. Miac não sabia disso, mas ele sempre desconfiara da marca que carrego em minha face. (disse-lhe a mulher).
_E o que você disse pra ele? (perguntou Lara curiosa).
_Eu disse a ele que fora um acidente. (respondeu-lhe Missa).
_Mas o que teria acontecido caso ele soubesse da verdade? (perguntou-lhe a menina).
_Provavelmente ele teria me abandonado e eu ficaria solitária e refém de minha paixão por ele. (respondeu-lhe).
_Quem você matou? (perguntou-lhe Lara).
_Não posso dizer! (respondeu-lhe a mulher desviando-lhe o olhar).
_Pelo visto, você devia ser muito querida por Glácius. (disse Lara).
_Sim! Eu era! Mas infelizmente é tarde demais! Onde está Erilufc? (perguntou-lhe Missa).
_Ali está ela! (respondeu Lara).
_Vou acabar com ela de uma vez por todas! (disse Missa energicamente).
Então Missa aproximou-se de Erilufc. Erilufc estava de costas para ela. Quando ela se virou, viu que era Missa, a esposa de Miac. Então ela disse.
_Há quanto tempo, minha cara?
_Não seja cínica! Você matou o meu marido, sua desgraçada! (disse Missa exaltada).
_Exatamente! E com muito prazer! (disse-lhe Erilufc).
_Miserável! Você vai pagar pelo que fez! (disse Missa).
Então Missa uniu as duas mãos fazendo com que uma espada de gelo aparecesse.
_É uma bela espada! Igualzinha a esta que eu estou segurando. (disse Erilufc).
_Nesta luta apenas uma de nós sobreviverá! (disse Missa).
_E com certeza serei eu! (disse Erilufc).
Missa e Erilufc começaram a confrontar-se. Ambas as espadas eram rígidas. Glácius havia fabricado uma espada para ele e outra para sua esposa, pois ele havia ensinado sua esposa a caçar com sua própria espada. Erilufc se esquivava dos golpes que Missa tentava-lhe acertar. Missa realmente estava determinada a matar Erilufc. Enquanto isso, as outras peças de xadrez estavam avançando com muita dificuldade em direção ao castelo de gelo. Os buracos, os quais foram feitos para sucumbir as peças de xadrez não foram suficientes para derrotá-los.
_Vejam, meus filhos! As peças de xadrez estão se movimentando em direção ao castelo! (disse Miaclabut).
_Deixe que elas vão, meu pai! Afinal, não tem mais ninguém no castelo mesmo! Temos de continuar a batalha! (disse o cavaleiro de armadura amarela).
Miaclabut e seus filhos começaram a batalhar contra os leões revestidos de armadura. Suas espadas colidiam com a armadura que eles estavam usando. Era muito difícil acertá-los daquela maneira. Trios estava apenas observando a batalha. Por um momento ele pensou consigo mesmo.
_Mas o que eu estou fazendo no meio dessa guerra toda?
Lara começou a procurar pelo escorpião e pelo vagalume também.
_Escorpião? Vagalume? Onde estão vocês? (exclamou Lara em alta voz).
Lara olhou para o chão de gelo e viu minúsculas pegadas. Eram as pegadas do escorpião. Lara seguiu as pegadas até que ela encontrou o encontrou.
_Ai! Graças à Imaginação! O que você está fazendo aí? (perguntou Lara).
_Estou tentando me esconder dos leões! Eles estão mais perigosos ainda! (respondeu o escorpião).
_E você sabe onde está o vagalume? (perguntou Lara).
_Certamente deve estar voando por aí! (respondeu o escorpião).
Depois que o escorpião respondera à pergunta de Lara, um dos bonecos de Trios cuspiu fogo na direção do escorpião. O escorpião começara a pegar fogo e então, ele começara a correr de lá para cá. Lara tentou fazer alguma coisa, mas o escorpião acabara virando cinzas.
_Não pode ser! Mais um amigo adormecido para sempre! (disse Lara chorando compulsivamente).
Então ela concentrou a chama ígnea e fez com que todos os bonecos de Trios pegassem fogo.
_Sua tola! Você sabe muito bem que você não pode me vencer! (disse-lhe Trios enquanto aproximava-se dela).
À essa altura, os bonecos de Trios que estavam imunes da chama ígnea de Lara foram amassados pelos leões ferozes que estavam batalhando acirradamente. Uma vez amassados, os bonecos não tinham mais nenhuma mobilidade, ou seja, estariam impossibilitados de se locomoverem.
_Você já foi longe demais! (disse Lara).
Então Lara começou a correr em direção a Trios. Antes de Lara aproximar-se de Trios, ele transforma-se em um tigre revestido com sua armadura de papel. Lara afastou-se de dele por um certo momento.
_Agora você sabe porque Aznic me desenhava como tigre! (disse Trios).
_Eu não tenho medo de você! (disse Lara).
_Então porque não veio até mim? (disse Trios).
_Você é um monstro! (disse Lara).
_Não! Eu sou um tigre, e vou devorar você! (disse-lhe Trios).
_Você é um pobre coitado que não tem quem o ajude! (disse Lara).
_Eu nunca precisei da ajuda de ninguém! (disse Trios).
_Isso é o que você diz! (disse Lara).
_Você quer saber porque eu uso esta armadura de papel? (perguntou-lhe Trios).
_Não me interessa! (disse-lhe Lara rispidamente).
_Mesmo assim eu vou lhe dizer! Esta armadura pode se transformar no que eu quiser! (disse-lhe Trios).
_Eu já disse! Não me importa! (disse Lara).
_Ah, você poderia ser um pouco mais educada! (disse Trios).
Então Trios despiu-se de sua armadura. De repente, a armadura de papel transformara-se em uma barata.
_Você sabe quem foi que matou Baratildo? (perguntou-lhe Trios).
_Pare já com isso! (disse Lara).
_Eu te fiz uma pergunta! (disse Trios).
_Eu não vou responder nada pra você! (disse Lara).
_Já que você é tão corajosa, destrua esse pedaço de papel! (disse-lhe Trios em tom de provocação).
_Pare com isso! Você está se aproveitando da fraqueza dos outros! (disse Lara).
_Você é tão fraca quanto boba! (disse-lhe Trios).
Então Trios avançara em sua direção, mas Miaclabut não o permitira.
_Daqui você não passa! (disse Miaclabut).
_Saia da minha frente! (disse-lhe Trios em um tom ameaçador).
_Só por cima do meu cadáver! (disse-lhe Miaclabut).
Então os outros filhos de Miaclabut cercaram Trios, de maneira que ele não tinha para onde escapar. O papel que havia se transformado em uma barata semelhante ao Baratildo começara a cuspir fogo em direção aos cavaleiros, mas eles se defenderam. Sendo assim, Lara foi até o buraco que os cavaleiros fizeram e pegou uma certa quantidade de água com a boca. Lara voltou para o lugar onde estavam Trios e o seu boneco de papel. Quando o boneco cuspiu fogo novamente, Lara cuspiu a água gelada em direção ao boneco, o qual acabara ficando molhado. Desta vez o boneco não servia mais para nada.
_O que você fez com o meu boneco? (perguntou Trios).
_Você disse que os seus bonecos resistem ao fogo, mas você não disse que eles não resistiam à água! (disse Lara).
_Sua maldita! Como foi que descobriu? (perguntou-lhe Trios).
_Digamos que eu tenha uma mente bem criativa. (respondeu-lhe Lara).
_Sua maldita! Você acabou com a minha armadura! (disse Trios).
Trios perdera a paciência e assim avançara em direção à Lara para atacá-la. Então Miaclabut e seus filhos apontaram suas espadas em direção a Trios para o perfurarem. Trios desviou-se do ataque dos cavaleiros, no entanto, para o seu azar, um buraco que havia sido aberto por um dos leões ferozes engoliu-lhe. Trios começou a clamar por socorro, mas Lara e seus companheiros ficaram apenas olhando para ele enquanto afundava na água. A água que havia debaixo do gelo era tão gelada que Trios acabara dormindo para sempre em questão de poucos segundos devido à hipotermia. Lara olhou para trás e enxergou o vagalume se desviando dos leões. De repente, uma das peças de xadrez movera-se rapidamente e acabou esmagando o pobre vagalume.
_NÃO! VAGALUME! (disse Lara correndo em direção até ele).
No entanto, era tarde demais, pois o pobre inseto estava completamente esmagado. Lara chorou copiosamente e disse.
_Quantos amigos a mais eu terei de perder? (disse Lara consigo mesmo sentindo o coração cada vez mais apertado).
Lara estava cansada de tanto perder amigos. Mas em uma guerra, pode-se esperar que qualquer coisa aconteça, principalmente o fato de perder aqueles a quem você tanto ama. Agora que Trios estava morto só restava derrotar os leões, os cúbix, as peças de xadrez e Erilufc. Quando se está numa guerra qualquer coisa pode ser uma arma mortal. Erilufc continuava a batalhar contra Missa. Missa estava empenhando todas as suas forças para derrotá-la. No entanto, Erilufc tinha mais força e rapidez para locomover-se. Corax e seus guerreiros estavam batalhando contra as feras armadas. Agora faltavam poucas para se matar. Depois de alguns minutos, Corax e seus guerreiros mataram o restante de leões que haviam na guerra. Quando Erilufc viu que todos os leões haviam sido derrotados ela irou-se sobremodo e então ordenou que os cúbix atacassem a todos os cavaleiros. Agora os cavaleiros teriam de lutar contra os cúbix.
_Vamos! Não temos tempo a perder! Maior é aquela que está conosco! Pela Imaginação! (gritou Miaclabut).
Então Corax e os demais cavaleiros gritaram em uma só voz.
_PELA IMAGINAÇÃO!
Todos os cavaleiros avançaram em direção aos cúbix. Lupus e seus irmãos ajudaram os cavaleiros a derrotar os cúbix. Mas uma coisa era esquisita. Era que quantos mais cúbix caíam no chão, mais deles apareciam do nada. Erilufc estava controlando o poderoso anel que antes pertencia ao rei Glácius. Lara estava correndo em direção ao castelo. Ao chegar, Lara subiu até o topo e disse.
_Santa Imaginação! O que eu devo fazer agora? (disse Lara).
Então a Imaginação lhe disse.
_APENAS REPITA AS MESMAS PALAVRAS QUE EU IREI DIZER! (disse-lhe a Imaginação).
_Certo! (concordou a menina).
A voz da Imaginação começou a sussurrar aos ouvidos de Lara. Então Lara começou a recitar as palavras.
“Ferramentas preparadas contra mim não prosperarão
ferramentas forjadas contra mim não permanecerão de pé
ferramentas preparadas contra mim não prosperarão
ferramentas forjadas contra mim não permanecerão de pé”
Então sobreveio um terremoto tão forte que as peças de xadrez caíram ao chão e não conseguiram mais levantar-se. As peças se transformaram em pó em questão de segundos. Os cavaleiros seguraram-se uns nos outros para não caírem. Erilufc escorregou e caiu ao chão. Missa aproveitou a oportunidade e cravou-lhe a espada no estômago. No entanto, Erilufc começou a sorrir.
_Você acha que uma espada fraca como essa poderia me derrotar? (disse Erilufc).
_Cale a boca! (exclamou Missa).
_Não se esqueça de quem eu sou! (disse-lhe Erilufc).
Então Erilufc tocou o dedo no qual estava seu anel na testa de Missa. Missa começou a congelar-se aos poucos até virar uma estátua de gelo. Depois que Missa transformara-se em uma estátua de gelo Erilufc a empurrou com o dedo indicador. A estátua caíra no chão e tornara-se em pedaços.
_Você sempre foi ridícula assim como o seu marido! (disse Erilufc dando gargalhadas).
Os cúbix estavam em maior número e os cavaleiros de Corax estavam em desvantagem. Os cavaleiros de Corax começaram a ser derrotados pelos cúbix, um por um. Erilufc pegou a espada de Missa e fez uma citação.
Torbistai
Merferemanum
Orbliteratios
Quenaribercus
Frudiférius
Equimalefe
As duas espadas fundiram-se tornando-se em uma só. Desta vez a espada estava mais poderosa do que nunca. Então Erilufc foi até os cavaleiros de Corax e de Miaclabut.
_Vocês já me causaram problemas demais! (disse Erilufc).
Erilufc estendeu a sua espada e um poder muito forte emanou dela. Esse poder atingiu a todos os cavaleiros, inclusive Corax e Miaclabuti. Todos os cavaleiros foram congelados num piscar de olhos. Os cúbix passaram por cima de todos os cavaleiros congelados. Desta vez não restara um cavaleiro de pé para poder continuar lutando. Lara viu de longe o que se sucedia. Desta vez não havia ninguém que pudesse defendê-la. Erilufc olhou em direção ao castelo de gelo e disse.
_Soldados! Ataquem o castelo e tragam a menina viva para mim!
Então os cúbix começaram a andar em direção ao castelo. Lara estava pensando em algum plano, mas nada lhe viera à sua pobre cabecinha pensante.
_Carambolas! Carambolas! O que eu vou fazer agora? (disse Lara consigo mesma).
Lara ficara andando para lá e para cá, mas nenhuma ideia lhe viera à cabeça. A cada minuto que se passava os cúbix se aproximavam.
Capítulo 24
(Agora só Somos Nós)
_Santa Imaginação! Eu estou sozinha agora! O que vai acontecer comigo? (exclamou Lara).
_NÃO SE PREOCUPE, LARA! APENAS OLHE E VEJA O QUE VAI ACONTECER! (disse-lhe a Imaginação).
Então, eis que começara a chover, como acontecia na terra natal de Lara. Os cúbix começaram a derreter-se até que não sobrara nem um. Até mesmo a espada de Erilufc derreteu-se também. Erilufc ficara muito zangada pelo fato de a Imaginação ter enviado a chuva.
_AH! Você tem que dificultar tudo, não é? É sempre você! (disse Erilufc olhando para cima em tom de provocação).
Erilufc fez um esforço e então começam a sair escaravelhos de seus olhos. Então ela transformou-se em uma criatura horrorosa. A partir daquele momento, não havia mais uma mulher belo e formosa na frente de uma menina meiga. A criatura que estava diante de seus olhos era uma fera de três cabeças com duas asas e uma cauda em forma de serpente negra. Lara ficara com muito medo ao ver a verdadeira aparência de Erilufc. Então Lara saiu do castelo. Erilufc destruiu o último verdadeiro que ainda se encontrava ali de uma forma fria e brutal. Ela olhou para Lara e lhe disse.
_Desta vez você não me escapa!
Lara começou a correr na tentativa de distanciar-se de Erilufc. Ela correu atrás da menina, no entanto, Erilufc não a alcançou. Lara começou a correr com todas as suas forças. Seu medo era tão grande que dava pra sentir seu coração bater bem forte. Erilufc podia falar pelas três cabeças. Então a criatura soltou pela primeira boca várias serpentes que começam a arrastar-se em direção a Lara. A menina recobrou o fôlego e continuou correndo com mais intensidade. As serpentes estavam aproximando-se dela. Ainda estava chovendo na Cidade de Gelo e Erilufc escorregava de vez em quando. Isso estava ajudando Lara a fugir de dela. Depois que Lara tomou uma certa distância, ela começou a fazer umas bolas de neve.
_Hum! Você sabe muito bem que essas brincadeiras de criança boba não funcionam contra mim! (exclamou a criatura).
Lara estava tão cansada que não tinha fôlego para falar. Ela começou a atirar as bolas de neve em Erilufc. Erilufc ficara zangada e então correu atrás da menina com mais intensidade e sede de sangue. No entanto, ela estava escorregando tanto quanto podia correr. Isso era uma vantagem para Lara, pois permitia que ela pensasse em algum plano. Lara olhou para distante e enxergou os dois espelhos gigantes que ainda estavam no começo da cidade. Ela seguiu em direção aos espelhos. Ao passar pela criatura, Lara deu uma ziguezagueada e assim desviou-se de suas garras. Por pouco Erilufc, quase havia pego a menina. Ao chegar no lugar onde estavam os espelhos, Lara encostou-se em um deles. Ela ficou rodeando o objeto. A criatura a seguia, mas não conseguia pegá-la, pois Lara rodeava o espelho intencionalmente.
_Ah, maldita! Pare de brincar comigo! (exclamou a criatura).
_Vem me pegar, seu bicho feio! (disse Lara em tom de provocação).
Então Lara correu em direção ao castelo novamente. Erilufc foi seguindo-a. Lara corria sem sequer olhar pra trás. Erilufc bateu as asas e começou a voar em sua direção. Lara olhou para cima e viu que a criatura vinha em sua direção. A criatura preparara-se para atacá-la, no entanto, a menina abaixou-se e esquivando-se de seu ataque. Então a criatura aterrissara no chão e assim continuara a correr atrás dela. Lara não sabia o que fazer, senão gritar por socorro. Quando Erilufc estava prestes a alcançá-la, o anel de Lara brilhou intensamente e ofuscou a visão de Erilufc.
_Ah! Maldita! (exclamou a criatura).
Lara chegara de volta ao castelo. Ela, então, escondera-se no porão do castelo. Erilufc entrou no castelo e começou a farejar pelo cheiro da menina. No entanto, ela subiu em direção ao segundo andar. Enquanto isso, Lara olhou e viu a criatura monstruosa subindo em direção do topo do castelo.
_Onde está você, Lara? Não me obrigue a ter que buscá-la! Eu vou beber todo o teu sangue! (disse a criatura com sua voz monstruosa).
Lara levantou-se e saiu bem devagar para que a criatura não a percebesse. Então ela começou a correr em direção aos espelhos novamente. Quando Erilufc chegara até o topo, ela conseguira enxergá-la de longe correndo em direção aos espelhos gigantes.
_Ah, maldita, eu vou te rasgar ao meio!
Então ela abriu as asas e voou em sua direção. Lara continuava correndo. Erilufc preparou-se mais uma vez para atacar a menina, mas Lara se desviara e continuara correndo. Então, eis que cessara de chover e começara a chover pedras de fogo em direção à Cidade de Gelo. As pedras ígneas atingiam o chão de gelo e formavam buracos enormes. Desta vez seria mais difícil correr pelo chão. Lara ficou rodeando os espelhos. Erilufc derrubou os espelhos fazendo-os caírem no chão e se quebrarem. Lara pegou um dos cacos de vidro sem que a criatura percebesse e saiu correndo. A menina foi ziguezagueando para não cair na água gelada.
Erilufc foi correndo e pulando de lá para cá para não cair também na água gélida. Ao conseguir alcançar Lara, a criatura avançou e a derrubou por terra. Erilufc ficou por cima da pobre garota e tentou mordê-la. Neste exato momento, ela usou o caco de vidro e perfurou o olho esquerdo da primeira cabeça. Erilufc afastou-se e ficou se contorcendo de tanta dor.
_Sua maldita! Você vai me pagar por isso! (exclamou o monstro).
Lara aproveitara a ocasião e aproximou-se da criatura horrenda para furar o olho direito da primeira cabeça. O sangue jorrou mais ainda. Agora somente a cabeça da direita e a cabeça da esquerda podiam enxergar. Desta vez estava mais difícil para Erilufc, pois seu alcance de visão fora prejudicado. Lara afastou-se. O monstro tentara atacá-la com suas garras afiadas, mas não conseguira. Então a criatura usou sua cauda em forma de serpente para atacar a menina. A serpente movia-se de um lado para o outro, na tentativa de atacar durante várias vezes, no entanto, Lara esquivara-se de todos os seus ataques. A serpente, então, começara a cuspir fogo. Lara afastou-se da cauda e interpôs-se na frente da criatura. Escorpiões negros saíram da primeira cabeça. Eles tentaram atacá-la com suas ferroadas, mas Lara foi mais esperta e ficou correndo para lá e para cá. Depois de ter esmagado todos eles, a segunda cabeça cuspiu serpentes vermelhas que foram em sua direção. Lara ativou a chama ígnea e fez com que todas serpentes pegassem fogo. Em seguida, a terceira cabeça começara a cuspir aranhas. Lara chutou as aranhas fazendo-as caírem dentro dos buracos. Como havia água gelada debaixo do chão da Cidade de Gelo as elas morreram congeladas.
Erilufc bateu suas asas de tal maneira que Lara foi jogada feito uma pena em direção a um dos buracos que tinha ali perto. Ela empenhou todas as suas forças e saiu depressa do buraco, pois a água era muito gelada. A menina quase ficara paralisada pela temperatura das águas. No entanto, o poder da chama ígnea fez com que seu corpo se aquecesse de forma automática.
_Você não vai escapar de mim! (disse-lhe Erilufc).
Então começara a fazer uma citação.
“Maldição que arrasa
Morte dos quatro
Maldade de um
Mentira dos oito
Traição dos sete
Assassinato dos três
Discórdia dos nove
Luxúria dos cinco
Queda dos dois
Praga dos seis
Vinde e habitai em mim”
Após ter recitado tais palavras, a criatura rasgou-se de alto a baixo em duas partes. O sangue salpicara o rosto inocente de Lara. Então saiu um ser esquisito, metade mulher, metade centopeia. Os cabelos transformaram-se em centopeias que se moviam-se de forma peçonhenta. Lara ficara tão aterrorizada quando viu a aberração que seu corpo ficara paralisado por alguns segundos.
_Carambolas! Você está mais feia ainda! (disse Lara).
Então Erilufc cuspiu centopeias no chão. Mas desta vez, as centopeias tinham um rosto, parecido com o rosto de Erilufc em sua forma humana. As centopeias começaram a arrastar-se em direção até a menina. Lara começou a fugir das centopeias. Algumas centopeias caíam no buraco e morriam congeladas. Lara pisava em cima das outras centopeias.
_É só isso que você tem? (perguntou Lara).
Então Erilufc fez aparecer um machado negro enorme em sua mão direita.
_Ai, carambolas, pra que eu fui perguntar? (disse Lara consigo mesma).
Então Lara tentara fugir. Erilufc tentou acertá-la, porém, não conseguiu. Desta vez Erilufc tinha mais velocidade, pois era metade centopeia e metade mulher. A menina tentou correr o mais depressa que pôde, mas Erilufc enrolou-a com suas duas presas que possuía no final do corpo de centopeia.
_Agora eu vou beber todo o seu sangue! (exclamou Erilufc exalando terror diante de seus olhos).
_Me solta! (exclamou Lara).
_Um milênio é muito pouco para descrever a desgraça que está prestes a acontecer! (disse-lhe Erilufc).
No momento em que Erilufc preparava-se para destruir a pobre menina, uma luz resplandecente surgira do céu.
Capítulo 25
(Vamos acabar com isso!)
Erilufc olhou bruscamente para o céu.
_NÃO! NÃO PODE SER! FIQUE FORA DISSO! (ela exclamou).
Eis que a Imaginação descia majestosamente do céu. A Imaginação era uma mulher negra e belíssima com um belo vestido branco enfeitado com pérolas e lindas joias. Seu perfume exalava tamanha fragrância a quilômetros. Seu cheiro lembrava o cacau. Lara ficou muito emocionada ao finalmente ver a própria Imaginação. Então a Imaginação olhou para Erilufc e lhe disse.
_Solte-a!
_Não a soltarei! (disse Erilufc em um tom repulsivo).
A Imaginação estalou os dedos. Erilufc ficara paralisada. Então a Imaginação aproveitou a ocasião e tirou Lara de suas garras asquerosas.
_Carambolas! Eu não posso acreditar que você é a Imaginação! É você, mesmo? (perguntou Lara meio que incrédula).
_SIM, LARA! SOU EU!
_Carambolas! Que legal! Eu sempre quis conhecer você! (disse a menina).
_VENHA COMIGO! QUERO TE MOSTRAR UMA COISA! (disse-lhe a Imaginação).
_Espera! E quanto a Erilufc? O que você pretende fazer com ela? (perguntou Lara).
_NÃO SE PREOCUPE! ELA TERÁ O QUE MERECE! (respondeu-lhe a Imaginação).
Sendo assim, a Imaginação fez aparecer em uma de suas mãos aquele pingente no formato de um caixão.
_Você lembra deste pingente, Lara? (perguntou-lhe a Imaginação).
_Sim! Mas ele deveria estar dentro da barriga da baleia, não? (perguntou Lara).
_Ela vomitou o pingente depois que você e os seus amigos saíram da baleia, então eu o peguei! (respondeu a Imaginação).
_E o que você pretende fazer agora? (perguntou Lara).
_Vou aprisioná-la dentro do caixão e confiná-la no ASTRO-REI! Lá, ela será queimará por toda a eternidade! (respondeu-lhe a Imaginação).
Então a Imaginação trancafiou Erilufc dentro do caixão prateado e transportou-a diretamente para o ASTRO-REI, onde o calor e o fogo nunca acabam. Desta vez Erilufc nunca mais faria nenhum tipo de maldade com ninguém. A Imaginação levou Lara para o seu maravilho reino, o Reino das Luzes. A história ainda não havia acabado, pois Lara estava prestes a conhecer aqueles que sempre a amaram desde o começo do atenalp.
Capítulo 26
(O Sonho de Karin)
Em meu sonho, eu estava deitada na minha cama quando de repente, eis que começaram a pingar gotas de sangue no teto do meu quarto. Fiquei demasiadamente assustada. Então levantei-me e tentei abrir a porta. No entanto, a porta estava trancada por fora. Eu abri a janela do meu quarto e tentei sair, mas não consegui, pois a distância entre a janela e o chão era gritante. As gotas de sangue continuavam a pingar no teto e eu não sabia mais o que fazer ao certo. Quanto mais pingava sangue, mais perturbada eu me encontrava. Fiquei com as mãos na cabeça pensando em alguma maneira de sair do quarto. Os minutos passavam-se como o vento de uma tempestade. Fiquei tanto tempo pensando que o quarto inteiro se encheu de sangue carmesim, de tal maneira, que fiquei submersa.
Tentei não abrir minha boca para não sentir o gosto do sangue, no entanto não pude me conter, pois eu precisava respirar. Quando fechei meus olhos, eu desejei profundamente que aquele instante se acabasse de uma vez por todas. Então me encontrei em um lugar totalmente escuro. Não havia um feixe de luz sequer que me iluminasse. Foi então que eu senti um calafrio, pois o escuro sempre foi assustador para mim. De repente, eis que vi uma pequena luz que vinha de um ponto bem alto. Essa luz iluminava aquele lugar, mas ainda não dava pra enxergar tudo. A luz começou a iluminar cada vez com mais intensidade, de maneira que eu pude ver uma escada com inúmeros degraus. Fiquei curiosa para saber até onde ela me levaria. Comecei a subir os degraus, no entanto, havia algo estranho. Quanto mais eu subia pelos degraus mais distante da luz eu me encontrava. Então eu acelerei os meus passos, mas parecia-me que não adiantava de nada. Os degraus eram feitos de pedra. A escada começou a desintegrar-se desde a parte de baixo até a parte de cima. Tentei voltar para o lugar de onde eu comecei a subir, mas a escada se desfez como um boneco de areia. Caí no chão. Assim que eu caí, baratas surgiram do meio da escuridão. Levantei-me muito depressa e comecei a correr fugindo delas, mas elas eram mais rápidas do que eu. Algumas começaram a subir nas minhas pernas. Eu usei minhas mãos para derrubar aqueles insetos asquerosos, no entanto, quanto mais eu tentava me livrar delas mais elas subiam pra cima de mim.
Comecei a pisar em cima delas. Eram muitas. Eu fui esmagando uma por uma, no entanto, elas pareciam não ter fim. Eu usei todas as minhas forças para esmagar todas, mas fiquei cansada e acabei caindo por cima delas. Elas começaram a entrar pela minha boca. Fiquei regurgitando, contudo, o restante delas entrou em meu estômago. De repente eu me encontrei em um lindo campo repleto de belas flores. Tentei tocá-las, mas elas não me permitiam tal coisa, pois elas acabavam arranhando-me com os seus espinhos farpados. Olhei pra o céu e enxerguei vários corações. Talvez fossem tantos quanto o número de estrelas que se apresentam no céu, eu acho. Aquela cena era demasiadamente esquisita para mim.
Cada coração batia no seu próprio ritmo. Apesar de estarem longe, eu conseguia ouvir as batidas de cada um deles. Além das batidas, eu também conseguia escutar vozes. Vozes de pessoas. Minha mente começou a ficar conturbada, pois eu certamente não estava entendendo o que significava tudo aquilo. Borboletas apareceram do nada voando em minha direção. Tentei capturar ao menos uma, mas não tive êxito. Então eu fui transportada para A Cidade de Gelo, no entretanto, o rei Glácius não se encontrava lá. Nem mesmo Corax e nem mesmo Lúpus e os seus irmãos estavam por perto. Quem estava lá eram os meus pais. Só que eles não estavam vivos, pois estavam totalmente congelados. Peguei na mão deles e tentei falar com eles, mas não adiantara de nada. O frio era tão grande que minhas lágrimas congelaram. Vi que não havia mais possibilidade de revivê-los e então comecei a andar rumo Á Cidade sem Nome. Quando eu cheguei lá não encontrei ninguém.
Pensei que Lara estivesse por lá, mas infelizmente não estava. As nuvens se abriram e então começou a chover. A chuva era tão forte que o atenalp começou a ficar submerso. Enquanto chovia eu procurei por algum refúgio que me abrigasse para não morrer afogada. Foi então que apareceu uma bolha enorme. A bolha envolveu-me e então fiquei presa dentro dela. Fiquei por um longo tempo, não sei dizer quanto tempo. A bolha flutuava no céu de lá para cá e de cá para lá. Enquanto isso, eu estava olhando o atenalp submerso em águas profundas e densas. Depois que a chuva cessou as águas baixaram até que a bolha me levou de volta à porção seca. A bolha espocou-se e eu continuei caminhando. Eu não sabia ao certo onde eu estava, mas eu queria acordar daquele sonho. Eu dizia pra mim mesma: “VAMOS, KARIN! ACORDE! ACORDE!”.
Só que o sonho ainda não havia terminado. O lugar em que eu estava era um lugar onde havia somente árvores secas. Nenhuma delas possuía folhas, flores ou frutos. O chão daquele lugar também era seco, pois não tinha nenhuma grama verdejante. Senti uma sede muito grande, mas não havia água por perto. O céu mudava de cor a todo o instante. Uma hora ficava verde, outra hora ficava amarelo, outra hora ficava rubro. O ASTRO-REI brilhava intensamente. O calor era intenso. Senti tanta sede que minhas forças se esgotaram e eu caí no chão. As árvores começaram a pegar fogo, de modo que o calor aumentou mais ainda. Fiquei desmaiada por alguns minutos. Assim que eu acordei, deparei-me com um lugar totalmente diferente. Neste lugar havia chafarizes, mas o que saía desses chafarizes não era água. Era um líquido escuro.
Fiquei assustada com o que vi. Mais outra coisa que eu não estava entendendo. Aproximei-me desses chafarizes e toquei o dedo indicador no líquido preto e viscoso. Coloquei meu dedo na minha língua. O líquido tinha gosto de água. Então comecei a usar as duas mãos para beber aquele líquido desesperadamente. Depois senti uma vontade de vomitar e acabei colocando pra fora aquelas baratas asquerosas que haviam entrado pela minha boca. As baratas ainda estavam vivas, mas elas não me atormentaram e foram embora. Senti uma vontade de tossir. Comecei a tossir asperamente, de maneira que eu estava encurvada sobre o meu corpo olhando para o chão. Eu tossi de uma tal maneira que não me dei conta de que eu havia sido transportada para outro lugar. Desta vez, eu havia sido transportada para uma fazenda. Todavia, nessa fazenda não havia ninguém além de mim. Olhei para a uma casa que se encontrava por perto e eis que saíram diversos besouros-rinocerontes em minha direção. Comecei a correr desesperadamente sem saber ao certo o que fazer.
Corri em direção a um pequeno lago e mergulhei para o fundo na intuição de escapar dos besouros-rinocerontes. Os besouros-rinocerontes foram embora. Depois de um certo tempo eu voltei para a parte de cima do lago e tentei sair. No entanto, uma sucuri apareceu e aproximou-se nadando em minha direção. Ao olhar para trás, vi a sucuri vindo para perto de mim. Comecei a nadar mais intensamente, mesmo assim, a sucuri alcançou-me e apertou-me. Então ela começara a me engolir. Fiquei gritando desesperadamente pedindo por ajuda, mas ninguém aparecera para me ajudar. Acabei entrando no estômago da cobra. De repente eu desmaiei e fiquei alguns minutos dentro do estômago do animal. Quando abri meus olhos percebi que eu estava em um outro lugar. Estava em uma casa feita de madeira. Essa casa possuía três quartos. Fui para o primeiro e tentei abrir a porta.
Todas as portas tinham chave. Abri a primeira porta e vi algo terrível. Várias cabeças de crianças penduradas nas paredes. A expressão de cada um dos rostos era horrenda. Saí imediatamente do primeiro quarto e fui em direção ao segundo. Ao entrar, vi simplesmente uma cama. Ao me abaixar para ver o que tinha de baixo dela vi vários dedos pequenos, eram dedos de criança. Saí imediatamente do segundo quarto e dirigi-me em direção ao terceiro e último quarto. Ao entrar, vi um espelho manchado de sangue. A mancha formava uma palavra que eu não conseguia descrever:
“ETROM”.
Quando eu toquei no espelho, ele reluziu fortemente e eu então fui transportada para outro lugar. Eu estava em um banheiro. No chão do banheiro havia um pedaço de papel com a seguinte palavra: “Quebre-me!”. Mas, quebrar o quê? O que eu tinha que quebrar? Fiquei por um tempo sem entender. Olhei para os cantos do banheiro para ver se tinha algo que poderia ser quebrado. Olhei atentamente até não encontrar mais nada. Até que eu direcionei meus olhos para o que estava na minha frente e eis que vi. Era o espelho do banheiro. Mas com o que eu poderia quebrá-lo? Fechei a minha mão direita e esmurrei o espelho, porém, nada acontecera. Tentei novamente, só que com mais força, mas não adiantou nada. Soquei o espelho por várias vezes, mas o espelho permaneceu intacto.
Parei para pensar um pouco e tentei fazer de outra forma. Comecei a bater em mim mesma com a mesma mão. Então o espelho começou a trincar. Embora doesse muito, fui batendo e batendo em mim mesma até que o espelho se despedaçara aos cacos. Então eu vi um portal que dava acesso a outro lugar. Toquei nesse portal e o portal sugou-me de modo que eu fui levada para outro lugar. Este lugar era um hospital. Comecei a caminhar lentamente. Não havia absolutamente ninguém por perto. Na verdade, não havia ninguém mesmo dentro daquele hospital além de mim.
Eu estava no corredor do hospital. Enquanto eu estava caminhando pelo corredor, surgiram vários ratos que começaram a correr atrás de mim. Comecei a correr com medo dos ratos, mas eles me alcançaram. Entrei no banheiro para esconder-me. O banheiro era o banheiro masculino, mas à essa altura não importava, pois eu estava desesperada. Fui até o vaso sanitário e sentei-me por um breve instante. Quando me levantei, olhei atentamente e vi umas coisas diferentes. Dentro do vaso sanitário havia fetos humanos. Fiquei horrorizada ao ver aquilo. Então eu dei a descarga e os fetos foram água abaixo. Saí do banheiro e caminhei em direção ao segundo andar do hospital.
Quando eu cheguei no segundo andar olhei e vi várias manchas de sangue. Tinha manchas nas paredes, no teto, nas macas e nas portas. Fiquei horrorizada ao ver tudo aquilo. Subi em direção ao terceiro andar. Assim que cheguei lá, deparei-me com vários ratos que estavam devorando-se uns aos outros. Tamanha era a fome brutal entre eles. Sangue e mais sangue espalhou-se por aquele lugar. Foi então que eu decidi sair daquele terrível lugar. Ao sair do hospital, vi alguns cachorros fazendo sexo. Os machos subiam em cima dos machos. Não havia fêmeas por perto. Esquivei-me deles e fui para outra direção. Fiquei caminhando por alguns segundos, quando de repente, eis que aparecera um ônibus vindo em minha direção. Não havia ninguém dirigindo o ônibus. Senti-me forçada a pular em outra direção para que o veículo não me atropelasse.
Pulei de bruços e acabei escapando por pouco. O ônibus bateu de frente com uma parede que havia bem perto de mim. Por pouco ele não me atingiu. Depois que o ônibus colidiu com a parede, vários porcos desceram do ônibus. Os porcos eram de vários tamanhos e de várias cores também. Cocei os meus olhos para ver se o que eu estava enxergando era realmente real. Cocei meus olhos de novo, mas os porcos ainda estavam lá. Um dos porcos começou a defecar enquanto os outros estavam disputando para comer as fezes. Apenas um dos porcos conseguiu comer as fezes. Então os outros porcos começaram a brigar entre si e assim começaram a se ferir. Levantei-me e saí daquela aglomeração de porcos. Fui correndo até um lugar que pudesse me oferecer segurança.
Entrei numa casa bem bonita. Assim que eu entrei deparei-me com um tapete que tinha a seguinte frase: “SEJA BEM-VINDO!”. Esfreguei os meus pés no tapete. De repente, apareceram vários escorpiões vindo na minha direção. Fiquei assustada com a presença dos escorpiões e então, eu logo saí da casa. Ao atravessar a rua eu vi uma dezena de pinguins vindo na minha direção. Comecei a correr em outra direção, mas apareceram tigres vindo dessa direção. Tomei outra direção, contudo, eis que estavam vindo leões em minha direção. Então parei e gritei, porém, minha voz não emitia nenhum som. Os escorpiões, os pinguins, os tigres e os leões aproximavam-se cada vez mais.
Respirei fundo para a minha última tentativa de gritar. Foi nesta última tentativa que minha voz finalmente conseguiu sair. Assim que eu gritei com todas as minhas forças eu fui levada a um deserto que parecia não ter fim. Comecei a caminhar pelo deserto. A cada passo que eu dava, minha alma se angustiava, de modo que eu fiquei chorava copiosamente durante muito tempo. Eu estava chorando sem saber qual o motivo do choro. Eu desejei por um momento poder acordar daquele sonho esquizofrênico. Vozes começaram a sussurrar aos meus ouvidos dizendo assim: “Nesta esfera onde todos habitamos a maldade prevalece, o caminho escurece e o orgulho enegrece o coração dos fracos, onde todos estamos sujeitos ao sono eterno. Enquanto estivermos vivos seremos escravos de nós mesmos. À esta altura, tudo estará perdido. É apenas uma questão de tempo, e também de pura maldade. Mais um pouco e não adiantará de nada poder enxergar, pois quem vê será como se não visse, e quem fala será como o que não tem voz. Não há mais tempo. A escuridão se aproxima.”
Fiquei muito perturbada ao ouvir o que as vozes me disseram. E quanto mais eu pedia para que elas parassem de ecoar nos meus ouvidos mais elas insistiam em sussurrar. Sinceramente não entendi o que as vozes me disseram, mas eu segui em frete, caminhando até não ter mais forças. Quando minhas forças se acabaram eu caí de joelhos na areia, e depois de um tempo, um buraco surgiu no meio do deserto sugando toda areia. Tentei correr para escapar daquele enorme e terrível buraco, mas o buraco me engoliu e eu cai em um abismo profundo. Eu caí em um poço profundo. No poço havia somente lama. Essa lama era uma lama movediça. Forcei os meus pés para que a lama movediça não me engolisse por inteiro, no entanto, ela engoliu-me e eu afundei mais ainda. Depois de ter afundado, eu estava no centro do atenalp. Enxerguei uma sombra que estava se movendo. Tentei me aproximar mais um pouco para ver quem era.
Quando me aproximei, deparei-me com a própria Erilufc. Ela estava com outra pessoa. Quando olhei fiquei horrorizada, pois ela estava com Lara, minha obra-prima. Erilufc estava sugando o seu sangue de forma brutal. Então Erilufc olhou para trás e me viu. Ela tentou me atacar, mas, de uma hora pra outra, eu fui transportada para outro lugar. Fui levada a um lugar que tinha muitas pedras. Havia muitos homens com um martelo na mão. Eles estavam quebrando as pedras. Eu não estava entendendo de que se tratava tudo aquilo. Parecia uma penitenciária. Tentei conversar com aqueles homens, mas eles pareciam não estar ouvindo. Falei em um tom mais alto, mas de nada adiantou.
Acho que eles não estavam sequer me vendo. Um deles caminhou em minha direção e então levantou o martelo para me bater. Abaixei-me para me defender. Foi então que eu fui novamente transportada para um outro lugar. Eu estava em um lugar totalmente esquisito. Tão esquisito que nem eu mesma poderia descrevê-lo. O lugar tinha várias cruzes enfiadas no chão. Eu até pensei que se tratava de um cemitério, mas não era. Eu sabia disso porque não havia nenhum túmulo por perto. Depois eu comecei a escutar vozes de bebês. Fiquei mais uma vez sem entender o que estava acontecendo. Olhei para o chão e vi uma frase escrita que dizia assim: “POUCOS SABEM”.
Permaneci sem entender de que se tratava. Fiquei parada por alguns minutos pensando em alguma maneira de voltar a acordar, mas o meu sonho insistia em fazer de mim uma escrava. Lesmas começaram a subir da terra. Elas subiam nas cruzes e ficavam rodeando-as por várias vezes. Depois as lesmas caíram mortas no chão. De certa forma, eu fiquei com pena delas. Então eu comecei a caminhar sem rumo e sem um norte. Caminhei, caminhei, mas nada encontrei. Escutei um barulho de explosões. O barulho era muito alto. Tão alto que eu pensei que ficaria surda. Tapei os meus ouvidos para não escutar aquele barulho. Depois, uma voz surgiu de dentro da minha cabeça dizendo: “ESTÁ ACABADO! ESTÁ ACABADO! ESTÁ ACABADO!”.
Eu pedia para que aquela voz parasse de me atormentar, pois minha cabeça estava doendo bastante. Então outra voz surgiu de dentro da minha cabeça dizendo: “VOCÊ É MINHA! VOCÊ É MINHA! VOCÊ É MINHA!”. Depois uma terceira voz surgiu de dentro da minha cabeça dizendo: “VAI ACABAR LOGO! VAI ACABAR LOGO! VAI ACABAR LOGO!”.
Fiquei tão atormentada com aquelas vozes que eu caí no chão sem nenhuma força para me levantar. Depois de alguns minutos, eu recobrei o ânimo e assim me levantei. Só que eu estava em outro lugar. Eu estava em uma roda gigante, mas a roda gigante estava parada. Somente eu estava lá. Tentei chamar por ajuda, mas não havia ninguém por perto. Então tentei descer aos poucos até pisar no chão. Assim que cheguei ao chão, várias aranhas vieram em minha direção.
Corri para fora do parque de diversões, mas as aranhas conseguiram me acompanhar. Fui para o meio da rua. Quando eu tentei atravessar a rua vários cavalos de várias cores vieram em minha direção. Desviei de uns e dos outros, de maneira que eu consegui me esquivar de todos eles. Depois de me esquivar-me, passei para o outro lado da rua. Entrei em uma lanchonete. Também não havia absolutamente ninguém por lá. Escutei um barulho de um avião. Parecia que o avião estava bem perto da lanchonete. Então o avião atingiu a lanchonete despedaçando-a completamente, mas o incrível é que eu não fui atingida por ele. Corri para outro lugar que pudesse me abrigar.
Fui em direção a um bar que estava bem próximo de mim. Entrei no bar. Depois de ter entrado, vi alguns gatos em cima do balcão. Eles estavam bebendo nos copos que estavam em cima. Havia cerveja nos copos. Quando eles me viram ficaram assustados com a minha presença e saíram do bar. Havia um som de piano. Ao que parecia, tudo indicava que havia alguém tocando uma música. Fui para a parte de dentro do bar para ver quem era. Quando eu entrei no fundo do bar eu vi um piano de cauda, mas não havia ninguém tocando. As teclas do piano subiam e desciam aleatoriamente. Saí imediatamente do bar. Quando eu saí, deparei-me com um elefante enorme que estava na frente da porta do bar. Sorte a minha o elefante não ter me causado nenhum mal. Tomei outra direção e segui em frente.
Enquanto eu estava caminhando eu estava escutando um som de algo como se fossem copos caindo no chão. Olhei para cima e vi atentamente. Estava chovendo copos de vidro. Os copos caíam e viravam cacos num simples piscar de olhos. Comecei a correr em busca de abrigo. Havia um prédio bem perto de mim. Então entrei no prédio e fiquei lá por um certo tempo. Os copos continuavam a cair. Subi até o último andar do prédio. De repente, o prédio começou a pegar fogo. Fiquei deveras com medo e comecei a descer pelas escadas. Não havia ninguém no prédio além de mim. Fui descendo, descendo e descendo até que o prédio começou a desabar. Fiquei mais assustada ainda e gritei, quando de repente eu fechei meus olhos. Quando os abri eu estava em outro lugar. Eu estava debaixo de uma árvore e estava encostada nela.
Em minhas duas mãos estava um livro aparentemente muito bonito. O livro era branco por fora, mas não possuía nenhum título. Abri o livro para ler, mas não havia nada escrito. Não tinha prefácio. Não tinha introdução. Não tinha história. Não tinha as considerações finais. Não tinha nada. Fechei o livro. Depois que eu fechei apareceu uma faca prateada na minha mão direita. O que eu poderia fazer com uma faca prateada na mão? Então uma voz ecoou de dentro do meu coração.
_USE A FACA E ACERTE O LIVRO NO MEIO!
Fiz o que a voz me ordenara. Depois que eu feri o livro no meio começou a sair um líquido dourado. Saía muito líquido do livro em grande quantidade, de tal maneira que o lugar onde eu estava foi inundado por aquele líquido dourado. Depois eu me vi em um lugar parecido com uma fábrica. Havia muitas pessoas trabalhando nesse lugar. Também havia muitas máquinas funcionando e fabricando papel. Outras máquinas estavam imprimindo letras com esses papéis. De repente, surgiu um homem bem vestido no meio daqueles trabalhadores dizendo: “Vamos! Ainda há muita coisa para se fazer! Não temos o dia todo! Precisamos cumprir com a nossa palavra! Há muitas pessoas lá fora que querem conhecer esta obra! Vamos! Trabalhem o mais rápido possível!
A princípio, eu não entendi do que se tratava, mas depois de pensar um pouquinho eu entendi. Fiquei feliz ao saber. Fiquei apenas olhando com muita admiração o quão grandioso era o trabalho que eles estavam fazendo. Depois disso, fui transportada para uma loja. Eu não sabia que tipo de loja era essa, pois não havia nada nela. Talvez ela estivesse em reforma. Mas eu vi muitas pessoas perguntando se havia chegado um certo produto. Eu não conseguia entender o que essas pessoas estavam dizendo, pois eu não estava escutando direito. Então eu sai dessa loja. Eu caminhava pelas ruas da cidade e via alguns estudantes lendo um livro. Também havia adultos com o mesmo livro na mão. Eu tentei aproximar-me de um dos estudantes e perguntei o que esse estudante estava lendo. O estudante me respondeu, mas eu não escutei nada. Caminhei em direção a uma lanchonete. Perguntei para o trabalhador quanto custava um copo de suco. O trabalhador da lanchonete me respondeu, mas eu novamente não escutei nada. Então eu sai da lanchonete.
De repente, o tempo parou. Apenas eu podia me mover. Então eu comecei a subir em direção ao céu. As pessoas que estavam olhando para cima podiam ver-me da parte da parte de baixo enquanto eu subia aos lentamente. Eu subi até um lugar, um lugar majestoso. Era um lugar lindo com campos e flores. Uma cidade feita de ouro puro. Então apareceu outra de minhas obra-primas. Era a Imaginação. A Imaginação começou a conversar comigo.
_Você gostaria de sair deste sonho, não é? (perguntou a ela).
_Sim! Mas agora que estou conversando com você eu estou mais tranquila agora! (respondi eu).
_Sou muito grata a você por ter me criado! (disse-lhe a Imaginação).
_Não foi nada! Você é a minha prevalência! Sem você não haveria o atenalp! Não haveria Lara. Não haveria Glácius! (eu lhe respondi).
_Mas você criou Erilufc! (disse a Imaginação).
_Eu tive que criar ela para que a história ganhasse peso e emoção! (eu lhe respondi).
_Você viu Erilufc sugando o sangue de Lara, não viu? (perguntou-me a Imaginação).
_Sim, eu vi!
_E qual foi a sensação? (perguntou-me a Imaginação).
_Foi como se eu tivesse uma filha e ela tivesse sido assassinada por um terrível criminoso! (eu lhe respondi).
_Eu sei como deve ter se sentido! (disse-me a Imaginação).
_Mas você bem sabe que a história não é assim. Eu coloquei você como onipotente, onipresente e onisciente na história! Tudo existe graças a você! (eu lhe disse).
_Não! Tudo existe graças a você! Eu e os outros seres que você criou somos apenas pontes para a pequena Lara! (disse-me a Imaginação).
_Eu só queria ter uma vida melhor! (eu lhe disse).
_Todos desejam ter uma vida melhor! Mas acontece que alguns sofrem mais do que outros! Esta é a diferença entre o meu atenalp e o seu atenalp! (respondeu-me a Imaginação).
_Você foi criada por mim! Agora diga-me uma coisa. Quem sou eu pra você? (perguntei-lhe eu).
_Você é uma escritora fabulosa que escreve com muito amor e dedicação! Mas eu também preciso te perguntar uma coisa! (disse-me a Imaginação).
_Pergunte! (eu disse a ela).
_Porque na maioria das vezes você estava tremendo as mãos enquanto escrevia? (perguntou-me a Imaginação).
_A minha vida é muito sofrida. Não vale à pena dizer. Você é apenas parte de minhas criações e você não pode me aconselhar! Você só é onisciente dentro da minha história! Acredite! Você não entenderia! (disse eu).
_Tudo bem, então! (disse-me a Imaginação).
_Eu poderia colocar você para ajudar Lara em todos os momentos por que eu queria que Lara aprendesse a se virar sozinha! Mas isso não significa dizer que ela não seja dependente de você! Você é o Deus dessa menina. (disse-lhe eu).
_E o que é um Deus? (perguntou-me a Imaginação).
_Um Deus é tudo aquilo de que todos precisam! Mas nem todos reconhecem que precisam! (respondi eu).
_Ah! Acho que compreendi o que é um Deus! (disse-me a Imaginação).
_E o que é um Deus? (devolvi-lhe com uma pergunta).
_Um Deus é uma mãe da qual todo filho precisa! (respondeu-me a Imaginação).
Fiquei impressionada com a resposta da Imaginação. Nunca imaginei que minhas próprias criações pudessem me dar lições de vida. De fato, a Imaginação acertou quando ela me perguntou porque eu estava nervosa enquanto estava escrevendo o meu livro. Eu bem sabia que não havia mais nenhum lugar para o qual eu poderia ir. Depois, eu desci do céu por uma escada de ouro. Eu desci muito vagarosamente pelos degraus até chegar de volta ao chão da cidade de onde eu havia sido arrebatada. Quando eu toquei os pés no chão, senti-me aliviada por ter conversado com a Imaginação.
Comecei a andar pelas ruas. E por onde eu andava eu via as pessoas se transformando em Lara. Dobrei à esquerda, mas as pessoas continuavam transformando-se em Lara. O homem de terno transformou-se em Lara. A senhora de muletas transformou-se em Lara. O homem gordo transformou-se em Lara. Comecei a acelerar os passos, pois essas pessoas que haviam transformando-se em minha personagem preferida estavam se aproximando de mim. Até os cachorros se transformavam na pequena Lara. O menino se transformou em Lara, a adolescente se transformou em Lara, o jovem de cabelo punk se transformou em Lara, a mulher de cabelos ruivos se transformou em Lara. Até eu me transformei em Lara. Então eu acordei.
Capítulo 27
(Um Lugar como Nenhum Outro)
Lara estava no Reino das Luzes. Um lugar cuja mente nenhuma poderia imaginar. Nem mesmo a mente de Lara.
_Carambolas! Que lugar mais bonito! (disse ela consigo mesma).
_E você não viu nada! Aqui as casas são de ouro. Os rios são de água pura e cristalina. Até os animais que aqui existem são pacíficos e puros de coração. (disse-lhe a Imaginação).
_Ei, que animais são aqueles que estão perto daquela árvore enorme? (perguntou Lara).
_Aqueles animais são pôneis! Eles têm um chifre só em suas cabeças. (respondeu-lhe a Imaginação).
_É sim! E cada um deles é de uma cor diferente! (exclamou Lara eufórica).
_É sim! (disse a Imaginação).
_Existem muitas árvores por aqui! Posso ir até aquela? (perguntou Lara).
_Claro que pode! (respondeu a Imaginação).
Lara correu em direção até a árvore. Ao chegar perto dela, ela olhou para cima e viu os frutos que existiam na árvore.
_Carambolas! Eu queria ser grande pra poder subir nesta árvore e tirar pelo menos uma fruta pra mim! (disse Lara).
_Não se preocupe! (disse a Imaginação).
Então a Imaginação fez aparecer em suas mãos uma fruta igualzinha às outras que estavam na árvore.
_Carambolas! Obrigada! (agradeceu a menina).
Lara pegou a fruta e deu-lhe uma saborosa mordida.
_Agora que você conhece toda a história, você gostaria de conhecer a Luz? (perguntou-lhe a Imaginação).
_Claro! Onde ela está? (perguntou Lara).
_Venha comigo! Ela não está muito longe de nós! (disse a Imaginação).
Lara segurou na mão da Imaginação e seguiu andando. Depois de alguns passos, Lara olhou atentamente e viu uma mulher de cabelos dourados e um vestido azul. A mulher que estava de costas disse para Lara.
_Que bom que você está aqui, Lara! Esperei muito por este momento maravilhoso! (disse-lhe a Mulher).
_Você é a Luz? (perguntou a menina admirada com sua beleza).
_Sim! Sou eu! (respondeu a mulher virando-se para Lara).
_Carambolas! Você é tão bonita quanto a Imaginação! (disse-lhe a menina).
_É, eu sei que você está impressionada em nos ver, e isso nos deixa muito contentes também! (disse-lhe a Luz).
_Você é uma das responsáveis pela criação do atenalp! (disse Lara com os olhos arregalados).
_Sim! Mas você deve saber que não fui apenas eu que ajudei a criar o atenalp! O Princípio nos criou para que juntos pudéssemos agir de comum acordo! (respondeu-lhe a Luz).
_E onde é que está o Princípio? (perguntou Lara).
_Ele está logo ali! (respondeu a Luz).
_Ali, onde? (perguntou Lara).
_Ele está sentado no seu alto e sublime trono. (respondeu a Luz).
_Você e a Imaginação podem me levar até Ele? (perguntou Lara).
_Claro que sim! Aliás, foi por isso que a Imaginação trouxe você até aqui! (disse a Luz).
_Você sempre foi amada pelo Princípio! (disse-lhe a Imaginação).
_É mesmo? (perguntou Lara sentido uma sensação arrebatadora).
_Claro! (respondeu a Luz).
_Carambolas! Eu não sou digna de ver o Princípio! (disse Lara olhando para baixo).
_Quem é você? (perguntou-lhe a Imaginação).
_Eu? (perguntou Lara).
_É! Diga-nos! Quem é você? (perguntou-lhe a Luz).
_Eu... Eu... Eu sou Lara! Uma menina que está sempre curiosa e quer saber das coisas! Essa sou eu! (respondeu Lara sorrindo).
_Se você sabe quem você é, então não há razões para temer! (disse-lhe a Luz).
_Vamos? (disse a Imaginação).
_Sim! Vamos!
Lara segurou na mão direita da Imaginação e na mão esquerda da Luz. Depois de alguns passos, ela conseguiu enxergar o Princípio de longe. Um homem muito bem afeiçoado de rosto com vestes reais e uma belíssima coroa na cabeça. O Princípio levantou-se e lhe disse.
_Lara, minha querida criança! (disse o Princípio).
Lara ajoelhou-se. A Imaginação e a Luz também ajoelharam-se perante o Princípio.
_Meu pai! Lara sempre quis conhecê-lo pessoalmente! Eu mesma fiz questão de trazê-la até o senhor! (disse-lhe a Imaginação).
_Como o senhor bem sabe, Erilufc fingiu ser a própria Imaginação e cometeu muitas torpezas. Ela foi punida como merecido. Lara sofreu muitos males causados por ela. Neste terceiro milênio ela foi a única que leu o Livro das Verdades Absolutas! (disse-lhe a Luz).
_Lara! Venha cá e me dê um abraço! (disse o Princípio).
Lara se pês de pé e foi até o Princípio. O Princípio abraçou a menina com muito amor. Então Lara começara a chorar e a abraçar o Princípio com mais força ainda.
_Eu sei que essas lágrimas não são de tristeza! Conheço o mais íntimo do seu interior! (disse-lhe o Princípio).
_Como é que o senhor sabe que eu não estou chorando de tristeza? (perguntou a menina).
_Eu conheço todas as coisas! (respondeu-lhe o Princípio).
_É por causa de você que eu estou viva? (perguntou-Lhe Lara).
_Não só por minha causa, como também por causa da minha filha Imaginação e também por causa da Luz que sempre a guiou pelos caminhos corretos. (respondeu-lhe o Princípio).
_Eu tenho muitas perguntas para fazer, mas não sei se eu posso! (disse Lara).
_Minha doce criança! Não precisa ficar com medo de perguntar! Pode perguntar! (disse-lhe o Princípio).
_Porque Aznic deixou de acreditar em você? (perguntou Lara).
_Ele queria forçar o atenalp a acreditar em mim! Mesmo Eu sendo um rei, nunca obriguei ninguém a acreditar em mim. Cada ser do atenalp tem a livre escolha de querer acreditar em mim, ou não. Com o passar dos anos Aznic perdeu suas esperanças e deixou até mesmo de acreditar em mim por conta de seu sofrimento! (respondeu-lhe o Princípio).
_E se eu for até ele? (perguntou-lhe Lara).
_A fé não é como uma pedra pequena que você pode levar para qualquer lugar! Somente a Luz pode colocar fé no coração de Aznic novamente! Isso, se ele estiver disposto a confiar em mim! (respondeu-lhe o Princípio).
_E o que eu posso fazer quanto a isso? (perguntou Lara).
_Olhe e espere! No entanto, Aznic só pode recuperar a esperança se ele me aceitar novamente como seu mestre e senhor! (respondeu o Princípio).
_E o que eu posso fazer para melhorar o atenalp? (perguntou Lara).
_Leve o meu amor a todas as criaturas do atenalp! (disse-lhe o Princípio).
_E como eu posso fazer isso? (perguntou Lara coçando a cabeça ludicamente).
_Diga a todos os seres do atenalp que Eu amo cada um deles! (respondeu-lhe o Princípio).
Então o Princípio passou a mão na cabeça de Lara carinhosamente e despediu-se dela dizendo.
_Sempre que você quiser visitar o meu reino basta chamar pela minha filha Imaginação e ela a trará até o Reino das Luzes!
_Tudo bem! (respondeu Lara).
_Ah! Lara! (disse-lhe o Princípio).
_Sim? (disse Lara atenciosa).
_Eu amo você! Nunca se esqueça disso! (disse-lhe o Princípio).
_Eu também amo você! (disse Lara sorrindo).
Então a Imaginação e a Luz levantaram-se e pegaram na mão de Lara para guiá-la.
_Você sabe o que fazer agora, não sabe? (perguntou a Imaginação).
_Sim! (respondeu Lara).
_É de amor que os todos os seres do atenalp precisam! (disse-lhe a Luz).
_Venha cá e nos dê um abraço! (disse a Imaginação).
Lara abraçou a Imaginação e depois abraçou a Luz. Depois de abraçá-las Lara lhes disse.
_Mas, de que maneira eu vou falar do amor do Princípio? (perguntou Lara).
Então a Luz fez com que O Livro das Verdades Absolutas aparecesse em suas mãos.
_Aqui! Fique com o livro! Leia o livro para as pessoas e fale como tudo aconteceu! Só assim os seres do atenalp conhecerão a verdade! (disse a Luz).
_Certo! Pode deixar comigo! (disse Lara sorridente).
_Sempre que precisar de ajuda é só chamar por mim! (disse a Imaginação sorrindo para Lara).
_Tá! (disse Lara alegremente).
Então Lara fora transportada de volta para o atenalp. Assim que ela retornou ao atenalp, ela foi colocada em frente ao antigo lugar que correspondia à sua casa, outrora incendiada por Trios.
_Nossa! Carambolas! E agora que a minha casa está completamente queimada, o que eu vou fazer agora? (perguntou Lara para si mesma sentindo seu pequeno coração apertar).
Quando Lara disse isso, em questão de segundos, a casa de Lara foi restaurada num piscar de olhos. Lara olhou para cima e disse em alta voz.
_Carambolas! Muito obrigada! Muito obrigada mesmo!
Agora que o atenalp estava livre das maldades de Erilufc, Lara podia seguir a sua jornada falando do amor do Princípio a todos os seres do atenalp. Lara estava com o livro mais importante do atenalp. Mas antes de visitar todos os seres do atenalp, Lara entrou em sua casa, pois estava com muitas saudades de seu antigo lar. Infelizmente os vizinhos de Lara não estavam mais na Cidade sem Nome. Isso incomodava bastante a pequena Lara. No entanto, ela agora tinha uma nova missão no atenalp.
Capítulo 28
(Um Sonho Realizado)
E esta história foi aprovada por uma das maiores editoras do mundo. O livro que Karin escreveu foi publicado e alcançou o coração de bilhões e bilhões de leitores. O livro rendeu mais de 5 bilhões de cópias. O dinheiro alcançado pela editora através das vendas fora investido em instituições de caridade. De fato, Karin conseguiu realizar o seu sonho, pois ela sempre sonhou em ser uma escritora reconhecida no mundo inteiro. E assim foi publicado o livro de Karin pela editora chamada Fantasy. Os funcionários da editora aprovaram a história de cara e assim decidiram publicá-la. Karin já havia intitulado o livro. E o livro de Karin passou a ser chamado de “O Magnífico Mundo de Lara”.
Capítulo 29
(Lara)
Mas a história não acaba por aqui, pois nossa querida amiga Lara, que estava lendo um livro na sua casa, pegou outro livro com páginas em branco, um lápis, e começou a escrever.
_Ai, carambolas! O que eu vou escrever agora? Ah! Já sei!
Havia uma menina de olhos verdes e cabelos roxos que se chamava Aurora. Esta linda menina nasceu no segundo milênio. Sua família morava em uma cidade chamada A Cidade Alegre. Todos os habitantes eram felizes e não havia coisas como brigas e mentiras por lá. Aurora cresceu e viveu por ali. A Cidade Alegre era composta por inúmeros campos verdejantes. Não havia flores nos campos. Somente a grama verde e macia. Depois de alguns anos Aurora começou a passear pelos campos. Por onde Aurora passava, os campos eram cobertos de flores. E as flores que nasciam eram das mais diversas espécies. Aurora saltava pelos campos pulando de alegria, pois sua alegria era contagiante. Certo dia, Aurora levantou-se da sua cama e...
Capítulo 30
(Uma Nova Aventura)
E assim Lara foi escrevendo aos poucos o seu livro. Ela percebeu que ela mesma poderia ser a escritora de sua própria história. Mas ela não se esquecera de sua missão principal, pois ela estava decidida a falar do amor da Imaginação para todos os seres vivos. Infelizmente Lara não poderia mais ter os seus amigos de volta. No entanto, ela fez novas amizades e conheceu novos amigos. Lara de fato fizera muitos amigos, tantos que não se podiam contar. Até mesmo Aznic tornou-se amigo de Lara e também pôde recuperar sua esperança, outrora perdida. A esperança de que o atenalp podia, sim, ser um lugar bem melhor. E por onde Lara passava ela falava do imenso amor que a Imaginação tinha para com todos os seres do atenalp. Com os passar dos anos Lara tornou-se uma linda mulher e mais esperta do que antes.
Esses anos que se passaram foram de encontro ao quarto milênio. Nesse tempo todos os seres já conheciam a grandeza do Princípio, o amor da Imaginação, e a pureza da Luz. Então o Princípio decidiu juntamente com a Imaginação e a Luz que eles passariam a morar com todos os seres do atenalp. E todos os seres do atenalp os receberam com muita alegria. Lara ficara muito contente, pois esse era um de seus maiores desejos, isto é, que todos os seres do atenalp viessem a conhecer os criadores do atenalp.
Erilufc permaneceu presa dentro do caixão prateado, isolada de tudo e de todos, mas Lara e seus novos amigos passaram a viver contentes por toda a eternidade. E assim viveu Lara os seus belos dias. Dias gloriosos em que nenhuma dor ou vestígio de sofrimento pudesse reinar, pois todos agora estavam diante do Princípio, da Imaginação e da Luz.
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